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CAPÍTULO 20

作者: Alex Mello
last update 公開日: 2021-10-23 11:16:29

“Que calor insuportável, Jesus Cristo!” – mesmo com o ar-condicionado do carro ligado, Henrique podia jurar que o verão em Illinois estava surpreendentemente acima da média. Os termômetros nas ruas marcavam entre 30 e 35 graus, seu organismo já tinha se acostumado com a temperatura bem mais amena para fria. – “E olha que sou brasileiro devia estar acostumado com isso.”

- Oi, Maxie.

[O que você está fazendo na rua, Gabe? Devia estar em casa.] – Henrique atendeu a ligação no viva-voz do carro.

- Se eu ficasse mais um segundo dentro de casa eu ia pirar. Além do mais, acho que da pra ir no mercado, não é?

[Mas eu podia ir para você, meu amor.]

- Maxie, estou grávido, não inválido ou doente.

[Nicholas está com você, pelo menos?]

- Não, ele foi em Chicago para resolver algumas coisas e pegar os equipamentos emprestados com um amigo para nossa sessão de fotografia.

[Não gosto de você saindo sem companhia assim, fico preocupado com vocês dois. Ainda por cima nesse calor escaldante que está fazendo hoje.]

- Fica tranquilo, amor. Estamos dentro do carro, com o ar-condicionado no mínimo, vamos sair rapidamente entrar no mercado, então está dominado.

[Se sentir qualquer coisa me ligue.]

- Quando eu não ligo? Te amo.

[Te amo mais. Te amo, pequeno Owie.]

- Ele se mexeu aqui.

[Jura?]

- Pelo nosso amor. Será que ele já consegue reconhecer as nossas vozes?

[Acho que já está nessa fase da gravidez, né? Que legal!]

Maximus passou uma lista pequena de coisas que queria do mercado por mensagem assim que desligaram. Henrique chegou em minutos no estabelecimento predileto deles que ficava na zona leste da cidade, apesar de afastado era um supermercado gigantesco que funcionava 24 horas por dia.

O pouco tempo que ficou fora do carro até entrar no prédio foi suficiente para suar e cansar de tão quente que estava o dia. Algumas pessoas olharam torto para ele por estar estacionando sua SUV nas vagas especiais, até verem que ele estava grávido.

Mesmo assim alguns exemplares ainda mantinham a cara feita, mas obviamente por outro motivo.

“Pessoas, já estamos na geração alpha, qual é o problema de vocês dinossauros?!”

Quando cruzou a cortina de vento da loja sentiu um alívio imediato. Tratou de tomar um generoso gole d’água. Sua respiração estava intensa, como se tivesse feito uma hora de corrida na esteira e foi logo abordado por uma funcionária do estabelecimento.

- O senhor está bem? Precisa de algo?

- Estou bem, obrigado. Onde posso pegar um carrinho?

- Deixa que eu busco para o senhor. – a garota voltou rapidamente.

- Muito obrigado.

- Se precisar de ajuda é só me procurar por aqui.

- Pode deixar.

Começou a andar pelos corredores pegando as coisas que precisava, e as que não precisava também, as vontades do pequeno Owen estavam dominando os corredores, principalmente de guloseimas.

“Você vai me deixar em forma... ESFÉRICA como a lua do seu quarto, vai parecer até um autorretrato. Vou ter que me matar na academia depois que você sair daí.”

Estava tão distraído em seus pensamentos e pegando cada uma das coisas da lista de Maximus que não percebeu que uma pessoa o observava à distância. Tipo, cuidadosamente à distância. Andrew Kirkman estava ali, coincidência ou não era o que pouco importava.

Maximus tinha procurado por ele no dia seguinte ao episódio no píer em Chicago para que ele assinasse o termo de confidencialidade.

- Sr. Fuller, eu entendo a sua preocupação com a sua privacidade. Eu assino o termo de confidencialidade, sim. – Maximus sentiu-se aliviado. – Mas...

