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CAPÍTULO 5 (2010) - A vida depois do inferno.

ผู้เขียน: Ana Cruz
last update วันที่เผยแพร่: 2026-11-01 04:00:33

         Eu acordei primeiro que Jack e fui para o banheiro. Quando voltei ele ainda dormia tranquilamente. Ele estava praticamente no centro da cama deitado de bruços e com os braços dobrados em cima do travesseiro. Seus músculos das costas ficaram mais visíveis. Não resisti e deitei em suas costas. Beijei cada pedacinho exposto.

— Acordar assim não tem preço.

         Eu sorri.

— Bom dia.

         Seu bom dia foi o mais delicioso que eu poderia receber. Nossas posições foram invertidas e ele me beijou como se dependesse disso.

         Não fomos mais além porque minha mãe se fez presente do outro lado da porta. Ela só queria avisar que o café da manhã já estava na mesa.

         Jack recebeu uma ligação do escritório e precisou largar o café pela metade. Minha mãe foi logo em seguida para a revista. Steven não voltaria para casa naquele dia.

         Eu, bom, eu não teria nada para fazer. Por isso minha cabeça não parava de pensar.

         Peguei meu PC e procurei por notícias do dia do acidente, não encontrei muita coisa. Encontrei somente a nota que o escritório enviou confirmando que eu fui atropelada.

         Aquela casa estava me sufocando. Vou para o quintal e vejo que três homens estavam na entrada da casa e mais dois estavam no quintal. Uma frase de Jack dita há muito tempo, ecoa em minha mente: “A partir de hoje você não anda mais sozinha”.

         Na época, eu não soube compreender, mas agora, agora ela faz mais sentido porque em uma das poucas notícias que li sobre o meu acidente, uma delas dizia que a polícia classificou meu acidente como “atentado”.

         Por isso eu volto para dentro de casa e ligo para a companhia de táxi. Eu sabia que se eles me vissem saindo, Jack saberia também e eu precisava de respostas e não de desculpas.

         Saí pela porta dos fundos e fiquei esperando pela minha carona. Ela demorou e isso aumentou ainda mais minha ansiedade.

         Assim que entrei no taxi, deliguei meu celular. Quando passei o endereço, a ansiedade me consumiu. Eu não sabia o que me esperaria. Eu fecho os olhos e vejo tudo o que me aconteceu, só que eu não sei o que vi. Preciso de respostas e acredito que lá conseguirei.

         Quando o táxi se aproximou, meu coração disparou. Eu precisei controlar o bolo que se formava em minha garganta.

         Eu precisava entender muitas coisas e para isso o sentimentalismo teria que ficar dentro deste táxi.

         Desci na esquina de onde tudo aconteceu.

         Fechei meus olhos e senti o impacto; senti o desespero de Jack; vi seu sorriso e com ele as suas covinhas.

         Eu, confesso, que tive medo de abrir os olhos. Eu não queria estar vivendo um pesadelo, eu não queria estar vivendo uma mentira, porque era assim que eu me sentia. Vivendo uma mentira, vivendo uma vida que não era minha. Respirei fundo e abri meus olhos.

         Tudo estava com ainda eu me lembrava. A mesma árvore, o mesmo hidrante. Senti falta do poste de iluminação. Meus olhos se encheram de lagrimas quando percebi que do outro lado da rua uma criança me olhava.

         Ele ameaçou em correr, mas eu o proibi e corri para o seu encontro. Ele me abraçou apertado.

— Que bom que você está aqui. Mamãe não precisa mais chorar por sua causa.

         Eu me afastei para olha-lo e perguntar o motivo, mas, como sendo a criança esperta que era, J respondeu dizendo que “aquele que não deve ser nomeado” era o causador de tudo.

— Onde está sua mãe?

— Em casa.

         Ele envolveu minha cintura com suas mãozinhas e fomos assim para a porta de entrada. A fachada do prédio não era mais a mesma. A porta de entrada também. J leu meus pensamentos.

— Aquele que não deve ser nomeado mudou a porta quando ele quebrou.

         Jack quebrou a porta? Eu queria perguntar muitas coisas para ele, mas lembrei-me que ele tinha somente 6 anos.

         Subimos os degraus em silencio. J abriu a porta. Para meu espanto, a casa estava silenciosa.

— Entra tia, senta aqui.

— Quem você trouxe, J?

— A tia Beka.

         Alguma coisa se quebrou na cozinha e uma Natasha – um pouco mais magra e com os cabelos cortados – me recebeu.

         Eu não sabia se chorava ou se ficava triste por ela não ter ido me visitar e nunca ter atendido minhas ligações.

         Sua reação não estava muito diferente da minha.

         J sendo o J quebrou nosso silencio.

— Ela está assim porque “aquele que não deve ser nomeado” brigou com ela.

         Eu olhei para aquela criança na esperança de ouvir mais, porém, sua mãe o mandou ir para o quarto. Ficamos nós duas, uma de frente para a outra, esperando não sei o quê. Eu sabia o quanto ela estava sofrendo, por isso eu dei o primeiro passo. Ela chorou e eu também. Ela me abraçava tão apertado que senti minhas costelas sendo amassadas e o ar me faltar.

— Eu estou bem.

         Ela segurou meu rosto e eu pude ver todo o seu desespero.

— Que susto você me deu. O que aconteceu, minha amiga?

         Eu apenas sorri.

— Estava contando com você para me ajudar mais uma vez. O que aconteceu?

         Ela enxugou os olhos no avental e me levou pela mão para a cozinha. Lá tomei um copo de água e esperei que ela me contasse.

— Infelizmente eu não vou poder te ajudar. Jack me impediu de chegar perto de você. Se não fosse pela Gloria eu teria ficado no escuro.

— Mais por quê?

— No dia do seu atentado, ninguém estava raciocinando direito, principalmente o Jack. – Eu prestei muita atenção quando ela falou atentado e não acidente. – Jack surtou legal. Depois teve as intercorrências, teve o sepultamento do bebê. – Ela respira fundo. Você não podia receber visitas, então eu só te olhava pelo vidro. Toda vez que eu chegava Jack saia. Você sabe como sou.

— Você o questionou.

— Sim. Ele me acusou, reafirmou o que tinha dito no dia do atentado. Eu me defendi, disse que não sabia de nada.

         Eu precisava entender. Do que Jack a acusava?

— Preciso que você seja mais clara. – Ela me olha como se eu tivesse falado grego. – Pois é, eu não sei de nada. Estou no escuro há 4 meses.

         Ela respira fundo e puxa uma cadeira e senta ao meu lado.

— Ok. Do que você sabe?

         Como dizer a ela? Como dizer que vi meu acidente só que por outra perspectiva? Como dizer que conversei com um velhinho e lá ele me mostrou uma nova forma de ver minha vida? Preferi dizer o que ensaiei.

— Não sei de nada.

         Ela respira fundo.

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