LOGINDentro do escritório e devidamente acomodados, Gustavo perguntou, tentando controlar a ansiedade.
— Diga o que você quer, querida. — Descobri uma médica e cientista, especialista em medicação natural e holística e quero que ela examine o Rafael. Gustavo encostou em sua poltrona confortável, com os cotovelos apoiados nas laterais e juntando os dedos das mãos. O que sua filha pedia não era um caso simples. Rafael estava sendo mantido isolado de tudo e todos para evitar especulações. A própria Carolina, noiva do rapaz em coma, só podia vê-lo em dias e horas determinados. A família Pacheco já tinha gasto uma fortuna trazendo os melhores especialistas de dentro e fora do país e não descobriram nada. Trazer outra pessoa para explorar o que não tinha explicação, era cutucar a ferida. .— Você conhece essa doutora? Como você chegou até ela? Sabe que pedir esse tipo de coisa, neste momento, não será nada fácil. — Ela é famosa por suas descobertas na área de medicina natural. Infelizmente, trabalha para a concorrência, mas acredito que ela se encaixa perfeitamente no caso do Rafael. Tenho quase certeza que usaram um veneno natural nele e ela é especialista nesta área. Gustavo quase bufou. Sua filha queria trazer uma cientista da concorrência para examinar o xodó dos Pacheco, a principal mente controladora dos novos empreendimentos da empresa. — Tenta, pai, por favor. Prometo me comportar e obedecer todas as suas ordens daqui em diante. Aquela não era uma promessa a ser desprezada, por isso, Gustavo, antes de se atrever a ligar para o amigo com aquela proposta quase ultrajante, quis confirmar. Pegou o celular e colocou para gravar. — Só acredito se você gravar essa promessa. — Tudo bem. — Ela gravou seu compromisso e o pai sorriu satisfeito. — Não imaginava que você gostasse tanto daquele rapaz. — Não é uma questão de gostar e de proteger a nós todos, pois se aquele demônio maldito dominar toda a empresa Pacheco, nós todos estaremos na miséria. Gustavo abaixou a cabeça, analisando o que ela estava dizendo. Rafael era o melhor presidente que as empresas Pacheco tiveram nos últimos anos. Era jovem, inteligente e inovador, mas acima de tudo, agia com decência e justiça, tratando todos os seus funcionários com benevolência, mas sendo justo. Puxando o ar para tomar coragem, Gustavo pegou o celular e ligou para o número restrito de seu amigo Alan, que atendeu do outro lado da linha, franzindo a testa por receber a ligação de um amigo com quem não falava há um bom tempo. — Gustavo, que surpresa! O que posso fazer por você? — Sei que seu momento não está dos melhores, mas esse assunto é sério e é para ajudar a todos. — Pelo jeito é um assunto sério. — Sim, meu amigo, vai mexer com seu coração e medir a dimensão do seu amor por seu filho. O coração de Alan pulou uma batida e ele levou a mão ao peito agarrando-o com os dedos como se fossem garras, tentando bloquear o mal maior. — Fale sem rodeios. — Tenho uma sugestão de médica para examinar o Rafael. Ela não é nenhum dos nossos, muito pelo contrário, é do lado do inimigo. — O que você quer dizer com isso, fale logo com clareza, meu coração não aguenta mais sofrimento. — Minha filha sugeriu chamarmos a doutora Carolina Ferreira para examinar Rafael. Minha filha Carol acha que ele foi intoxicado por algo natural, algum tipo de erva ou coisa assim e essa doutora é especialista nessa área. Alan estava sentado à sua mesa do escritório em frente ao computador e digitou o nome Carolina Ferreira e tudo que apareceu fez com que ele arregalasse os olhos de surpresa. — Uau! Estou vendo a ficha dela e ela, realmente, é incrível. Mas pelo jeito, deve ser difícil contatá-la. — Se você consentir, Carol entrará em contato com ela e você só precisa autorizar sua entrada. — O que a sua filha prometeu a você para que ligasse para mim? — Ela terminará hoje mesmo o chip do novo firewall. Alan