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Capítulo 05

Author: Lesca W
last update publish date: 2026-10-25 02:35:28

O primeiro encontro foi horrível, odiei cada minuto. Mas imaginei que o segundo seria melhor... Acontece que o segundo também é um desastre.

O restaurante é aconchegante demais para uma noite tão ruim. Luz âmbar, velas baixas nas mesas, um violão suave tocando em algum canto, cheiro de pão quente e alho. Um cenário que pede conversas longas e olhares demorados. Em vez disso, estou presa há quarenta minutos a um monólogo sobre placas de vídeo.

Evan tem trinta anos e é bonito, não dá para negar. Cabelo escuro bem cortado, camisa azul-marinho de bom caimento, um relógio discreto no pulso. O problema é que, em menos de dez minutos, descobri que a paixão dele por computadores e jogos não desperta em mim absolutamente nada além de vontade de conferir as horas.

Ele gesticula enquanto fala, os dedos desenhando no ar algo que imagino ser uma arquitetura de processador. Eu apoio o queixo na mão e assinto no que espero ser os momentos certos.

— ...e aí a atualização quebrou tudo, porque eles mexeram no sistema de drops, entende?

— Aham — respondo, sem fazer a menor ideia.

Desbloqueio o celular por baixo da mesa e começo a trocar mensagens com a Jullie. Me tira daqui, escrevo. Ele está explicando a diferença entre duas placas de vídeo há dez minutos.

Eu sei. É falta de educação.

Mas, sinceramente, não sei o que é pior: fingir interesse ou admitir que estou torcendo para surgir uma emergência que me permita fugir.

Giro a taça de vinho entre os dedos, tentando encontrar uma saída honrosa, quando a porta do restaurante se abre e uma lufada de ar frio atravessa o salão.

Levanto os olhos por reflexo.

E vejo Lewis entrar.

Está de camisa escura, com as mangas dobradas até os cotovelos, e a tatuagem que espia sob o tecido parece mais nítida sob a iluminação baixa. Tem as mãos nos bolsos e aquele jeito despreocupado de quem nunca precisou se preocupar em ser notado.

Acompanhado de uma mulher.

Ela é alta, tem o cabelo castanho solto sobre os ombros e ri de algo que ele diz. Lewis inclina a cabeça na direção dela, atento, e alguma coisa no meu estômago se contrai de um jeito que não consigo explicar.

Ótimo. Maravilhoso. Era tudo o que me faltava.

Viro o rosto depressa, como se isso bastasse para impedir que ele me veja também. Encaro Evan, sorrio um sorriso que sinto esticar demais as bochechas e fixo os olhos em um ponto indefinido perto do queixo dele. Já perdi qualquer chance de acompanhar a conversa. Meu corpo inteiro está sintonizado em outra frequência, a de passos que se aproximam, de uma voz que reconheceria no meio de uma multidão.

Agora, além de entediada, estou constrangida.

Não que eu me importe com o que Lewis pensa de mim. Claro que não. Só não queria que ele presenciasse meu segundo fracasso amoroso da semana.

Como se o primeiro não tivesse sido humilhante o bastante.

Largo o guardanapo sobre a mesa e respiro fundo.

— Desculpa, Evan. Acabei de lembrar que tenho uma coisa urgente para resolver.

Ele interrompe a frase no meio, o garfo parado no ar. Pisca, e a expressão dele é de quem acabou de ser arrancado de um sonho.

— Aconteceu alguma coisa?

— Mais ou menos. É uma questão de trabalho.

A mentira sai tão depressa e com tanta naturalidade que quase me convenço dela. Pego a bolsa e me levanto, alisando a saia.

Evan faz menção de se erguer também.

— Posso levar você para casa.

— Não precisa, de verdade. Termina sua refeição com calma.

Antes que ele insista ou que eu precise inventar uma segunda emergência, saio caminhando em direção à porta, de cabeça erguida, evitando olhar para qualquer ponto do salão onde pudesse haver uma camisa escura e um par de olhos verdes.

Do lado de fora, a noite está úmida e silenciosa. O ar frio acaricia meus braços, e o som dos meus saltos ecoa na calçada vazia enquanto me afasto alguns passos da entrada. Abro o aplicativo de transporte e solicito uma corrida.

Um minuto. Dois. Cinco.

Nenhum motorista aceita.

Aparentemente, o universo decidiu que eu deveria sofrer até o último minuto desta noite.

