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Capítulo 2

Author: Duduzinho
O herdeiro do Grupo Castro aparece no lançamento de novos produtos da FY e gasta uma fortuna para arrancar um sorriso da beldade.

O coração de Sofia pareceu se esvaziar por um instante.

Grupo Castro... só havia um herdeiro: Miguel.

E o evento de lançamento da marca de alto luxo FY estava acontecendo justamente ali, em Vale Central.

Os dedos de Sofia tremiam; ela sentia frio.

Ao abrir a notícia, a imagem de Miguel saltou aos olhos.

Miguel sempre era bonito e alto, com pernas longas e retas.

Vestia um terno impecável, elegante e nobre, e em fotos nunca perdia para ninguém.

Antes, sempre que via uma notícia sobre Miguel, Sofia ficava muito tempo observando as imagens, porque ele era realmente bonito.

Mas, dessa vez, ela fechou a página rapidamente.

Como se fosse guiada por um impulso inexplicável, abriu o Instagram.

Por coincidência, Arthur Botelho tinha acabado de postar algo novo.

Arthur era colega de colégio de Miguel.

[Colar de diamante rosa, edição global limitada a apenas dez peças da FY. A esposa do amigo também já garantiu o dela!]

Na foto, aparecia apenas o pescoço branco de uma mulher; pendurado ali, o colar de diamante rosa brilhava de forma ofuscante.

Não importava quem Arthur chamava de esposa do amigo, com certeza não era Sofia.

Guardando o laudo do ultrassom, Sofia pegou um táxi e voltou para casa.

Durante o trajeto, a dor no abdômen continuava.

Ao chegar, lembrou que ainda não tinha comprado os ingredientes do dia e saiu novamente para fazer compras.

Comprou apenas coisas de que Miguel gostava e, ao voltar, foi direto para a cozinha.

Quando acabou de fazer a comida, já era noite.

Por volta das nove horas, Miguel chegou.

— Esqueci de avisar. Tive um compromisso à noite e já jantei fora.

A voz de Miguel era indiferente; no rosto bonito, não havia qualquer emoção.

Sofia pegou o terno das mãos dele.

Depois de três anos de casamento, era a primeira vez que ela via Miguel voltar de um compromisso social com o cabelo sem vestígios de gel, com um ar fresco, como se tivesse acabado de tomar banho.

O terno não tinha cheiro de álcool, apenas um leve perfume, e não era o mesmo que ele usara na notícia.

Sofia não perguntou nada. Em silêncio, foi buscar o pijama de Miguel.

Nesse momento, ele a abraçou por trás, envolvendo a cintura dela.

O aroma fresco de menta dos cabelos de Sofia envolveu os sentidos dele.

Mesmo através do tecido fino e sedoso do pijama, Sofia sentiu a mão dele ganhar ousadia pouco a pouco.

Como dona de casa, Sofia raramente aparecia em público.

Quando Miguel, ocasionalmente, a levava à Mansão dos Castro para reuniões familiares, ele sempre a tratava com frieza diante dos parentes.

Mas, na cama, era completamente diferente.

Miguel tinha um desejo sexual intenso, além de vigor e habilidade, e ainda possuía um rosto extremamente sedutor.

Em especial aquele sorriso na medida certa, capaz de tirar o fôlego de qualquer pessoa.

Normalmente, Sofia não recusava; sempre seguia a vontade dele.

Mas, depois de tudo o que havia acontecido nos últimos dois dias e somado ao fato de estar grávida, ela realmente não queria fazer sexo.

— Amor, minha barriga está doendo... hoje à noite, será que dá pra...

Antes que Sofia terminasse a frase, Miguel a ergueu no ar e a jogou na cama.

— Eu...

As palavras seguintes não chegaram a sair.

O corpo de Miguel se impôs sobre o dela, e ele selou os lábios dela com um beijo, impedindo qualquer tentativa de fala.

Enquanto beijava Sofia, ele desabotoava a camisa e soltava o cinto.

Ao encarar ela de cima, os olhos dele estavam tomados por chamas.

Percebendo que a sempre submissa Sofia estava resistindo, Miguel sorriu e usou o cinto para amarrar os pulsos dela.

— Você só precisa cumprir bem o seu dever de esposa.

Outro beijo intenso engoliu tudo o que Sofia ainda queria dizer a Miguel.