- Não existem condições, Sr. Kirkman.

- Tenho certeza de que não irá me negar isso. Eu quero uma declaração exclusiva caso venha trazer a verdade à tona. Me desculpe, mas eu não consigo engolir essa necessidade de manter tudo em segredo se fosse apenas um caso de um homem transexual ter engravidado. E, me desculpe, vocês não são exatamente celebridades que necessitam manter sigilo em nível industrial sobre suas atividades. Posso ser um jornalista freelancer de uma cidade não tão grande, mas não sou idiota.

- Assine o documento, Sr. Kirkman. Eu aceito seus termos. – Fez um adendo no contrato rapidamente usando seu próprio celular e imprimiu no escritório de Andrew.

- Não precisa discutir isso com seu parceiro? – pegou a caneta e rubricou todas as páginas, lendo atentamente cada linha, assinando a última como de costume.

- Não há necessidade. – Mack baixou um pouco a guarda depois que recebeu o documento assinado. – Entenda, Sr. Kirkman, o que aconteceu com a gente realmente é algo fora da curva. Vamos marcar um dia para conversarmos, eu, você e meu marido. E vai entender.

O jornalista não tirou os olhos de Henrique por nenhum instante enquanto relembrava a breve conversa que teve com o marido superprotetor. Ele indiretamente teve a confirmação de que algo muito surreal havia acontecido com o casal.

Notou que o grávido não estava se sentindo muito bem, levou uma das mãos à testa, apoiando-se com dificuldade no carrinho. Correu em seu socorro pouco se importando em como poderia ser interpretado posteriormente. Chegou bem a tempo de segurar Henrique antes do desmaio.

A única coisa que Henry falou antes do apagão foi:

- Você?! – quase inaudível e desmaiou.

Henrique acordou em um quarto de hospital, ligado a monitores e bolsas de hidratação. Quando seus olhos enfim conseguiram focar em algo viu Andrew Kirkman sentado no sofá-cama lendo algo em seu tablet.

- O... O que você está fazendo aqui?

- Você estava severamente desidratado, sabia?

- Co-como cheguei...

- Ambulância. Eu chamei os paramédicos, entrei em contato com seu médico e o trouxemos para cá.

- Meu médico?! Como você...

- Na sua carteira tem seus contatos de emergência: seu marido, seu médico, seus pais e até seus animais de estimação.

- Obrigado... eu acho.

- De nada, Sr. Fuller.

- Pode me chamar de Henrique ou Henry como a maioria me chama.

Maximus estacionou o carro de qualquer jeito e correu para o lobby do hospital. No caminho, viu o coiote branco de orelhas e rabo ruivos deitado como se fosse um cachorro comum. Se entreolharam e Mack poderia jurar que o animal estava sorrindo docemente para ele.

Sorriu de volta e entrou no hospital.

- Vou avisar ao seu médico que você já acordou. – Andrew cruzou com Maximus na saída do quarto. Mack estendeu a mão para o jornalista e apertaram.

- Obrigado, Kirkman.

- Não fiz nada de diferente que qualquer outra pessoa faria no meu lugar.

Maximus sorriu para ele e correu para Henrique e o abraçou. Tremia de nervoso.

- Meu Maxie, estou bem... estamos bem. Olha... – colocou uma das mãos do marido onde o bebê mexia. Ambos começaram a chorar.

- Achei que tivesse tendo algum problema mais sério. Dr. Bells falou que não foi nada demais, apenas uma leve desidratação por conta do calor.

Logo em seguida, Mack ainda enxugava o próprio rosto quando o médico entrou.

- Que susto vocês dois nos deram, hein, Sr. Henry e Sr. Owen. – a simpatia dele era algo que deixava o ambiente mais leve. – Provavelmente já está sabendo que o que aconteceu foi uma leve desidratação e está tudo bem com ambos, já sabem os procedimentos que tomo, não é?

- Ficar por aqui a noite para observação. – o médico sorriu para a voz desanimada de Henrique.

