MasukParte 1
Miranda soltou a mão dela após a terceira vez analisando o anel de noivado que Vitor havia comprado. Estava muito surpresa.
_ Amiga, eu não acredito que aquele peão roceiro teve um bom gosto assim.
Flor começou a rir. Mais quieta e menos ousada do que Miranda, ficou de boca aberta o tempo todo enquanto Juliana contava às duas o que vinha acontecendo em sua vida desde a noite em que acabou perdendo a virgindade nos braços de Vitor.
_ Bom, agora só falta a donzela aqui - Miranda indicou flor com a cabeça — Talvez se anime agora.
_ Você que pensa - Juliana deu um risinho.
_ O que? - ela arregalou os olhos _ Sério que você já deu e nunca me contou? - olhou para Flor.
_ Fala baixo, criatura - disse entre dentes _ Eu não quero que a cidade toda saiba.
_ E por que diabos eu não sei? - cruzou os braços _ Por acaso tem algo errado aí? Ele é casado?
_ Credo - Flor riu alto _ Nada disso, só não contei ainda porque não tive a chance, né.
_ Era só pegar o fone e me ligar - Miranda fez careta _ Agora vai ter que contar tudo.
_ Meu Deus... Conto sim, depois. Agora a noite é da Ju.
As três estavam sentadas na parte de fora do barzinho, em uma mesa na calçada onde podiam ver o movimento. Quase na esquina ficava um dos três clubes de sexo da cidade.
Andaluz era uma cidade bem peculiar. Ao mesmo tempo em que a população tinha um código de conduta e moral, outra parte tinha a sua também, mas que os permitia usufruir de clubes noturnos direcionados a pessoas que queriam apenas sexo e buscavam o prazer de várias formas.
Miranda viu um carro conhecido passar em direção ao clube.
_ Olha lá, o carro do Pedro - mostrou com um gesto _ Ele está indo direto no clube.
_ E como você sabe? - Flor perguntou.
_ Ah, eu me informo - pegou o copo de cerveja _ Dizem que ele está aprendendo como ser um DOM.
_ Sério? - Juliana franziu a cara _ Acho isso muito estranho.
_ Não sei... Acho que depende de cada pessoa. Tem gente aqui na cidade que é feliz assim - Flor disse.
_ Eu respeito, mas não conseguiria ser feliz sendo submissa a um homem - Juliana respondeu _ Já acho um inferno viver debaixo das regras dos meus irmãos, o que dirá um namorado ou marido.
_ Isso depende, amiga - Miranda sorriu maliciosa _ Ser submissa na cama é ótimo.
_ Ah, olha aí ela se revelando - Flor riu.
_ Vai dizer que não é bom ter um homem gostoso lhe dando prazer e te paparicando?
As duas ficaram vermelhas e Miranda gargalhou.
_ Gente, vocês ainda são muito devagar. Precisam aprender a se soltar mais. Sexo é natural.
_ Não, obrigada - Juliana disse _ Eu só vou me casar para sair da fazenda e criar minha própria vida.
_ É, mas está levando o peão junto - Miranda brincou _ Aproveita tonta. Ele é bem gatinho, tem aquele cherme cru.
_ Ele está me ajudando, já expliquei isso.
_ Eu sei, mas nada impede que você curta.
_ Não... Melhor evitar.
_ Amiga, você acha mesmo que vai conseguir ficar morando com ele... Sem sexo? - Flor perguntou baixinho _ É muito difícil.
_ Pois é, ainda mais que você gostou de provar.
_ Eu gosto de muita coisa e nem por isso provo de novo.
Miranda começou a rir e encher sua paciência para que revelasse que queria Vitor mais do que admitia, mas isso ela não fez. Apenas afirmou que seria um arranjo provisório e que tinham vontades parecidas que poderiam se unir em benefício de ambos.
_ Ainda assim, acho que ele está te ajudando demais - Miranda disse _ Aí, tem, viu!
Juliana tomou um gole do refrigerante gelado enquanto pensava no que ela dissera. Vitor nunca tinha demonstrado interesse nela e agora insistia que iria ajudá-la com algo tão grande e importante.
Será que o comentário dos empregados tinha um fundo de verdade? Ele estaria fingindo ser um amigo apenas para dar o golpe do baú nela?
_ Ei, o que foi? Ficou séria - Flor a cutucou.
