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Minha Morte Transformou o Don num Lunático
Minha Morte Transformou o Don num Lunático
Author: The Red

Capítulo 1

Author: The Red
O vento gelado do porto cortava meu rosto. Eu estava ajoelhada sobre as lajes de pedra congeladas do cais privado da família Vesta, observando Carlo Vesta chegar furioso à margem enquanto Benedetta Conti estava encharcada em seus braços.

Seu casaco preto estava firmemente envolto ao redor dela, revelando apenas o par de saltos altos vermelhos em seus pés.

— Chamem um médico! Agora!

O rugido de Carlo ecoou pela noite enquanto mais de uma dúzia de seguranças de terno preto entravam em ação.

— Carlo, não culpe Margherita. Ela não quis me empurrar… — Murmurou Benedetta fracamente em seus braços, o rosto pálido como papel.

Carlo abaixou a cabeça e olhou para Benedetta. Pela primeira vez, vi uma ternura em seus olhos que ele nunca havia mostrado para mim.

— Não fale. Guarde suas forças.

Ele a carregou até o carro mais próximo sem sequer me lançar um único olhar.

Eu me esforcei para me levantar, fazendo uma careta quando meus joelhos se rasparam contra a pedra implacável.

Um segurança me amparou e me entregou uma toalha seca.

— Senhorita Rossi…

— Eu estou bem.

Afastei a mão dele e me forcei a ficar de pé.

Nesse momento, Carlo acomodou Benedetta no carro e se virou para mim.

— Explique-se. — Disse ele com uma calma tão fria que chegava a ser aterrorizante.

— Quando ela caiu, eu tentei segurá-la. Carlo, eu realmente—

— Você estava exatamente onde ela caiu. — Disse ele, dando um passo mais perto.

— Quando me virei para servir uma bebida, ouvi o barulho da água. Quando olhei de volta, você estava lá e ela já estava na água.

— Eu estava tentando puxá-la para fora! — Quase gritei.

Carlo soltou uma risada fria.

— Margherita, quantos acidentes você causou nos últimos seis meses? Nos estábulos, ela foi jogada do cavalo e disse que você o assustou. Quando os freios falharam, ela estava dirigindo o carro que você costuma usar. No mês passado, ela escorregou em óleo na escada e sua empregada foi a responsável. E agora, ela cai na água bem na sua frente.

Um frio percorreu meu corpo.

— Você acha que eu faria tudo isso?

— Eu me baseio nos fatos. — Disse ele, encarando-me.

— Benedetta não sabe nadar. Você quase a matou.

— Eu não fiz isso! — Respondi.

— Já chega.

Ele se virou e fez um gesto para os seguranças atrás dele.

— Levem-na para o Cofre Frio 3 e tranquem. Não abram sem a minha ordem.

Meus olhos se arregalaram.

— Carlo, aquilo é um freezer!

— O sistema de refrigeração está quebrado. — Disse ele, de forma seca.

Finalmente, ele olhou para mim.

— Você só precisa esfriar a cabeça. Quando Benedetta estiver segura, nós conversamos.

Dois seguranças agarraram meus braços.

— Carlo Vesta! — Gritei. — Você vai se arrepender disso! Vai se arrepender!

Ele não olhou para trás. Entrou no carro com Benedetta e foi embora.

O cofre estava completamente escuro, iluminado apenas por uma fraca luz de emergência ao longe.

— Você vai ficar aqui por 24 horas — Disse um dos seguranças.

— O Sr. Vesta disse que o sistema de refrigeração está quebrado. Não vai ficar tão frio.

Eles me empurraram para dentro. Cambaleei na escuridão enquanto a porta de ferro atrás de mim se fechava com um estalo forte que ecoou pelo lugar.

Caí no chão.

Eu não me importava de ficar trancada ali. O sistema de refrigeração estava quebrado. Eu não morreria de frio. Eu podia aguentar 24 horas ali.

Depois que ele se acalmasse e investigasse o que aconteceu, ele me deixaria sair.

Ele deixaria… não deixaria?

Encolhi-me em um canto relativamente limpo, abraçando os joelhos enquanto esperava que me soltassem.

Não sei quanto tempo passou antes de eu sair do torpor, tremendo incontrolavelmente.

Algo estava errado.

O ar estava ficando mais frio.

No começo era apenas um arrepio, mas agora eu podia ver minha respiração no ar. Levantei-me e encostei o ouvido na porta.

Um som vinha do lado de fora.

Não parecia humano — apenas um zumbido baixo de máquinas vibrando pelas paredes. O sistema de refrigeração estava funcionando.

— Tem alguém aí?

Bati na porta.

— O que está acontecendo? Por que o freezer está funcionando?
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