ANMELDENMáximo chegou a Bordeaux já de madrugada.A cidade estava quase adormecida, iluminada apenas pelas luzes amareladas das ruas e pelo reflexo dos candeeiros nas estradas húmidas. Durante toda a viagem, tinha alimentado uma única certeza: encontraria Catherine.Mas, quando estacionou o carro diante do hotel, percebeu que havia um problema que não tinha considerado.Não sabia onde ela vivia.Sabia onde trabalhava. Sabia onde tinha estudado. Sabia os nomes dos pais. Sabia tantas coisas sobre Catherine que, durante aqueles três anos, chegara a convencer-se de que ainda a conhecia.Mas não sabia onde ela morava.E isso, de repente, pareceu-lhe absurdo.Entrou no hotel sozinho, com o rosto cansado e os olhos carregados de uma determinação que nem mesmo a longa viagem conseguira apagar.— Boa noite, preciso de um quarto – disse Máximo na receção do hotelO funcionário da receção confirmou a reserva e entregou-lhe o cartão.— Vai ficar muitos dias, senhor? – perguntou o funcionárioMáximo hesit
Donatello fechou a porta do escritório atrás de si.Durante alguns segundos, permaneceu imóvel.Tinha acabado de falar com Ítalo.Tinha ouvido a ameaça.Tinha percebido a posição de Pietro.E, apesar da tensão que pairava sobre a família Santoro, Donatello sentia algo completamente diferente.Satisfação.Porque, pela primeira vez, o futuro que durante tantos anos parecera impossível começava a aproximar-se.Máximo tinha reencontrado Catherine.Andreia estava magoada.Ítalo estava furioso.Pietro recusava-se a interferir.E o casamento estava à beira do fim.Tudo aquilo significava uma coisa.O lugar de Máximo estava vulnerável.Donatello pegou no telemóvel.Ligou ao filho.— Mário, vem ter comigo – disse Donatello— Agora? – perguntou Mário— Agora – respondeu DonatelloMário chegou pouco depois.Encontrou o pai junto à janela, com um copo na mão.— O que aconteceu? – perguntou MárioDonatello virou-se.Um sorriso apareceu-lhe no rosto.— As coisas estão a correr melhor do que esperáv
Ítalo D’Angelo não dormiu naquela noite.Desde que Andreia lhe contara o que acontecera no hotel, uma única imagem permanecia na sua cabeça.A filha.A sua filha, humilhada diante de todos.E tudo por causa de uma mulher que tinha aparecido do nada e conseguido despertar em Máximo sentimentos que, segundo Ítalo, deveriam ter morrido há três anos.Andreia tinha tentado manter a dignidade.Mas Ítalo conhecia-a.Conhecia a dor escondida por trás daquele silêncio.E não estava disposto a permitir que a filha fosse tratada como uma opção descartável.Na manhã seguinte, tomou uma decisão.Ia falar com Pietro.Pietro estava no escritório quando recebeu a notícia de que Ítalo D’Angelo tinha chegado.Não ficou surpreendido.No fundo, sabia que aquela conversa aconteceria.A porta abriu-se pouco depois.Ítalo entrou com o rosto fechado.Não cumprimentou Pietro imediatamente.Caminhou até à secretária.— Temos um problema – diz ÍtaloPietro levantou os olhos dos documentos.— Eu sei – respondeu
A casa estava mergulhada no silêncio quando Catherine chegou.Passava da meia-noite.Rodou a chave devagar, tentando não fazer barulho, mas assim que abriu a porta percebeu que não conseguiria entrar sem ser vista.A luz da cozinha estava acesa.Catherine parou.— Catherine? – chamou a Rose e a voz da mãe fez-lhe o coração apertar.Rose apareceu no corredor, seguida por Antoine.Os dois ficaram imóveis ao vê-la.Catherine ainda segurava a mala.O rosto estava cansado.Os olhos vermelhos.E havia qualquer coisa na expressão dela que os fez perceber imediatamente que alguma coisa tinha acontecido.— O que estás a fazer em casa? — perguntou Rose.Catherine tentou responder.Não conseguiu.Rose aproximou-se.— Filha? – chamou a mãeFoi suficiente.Catherine deixou a mala cair no chão e abraçou a mãe.Rose apertou-a contra o peito.— O que aconteceu? – perguntou Rose e Catherine começou a chorar.Antoine aproximou-se e colocou uma mão no ombro da filha.— Catherine, fala connosco – pergunt
Máximo saiu do escritório do pai com uma certeza que não tinha quando entrara.Ia para Bordeaux.Não amanhã.Não quando tivesse resolvido todos os problemas da família.Não quando fosse conveniente.Ia atrás de Catherine.Depois de três anos a viver preso às decisões dos outros, finalmente percebia que havia coisas que não podiam continuar a ser adiadas.Entrou no próprio escritório e fechou a porta.Pegou no telemóvel.Tinha dezenas de mensagens por responder, mas ignorou-as.Abriu a agenda e começou a procurar o primeiro voo disponível.Parou.Não.Não queria avião.Precisava de tempo para pensar.Precisava de estar sozinho.Decidiu que iria de carro.A estrada entre Milão e Bordeaux seria longa, mas não lhe importava.Talvez aquelas horas fossem exatamente aquilo de que precisava para organizar tudo o que tinha acontecido.Pegou no telefone e ligou aos amigos que o acompanhavam naquela viagem.— Preciso que venham comigo para Bordeaux – disse Máximo a Romeu e a Nicolo assim que ele
A noite já tinha avançado quando Máximo chegou a casa dos pais.E, ficou parado no corredor durante alguns segundos.Precisava de falar com o pai.Talvez pela primeira vez em muitos anos, Máximo não queria falar com Pietro como filho do homem mais poderoso da família Santoro.Queria falar com ele apenas como filho— O que fazes aqui a estas horas? – perguntou Pietro olhando para o relógio— Precisamos de conversar – disse MáximoPietro encaminhou-o para o escritório.Percebeu imediatamente que havia alguma coisa diferente no filho.— Senta-te – disse Pietro e Máximo sentou-se.Durante alguns segundos, não conseguiu encontrar as palavras.— Hoje aconteceu uma coisa que mudou tudo – disse MáximoPietro observou-o atentamente.— Catherine – disse Máximo e levantou os olhos.Pietro ficou em silêncio.Há muito tempo que não ouvia aquele nome pronunciado daquela maneira.— Ela estava no hotel — continuou Máximo. — Eu vi-a – disse ele— E falaste com ela? – perguntou PietroMáximo soltou uma







