ログインLORENA MARTINSMeu advogado me ligou pela manhã. Havia terminado a análise do documento que recebi de Lúcio.Fui ao escritório dele para saber a conclusão. Entrei, nós cumprimentamos e ele indicou que me sentasse.— A participação é mesmo de dez por cento no empreendimento do leste — explicou, indo direto ao ponto. — Também não há qualquer cláusula que poderia obrigá-la a colocar mais dinheiro no empreendimento. Resumindo: Esse acordo apenas tem beneficia. — respondeu ele, me entregando a caneta.Assinei e imediatamente liguei para Lúcio, perguntando se estava disponível para me encontrar no cartório para formalizarmos as assinaturas.Quando cheguei, Lúcio já me esperava ao cartório. Me cumprimentou com um sorriso e apontou para os documentos que trazia.Falamos sobre seu empreendimento, enquanto aguardávamos nossa vez.Quando nos chamaram, conferimos os documentos e reconhecemos as assinaturas. Lúcio guardou sua via, e fiz o mesmo com a minha guardando na pasta, tomando cuidado para
RAFAEL DIMAS— Em dois dias? — perguntei, parado junto à fachada do prédio.— Foi o que o advogado dela confirmou — respondeu minha mãe. — Bianca pediu que eu avisasse você. Quer conversar sobre onde Leo vai ficar quando sair.Olhei para o corredor onde Márcio recolhia as ferramentas. A troca da fiação acabou de comprometer mais 2,4 milhões. Eu queria ir para casa e esquecer os números por algumas horas, mas Bianca já tratava da próxima disputa.— Ela disse que vai buscá-lo? — perguntei, apertando as chaves na mão.— Disse que quer conversar.— Ainda bem. Leo está comigo desde a prisão, e ela não vai aparecer na porta para mudar tudo.Minha mãe soltou o ar do outro lado da linha.— Leo sente falta dela, Rafael. Precisam pensar nele. Nunca pensei que ficaria tão preocupada com esse menino, mas com dois pais que só o querem por interesses próprios é difícil não se importar.— Não diga bobagem, estou sempre pensando no melhor para o meu filho — respondi, olhando para a sala onde planejav
RAFAEL DIMAS— Completamente? — repeti, olhando para os fios escurecidos dentro do quadro. — Não pode trocar apenas os que queimaram?Ele afastou a lanterna para me mostrar outra parte da instalação.— Se o problema estivesse só aqui, eu diria isso — respondeu. — Encontrei fios antigos nos outros andares. Alguns já estão danificados, mesmo onde as luzes ainda funcionam.Márcio se aproximou para olhar. O cheiro de plástico aquecido continuava no corredor, embora ninguém tivesse religado os equipamentos.— Dá para deixar uma parte do prédio funcionando? — perguntei. — Não preciso ocupar todos os andares de uma vez.Elias fechou a tampa do quadro sem apertar os parafusos.— Preciso terminar a avaliação antes de responder. Mas não recomendo ninguém a trabalhar aqui com essa instalação ruim.Olhei para a mulher que recolhia as ferramentas perto da escada. Havíamos entrado naquela manhã para medir salas e retirar divisórias. Agora todos esperavam no térreo, sem poder usar uma furadeira.— F
ADRIAN MONTENEGROEu estava terminando de abotoar minha camisa quando Jonas bateu à porta do quarto. Lorena ainda estava no banho. Abri e ele me entregou uma caixa comprida.— O fotógrafo trouxe as primeiras cópias impressas, senhor — informou, indicando a etiqueta.— Obrigado, Jonas. — Segurei a caixa com as duas mãos. — Vou mostrar estas à Lorena antes de aprovarmos mais.Ele assentiu e se afastou. Deixei a caixa sobre a cama, mas não esperei muito tempo para abrir a tampa. As fotos estavam separadas por folhas finas de papel.A primeira mostrava Lorena entrando no jardim ao lado de Florência. Eu aparecia mais ao fundo, olhando para ela. Naquele momento nem percebi que havia um fotógrafo tão próximo.Peguei a imagem seguinte. Nós dois estávamos diante da celebrante, de mãos dadas. Lorena sorria para mim, e eu tinha uma expressão tão séria que quase não me reconheci.— Por que está olhando sem mim? — ela perguntou às minhas costas.Virei com a foto na mão. Lorena saiu do banheiro com
RAFAEL DIMAS UMA SEMANA DEPOIS... Contratei uma empresa de reformas para cuidar da nova sede da minha empresa. Hoje vou levar a equipe para medir os espaços e começar o trabalho. Perto da rodovia, o movimento de carros já era intenso. Estacionei diante do imóvel e sai do carro. Márcio, o encarregado da reforma, esperava na entrada com dois homens e uma mulher. Havia caixas de ferramentas no chão e rolos de papel protegendo parte do piso. — Bom dia, senhor Dimas — cumprimentou ele, oferecendo a mão. — Podemos começar pela distribuição das salas? — É para isso que estou aqui. Abri a porta e os conduzi para dentro. A fachada de vidro e metal fazia o prédio parecer novo. O salão de entrada era amplo, com espaço para uma recepção e uma parede onde eu poderia colocar o nome da empresa. Márcio retirou a trena do bolso. Enquanto ele media o balcão antigo, caminhei até as janelas. — Quero a recepção voltada para esta entrada — falei. — Quem chegar precisa enxergar logo para onde ir.
RAFAEL DIMASNa manhã seguinte à visita ao terreno, encontrei uma notícia sobre o casamento de Lorena e Adrian. Pretendia apenas ler a manchete, mas abri as fotos.Na primeira, Adrian colocava uma aliança no dedo dela. Na seguinte, os dois se beijavam diante dos convidados. Lorena sorria em todas. Parecia mais feliz do que eu já a vi em todos os nossos anos juntos.Fechei a página, irritado. Ela já tinha minha antiga empresa, o sobrenome dela na fachada e agora posava como esposa de Adrian Montenegro. Eu havia acabado de visitar um empreendimento que poderia valer uma fortuna, mas era a felicidade dela que aparecia nas notícias.Meu celular tocou. Era o corretor retornando minha ligação.— A casa ainda está disponível? — perguntei, afastando o computador.— Está, senhor Dimas — respondeu ele. — O proprietário mantém o preço de oito milhões. Posso recebê-lo para outra visita hoje à tarde.— Vou com meu filho novamente — avisei. — Podemos chegar às quatro?O corretor confirmou o horário







