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CAPÍTULO 19

作者: Alex Mello
last update 公開日: 2021-10-23 11:15:29

Tal qual se esperava, marcaram a consulta com a tal doutora vizinha do consultório do Henrique, deu um trabalho para convencê-la a atender fora do horário normal, tiveram que pedir para Dr. Bells interceder.

- Boa noite, queridos. – recebeu eles calorosamente, embora tivesse com aspecto bem cansado.

- Boa noite, Dra. Balaskas. – cumprimentou Maximus e em seguida ela olhou para a barriga do grávido.

- Desculpa não ter entendido de primeira o motivo do pedido, Robert me explicou tudo e concordo totalmente em manter isso tudo o mais escondido possível, não é bom nem para você e muito menos para o bebê a confusão que poderia causar.

“Tem algo de estranho no tom de voz dela... algo não tá batendo bem.” – pensou Henrique desconfiado.

- Obrigado pela compreensão.

- Ele também me disse que vocês teriam um termo de confidencialidade para que eu assinasse. – Ela ajeitou os óculos de aro finíssimo e lentes redondas. Mack entregou para ela os papeis.

- Pode rubricar todas as páginas, assinar a última nas duas cópias, por favor.

- Claro. Não que vocês precisassem se preocupar, afinal só posso liberar qualquer informação dos pacientes mediante um termo assinado, mas entendo a precaução dos senhores.

Maximus e Henrique se entreolharam. Isso tudo aconteceu ainda na recepção do consultório da médica.

- Vamos entrar? – caminharam até o consultório que era decorado com motivos bem infantis e cores que variavam em tons pastéis. Bem calmante. Mack ajudou seu marido a sentar-se na poltrona. – Então, é o primeiro filho de vocês?

- Sim. A menos que conte os filhos de quatro patas. – sorriu Henrique.

- Certo, vamos falar sobre isso já já? – forçou um sorriso. – Então vou fazer uma pequena palestra que costumo fazer para os pais de primeira viagem. Normalmente costuma cobrir a maior parte das dúvidas dos casais, mas podem me perguntar o que quiserem ao final, ok?

Ela explicou sobre a gestação, o nascimento, o que aconteceria no momento em que o bebê nascesse, falou da importância da amamentação, de identificar possíveis problemas como saber da saciedade do bebê, se está produzindo leite suficiente, sobre alimentos que devem ser evitados, principalmente no período da amamentação. Refluxo do bebê, saúde e higiene bucal, cólica e por aí vai. Foram quase quarenta minutos só de monólogo com fotos e pequenos vídeos da médica.

- Indico para vocês assistirem a minha playlist no meu canal do Youtube para pais de primeira viagem, tem muita informação boa lá.

“Nossa, essa mulher faz Narciso parecer normal.” – pensou o grávido.

- Então, vocês têm alguma dúvida.

- Olha, me senti de volta na faculdade, tendo que prestar a atenção em tanta informação me arrependi de não ter gravado. – brincou Maximus. – Acho que muitas das dúvidas surgirão com o tempo ainda é tudo muito novo para nós.

- Imagina para o mundo, não é mesmo? – mais uma vez o sorriso forçado.

- Doutora... você mencionou que falaria sobre meus animais de estimação.

- Ah sim. Então, eu recomendo fortemente que vocês arrumem alguém que possa cuidar deles durante um tempo.

- Quanto tempo exatamente?

- O máximo possível. Veja, sei que nós costumamos ser apegados aos nosso bichinhos, mas eles podem transmitir doenças para os bebês. Vocês não gostariam de se sentir culpados por uma toxoplasmose, por exemplo, gatos podem transmitir. Ou processos alérgicos, ou ainda algum machucadinho que possa aparecer por uma unhada ou mordida dos animais.

- Mesmo que não sejam animais de sair de casa ou do nosso jardim?

- Mesmo assim. – falou firme, decidida e forçando ainda mais um sorriso simpático. – Se fosse eu, com certeza tentaria dá-los para outra pessoa o quanto antes.

Após uma breve pausa para pensar, Henrique pediu ajuda a Maximus para se levantar.

- Obrigado pelos esclarecimentos, Dra. Balaskas. Acho que já tenho o suficiente para pensar.

- Liguem para minha secretária amanhã para marcarem uma nova consulta, vou deixá-la instruída sobre marcar fora do horário.

- Agradecemos.

