Se connecterAntes, era o Leo e eu que corríamos atrás dele."Quando você vem para casa? Pode passar um tempo com o seu filho? Você sequer ama a gente?"Agora, a situação tinha se invertido. Mas nós não estávamos olhando para trás.Nos feriados, eu levava o Leo para viajar, vimos a aurora boreal nas planícies de gelo e surfamos no oceano. Nós vivíamos bem. O Bruce sempre descobria o nosso itinerário e nos seguia de longe. Ele se sentava do outro lado do terminal no aeroporto ou a algumas mesas de distância no café da manhã. Quando o Leo ia esquiar, o Bruce ia logo atrás, aterrorizado com a ideia do filho cair.Certa vez, o Leo caiu de verdade. Bruce correu até lá, mas Leo já estava de pé, tirando a neve da roupa.— Eu não preciso de ajuda, Alfa.A mão estendida do Bruce congelou no ar.— Tudo bem. — Disse ele, baixinho. — Você está indo muito bem, Leo.Ele aprendeu a não interferir, seguindo a gente como um fantasma. Mas isso não significava que o meu coração estava amolecendo.Sete meses a
Em todos os nossos anos como companheiros, ele sempre foi o Alfa orgulhoso e controlado. Aquela era a primeira vez que eu o via tão desmoronado e desesperado. Mas não senti nenhuma compaixão. Só achei aquilo... patético.— Você só se lembrou do Leo agora?Bruce abriu a boca, mas nenhuma palavra saiu. Ouvia passos leves atrás de mim. Leo estava ali, segurando o seu pequeno dinossauro. Ele olhou para o Bruce ajoelhado do lado de fora da porta, com uma expressão impossível de decifrar.Bruce tentou alcançá-lo como um náufrago que se agarra a uma corda de salvação.— Leo. O papai está aqui. Você pode me ajudar a convencer a sua mãe? Por favor? Eu não quero perdê-la.Ele achou que o Leo iria amolecer. Afinal, o Leo costumava ser a pequena sombra dele. Sempre que ele chegava em casa, o Leo corria para abraçar as pernas dele, repetindo "Papai, papai". Mas, desta vez, o Leo apenas deu um pequeno passo para trás, escondendo-se atrás de mim. Então, ele disse, com calma:— Alfa, você deveria
Aquelas palavras foram como uma faca direto no coração de Bruce. Ele encarou a tela, imóvel.Enquanto isso, Fiona continuava rindo.— Ah, você não sabia? Bruce, você é patético. A sua própria Luna e o seu herdeiro rejeitaram você, e você ainda está aqui brincando de ser papai do filhote de outro.Bruce de repente se virou e saiu.— Onde você vai? — Gritou Fiona atrás dele.Mas ele não olhou para trás.A voz dela se tornou estridente:— Você acha que ela vai te perdoar se você for atrás dela agora? Ela já cansou de você!Bruce hesitou por um segundo, mas depois apertou o passo. Furiosa, Fiona pegou um copo de água na mesa de cabeceira e o atirou. O objeto se estilhaçou na porta.Ao mesmo tempo, o Tony começou a ter convulsões violentas. O rosto dele ficou azulado e ele soltou um som terrível, sufocado.— O paciente está com edema de laringe! — Gritou uma enfermeira. — Chamem um curandeiro, agora! Precisamos reanimá-lo!As pernas da Fiona falharam e ela desabou no chão.Bruce d
Bruce se levantou dando um salto. Mesmo odiando a Fiona naquele momento, a ideia de um filhote em perigo o fez correr para fora de casa.Do lado de fora da sala de emergência, Fiona andava de um lado para o outro.Tony estava coberto de manchas vermelhas, com o rosto inchado, lábios pálidos e havia um acesso de soro preso às costas da mão dele. Ele não parava de coçar o pescoço. Uma enfermeira tinha acabado de dar um antídoto a ele.Bruce estava prestes a empurrar a porta quando ouviu a voz fraca do Tony lá de dentro:— Mamãe, eu comi o acônito como você mandou. O Alfa vem me ver?A mão do Bruce congelou na maçaneta. A voz da Fiona era baixa, mas carregada de um sorriso triunfante:— Ele vem. O Bruce é um tremendo de um frouxo. Tudo o que você precisa fazer é chorar um pouco, fazer uma carinha fofa, e ele vem correndo.O Tony arquejou:— Mas dói. Mamãe, eu vou morrer?As sobrancelhas da Fiona se juntaram, irritada:— Não seja ridículo, é só um pouco de veneno. Seja forte. Lembra da