— Pensei que meus olhos estivessem me pregando uma peça.

Reconheço a voz antes mesmo de levantar a cabeça.

Lewis acabou de sair do restaurante. Está parado à luz amarelada de um poste, a poucos passos de mim, com as mãos nos bolsos e uma expressão que não consigo decifrar. Ou talvez consiga, mas prefira não admitir.

— Mas você está mesmo caprichando nos encontros — comenta, assobiando baixo. — O de segunda-feira também não foi lá essas coisas?

Estreito os olhos, o polegar parado sobre a tela do celular.

— Como você sabe que tive um encontro na segunda?

Ele me olha como se eu tivesse feito a pergunta mais idiota do mundo.

— Você está usando batom vermelho.

Levanto o celular e examino minha boca no reflexo escuro da tela.

— E?

— Achei que a gente já tinha chegado à conclusão de que é a sua cor de sair em encontros. Usou na segunda e está usando hoje.

O canto da boca dele se curva, bem de leve.

— Impressionante — digo, cruzando os braços. — Não sabia que você prestava tanta atenção em mim.

— Não presto. Você só não é tão difícil de decifrar quanto imagina.

Sorrio sem nenhum humor.

— E você continua tão agradável quanto eu me lembrava.

Ele ignora a provocação e dá um passo à frente, diminuindo a distância entre nós. Só então percebo o quanto é irritante ter alguém tão bonito por perto quando se está tentando, com todas as forças, não se importar com a opinião dessa pessoa. Os olhos verdes brilham sob a luz fraca, e ele é alto o bastante para que eu precise erguer um pouco o queixo para encará-lo. A tatuagem, parcialmente escondida pela manga, desce pelo antebraço em linhas escuras que meus olhos seguem antes que eu consiga me impedir.

Lewis tem uma aparência que seria muito mais conveniente se viesse acompanhada de uma personalidade menos insuportável.

— Esse cara de hoje não saberia o que fazer com você — diz ele.

Pisco, surpresa.

— O quê?

— Você parece entediada desde que entrei. — Ele inclina a cabeça, me estudando. — Aposto que ele conseguiu isso em menos de cinco minutos.

Seguro uma risada que ameaça escapar, contrariada por ele ter acertado em cheio.

— Ele é um cara legal.

— Tenho certeza.

O tom é tão carregado de sarcasmo que reviro os olhos.

— E a sua companhia? — pergunto, lançando um olhar de relance para a porta do restaurante, onde a mulher continua do lado de dentro, visível através do vidro. — Ela é bonita.

O sorriso que se abre no rosto dele é irritantemente satisfeito.

— Ela é.

Não sei por que essa resposta me incomoda. Talvez porque ele pareça genuinamente feliz. Talvez porque eu esteja tendo uma noite péssima e ele não tenha a decência de estar tão entediado quanto eu.

Ou talvez eu só precise dormir.

O olhar de Lewis desce até o celular na minha mão.

— Está esperando um carro?

— Não, Lewis. Estou admirando a tela enquanto fico parada na calçada.

Ele ergue as sobrancelhas.

— Você é sempre assim?

— Só com pessoas que fazem perguntas óbvias.

Um instante de silêncio. Ao longe, um carro passa e a luz dos faróis varre rapidamente o rosto dele.

— Posso levar você para casa, se quiser.

Encaro-o, desconfiada.

— Você está em um encontro.

— Ela não vai se importar.

Cruzo os braços com mais força.

— Você não me dá carona.

O sorriso dele se desfaz aos poucos.

— Como é?

— Ah, por favor, não se faça de desentendido. — Sinto o velho incômodo subir pela garganta. — Caso você tenha esquecido, eu já precisei de uma carona uma vez, lembra? Estava indo comemorar meu noivado. Era caminho da sua casa, e você me disse para pedir um Uber.

Lewis passa a língua pelos lábios e desvia o olhar por um instante, como se a calçada de repente fosse muito interessante.

— Eu fui um babaca naquele dia.

A admissão me pega desprevenida. Eu esperava uma justificativa, talvez outra provocação, qualquer coisa menos isso.

— Foi mesmo.

— Mas, em minha defesa, seu noivo deveria ter ido buscar você.

Solto uma risada curta, sem graça.

— Não era caminho para ele.

— Não importa. Não precisava ser. — Ele volta a me olhar, e agora não há ironia nenhuma na expressão. — Ele era seu noivo, Olivia.