Ao entrar no elevador, os dois se olharam.

- Nem pensar! – falaram ao mesmo tempo.

- Imagina, eu fui criado com cachorro como Owen está sendo, desde antes de nascer e nunca tive nenhum problema. São nossos filhos tanto quanto esse pequeno é.

- E o que foi aquele sorrisinho forçado? – completou Maximus. – Cada vez que ela mostrava os dentes eu tinha vontade de fazê-la engolir um por um.

Henrique riu.

- Então você percebeu também.

- E como não perceber? E agora, o que a gente faz? E o Dr. Bells?

- Robert? – imitou a voz e o trejeito da médica. – Dr. Bells é um querido, Maxie, não tem como controlar o que seus colegas de profissão fazem ou como agem. Ser amiga dele não implica no tratamento que ele nos dá.

- Eu sei, mas mesmo assim tem um ditado que eu gosto muito...

- Diga-me com quem andas e eu te direi quem és? Meu advogado lindo, relaxa Maxie. Eu confio no Robert, mas temos que procurar outro pediatra.

Depois da experiência estranha, Henrique marcou três consultas para a semana com três médicos diferentes. Um deles tinha que dar certo.

No dia seguinte, conseguiram um encaixe com uma das pediatras mais famosas da região – Dra. Emma Millstone. O valor da sua consulta era astronômico, mas o plano de saúde de Maximus cobriria.

A médica era alta, corpo proporcional, porém nada daquelas profissionais magérrimas, quase anoréxicas. Tinha curvas bem cuidadas, um cabelo tão longo, loiro morango, que passava da linha da cintura, olhos azuis como os de Maximus e um sorriso perfeito. E mesmo para seus cinquenta a poucos anos, parecia uma jovem de, no máximo, trinta.

- Boa noite, senhores. – ela avançou em Henrique. Sua voz era quase infantil, mas tinha uma segurança e uma firmeza no andar que conflitava com isso. – E como você está rapazinho?

- Como sabe que é menino?

- Foi só um chute. – riram. – Mas já são tantos anos de experiência, às vezes só de olhar para a barriga das mamães, e agora do papai, já tenho uma ideia. Por falar nisso, que benção, hein?

- É. – Henrique se sentiu intimidado de início. O consultório finamente decorado por um arquiteto e designer de interiores famoso, cada peça tinha um motivo específico. Mas procurou tranquilizar-se. Foi ao banheiro, tomou umas gotas dos florais de emergência e retornou ao consultório. – Não foi bem nossa primeira impressão quando descobrimos, mas é verdadeiramente uma benção.

Maximus já tinha passado os termos de confidencialidade e os resultados dos últimos exames tanto deles quanto do bebê, incluindo o flashdrive com os ultrassons.

- Nossa, ele está se desenvolvendo lindamente! Parabéns, papais. E como está sendo a gravidez, podem me contar absolutamente todos os detalhes, até as bizarrices.

Henrique e Maximus contaram tudo o que aconteceu desde a chegada em New Casterside até aquele momento. Ela riu de diversas situações. Foi uma conversa bem descontraída, Dra. Millstone os deixou bem à vontade com o passar do tempo.

- Que ótimo! Olha Henrique, posso te chamar pelo primeiro nome? Detesto tratar meus pacientes com formalidades, e vocês podem me chamar tranquilamente de Emma. – Ambos assentiram enquanto ela dava copos de água aromatizada para os dois e se servia um pouco. – Então, você está experimentando tudo o que uma grávida normal passaria. O pequeno Owen está bem, forte e saudável. Você está com uma aparência ótima, salvo as devidas proporções, lógico. Então não há nada com o que se preocupar em termos de saúde e psicológico até aqui.

- Que bom ouvir isso. Me deixa mais tranquilo ainda. – Henrique falou.

- Só temos um pequeno probleminha. Na verdade, alguns... vamos lá: infelizmente eu estou de mudança, meu marido foi promovido e teremos que nos mudar em breve. Eu literalmente AMARIA tê-los como meus pacientes, já me identifiquei com vocês e estou com o coração apertado só de ver a carinha desanimada de vocês agora. Mas, mesmo que não tivesse esse contratempo, a data que sua cirurgia está marcada conflita com outras duas mamães no mesmo dia.

- Que pena. Realmente me senti muito à vontade com você. – falou Henrique.