sorriu, com aquele chip ele bloqueia todos os seus inimigos, incluindo aqueles que estavam ao lado dele, sugando-o como se ele não estivesse percebendo. — Ótimo, diga a ela que chame a doutora e confirme a visita no dia e hora que ela estiver disponível, de preferência o mais rapidamente possível e me avise para que eu autorize a entrada. — Ótimo, tenha esperança, amigo, dará tudo certo. Os dois se despediram e desligaram os seus aparelhos. Gustavo, sorrindo prazeroso, olhou para sua filha e levantou o polegar confirmando a visita da doutora. Carolina não perdeu tempo e entrou em contato consigo mesma em outra vida, marcando a visita para o dia seguinte pela manhã. Desligaram depois de Carolina avisar que não poderia a acompanhar, pois sua presença estava restrita. Entusiasmada, Carolina agradeceu ao pai: — Obrigada, papai. Ela irá amanhã, passe o contato restrito dela para o tio Alan, ela irá amanhã de manhã e ele pode combinar diretamente com ela. — Ótimo e você pode ir direto para o laboratório. — Está bem, vou indo, não precisa mandar, cumpro minhas promessas. Por mais que amasse seu pai, não gostava de ficar muito tempo com ele, sua aura poderosa e pesada, faziam-na se sentir muito pequena e não gostava desse sentimento de inferioridade. Aprendeu na adolescência a se defender dele, após completar seu primeiro projeto de ciências na escola e ser elogiada, ganhando até o prêmio de excelência. Desde então, não aturou mais o menosprezo e principalmente a maneira machista como ele a diferenciava dos irmãos. Estava saindo, quando seu irmão mais velho chegou. Ele era o segundo na administração da empresa e pelo seu semblante, ainda não sabia que ela estava de volta e concluiria o projeto. Foi agarrada pelo colarinho da camisa que usava e suspensa até tirar os pés do chão. — Aqui está você, sua pequena irresponsável, vou te levar agora mesmo para o laboratório da empresa e você só sairá de lá quando completar o projeto.Augusto chegou na empresa e foi direto para o escritório do filho, tendo dificuldades de passar sobre os destroços de tudo que ele quebrou. Até as cadeiras estavam jogadas e não havia nada sobre a mesa. — Preciso chamar a clínica psiquiátrica para internar você? Michel olhou para o pai, surpreso e indignado, o que ele estava fazendo ali? Perguntou-se. Como não queria ser desentender com o pai, respirou fundo para acalmar-se e acusou sua irmã: — Aquela sua filha ingrata, foi embora novamente. — Ela entregou o projeto pronto, pelo menos? — Sim, já enviei para análise e logo poderemos entregar ao comprador. — Então, qual é o problema? Sua irmã precisa viver além do espaço desta empresa, ou você quer mantê-la acorrentada em você. Michel espantou-se com a fala do pai, nunca tinha lhe passado pela cabeça aquela imagem. Carolina presa pelo tornozelo com uma corrente ligada ao tornozelo dele. Sorriu com a imagem que se formou em sua mente, quase pen
Carolina arrepiou-se , refletindo sobre o assunto e chegando à conclusão que não tinha problema nenhum em ter sentimentos por ele, porque Carol já tinha partido daquele mundo de forma trágica. Assim como foi informada pelo sistema, a sua situação e a da sua hospedeira não tinham volta. Enquanto isso, inconformado com o sumiço da irmã, Michel mobilizava toda a equipe de seguranças para caçar a irmã e todos os funcionários que lidavam com ele, estavam receosos devido aos ataques de fúria que ele tinha. O chefe de segurança, preocupado com a situação, ligou para o senhor Gustavo e relatou o comportamento do CEO. — Senhor presidente, o CEO Michel está quebrando tudo no escritório e já demitiu três funcionários. — Mas o que aconteceu para deixá-lo assim? — A senhorita Carolina sumiu? Augusto arregalou os olhos e ficou preocupado, sua filha prometeu que terminaria o projeto do firewall, para Michel estar descontrolado, será que ela não cumpriu sua tare