Por volta das oito da noite, Bruce voltou para casa. Ao abrir a porta, ele teve fé de que nada demais tinha acontecido. Talvez a Avril tivesse apenas levado o Leo para a casa de um amigo, ou estivesse apenas com muita raiva e por isso não atendia o celular. Talvez…No momento em que a porta se abriu, todos os seus "talvez" se despedaçaram.O hall de entrada estava vazio. Onde costumavam ficar os sapatos da Avril e do Leo, havia apenas o seu próprio par de botas. A sala de estar estava vazia, o grande quadro do casamento tinha sumido da parede. As canecas da família não estavam mais na mesa de centro, e a foto dos três na praia tinha desaparecido. No canto, os brinquedos de dinossauro favoritos do Leo, os seus blocos de montar, os seus livros ilustrados — tudo tinha sumido.Bruce ficou parado na entrada, como se a sua alma tivesse sido arrancada do corpo. Ele caminhou, passo a passo, em direção ao quarto. O armário estava aberto, não restava uma única peça de roupa da Avril. A pentea
Bruce dirigiu direto para o parque de diversões. O trânsito estava um pesadelo, uma fila enorme de carros. Suas mãos escorregavam de suor no volante. Ele ligou para a Avril repetidas vezes, mas não obteve nenhuma resposta.Sabendo que ela devia estar brava, começou a mandar inúmeras mensagens:[Avril, o Tony está bem. Estou a caminho agora.][Não vão embora. Estou quase chegando.][Não vou quebrar a minha promessa desta vez. Estou indo de verdade.]Ainda assim, nada.Sua mão tremeu ao segurar o celular, e um pressentimento sombrio se revirou em seu estômago. Avril nunca tinha ignorado ele daquele jeito antes. Ele tentou ligar para o celular do Leo, mas esse estava desligado.O coração do Bruce batia forte no peito. O pânico, como uma videira fria, se enrolou em sua garganta. De repente, ele se lembrou da noite anterior. A expressão fria da Avril ao dizer: "Nós vamos para longe." Pensando bem, o tom dela não parecia o de quem estava falando sobre uma viagem.Bruce pisou fundo no a
Ponto de vista de BruceUma hora antes.Fiona chorava um mar de lágrimas, com os dedos cravados na manga da camisa de Bruce.— Bruce, o que eu faço? O Tony caiu de uma árvore! Está sangrando tanto, estou com tanto medo.Tony soluçava sem parar. Sem pensar muio, Bruce o pegou no colo e correu em
Mudei o horário do nosso voo para as três horas daquela tarde. Depois de confirmar os dados dos passageiros, comecei os preparativos finais para a nossa partida.Às nove da manhã, fiz o café da manhã naquela casa pela última vez. A torta de amora-da-lua que Bruce tinha comprado na noite anterior ai
Nós nunca tiramos a foto de família. Levei o Leo direto para casa e comecei a arrumar as malas.Logo após reservar as nossas passagens para a Alcateia Sunstone, no sul, Fiona me mandou um vídeo. Ela estava usando um colar de pedra da lua caríssimo, e Bruce estava logo atrás dela, arrumando o cabelo
No momento em que o meu filho, Leo, disse aquelas palavras, tanto o Bruce quanto eu congelamos.Nos 28 dias desde que eu percebi que o coração de Bruce estava longe, toda vez que ele abandonava a mim e ao Leo pela Fiona, eu fazia o Leo chamá-lo de "Alfa Bruce". Era um lembrete, para nós dois não de