- Ohh! Fofo. Eu também, meus queridos, eu também. MAS há salvação. – brincou. – Depois do que me contaram da minha colega, imagino que estejam reticentes em contactar outro profissional indicado por um médico, mas acreditem em mim: se vocês tiveram alguma conexão comigo, esperem até conhecer Julian. – ela passou um cartão bem simples com o nome do médico.

Lia-se Dr. Julian Kross, Pediatria Clínica e os contatos profissionais apenas.

- E ele não cobra a mesma fortuna que eu cobro nas consultas. Ele é novo como vocês aqui na cidade e também é bem mais novo que eu na profissão, mas é um excepcional clínico pediatra. – Ela olhou para os dois e ficou com o semblante um pouco mais sério. – Eu realmente devo pedir desculpas à vocês por ter deixado acontecer essa consulta, eu esperava que o parto estivesse mais próximo e eu poderia participar mais ativamente, por esse motivo eu não vou cobrar essa consulta, mas gostaria de continuar acompanhando o caso de vocês, se não se importarem.

- Eu não me importo nem um pouco, e você, Maxie?

- Também não.

- Que ótimo! Fiquei muito feliz. Só um instante. – Ela pegou o celular e ligou para o outro médico e colocou no viva-voz. – Ju querido! Tudo bem? Está podendo falar?

[Estou no posto abastecendo o carro, dá tempo?]

- Depende de você. Seguinte, estou com um casal muito especial aqui e gostaria que você os atendesse, mas tem que ser depois do seu horário normal de consultório, vai entender o motivo quando os encontrar.

[Encontro às cegas isso?] – brincou.

- E tem mais uma coisinha... eles vão te dar um termo extra de confidencialidade para assinar, e já te adianto para assinar sem problema algum, tenho certeza de que não vai se arrepender.

[É sério isso? Realmente necessário?] – ficou intrigado.

- Já te disse que não vai se arrepender. Alguma vez te coloquei em alguma roubada?

[Até hoje não. Só um instante...]

- Ele vai topar... – sussurrou para os rapazes. Dr. Kross consultou sua agenda no IPad que estava jogado no banco do carona de sua SUV.

[Eu vou estar de plantão nas próximas 48 horas em Chicago, volto no final da semana... posso atender eles no sábado se eles não se importarem.] – Os dois concordaram com as cabeças.

- Pode marcar. Ah! Tem mais uma coisinha...

[Pelo amor de Deus, Ems. Qual é a próxima pegadinha?]

- Não é pegadinha... eles autorizaram você me passar os prontuários depois das consultas. Quero muito acompanhar esses pacientes, estou curiosíssima... e você também ficaria.

[Quer me matar de curiosidade, não é, criatura? Vão ser as 48 horas mais longas da minha vida, isso não é justo. Vou mudar seu apelido para Malévola qualquer dia desses.]

- Duvido. Meu querido, vou terminar a consulta aqui e amanhã ligo para sua secretária para agendar tudo direitinho com ela. Se importam se eu estiver presente na consulta? – perguntou tanto para o colega quanto para o casal.

- Imagina, é normal que esteja empolgada mesmo. Claro que pode estar presente. – Maximus apenas concordou com a cabeça.

[Vai adiantar em m****r você ficar em casa com seu marido e arrumar suas coisas para a mudança?!]

- Sabe que não. – todos riram.

[Tudo bem, Malévola. Se os pais concordam, quem sou eu para discordar... isso é tão atípico, mesmo pra você. Deve ser um caso realmente muito curioso.]

- Você não faz ideia. Tchau querido, até sábado. – e desligou sem dar chance dele se despedir. – Pronto. Vou marcar direitinho e passo para vocês o horário. Aqui estão os outros contatos dele: endereço e números pessoais. Eu tenho certeza de que ele vai adorar e que vocês vão amar ele.

- Ainda teremos mais duas consultas ao longo da semana, mas mesmo que já tenhamos decidido por um dos outros dois, iremos à consulta no sábado. – Mack falou e Henrique concordou acariciando a barriga.

- Até o pequeno Owen já concordou.

- Vão sim. Com certeza vão mudar de ideia. – sorriu. – Bem, já que estão aqui, por que não darmos uma olhada em vocês dois?

Na consulta do dia seguinte, o pediatra foi descartado já antes mesmo deles entrarem no consultório. O médico se recusou a assinar o acordo de confidencialidade. E, de certa forma, deixou Henrique ainda mais animado com a consulta de sábado.