- Você tem bebido bastante líquido, Henrique?

- A mesma quantidade de sempre.

- Deveria estar ingerindo ainda mais, meu caro. Com esse calor, sua desidratação é ainda mais rápida, então, vamos aumentar a quantidade de líquidos, ok?

- Tudo bem, doutor.

- Mas, mais uma vez, podem ficar tranquilos. Tanto você quanto o bebê estão bem. Tenho que fazer apenas uma recomendação, evite sair de casa em dias quentes como esse, ok?

- Aprendi a lição, Rob. Pode ficar relaxado.

- Ótimo. Outro susto desse quem vai enfartar sou eu. Qualquer coisa mandem me chamar, ok? – verificou os aparelhos e as bolsas de soro e saiu do quarto.

- Acho que devemos conversar com Andrew, não acha? Ele merece. – Henrique falou para Maximus olhando nos olhos dele.

- Tem certeza?

- O que ele poderia fazer de qualquer forma? Não assinou o documento?

- Isso é.

- Então? – Maximus ligou para a recepção e solicitou que chamassem o jornalista que apareceu em minutos.

- Vocês me chamaram? – Andrew parecia levemente desconfiado. Maximus concordou e ofereceu a cadeira próxima do leito de Henrique para que ele se sentasse.

- Posso te chamar de Andrew? – Henrique começou nervoso. O jornalista concordou com a cabeça. – Vamos te contar a verdade, porém...

- Ainda não posso divulgar nada a respeito. Não se preocupem, posso ser um repórter que tem uma ambição grande, mas não sou desumano. – Tirou o gravador do bolso. – Posso?

- Tudo bem. Percebemos seu lado mais humano hoje. Devia demonstrar mais, acho que conseguiria suas histórias de maneira mais fácil e menos indolor. – riram, e Henrique continuou. – Quer fazer como? Eu falo tudo ou tipo uma entrevista mesmo?

- Como preferir.

- Só mais uma coisa, você sabe que eu não vou permitir que essa história seja divulgada sem antes passar pela nossa aprovação? Digo, o texto estar aprovado por nós. Não queremos que o que for dito aqui seja distorcido ou transformado em algo maior ou menor do que realmente é. – falou o advogado.

- Entendo e aceito.

- Sabe também que vou querer uma cópia desse áudio, não sabe?

- Imaginei que haveria essa exigência também. Não tem problema.

- Vou começar então. – Henrique respirou fundo. – Acredito que você já tenha percebido que a desculpa que usei sobre ser trans não é nem de perto a verdade. Então, realmente não é. A gente não sabe nem como, nem o porquê, e nem estamos interessados nisso no momento, mas o fato é que: sim, eu sou homem, nasci homem, não mudei de sexo e não sou hermafrodita, meu histórico médico pode confirmar isso; e, eu estou de fato grávido. Existe um bebê crescendo nessa barriga, meu corpo criou esse órgão muito parecido com o útero e simplesmente, do nada, tudo isso aconteceu.

- Por que esse segredo todo?

- Imagina uma coisa: sou provavelmente o primeiro caso no mundo inteiro que acontece uma coisa dessas, acha mesmo que a mídia e a ciência médica iria ficar quieta no seu canto e eu teria essa gravidez de forma bem tranquila e pacífica? Você é jornalista, sabe que isso seria impossível. Eu poderia ser considerado um milagre da medicina, e isso seria o menor dos problemas.

- Somos um casal gay. Isso por si só já atrai a atenção dos grupos fanáticos religiosos, extremistas políticos e pessoas com uma mentalidade, digamos, extremamente ultrapassada. Nossa segurança, da nossa família e até de nossos amigos, estaria em risco o tempo todo.

