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A volta de Edu

Author: Krystal Pires
last update publish date: 2026-09-30 11:16:05

​Trinta dias haviam se passado desde o pior dia da minha vida, mas para mim o tempo parecia ter parado naquela madrugada de sábado. Eu vivia em um estado quase vegetativo dentro do apartamento. Talita, minha mãe e meus irmãos se revezavam diariamente para garantir que eu me alimentasse, tomasse banho e continuasse respirando. Mas por dentro, eu era apenas uma casca vazia.

​Nas últimas duas semanas, no entanto, um desconforto físico começou a se somar ao meu martírio emocional. Enjoos matinais c
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  • O Fantasma do Meu Primeiro Amor   Nos Seus Sonhos

    ​A noite avançou devagar sobre a cidade, cobrindo o quarto com um silêncio denso e acolhedor. Edu permaneceu de pé ao lado da cama, observando o meu rosto cansado até ver minha respiração finalmente se acalmar e se tornar pesada. Eu havia adormecido.​Lembrando-se das instruções de Betina, Edu fechou os olhos translúcidos e buscou no fundo da sua alma a memória mais viva da nossa juventude: o corredor movimentado da escola, os armários alinhados e a luz do sol da tarde entrando pelas janelas. Ele concentrou toda a sua energia espiritual e canalizou essa lembrança diretamente para a minha mente.​Para a sua surpresa, o véu entre os nossos mundos cedeu. A projeção não foi tão difícil quanto ele imaginava; o amor e a saudade que nos ligavam serviram como a ponte perfeita.​De repente, encontrei-me no corredor da antiga escola. Minha aparência era a de uma garota de dezessete anos, mas a minha barriga de seis meses continuava ali, firme e redonda sob o uniforme. Olhei em volta, assustada

  • O Fantasma do Meu Primeiro Amor   Uma Forma de Te Ter

    ​Seis meses de gestação. Minha barriga já estava visivelmente redonda, abrigando o pequeno Eric que se mexia com frequência. Mas, por dentro, eu me sentia cada vez mais vazia. A dor de ter o Edu diante dos meus olhos todos os dias sem poder sentir o calor da sua pele, sem poder abraçá-lo ou receber um beijo seu, estava me corroendo. Eu passava os dias trancada no quarto, no escuro, afundada em uma tristeza cinzenta.​O quarto estava em silêncio quando a luz suave do espírito de Edu se aproximou da beira da cama. O olhar dele transbordava uma dor profunda ao me ver jogada ali, encarando o teto.​— Karen, meu amor, você tem que levantar dessa cama... Poxa, você não quer ver sua família, sua amiga... Se afastou de todos. Eu não quero ver você assim.​— Eu não quero ver ninguém! — respondi sem me mexer, com a voz embargada e seca. — Tô de saco cheio das pessoas me olhando com dó!​— Ficar aqui sozinha não está lhe fazendo bem — insistiu ele, dando um passo em minha direção, com a mão este

  • O Fantasma do Meu Primeiro Amor   Sexo do Bebê

    ​Os meses seguintes passaram como um sopro lento e silencioso. A barriga já ostentava a curvatura evidente do avanço da gestação, firme e redonda sob as minhas roupas confortáveis. Quando chegou o dia de realizar o ultrassom para descobrir o sexo do bebê, Talita e minha mãe insistiram em me acompanhar, mas pedi carinhosamente para ir sozinha.​Eu precisava daquele momento. Queria compartilhar cada segundo daquela descoberta com o Edu. Mesmo sabendo que ele não poderia estar ali do meu lado de forma carnal, segurando minha mão ou me dando um beijo na testa, ver a luz suave do seu espírito no banco do carona me trazia uma paz inexplicável. Eu me sentia imensamente feliz por saber que uma parte dele continuava ali, observando e vivendo tudo comigo.​Dentro do consultório gelado, deitei-me na maca. O médico espalhou o gel frio sobre a minha barriga e encostou o transdutor, fazendo o som alto e compassado do coraçãozinho ecoar pela sala inteira.​— Vamos lá... — disse o médico, sorrindo en

  • O Fantasma do Meu Primeiro Amor   Desconfiança

    ​A viagem até o sítio no interior era longa, e eu não me sentia com forças físicas ou psicológicas para encarar a estrada. Por isso, sentada na mesa da sala do meu apartamento, encarei o celular na minha mão por longos minutos. Talita estava ao meu lado, segurando uma xícara de chá e me transmitindo firmeza com o olhar. Ao fundo, perto da estante, o espírito de Edu acompanhava meus movimentos com uma expressão serena, porém preocupada.​Disquei o número da casa dos pais dele. A ligação chamou quatro vezes até que a voz trêmula de Dona Carmem atendeu:​— Alô?​— Dona Carmem? É a Karen... — engoli em seco, tentando manter a voz estável. — Como a senhora e o Seu Roberto estão?​— Estamos vivendo um dia de cada vez, Karen... ainda esta muito dificil lidar com a tragédia que caiu sob nossa família — a voz dela soava fria, distante. — Aconteceu alguma coisa?​Respirei fundo, busquei o olhar de Edu e fui direta, movida pela honestidade e pelo amor que sentia:​— Dona Carmem, eu liguei porque

  • O Fantasma do Meu Primeiro Amor   Contando a Novidade

    ​O toque da campainha ecoou pelo apartamento por volta das dez da manhã. Eu ainda estava sentada no sofá, encarando a pequena caixinha plástica sobre a mesa de centro. Ao meu lado, de pé perto da janela, o espírito de Edu permanecia em silêncio, envolto em sua luz suave. A presença dele me transmitia calma.​Criei coragem e abri a porta. Era a Talita. Ela trazia uma sacola com pães frescos e um sorriso acolhedor no rosto, mas a expressão dela mudou no mesmo instante em que olhou nos meus olhos. Ela não viu o semblante derrotado de sempre; viu algo diferente.​— Karen? O que aconteceu? Você tá com uma cara... — ela entrou, colocando as coisas na cozinha. — Aconteceu alguma coisa?​Caminhei até a mesa da sala sem dizer uma palavra. Peguei o teste de gravidez e estendi na direção dela. Talita pegou o pequeno objeto, e o olhar dela passeou rapidamente pelo visor. Quando ela identificou os dois riscos vermelhos, a boca dela se abriu em um choque absoluto.​— Karen... isso é... — ela me enc

  • O Fantasma do Meu Primeiro Amor   As três Sereias

    As palavras de Edu ecoavam no ar, misturando-se ao barulho ritmado das ondas. Permaneci paralisada na areia fria, encarando a imagem translúcida e serena do meu noivo. A brisa da tarde parecia congelar em volta de nós dois enquanto ele olhava para o horizonte oceânico e começava a contar exatamente o que havia acontecido naquela fatídica madrugada:​— Quando entrei na água às quatro e cinquenta e nove, o mar parecia calmo. Dei um mergulho raso, mas, no segundo em que tentei voltar para a superfície, senti uma força me puxando pelas pernas. Eu bati os braços, tentei lutar, gritei por socorro... mas quanto mais eu lutava, mais fundo eu ia. O ar sumiu dos meus pulmões e, quando desfaleci, tudo escureceu.​Mas não acabou ali. Quando abri os olhos novamente, eu já não estava sufocando. Eu estava no fundo do oceano, em uma espécie de sala monumental feita de rochas e corais, ornamentada por uma luz azulada e misteriosa. À minha frente, elevados em uma plataforma, havia três tronos majestoso

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