Já na última consulta da semana, Dr. Hudson Lasgo. Exigiu que Henrique se tornasse vegano e substituísse todos os seus suplementos e até seus produtos de higiene pessoal e roupas por produtos certificadamente veganos. Tudo para vender uma linha de produtos desenvolvida por ele para as mamães e para os bebês.

- É sério isso? – Maximus saiu do consultório bufando de raiva. – E ainda tem a cara de pau de dizer que não vai desistir da gente... que espécie de psicopata esse médico é?

- Desde que ele não venha entrar em contato conosco no futuro, por mim não tem problema nenhum ele ser o que quiser, mas eu uso os produtos que eu quero e não os que ele quer.

- Ele queria era promover e vender os dele. Palhaço.

- Bem, se o Dr. Julian Kross for isso tudo mesmo que estamos esperando, facilitou nossa decisão.

- Espero que sim, não aguento mais consultas e ver esses médico te apalpando e tendo que pedir para assinarem os termos.

- Já parou para pensar que em algum momento a verdade vai vir à tona de qualquer forma? Se não for durante a gravidez, vai ser posteriormente quando tivermos que levar Owen para a escola.

- É. Ainda não tinha parado para pensar nisso. De qualquer forma isso tem que ser uma decisão nossa e não dos médicos ou outras pessoas. – Maximus estacionou o carro perto do restaurante japonês que mais gostava e fez sinal para Henrique. – Topa?

- Claro! – Mack teve que ajudar Henrique a sair do carro. – Sabe, se eu tivesse que passar por isso tudo de novo, passaria sem pensar duas vezes, e da mesma forma.

- Se eu vir aquela vovó de novo em Copacabana vou sair correndo.

- Bobo! Vai me dizer que não está curtindo isso tudo?

- Tirando suas mudanças de humor bruscas, os desejos malucos dessa criança e toda essa cautela que estamos tendo para tentar manter a mídia e os loucos fora disso... talvez eu topasse.

- Mesmo?

- Você acredita mesmo nisso que eu falei? É claro que eu passaria por isso de novo!

A porta da sala de espera do consultório se abriu e apareceu para eles um homem da mesma altura de Maximus, cabelos pretos e lisos em um corte moderno com a franja longa, olhos castanhos escuros, barba por fazer e um físico de parar o trânsito.

- Vocês devem ser... UAU! – levou um choque ao ver a barriga de Henrique. – Desculpem o choque, mas por essa acho que ninguém nunca esperou. Espero não ter te espantado nem causado uma impressão ruim a meu respeito.

Henrique e Mack riram e logo atrás do médico veio Dra. Emma. Os abraçou calorosamente.

- Esse é o Dr. Julian Kross, rapazes. – apresentou.

- Muito prazer. – Ele esticou a mão e cumprimentou os dois. – Venham, Emma não quis me adiantar nada, então estou completamente no escuro e absolutamente estupefato com o que estou vendo.

Depois das formalidades.

- Então, doutor, como pode ver... aqui estamos nós em busca do médico que irá cuidar do nosso pequeno Owen. – Henrique concluiu a história completa até ali.

- Isso é realmente fascinante. E, não me importa se vocês já escolheram outro colega para ser o seu médico, respeitarei o termo de confidencialidade. Mas confesso que estou torcendo para que eu seja o escolhido. – bebeu um longo gole de água. – Bem, vou falar um pouco de mim então para que vocês possam me conhecer também. Me formei pediatra tem aproximadamente cinco anos, não sou casado, não tenho filhos de nenhuma espécie, porque infelizmente minha rotina insana de trabalho não permite, mas adoraria ter muitos bichos de estimação e no futuro filhos humanos, mas isso ainda não está formalmente planejado.

- Nem para nós estava. – falou Mack entre os dentes.

- Percebi. – riu solto. – Enfim. Apesar de ter, entre muitas aspas, pouca experiência em anos, venho de uma família de médicos, dentre eles uma linha bastante extensa de pediatras que vai desde os tempos do meu tataravô, passando pela minha trisavó, bisavô, avô e mãe. Meu pai também é médico, mas obstetra e anestesiologista. Sou casado e fiel até debaixo d’água com a minha profissão. Amo meus filhos e filhas indiretos.