- Mas o outro lado também seria problemático. Não queria que nosso bebê ou eu fosse considerado algum tipo de messias ou santo, ou um presságio. Nem ter que ficar o tempo todo sendo abordado pelas pessoas. É muito estresse, um estresse que não queríamos passar por ele. E esses são apenas alguns dos problemas pelos quais poderíamos passar. Se a gravidez para uma mulher já é um processo lindo, porém estressante, doloroso, cansativo, estranho... ou seja, uma montanha-russa extremamente radical de emoções e situações, isso tudo sem a intervenção da mídia, médicos, curiosos e todos os outros que já mencionamos...

- Imagina sendo uma gravidez vinda diretamente de uma pessoa nascida no sexo masculino que de repente, por uma ironia do destino, fica grávido sem ter feito nenhum tipo de inseminação artificial, ou transplante de útero, se é que isso é possível. – Maximus completou.

- Infelizmente não tenho como não concordar.

- A nossa sorte é que Max é advogado de uma grande firma e é muito bom no que faz. – Henrique usou uma versão diferente de como chamava seu marido intencionalmente, o apelido carinhoso era somente para os momentos entre eles, não para a mídia. – Decidimos colocar todo mundo sob um forte contrato de sigilo, mesmo aqueles que não foram escolhidos para acompanhar o processo.

- Não sei se você percebeu, só para ter um exemplo: o Dr. Robert Bells não deixa o prontuário do Henrique no suporte, está sempre com ele. Para que a enfermagem não tenha acesso. Somente o médico-chefe e a enfermeira-chefe do hospital podem, em caso de necessidade extrema, acessar os dados do Henrique ou meus.

- Entende agora? Temos a intenção de tornar isso mais ou menos público no futuro, até porque termos que registrar o bebê, futuramente ele irá para escola e outras situações podem exigir que se tenha conhecimento de tudo, mas não agora. Ainda não estamos preparados para um milhão de perguntas que, para muitas, não temos uma resposta objetiva a não ser “foi um milagre”. – Henrique acariciou a barriga com uma ternura comovente.

Andrew percebeu que não teria muito mais o que acrescentar ao depoimento e se levantou.

- Não se preocupem. Vou manter tudo isso em total sigilo, não divulgarei nada até que me deem o sinal verde. E... parabéns pelo filho, eu acho.

Henrique riu alto.

- Obrigado, Andrew. Não apenas pelo sigilo, mas principalmente por me socorrer no mercado.

- Que nada, eu só estava no lugar certo e na hora certa. – deu uma piscadela e entregou o gravador nas mãos de Maximus. – Quando vocês decidirem que é a hora, me devolvam, ok?

- Certo. – Apertaram as mãos e o jornalista saiu visivelmente com o semblante mais leve.

O final de semana chegou e com ele uma das coisas que Henrique estava mais animado para fazer, que era as sessões de fotos. Estavam na reserva, para que ele não se cansasse usaram a cadeira de rodas para transportá-lo para os lugares que Nicholas acreditava serem os melhores para tirar fotos lindíssimas, incluindo seu local “secreto”.

- Já conversei com Kit sobre a gente usar o estúdio amanhã, e ele me disse que não teria problema nenhum, mas que não poderia ficar com a gente porque tem um casamento para ir com o marido.

- Ele confia muito em você.

- Nunca dei motivo para o contrário. Ele e Serge nos ajudaram e ainda ajudam muito. Serge inclusive ainda é o principal personal trainer do Phil, mesmo tendo o do time, quando está de folga ou fora da temporada é com ele que meu quarterback treina.

- Maxie. Você já está exausto, né?

- Não é das tarefas mais fáceis empurrar essa cadeira por essas trilhas, mesmo sendo tão bem cuidadas, mas ainda tenho forças para aguentar um pouco mais.

- Acho que não será o caso, meus amigos. Já tiramos muitas fotos, a menos que queiram ir até a grande queda. Teríamos que andar um pouco mais, mas acho que daria fotos maravilhosas lá.

- O que você acha, Maxie?

- Já que estamos na chuva é para se molhar, não é? Vamos.

