MasukParte 1
Juliana ficou olhando pela janela enquanto tentava se acalmar do beijo no estábulo. Ela não poderia continuar com isso.
Viu que Vitor estava conversando com o irmão e outro funcionário. Não podia negar que agora o via de outro modo, até mesmo o achava mais bonito e interessante.
Em pouco tempo tinha descoberto algumas coisas sobre ele que durante todo o tempo em que trabalharam juntos ela nunca havia notado.
Conversar com ele era muito mais fácil do que com os próprios irmãos, mesmo que ele também tivesse ideias fechadas ou machistas.
O ponto positivo dele era que a ouvia e até parava para entender o que pensava. Não concordou com muitas de suas ideias, porém não a diminuiu ou tentou fazer com que mudasse de ideia também. O que seus irmãos faziam.
_ O que está fazendo?
Juliana deu um pulinho e derrubou um pouco da água quando se assustou com a cunhada.
_ Credo, criatura - se virou _ Por que chegou assim de surpresa?
_ Não cheguei de surpresa, você que não me ouviu - olhou para fora e sorriu _ Ahhh, entendi porque estava distraída. Está apaixonada!
_ Não seja boba - deixou o copo na pia.
_ Não tenha vergonha, Ju. O amor é maravilhoso e é tão difícil de encontrar de verdade. Ainda bem que ele estava aqui pertinho de você.
_ Bri, você está é cheia de hormônios - fez um bico _ Não seja exagerada - meneou a cabeça com uma careta irônica.
_ Sabe que muitas mulheres vão morrer de inveja de você, não sabe? - riu _ O Vitor tem um fã-clube enorme.
_ Não me importo com isso.
_ Isso aí, seja segura de si. As outras vão se roer de inveja. Você conseguiu fisgar o solteirão.
_ Não quis fisgar ninguém - voltou para a janela. Ele ainda estava lá _ Tudo o que quero é organizar minha vida.
_ Como assim? - Briana franziu a testa _ Sua vida já está organizada.
_ Não por mim - roeu a unha _ Não ainda.
_ Você está esquisita, Juliana - cruzou os braços _ Tem algo acontecendo?
_ Não... Claro que não - mexeu no cabelo.
Não ia comentar com a cunhada que sua ideia era sair dali em breve e ter seu próprio canto. Gostava muito dela, mas sabia que ficaria do lado do marido.
E agora ainda tinha mais essa complicação com Vitor. Não esperava se sentir dessa forma ao lado dele e nem que teria coragem de expor seus desejos. Eles quase não falavam sobre outra coisa que não fosse trabalho no escritório. Nem entendia como se soltou assim com ele.
Que diabos acontecia com ela agora?
Não precisava de nada disso em sua vida. Essa atração tinha surgido de forma quase que instantânea quando sentiu o toque de sua boca na primeira vez.
Acordar na cama com ele não foi um plano, apenas aconteceu. E sentia que havia um perigo aí. Se vacilasse poderia acabar perdendo seu foco por causa dele e não era nada bom isso.
Seria possível não mexer em seus planos e ainda assim continuar com essa proximidade dele?
Seu coração disparou quando o viu entrar na caminhonete e sair. Talvez já estivesse indo comprar o teste de gravidez e logo estariam livres.
_ Juliana, vai chamar alguém para hoje à noite?
_ O que? - a olhou sem entender.
_ Eu já chamei alguns amigos, pouca coisa - disse sorrindo _ Por que não chama suas amigas?
_ Para que? - franziu a testa.
_ Ai, menina - bateu em sua testa _ Para a reunião aqui em casa. Eu encomendei os doces com a Marcy para que? Ficou tonta? - riu _ Vamos celebrar hoje à noite. Não vai ser nada grande, até porque já tivemos a festa de casamento do Joel, então duas noites seguidas não dá, né?
_ Celebrar o que? - gelou.
_ Ah, vá - abanou a mão _ Deixa de ser besta e liga pra suas amigas. Ainda sobrou muita coisa do casamento e com o que eu pedi a gente vai poder ter uma reunião gostosa e comemorar a novidade.
Era só o que faltava. Briana como sempre adiantada em suas ideias de casamento. Era uma romântica incurável.
_ Não quero comemorar.
_ Como não? Ficou doida?
Ela olhou para o anel na mão. As coisas estavam indo rápido demais, muito mais do que havia pensado que seria.
Não queria gostar de Vitor, não queria comemorar nada.
O anel era uma farsa, mas em seu dedo fazia tudo parecer real. E admitia que no final, havia gostado da compra, mesmo se preocupando por ser caro.Não queria que ficasse apertado.
Não sabia como estavam as finanças dele, nunca falaram sobre essas coisas e Vitor era apenas um dos funcionários da fazenda.
Apesar disso, ele não pareceu se importar mesmo com o valor. Isso mostrava que colocou seu problema acima do dele, para ajudá-la nessa mentira e não ter problemas com os irmãos.
Era um ponto positivo.
Quanto antes tudo se resolvesse, mais cedo poderiam se afastar e seguir suas vidas. Os irmãos não poderiam reclamar ou culpá-lo pelo ocorrido se eles tivessem terminado a relação. Que nunca houve de fato.
_ Está me ouvindo?
Briana a balançou pelo cotovelo.
_ Oi? Desculpe, me perdi pensando.
_ Sei bem - riu _ Estou perguntando sobre a data do casamento. Quando vai ser?
Ela torceu a boca. A cunhada não a deixaria em paz. Briana sempre fora assim, quando começava com algo ia até terminar. Iria ficar perguntando direto, até encher sua paciência.
_ Vai ser... No final do ano - soltou.
_ No final do ano? - apertou os olhos.
