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Capítulo 2

작가: Sem Sonhos
Na manhã seguinte, Henrique ainda dormia profundamente quando saí de casa levando uma marmita.

Embora aquele casamento já estivesse completamente destruído, ainda assim fui ao hospital.

A mãe de Henrique estava internada havia mais de meio ano por causa de uma insuficiência renal grave, e era eu quem passava noites em claro ao lado dela, cuidando de tudo sem descanso.

Que aquele fosse meu último gesto de consideração por ela. Que aquilo também servisse para pôr fim aos doze anos de amor que eu havia dedicado ao filho dela.

Quando empurrei a porta do quarto, Helena estava segurando a mão da acompanhante de outra paciente e me elogiando.

— Desde que fiquei doente, dependo dessa menina, Amanda. Ela é cem vezes mais dedicada do que uma filha de sangue.

Ao me ver, abriu um sorriso enorme e logo me chamou para sentar um pouco e descansar.

Servi a sopa de peixe e entreguei a tigela em suas mãos.

— Sogra, tome enquanto ainda está quente. Henrique teve febre ontem à noite. Daqui a pouco preciso voltar para ver como ele está.

Helena segurava a tigela e tomava a sopa quando o celular, apoiado na mesinha ao lado da televisão ligada, tocou de repente.

Era o som de uma chamada de vídeo pelo WhatsApp. Na tela, o nome "Juliana" piscava.

Com as duas mãos sujas de sopa, Helena não conseguia pegar o aparelho, então apontou para ele com o queixo.

— Amanda, minha filha, atende para mim. Deve ser a prima do Henrique.

Sem pensar muito, estendi a mão e deslizei o botão verde para atender.

Assim que vi aquele rosto jovem e familiar, meu semblante endureceu.

Era Juliana Ferreira, a mesma mulher que, meio ano antes, eu tinha visto nua e enroscada em Henrique depois que ele ficou bêbado.

Na tela, ela ainda carregava nos braços um menininho de cerca de três anos.

O menino sorriu docemente para a câmera e chamou:

— Vovó! Olha o carro que o papai comprou para mim!

Juliana, por sua vez, fez uma expressão manhosa e reclamou para a tela:

— Sogra, Henrique bebeu demais aqui ontem à noite e acabou ficando com febre. Eu deixei ele dormir mais um pouco. Aquela louca não surtou de novo só porque ele chegou tarde, nem ficou atormentando o Henrique, né?

O ar no quarto pareceu congelar naquele instante.

Assustada, Helena tremeu a mão, e a sopa de peixe fervente se derramou inteira sobre a coberta.

— Amanda! Me deixe explicar!

Sem se importar com a queimadura, ela se lançou rapidamente na minha direção, tentando arrancar o celular das minhas mãos.

Dei um passo para trás e mantive os olhos cravados na criança da tela, tão parecida com Henrique, enquanto um frio terrível percorria meu corpo.

— Prima? Então esta é a prima do Henrique de quem você vivia falando?

Flagrada daquele jeito, Helena soltou um suspiro e simplesmente parou de fingir.

Ela segurou minha mão, com um ar grave e paciente, o rosto tomado por pena e impotência.

— Amanda, não culpe Henrique por ter escondido isso de você. Nesses quatro anos, Juliana aceitou tudo calada e nunca exigiu reconhecimento.

"Quatro anos?"

Um zumbido explodiu na minha cabeça. Era como se algo dentro de mim tivesse sido retorcido, doía tanto que eu mal conseguia respirar.

"Então a existência dessa mulher... Nunca foi um acidente provocado pela bebedeira de meio ano atrás?"

Helena deu tapinhas leves nas costas da minha mão e tentou me aconselhar em voz baixa:

— Eu vi você crescer, Amanda. Eu gosto de você de verdade. Mas você também precisa pensar no Henrique. Depois daquele trauma que sofreu, você passa dez dias, meio mês, sem deixar que ele encoste em você. Ele é um homem normal, cheio de vigor. Não dá para condená-lo a passar a vida inteira sem ter filhos por causa desse seu problema, não é? Juliana já disse que, no futuro, a criança também vai chamar você de mãe. Você continua sendo a nora da família Martins. Nada muda. Juliana jamais vai atrapalhar vocês dois. Isso não é bom?

...

Minhas pernas perderam as forças de uma vez, e eu caí sentada na cadeira atrás de mim.

Depois disso, não ouvi mais uma palavra do que Helena disse.

Dentro da minha cabeça, lembranças e fatos se chocavam e se despedaçavam, me rasgando ao meio.

Quatro anos. Sempre que Henrique viajava para outra cidade em missões de resgate, passava a noite inteira em chamada de voz comigo.

Ele dizia que sabia que eu não me sentia segura, que eu tinha medo do escuro e que eu só conseguia dormir ouvindo sua respiração.

Certa vez, ele correu perigo em uma área de desastre e, mesmo arriscando a própria vida para encontrar uma bateria reserva, fez questão de me dar notícias durante a noite inteira.

Mas eu jamais imaginei que aquilo que eu chamava de amor absoluto não passasse de uma farsa.

"Em cada uma daquelas ligações na madrugada para me tranquilizar, Juliana estava deitada ao lado dele? E aquela criança... Também dormia ali, ao lado dele?"

Ele se deitava ao lado de outra mulher e do filho deles enquanto, pelo telefone, consolava a idiota que eu era, sem saber de nada.

Aquele imenso absurdo me engoliu por inteiro. Me levantei e não dei mais atenção a Helena. Saí do quarto tropeçando nos próprios passos.

Já que não havia lugar para mim naquela felicidade perfeita que todos enxergavam, então eu simplesmente a entregaria a outra pessoa.

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