A frase me atinge de um jeito desagradável. Não porque Lewis esteja errado, mas porque não preciso que ele me lembre disso.

— Obrigada pela análise da minha vida amorosa — digo, ríspida. — Vou acrescentá-la à lista de coisas que ninguém pediu.

— Você prefere esperar sozinha por um carro que não chega a aceitar uma carona?

— Prefiro.

— Teimosa.

— Arrogante.

Ele abre a boca para responder, mas alguma coisa atrás dele prende minha atenção.

No fim da rua, duas silhuetas caminham devagar sob os postes, e uma delas tem um andar que reconheço antes mesmo de distinguir o rosto.

Por um segundo, acho que estou vendo coisas.

Então a luz b**e no rosto dele.

Josh.

E, ao lado dele, de braço dado, Lavínia. A mulher com quem ele me traiu. A mulher que agora vai se casar com ele.

Meu estômago afunda como se eu tivesse perdido um degrau no escuro.

Merda.

Merda, merda, merda.

Olho para os lados com o coração martelando nos ouvidos. Não há nenhuma loja aberta onde eu possa me enfiar, nenhuma esquina próxima, nenhum tempo para atravessar a rua sem parecer uma completa maluca. Se eles continuarem andando naquela direção, vão passar bem por aqui.

E vão perceber que estou sozinha.

De novo.

— Olivia? — Lewis chama, confuso, seguindo a direção do meu olhar.

Olho para ele. Depois para Josh, cada vez mais perto. Depois para Lewis outra vez.

Não penso. Se pensasse, provavelmente faria qualquer outra coisa.

— Desculpa. Sinto muito por isso.

Agarro a camisa dele com as duas mãos, puxo-o na minha direção e fico na ponta dos pés.

Então o beijo.

Por uma fração de segundo, ele fica imóvel, o corpo rígido contra o meu, a respiração suspensa. Quando penso em recuar, uma das mãos dele encontra minha cintura e a outra sobe até a minha nuca, os dedos afundando devagar nos meus cabelos.

E Lewis me beija de volta.

É um beijo firme, quente, deliberado, como se ele tivesse esperado por isso mais tempo do que gostaria de admitir. Meu coração dispara. Minhas mãos, que antes agarravam a camisa em pânico, relaxam e se espalham sobre o peito dele, sentindo as batidas rápidas sob o tecido.

O beijo dura apenas alguns segundos, mas o suficiente para eu esquecer que acabei de tomar a decisão mais impulsiva da minha vida.

— Liv?

A voz de Josh acaba com o momento.

Abro os olhos e me afasto apenas o suficiente para olhar para ele. Meus lábios formigam. Procuro a mão de Lewis e a seguro antes que o meu corpo tenha a oportunidade de demonstrar o quanto estou nervosa.

— Oi. — Minha voz sai surpreendentemente firme. — Quanto tempo.

Ele olha para mim. Depois para Lewis. A surpresa em seu rosto é quase satisfatória.

Quase.

— Sim... Quanto tempo. Você está... bem. — Ele pigarreia e faz um gesto discreto para a mulher ao lado. — Essa é Lavínia, minha noiva.

Lavínia estende a mão com um sorriso educado, de unhas impecáveis e olhar cauteloso.

— Oi. Prazer em conhecer você.

Aperto sua mão, mantendo o sorriso no rosto.

— O prazer é meu.

Solto-a e volto a segurar o braço de Lewis, num gesto que espero parecer natural. Ele está tenso ao meu lado, o músculo rígido sob meus dedos, mas não me desmente.

Por enquanto, já é mais do que eu poderia pedir.

— Esse é Lewis, meu namorado — anuncio.

Os dois homens se cumprimentam com um aperto de mão rápido e seco. Josh continua olhando para mim como se tentasse descobrir em que momento minha vida seguiu em frente sem que ele fosse informado.

— Alex não comentou que você estava namorando.

Dou de ombros, com um sorriso leve.

— Você ficaria surpreso com a quantidade de coisas que meu querido cunhado não sabe sobre mim.

Olho de lado para Lewis. A expressão dele é cuidadosamente neutra, mas há uma pergunta silenciosa em seus olhos: O que você está fazendo?

Eu também gostaria de saber.

— Ah, Lew, esqueci de apresentar direito. — Inclino a cabeça, doce. — Josh é meu ex-noivo. E essa é Lavínia, a ex-amante.