Ela calculou que seria um bom tempo para resolver o que queria e poder dizer que ambos resolveram terminar a relação sem que ninguém os enchesse de perguntas.
_ Ai, Jesus, vai ser perto da chegada - colocou a mão sobre a barriga alta _ Você quer me deixa doida.
_ Não se preocupe com o casamento.
_ Como não? Posso começar a preparar algumas coisas? Já estou no embalo com o casamento de seu irmão.
_ Se ligue só no nascimento do meu próximo sobrinho - alisou sua barriga _ E por favor, pare de ter filhos, a casa já está cheia - fez uma cara divertida.
_ Diga isso ao seu irmão, ele não me deixa em paz - balançou a barriga pesada.
_ Mas isso é você quem escolhe, Briana. Não pode sair por aí se enchendo de filhos só porque ele quer. Você também tem que querer.
_ Por mim dois estava bom demais - suspirou.
_ E por que não parou por aí?
_ Ainda não conversei seriamente com o Jessé sobre isso. Ele diz que quer uma família grande.
_ Eu sei, mas e você? Ter filhos tem que ser algo decidido em conjunto, não o homem que dita quantos a mulher terá.
_ Que bom que você pensa assim, pode falar logo isso com o Vitor, assim não vão ter problemas.
Sem querer a cunhada havia lhe dado a desculpa perfeita para um término sem que ninguém pudesse reclamar de nada.
_ Depois deste, ainda vai querer ter mais?
_ Não! Amo meus filhos, mas três já está demais pra mim.
_ Então diga isso ao meu irmão. Seja firme. Existem métodos de evitar eficientes. Ficar usando anticoncepcional não é bom para a saúde da mulher. Ele também é responsável por isso.
_ Você tem ideias tão fortes, Ju - sorriu.
_ Não sou forte, apenas acho que não devemos fazer o que o homem quer o tempo todo. Se um casamento é parceria, por que tem que ser ele a comandar? - meneou a cabeça.
_ Você está certa - apertou sua mão _ Agora, ligue para quem quiser e diga para virem hoje à noite.
_ Está bem - deu um sorriso sem graça.
Não era o que ela queria, mas agora já não podia voltar atrás.
Final do livro 1 - Sem QuererJuliana nunca pensou que poderia passar por algo assim. Se sentia ainda perdida.Ao mesmo tempo em que estava feliz por ter Vitor ao seu lado a ajudando, se sentia triste por ter Vitor ao seu lado. Como isso era possível?Estava se sentindo acuada agora da mesma forma como se sentiu tempos atrás ao tentar falar com os irmãos sobre suas ideias e ele nem quiseram ouví-la.Era difícil entender. Não queria sexo com Vitor para não criar um problema maior depois e ao mesmo tempo adorava sentir seu cheiro e seu gosto.O beijo a deixara leve e pe
Parte 3_ É, não seria nada bom mesmo - descansou o queixo na cabeça dela _ Sabe, você ainda não fez o teste.Ela rodou os olhos._ Está bem, vamos fazer agora. Vou pegar o teste e vamos para seu quarto. Assim sabemos juntos.Ela passou pelos irmãos que ainda conversavam sobre o casamento e foi até o quarto. Pegou uma caixinha de teste e saiu pela sala, assim ninguém a via.Foram até o quarto dele. Vitor trancou a porta enquanto ela ia para o banheiro._ Isso demora? - ele perguntou._ Se
Parte 2_ E demora? - ele perguntou._ Não. Depois de amanhã entro em contato com vocês. Vão ler cada termo e se tiverem dúvidas eu explico. Se for necessário retirar ou acrescentar algo, fazemos na hora._ Ok, então vamos aguardar - Vitor levantou e apertou a mão dele _ Obrigado pela ajuda._ Esse é meu trabalho.Eles se despediram e saíram de mãos dadas. Na calçada Vitor comentou:_ Tenho certeza de que ele pensa que sou gay._ O que? - ela riu.
Parte 1Juliana nunca pensou que estaria em um carro indo se casar. E logo cedo, em uma manhã de ventos fortes.Passaram a noite quase toda conversando sobre os termos da convivência deles como um casal. Foram até o início da madrugada, até que chegaram a um acordo final que ficaria bom para ambos.Como o irmão Joel chegaria cedo, eles também resolveram sair cedo. Vitor conhecia um escrivão e falou com ele sobre fazer o casamento.Quando chegaram ao cartório foram os primeiros a serem atendidos, mas não foi bem como pensaram que seria._ Não posso fazer o casamento assim, às pressas - mostrou um
Parte 3_ Não quero um centavo seu - tocou sua perna _ Eu meti você nessa confusão, deveria ter tido mais cuidado... Agora já foi - puxou o ar _ E acho que até que a gente está melhor do que poderiam pensar. Não acha também?De certa forma ele tinha sido uma surpresa bem diferente para ela. A impressão que tinha dele não batia com o comportamento que mostrava agora.Antes só o via como um cabeça dura e que era mais um peão igual aos outros. Mas Vitor tinha um jeito diferente, era simples e direto e isso era bom._ É, acho que sim - sorriu _ Vamos começar?Ele assentiu. Come&
Parte 2Não fizeram nada muito diferente do que ela já havia feito. Limparam bem a pele e os olhos dele com muita água e até um pouco de soro até a remoção do produto nos olhos que ficaram bem vermelhos._ Vai ter uma irritação que vai passar aos poucos. Evite coçar os olhos - o médico de plantão indicou _ A queimação da garganta, olhos e pele vai diminuindo. Beba muito líquido e lave os olhos sempre que a ardência voltar._ Eu vou ficar cego? - ele perguntou._ Não - o médico sorriu _ Esse desconforto vai passar. A cegueira é momentânea e a tosse logo passa. Só tem que ter calma. Infelizmente