A trilha era uma descida. Maximus só pensava na volta em ter que empurrar a cadeira e sentiu um leve arrependimento de ter aceitado, mas foi recompensado no momento que passaram por um arco natural de copas de árvores bem fechadas que dava uma aparência mágica para um lago não muito grande com margens de pedras e uma areia finíssima, e uma queda d’água de tirar o fôlego.

- Estamos com sorte hoje. Era para isso aqui tá com algumas pessoas, sendo bem otimista.

O local estava vazio. Só eles estavam ali.

- Deu até vontade de mergulhar. – falou Henrique.

- Sabia que ia falar isso. Foi por esse motivo que... – Nicholas apoiou as bolsas dos equipamentos no chão, abriu sua mochila e retirou três grandes toalhas e três bermudas.

- É exatamente nosso número! Como você sabia? – falou Maximus.

- Bem, você é praticamente da mesma altura e tem quase o mesmo corpo de Phil, imaginei que seria o mesmo número dele, e Nick... bem, eu vi em uma das roupas quando estávamos no shopping outro dia, quando ele comprou e... no mesmo dia eu comprei, sabendo que isso podia acontecer. – e riu.

- Mais uma profissão para você: ninja. – brincou Henrique.

Os três trocaram de roupa assim que terminaram de fazer algumas fotos e entraram na água. Nicholas não alertou à eles sobre nada e assim que colocaram os pés na água Henrique se espantou.

- Como isso é possível?! Isso é maravilhoso!!! E COMO VOCÊ NUNCA ME TROUXE AQUI???

Nick riu.

- Desculpa, meu amigo. Queria fazer uma surpresa depois que me contou sobre as fotos, lembrei daqui no dia. Antes disso nem tinha me passado pela cabeça.

- Essa água é magnífica! – Maximus mergulhou em seguida.

- A que desce da cachoeira é bem gelada, mas a que vem debaixo é quente, por isso que fica morninha.

Nicholas desistiu de entrar só para tirar algumas fotos mais espontâneas do casal no lago. Estavam tão distraídos que nem perceberam. Trocavam olhares, carícias e até brincavam.

- Você está feliz, meu Gabe? Mesmo com isso tudo acontecendo?

- Corrigindo: eu SOU feliz, e especialmente com isso tudo acontecendo.

- Digo por conta das coisas chatas que acontecem, dores e etecetera. – passou os braços pelo pescoço de Maximus e respondeu.

- Isso é muito pequeno perto das coisas boas: tenho um marido que é louco por mim e por quem daria minha vida, tenho uma vida maravilhosa e confortável, tenho uma casa linda, e nossa vida está ficando ainda mais colorida com esse... ops...

- Uau! – Como as barrigas estavam coladas uma na outra, Mack sentiu o chute do bebê como se fosse na sua própria barriga. Owie-baby, tá ficando forte, hein rapaz?

- E você, meu Maxie? Está feliz?

- Sou como você, meu Gabe. Literalmente como você, embora mais medroso.

- Tem medo de quê?

- De perder vocês dois. – o abraçou forte. – Sem vocês dois minha vida não tem o menor sentido.

Chegaram cedo no estúdio-casa de Kit e Serge.

- Nós já estamos de saída, desculpa não podermos ficar com vocês e ajudar com as fotos.

- Imagina, Kit. Já está fazendo um super favor para nós, sem cobrar pelo uso do estúdio.

- Não uso aos domingos de qualquer forma, e para Nicholas, ele é praticamente família. Fiquem à vontade, mas tenho que avisar uma coisa: por causa do alarme do estúdio vocês vão precisar passar pela parte de casa e sair por lá.

Após a saída dos donos do local, foram direto para o estúdio e passaram a manhã inteira fotografando. Nicholas parou de súbito e largou a câmera na mesa mais próxima.

- Acho que podemos parar, não é? – Nicholas comentou se aproximando do grávido. – Henry, você está me parecendo exausto.

- É... hoje está ruim. Me sentindo ainda mais pesado, mais indisposto... mas isso estragou as fotos?