O maxilar de Lewis fica rígido sob os meus dedos.

— Olivia... — Josh me repreende.

Sorrio para ele.

— O quê? Eu falei alguma mentira?

Volto minha atenção para Lavínia, que parece ter parado de respirar.

— Fico feliz que você tenha provado que aquela música da Marília Mendonça sobre amantes estava errada. Parece que, afinal, amante tem lar.

Dou uma piscadela.

O silêncio que se segue é tão constrangedor que quase consigo ouvir minha irmã me perguntando, em algum lugar do universo, por que eu não consigo ficar calada.

— Liv... — Josh repete, agora com a voz mais baixa.

— Estou brincando! — digo, soltando uma risadinha que não convence nem a mim mesma. Sinto Lewis apertar minha mão, um aviso discreto ou talvez um apoio. — Faz tempo. Está tudo bem. Vocês vão se casar, eu estou namorando. Não temos motivo para ficar remoendo o passado, certo?

Olho para Lavínia, com os olhos arregalados de falsa preocupação.

— Não deixei você constrangida, né? Juro que foi só uma brincadeira.

Ela abre a boca, procurando uma resposta adequada.

— Não. Tudo bem. Eu...

— Ufa!

Levo a mão ao peito, fingindo alívio. Mereço um prêmio por essa atuação.

— Então, vejo vocês no casamento, certo? Precisamos ir embora.

Sem esperar resposta, puxo Lewis pela mão e começo a andar. Os saltos batem rápido contra o chão, e sinto o olhar de Josh queimando nas minhas costas por vários metros. Não sei exatamente para onde estou indo. Só sei que preciso me afastar deles antes que eu piore ainda mais a situação.

— Onde está seu carro? — pergunto, ainda segurando a mão dele, que é grande e quente e se encaixa na minha de um jeito que prefiro não analisar.

— Na próxima rua, à direita.

Continuo andando.

Quando chegamos, Lewis destrava o carro, abre a porta do passageiro para mim e espera. Entro sem discutir. O interior cheira a couro e a um perfume suave que reconheço dele, e o silêncio ali dentro, depois da rua, me parece quase ensurdecedor. Ele dá a volta pela frente do carro, e o observo pelo para-brisa, de cabeça baixa, uma mão passando pelo cabelo.

Assim que ele fecha a porta, solto o ar que estava prendendo.

— Me desculpa, Lewis. De verdade. Eu surtei. Quando vi o Josh vindo na nossa direção, não pensei. Só não queria que ele me visse sozinha e...

Passo as mãos pelo rosto, sentindo o batom borrar um pouco sob os dedos.

— E agora eu disse que você é meu namorado. Meu Deus. Tenho um casamento para ir, eles vão estar lá, e eu não posso aparecer sozinha.

Lewis permanece em silêncio por alguns segundos, as mãos pousadas no volante, o olhar fixo na rua vazia.

— Mas que porra.

— Eu sei! Desculpa, eu...

— Ele traiu você?

A pergunta me faz parar.

— Sim.

Ele vira o rosto na minha direção. O maxilar está tenso.

— Ele tinha você e traiu você?

Solto uma risada amarga.

— Sim, Lewis. Não precisa repetir que eu sou corna. Eu sei.

Ele fecha os olhos por um instante, respirando fundo.

— Desculpa. Eu não sabia.

— Não sabia o quê?

— Por que vocês terminaram. — A voz dele sai mais baixa. — Quando você apareceu sem a aliança, todo mundo achou que tinha sido você quem terminou. Eu o conheci em um dos eventos da empresa. Você o levou com você e... sinceramente, ele nunca me pareceu bom o suficiente para você.

A raiva que eu sentia perde força, substituída por um constrangimento que não sei como disfarçar. Desvio o olhar para as minhas mãos, no colo.

— Obrigada — murmuro. — Mas quem levou o pé na bunda fui eu.

Lewis me encara por um longo momento.

— Azar o dele.

Diz isso com tanta convicção que, por um instante, quase acredito.

Quase.

Ele apoia as mãos no volante e olha para a frente, recuperando o tom prático.

— Certo. E agora? Quando é esse casamento? De quem é? Por que ele vai estar lá? Precisamos postar fotos juntos para convencer as pessoas?

Ergue uma sobrancelha na minha direção.

— Ou você pretende me apresentar como seu namorado só quando ele estiver por perto?