- Não fale mais nada, Owen vai adorar ter o Tio Julian como seu médico. – Henrique cortou o suspense e foi repreendido no olhar de Maximus. – Desculpa, Maxie, não aguentei.

- Que ótimo! Não vou repetir o que a excelentíssima autoridade no assunto aqui, Dra. Emma Millstone já falou para vocês. Ambos estão fortes, saudáveis e se desenvolvendo maravilhosamente bem. Isso dito, vou falar para vocês o que eu vou fazer da minha parte e se vocês tiverem alguma restrição ou opinião contrária, por favor, me diga e a gente ajusta de acordo com a necessidade de vocês, mas tenho que dizer uma coisa: eu costumo ser bem enfático em alguns aspectos. – Maximus iniciou após a fala do doutor.

- Já vamos para duas perguntas chaves antes de prosseguir, Dr. Kross...

- Já começou errado. – interrompeu o médico. – Henry e Mack, vou tratá-los assim, pois me sinto como parte da família, então podem me chamar de Ju ou Julian. Nada de doutor, por favor. Meu ego não precisa de massagem. E me desculpa se estou sendo atirado...

- De forma alguma, Ju. – Maximus então corrigiu prontamente. – Então, primeira pergunta: existe alguma restrição alimentar para o Henrique durante a gravidez e depois durante a amamentação?

- Não. Quero dizer, é claro que as coisas básicas, tipo: evitar ao máximo bebidas e comidas com teor alcoólico, gorduras não saudáveis, doce em excesso... mas isso é até mesmo para a vida normal. Não quero que se tornem vegetarianos ou veganos ou que façam fotossíntese. Nada disso. Nada de radicalismos. Isso é saudável e se aplica para algumas pessoas, para outras não. E noto que não é o caso de vocês.

- Segunda pergunta: Animais de estimação.

- O que tem eles? São fofos, lindos e soltam pelo por tudo quanto é lugar. E daí? Qual é a pergunta mesmo? – ele fingiu não entender.

- Tê-los ou não tê-los? Eis a questão.

- Meus queridos, isso é problema de vocês. Se vocês têm, ótimo! Mas posso dar uma dica? – o casal ficou levemente preocupado. – Não demorem muito a apresentar a criança para seus filhotes de quatro patas, eles têm que sentir que Owen faz parte da família e não é um intruso. Deixem que eles chegarem perto, cheirarem e até lamberem, não tem problema nenhum até que se deitem perto ou no quarto do bebê, desde que supervisionados enquanto o pequeno ainda não souber se defender. Mas sério, só evitem lambidas nos primeiros meses, é difícil segurar eles, mas é só para o pequeno ter seus anticorpos primeiro e depois tudo é festa. Por curiosidade, quais são seus outros filhos?

- Pantalaimon é um gatinho que resgatamos e Kurama Youko é um pastor suíço. – Mack mostrou a foto deles no celular.

- Uau! Cães pastores são ótimos para garantir a segurança do bebê, sabiam disso? Costumam proteger de tudo e todos. Principalmente se não sentirem ciúmes do pequeno, então nada de superproteger essa criança dos seus animais. Apresentem uns aos outros e deixem a natureza seguir seu curso. Se preparem pra uma coisa, a devoção dele vai se voltar toda para Owen, escrevam o que estou falando.

- Basicamente é isso. E aí, Gabe?

- Mais satisfeito, impossível.

- Me sinto honrado de poder ser aquele que irá cuidar de vocês. Vamos lá. Acredito que muitas das perguntas que vocês tinham pra fazer já foram respondidas por outros médicos, então vou tentar cobrir mais o que será voltado para a criança, ok? – os dois assentiram. – Minha atuação agora vai ser apenas de guiá-los quanto algumas coisas essenciais como: o que vocês precisam ter no enxoval, o que é desnecessário, o que é indispensável. Como identificar algumas coisas no bebê, tipo soluço, engasgos, refluxos, febre e outras coisas cotidianas. Um basicão de primeiros socorros para uma eventual emergência. Como deve ser o bercinho, o banho, a amamentação... por falar nisso, obviamente você não tem peitos como os das mulheres mas vejo que parecem bastante inchados.

- Sim, e até doloridos um pouco, mas estou, digamos, vazando. – e riu sem jeito.