- Não, conseguiu disfarçar bem, meu Gabe. Se senta um pouco, vou ajudar Nicholas a arrumar as coisas e depois vamos comer algo antes de voltar pra casa.

- Ótima ideia. – Henrique foi até a sala do apartamento de Kit e Serge, se acomodou no sofá e adormeceu de imediato.

Maximus e Nicholas subiram para o apartamento alguns minutos depois e viram Henrique dormindo de uma forma tão fofa que não tiveram coragem de acordá-lo. O advogado pegou o telefone.

- Boa tarde, Dr. Bells... ah... – sorriu. – Desculpe, força do hábito, Rob.

[Imagina, Maximus. Houve alguma coisa com Henrique?]

- Estou preocupado com uma coisa, pode ser besteira, mas prefiro perguntar logo antes de ter uma crise de pânico. Ainda por cima depois do susto do outro dia no mercado.

[Estou aqui pra isso. Aquele episódio no mercado realmente foi preocupante, mas ainda bem que não foi nada demais. Mas me diga, meu rapaz, o que está te deixando nesse estado?]

- Tenho percebido Henrique muito mais cansado que o normal, o normal depois do início da gravidez.

[Isso é perfeitamente normal. O crescimento do bebê nessa fase é bastante acelerado, o ganho de peso, as atividades do pequeno, tudo isso consome muita energia. Fora que ter que carregar essa barriga para cima e para baixo o tempo todo é algo que, com certeza, também cansa.]

- Então essa exaustão que ele está agora não é nada demais?

[Tenho praticamente certeza de que não. Mas vamos fazer o seguinte, oriente Henrique a não sair mais de casa por alguns dias, nem mesmo para caminhar. Ele pode fazer alguns exercícios de alongamento e respiração que está aprendendo no Lamaze dentro de casa. Que procure ficar o mais confortável e descansado possível.]

- Sorte que Nicholas tem estado com a gente quase todos os dias.

[Isso é muito bom, ele ter companhia nessa etapa final, pena não poder ser você.]

- Penso a mesma coisa, doutor. Literalmente a mesma coisa. Se pudesse trabalharia de casa nesses últimos meses da gravidez e nos primeiros meses do bebê.

[É o sonho de toda grávida. Grávido no seu caso. Mas, Maximus, fique tranquilo. Tudo isso é normal e vai perceber que vão haver oscilações...]

- Mais?! Não basta a gangorra de humor e apetite? – os dois riram.

[É, meu caro, mais uma. Vão haver oscilações de disposição também. Dias mais dispostos, dias mais pesados, dias com mais enjoos, dias com gás total. É assim mesmo.]

- Nessa horas é que tenho pena dele.

[Pergunte para ele se não passaria por isso tudo de novo.]

- Ele já disse que sim... e eu também, mas é uma aventura turbulenta.

[Acredite que a experiencia de vocês está sendo bem tranquila perto de muitas outras que já presenciei. Tente ficar mais calmo, de repente até peça para ele receite um floral já que ele trabalha com isso.]

- Farei isso mesmo, obrigado Rob.

[Pode me ligar sempre que precisar, Maximus.]

Sentou-se ao lado do marido, com cuidado para não o acordar e, admirando ele, fez carinho eu seu rosto, ajeitando os cabelos escuros, tirando de sua testa. Deu um beijo suave e doce em sua têmpora.

Henrique se aninhou em seu peito. Levou sua mão livre até a barriga de Henrique e fazia carícias e procurava pelo bebê.

“Amos vocês demais.” – pensou, deitando sua cabeça sobre a de Henrique.

Nicholas estava sem a câmera, mas usou o próprio celular para tirar mais algumas fotos incríveis deles desse momento tão carinhoso.

“Acho que nunca presenciei tanto amor...” – se emocionou. – “Kithcesmanetoa, sou extremamente grato por ter a oportunidade de presenciar isso. Muito obrigado.”

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