Ela mesma não entendia o que havia dado em Miguel naquela noite; ele a levou ao limite, até que ela desmaiou.

Quando acordou, o quarto estava completamente escuro.

Sofia sentia um grande desconforto no abdômen e na parte íntima.

Queria ir ao banheiro se lavar, mas acabou ouvindo Miguel falando ao telefone na sala.

— Miguel, a Isabela bebeu demais. Vem logo pra cá!

Numa situação dessas, Sofia teve que agradecer por Arthur ter a voz tão alta.

Na sala, a silhueta esguia de Miguel parecia um relâmpago.

A luz fraca desenhava com nitidez os claros e escuros do rosto dele; os olhos negros eram profundos como o céu noturno.

Sofia se surpreendeu ao perceber que, na outra mão, Miguel segurava um cigarro.

Na lembrança dela, Miguel não fumava, pelo menos nunca fumava em casa.

— Até quando você vai continuar de birra com a Isabela? Agora que ela voltou, já não está na hora de fazer as pazes?

Quanto mais silenciosa ficava a noite, mais clara soava a voz de Arthur do outro lado da linha.

Sofia ouviu tudo com absoluta nitidez, o ar ficando preso no peito.

— Arthur... — O semblante de Miguel estava severo, o olhar afiado como o de uma águia. — Eu já sou casado.

Como se uma injeção de ânimo tivesse sido aplicada, Sofia soltou o ar que prendia.

— Casado não pode se divorciar? Aquela dona de casa que, sem você, nem conseguiria se sustentar? Ela não chega nem aos pés da Isabela.

— Mas eu não quero me divorciar.

— Por quê?

— Porque eu não consigo abrir mão.

Os olhos de Sofia se encheram de lágrimas; por pouco ela não deixou escapar um som.

Aquela frase de Miguel a tocou mais do que qualquer presente caro que ele já tivesse dado.

Depois de três anos de casamento, até o coração mais frio acaba se aquecendo, e Sofia nunca achou que tivesse feito algo errado.

Lavar roupas, cozinhar, cuidar da casa: ela nunca relaxou.

Na cama, também conseguia satisfazer Miguel.

Sofia sentiu que toda aquela dedicação não tinha sido em vão.

O sentimento de Miguel por ela parecia mais profundo do que imaginara, e aquela ligação era a prova.

O coração finalmente se aquietou.

Ela se virou, pronta para voltar ao quarto.

Espionar não era algo digno, e já não havia mais motivo para isso.

Ela amava Miguel, e Miguel também a amava.

— Com uma empregada tão dedicada, é claro que eu não consigo abrir mão!

O passo que Sofia deu para a frente parou na mesma hora.

— Mesmo eu não precisando desse dinheiro, a sensação de alguém fazer as coisas com cuidado é diferente. Além disso, a Sofia não é como a Isabela. Ela não tem capacidade, não tem formação nem trabalho. É só uma dona de casa, passa o dia inteiro cuidando da casa. Meu avô gosta dela, minha mãe também acha fácil de controlar, toda a minha família está satisfeita com ela. Por que eu me divorciaria...

— Do jeito que ela é, serve perfeitamente para ficar em casa como esposa. Não exige muito investimento; basta dar um agrado de vez em quando que ela obedece direitinho.

Do outro lado da linha, Arthur pareceu finalmente entender.

— Entendi, mas a Isabela...

— Manda o endereço. Estou indo agora.

Depois de desligar, Miguel saiu apressado.

Só depois de ouvir o barulho da porta se fechando foi que Sofia, escondida atrás da parede, ousou chorar em voz alta.

As lágrimas desciam como uma represa rompida, embaçando sua visão.

A sensação de náusea fez o estômago revirar, e a dor no abdômen parecia uma sucessão de facadas.

Ela segurou a barriga e se agachou com dificuldade.

O suor escorria, e o sangue descia pelas coxas.

A escuridão tomou conta da sua visão...

Quando abriu os olhos novamente, Sofia já estava deitada em um hospital.

No quarto não havia mais ninguém, apenas uma enfermeira.

— Com licença, eu estou... — Sofia mal conseguiu abrir a boca; a voz saiu rouca.

— Sra. Sofia, a senhora sofreu um aborto espontâneo.
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