- Isso pode acontecer mesmo, é normal e não se preocupe. Se precisarmos podemos tentar os bancos de leite e até mesmo amas de leite no hospital caso você mesmo não produza o suficiente, em último caso a gente vai para a suplementação, mas costumo evitar isso o máximo que posso. Então... minha atuação com vocês antes do nascimento é essa, quase que um professor para assuntos de saúde e gerais. No dia do nascimento, que pelo que vejo aqui nos exames está marcado para o dia 22 de setembro, correto?

- Isso.

- Só um instante... – acessou sua agenda pelo IPad, e reservou do dia anterior ao posterior. – Marcado aqui. Minha atenção será exclusiva de vocês nesses três dias. Não que isso seja necessário ou costumeiro, mas por ser uma situação totalmente nova, quero estar disponível para qualquer dúvida ou medo que tenham. Quero vocês tranquilos. Mas enfim, estarei presente no centro cirúrgico e serei o responsável por fazer os primeiros exames no seu filhote, pesá-lo, medi-lo e levá-lo ao seu colo enquanto o obstetra faz o resto do trabalho dele. Em resumo, enquanto o obstetra é responsável por você, Henrique, eu sou responsável pelo pequeno Owen. Existem algumas formalidades que a gente precisa atender: vocês contrataram uma doula ou um doulo?

- Não. Temos o acompanhamento excepcional de um amigo recente, que praticamente faz o papel de um doulo, mas não é formado.

- Ok. Vocês podem ter no centro cirúrgico, por direito: um acompanhante, que obviamente será você, não é Mack?

- Sim.

- E também a uma doula. Como vocês não têm, não pode entrar mais ninguém. Alguns hospitais até permitem fotógrafos ou filmagens, mas em geral não. A equipe do centro cirúrgico é formada pelo médico obstetra, um pediatra neonatologista do hospital ou eu se preferirem, além de enfermeira ou enfermeiras, o anestesista.

- Nós queremos que você esteja na sala. – falou Henrique com segurança.

- Então temos que preparar uma papelada para levar ao Dr. Bells. Ele já me conhece, já participei de uns partos com ele. Se precisam de algum tipo de segurança quanto a ele, garanto que ele é um dos melhores com quem já trabalhei. Se quiserem eu posso tratar direto com ele.

- Seria ótimo, ainda teremos mais dois ultrassons antes do dia D.

- Imaginei, ele é muito cauteloso, por isso gosto muito de trabalhar com ele. – o tom de Julian era seguro e firme. – Até o dia D, se precisarem tirar alguma dúvida, quiserem alguma orientação, estou disponível para vocês sempre após o horário normal e se eu não estiver de plantão em Chicago e se for alguma emergência entrem em contato comigo a hora que for, mesmo que eu esteja de plantão fora.

- Okay.

- É sério, gente. Qualquer emergência mesmo, seja com você Henrique, seja com o bebê, estou disponível. E isso eu falo para todos os meus pacientes. Caso eu não possa atender, eu tenho como correr com pessoal em que confio minha vida. E, após o nascimento desse bebê lindo, já vou deixar marcado também na minha agenda, a primeira consulta dele... deixa eu ver, você deve ficar internado por três a quatro dias, vamos marcar para o primeiro sábado depois da sua alta?

- Pode ser.

- Excelente! Já estamos bastante adiantados, né? Vou passar para vocês um material. – enviou para os e-mails de ambos. – São algumas dicas do que colocar na bolsa da maternidade, enxoval para essa época, móveis... mas repito, são apenas dicas. Seguir ou não é com vocês. A única coisa que eu seria mais rigoroso seriam seus suplementos de vitamina, minerais e, pelo que me contaram e vejo nos exames de rotina, não vou indicar mais nada, você já está bem assistido.

- Julian, deviam existir mais médicos como você, parece que estamos conversando com um amigo e não com um profissional egocêntrico.

- Eu sei que a maioria coloca o ego na frente, mas eu não acredito nesse tipo de postura. Acho que um paciente à vontade é um paciente que volta e confia em você, e isso acontecer, o paciente precisa de atenção e carinho. Você pode ver que nem pendurar meus diplomas eu penduro na parede. – só então perceberam que o consultório mais parecia uma mistura de quarto de bebê e criança pequena que efetivamente um consultório médico. – Nem mesa eu tenho para não criar uma distância entre eu e vocês.

- Adorei. – elogiou Henrique. – Tinha razão, Emma. Se eu tivesse escolhido outro médico, teria mudado de ideia hoje.

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