— Você não precisa fazer nada disso.

— Olivia, você acabou de me beijar no meio da rua e anunciar nosso namoro para o seu ex-noivo. Acho que já passei da fase em que posso fingir que não estou envolvido.

— Eu sei. Desculpa.

— Para de pedir desculpas por cinco segundos e me explica o tamanho do problema.

Respiro fundo, encostando a cabeça no banco.

— É o casamento da minha irmã. Josh é primo do noivo, então vai estar lá. E minha irmã me deu um convite extra, caso eu quisesse ir acompanhada. Eu disse que estava namorando, mas não estou. Agora, aparentemente, estou.

Lewis me observa por um instante, a luz do painel desenhando sombras suaves no rosto dele. Então abre um sorriso que me deixa imediatamente desconfiada.

— Ok, eu topo.

— O quê? — pergunto, confusa.

— Você vai me levar nesse casamento. Vamos fazer seu ex olhar para você e se perguntar como teve a capacidade de deixar alguém como você escapar.

Não consigo evitar uma risada.

— Você é ridículo.

— Posso até pedir você em casamento na frente dele. Quer que eu providencie um anel?

Dou um soquinho no braço dele, que é duro como pedra.

— Idiota. Só precisamos fingir um namoro normal.

— Claro. Um namoro normal. Quer que eu leve flores para a sua família também? Finja que conheço sua mãe há anos?

— Lewis!

Ele ri, satisfeito por ter conseguido me irritar, e o som preenche o espaço apertado do carro de um jeito que me deixa estranhamente desarmada.

O pior é que, apesar de tudo, estou começando a me sentir menos desesperada.

Então me lembro de uma coisa.

— Espera. Seu encontro!

Lewis vira o rosto para mim.

— O quê?

— Sua companhia está no restaurante, seu babaca! Você saiu de lá para me ajudar e deixou sua namorada esperando?

Ele abre a boca, fecha e, por fim, sorri.

— Ela é minha irmã.

Fico olhando para ele, sem piscar.

— Sua irmã?

— Sim, mas ela vai ficar bem, na verdade ela vai encontrar o marido lá, só fiquei de dar uma carona e aproveitei para fazer companhia enquanto ela esperava ele.

— Você deixou que eu pensasse que estava em um encontro?

— Você não perguntou.

— Você é insuportável.

— E você é teimosa. Estamos quites.

Reviro os olhos enquanto ele pega o celular para mandar uma mensagem à irmã. Não acredito que passei os últimos minutos incomodada com uma mulher que nem sequer estava saindo com ele.

Não que eu estivesse incomodada.

Claro que não.

Quando Lewis para o carro em frente ao meu prédio, a rua está quieta e o porteiro cochila atrás do vidro da guarita. Minha cabeça ainda gira a mil. Preciso pensar no casamento, nas fotos, na minha família e em como sustentar uma mentira que inventei sem qualquer planejamento.

— O que você ganha com isso? — pergunto.

Ele guarda o celular e me olha, com o braço apoiado no encosto do banco.

— Você fica me devendo um favor.

— Só isso?

— Por enquanto.

A resposta não me tranquiliza nem um pouco.

Olho pela janela, observando as luzes da portaria refletidas no vidro, tentando organizar as ideias. Será que precisamos postar fotos juntos? Contar para as pessoas do trabalho? Será que conseguiríamos fingir um namoro só durante o casamento?

E, principalmente, por que Lewis está disposto a me ajudar?

Não somos amigos. Mal conseguimos conversar sem trocar farpas. Até hoje, eu tinha certeza de que ele preferia manter a maior distância possível de mim.

Talvez esteja apenas se divertindo às minhas custas.

Essa hipótese parece muito mais plausível do que qualquer outra.

— Está bem — ele diz, interrompendo meus pensamentos. — Manda.

Viro o rosto, confusa.

— Mandar o quê?

— O que você está pensando. Dá para ver seu cérebro soltando fumaça daqui.

Aperto os lábios, tentando não sorrir.

— Eu estava pensando que ainda posso desistir dessa ideia.

Lewis sorri, devagar, e o olhar dele desce por um segundo, só um, até a minha boca borrada de batom.

— Pode. Mas vai ter que explicar ao seu ex por que beijou outro homem na frente dele e depois fugiu.

Fecho os olhos.

Droga.

Talvez eu devesse ter esperado o Uber.

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