Apertando os olhos e encolhendo o corpo, Carolina Ferreira esperou a explosão do Presidente Pacheco, mas não veio. Alan segurou o queixo, pensativo. Aquela informação trazia muitas implicações, mas também afunilaram a lista de suspeitos do atentado contra a vida do Rafael. O fato dela ter confessado a sua responsabilidade, mostrava sua honestidade. Talvez pudesse contar com ela para descobrir esse ninho de ratos. — Não se preocupe, não há culto pelo estado do meu filho, culpa aquele que usou sua criação para matá-lo. Ela relaxou, respira profundo e levantou os olhos para ele. — Na sua cabeça já devem ter passado mil e uma ideias e você não está errado. Essa cepa estava congelada em nosso cofre de projetos rejeitados. — Quem tinha acesso à esta cepa? — Sabia que perguntaria isso. Só três pessoas têm acesso ao cofre, Jonas Ferreira, meu tio e presidente do grupo Ferreira, Erick Smith, o CEO da farmacêutica e eu. — Fica bem mais fácil de descob
Carolina era agradecida por ter Charles com ela, era o apoio de Carol antes e agora estava sendo muito útil, além de lhe dar proteção. O espaço era pequeno, por isso a mesa de jantar também era pequena, apenas um quadrado de madeira e dois bancos, mas os dois comeram à vontade. — Quer que eu o atenda, se ligar por causa de problemas? Com certeza vai te tratar bem. — Ele nunca me tratou bem, por que começaria agora? Para ele é minha obrigação fazer o que eu faço e não precisa cuidar de mim e nem me pagar para isso. — Espero que te dê um descanso, agora que já tem o projeto tão desejado por eles. Provavelmente vou receber uma fortuna pelo projeto e não lhe darão nada. — Vou procurar por outro serviço maior e melhor, quero fazer alguns investimentos e montar minha própria empresa de segurança digital. Não preciso do dinheiro deles, vou ganhar o meu próprio e eles se arrependerão de não ter me dado valor. — Ótima ideia. Usará o seu novo algoritmo ou criará um
Acontece que Carolina não era era como Carol que abaixava a cabeça e deixava para lá, por isso, estufou o peito e atacou com palavras: — Acho que deixei você livre demais e por isso é tão arrogante. Se não deixar eu passar, será demitida e não será por mim. — Você fala como se tivesse alguma autoridade, mas aqui você não é nada, nem o seu irmão te respeita. — Diga o que quiser, se você não deixar eu entrar agora, se arrependerá muito no futuro. Dentro do escritório, o CEO Michel, irmão de Carol, escutou a discussão e saiu para ver o que era. Assim que abriu a porta, viu que era sua irmã, arregalou os olho e perguntou: — É você? Até que enfim, entre logo, por que ainda está parada aí? — falou Michel com a arrogância de sempre e fazendo a secretária se sentir poderosa. — Sua secretária achou que implicar comigo era mais importante do que eu te entregar o projeto. Ao ouvir o que estava acontecendo, Michel ficou enfurecido com a secretária que es
A maneira como Michel a agarrou pelo colarinho, prendeu sua garganta e a estava sufocando. Carolina não era boba, tinha vindo de outra vida, assumido o corpo de uma morta e não queria morrer de novo nas mãos de um suposto irmão que não a respeitava. Prendendo o pouco de ar que ainda tinha nos pulmões, Carolina ergueu as mãos, segurou com força os ombros dele, apoiando-se e ergueu sua perna, chutando o baixo ventre do homem alto e forte. O urro de dor foi ouvido por todos os que estavam próximos e ele a soltou para segurar suas partes íntimas. Caindo de bunda no chão, Carol apoiou as mãos, levantou-se com dificuldade, mas não ligando para a dor em seu “derriere”. Correu para o carro onde Charles já a esperava com a porta aberta. Entraram e saíram às pressas, passando pelo portão sem olhar para trás. Se tivessem olhado, teriam visto Gustavo chegando e acertando um tapa forte no rosto do filho. A discussão entre os dois começou e foi preciso que Helena interviesse p