_ Só pensando - apertou os lábios _ Vocês acham que pode ser um golpe dele?
_ Não sei... Você sente que é? - Miranda fez um gesto com a boca _ Tem que ter cuidado com a língua do povo. A inveja é cruel.
_ Já que vão fazer um acordo, coloque algo sobre isso - Flor incentivou _ Quando separarem, ele não leva nada que seja seu de antes do casamento.
_ Pois é. Assim ele vai ter que ralar muito junto com você para ter direito ao que fizerem após o casamento - Miranda concluiu _ E evite investir demais antes de separarem. Analise bem. Nunca se sabe.
_ Pede a um de seus irmãos pra dar uma checada nele - Flor sugeriu.
_ Deus me livre - negou _ Se eu fizer isso só vai aumentar meu problema e aí sim não vão querer que eu saia da fazenda.
_ Pior que é, amiga. Olha, fica só ligada nele - Miranda disse _ As atitudes mostram mais do que as palavras. Presta bem atenção nisso.
_ Você tem razão.
Continuaram mais um tempo acertando outras coisas e combinaram de sair de novo outro dia. Miranda ficou combinada de mentir caso algum parente lhe perguntasse sobre as saídas de Juliana antes.
Mesmo depois de falar com os irmãos sobre sair de casa, deixaria essa versão correndo para não criar um mal entendido entre eles e a amiga.
_ Gente, eu tenho que ir agora - pegou a bolsa _ A gente se fala mais depois, tá.
_ Cuidado na volta - Flor disse _ E olha, pensa bem isso aí do Vitor. Talvez você tenha encontrado algo muito bom e que estava embaixo do seu nariz. Cuidado para não jogar fora por cisma.
_ Ou talvez você deva sair correndo - Miranda completou _ Ele é gato, mas fique ligada no pulo do gato. Ações falam mais do que palavras.
Ela assentiu com a cabeça e se despediu mandando um beijo com a mão para elas. Seguiu para o estacionamento pensando no que disseram.
Não percebeu uma pessoa se aproximar e só quando sentiu um toque em seu ombro se virou assustada e mais que depressa pegou o chaveiro que trazia com ela sempre.
Era um frasco pequeno de spray de pimenta e pressionou contra a pessoa, gritando nervosa.
_ Porra, Juliana!
Ela abaixou a mão espantada. Não era um agressor, mas Vitor. Fez uma cara de sinto muito enquanto ele esfregava os olhos e tossia muito.
_ Que porra é essa? - tossiu _ Meu Deus, vou ficar cego - esfregou muito o rosto.
_ Desculpa... Eu não sabia que era você - abriu o carro e pegou um lenço umedecido no saquinho _ E que diabos você está fazendo aqui - esfregou o rosto dele com o lenço _ Tem que lavar isso rápido.
Do outro lado da rua havia um posto e eles foram até lá. Juliana comprou uma garrafa de água mineral e o ajudou a lavar os olhos.
Se sentiu mal por ter feito isso, mas não sabia que ele estava ali.
_ Credo... - ele piscava muito _ Não está funcionado... Cara... Porra... - sentiu ânsia de vômmito.
Ela segurou o riso. Já o tinha visto xingar algumas vezes no trabalho e tinha uma boca suja para isso, mas estava se segurando.
_ Acho melhor a gente ir a um hospital.
_ E como eu vou chegar lá? Você me cegou.
_ Não tenho culpa, só me defendi.
O ajudou a voltar para o estacionamento e o fez entrar no carro. Dirigiu até um posto de saúde que funcionava vinte e quatro horas e eles o atenderam.
Final do livro 1 - Sem QuererJuliana nunca pensou que poderia passar por algo assim. Se sentia ainda perdida.Ao mesmo tempo em que estava feliz por ter Vitor ao seu lado a ajudando, se sentia triste por ter Vitor ao seu lado. Como isso era possível?Estava se sentindo acuada agora da mesma forma como se sentiu tempos atrás ao tentar falar com os irmãos sobre suas ideias e ele nem quiseram ouví-la.Era difícil entender. Não queria sexo com Vitor para não criar um problema maior depois e ao mesmo tempo adorava sentir seu cheiro e seu gosto.O beijo a deixara leve e pe
Parte 3_ É, não seria nada bom mesmo - descansou o queixo na cabeça dela _ Sabe, você ainda não fez o teste.Ela rodou os olhos._ Está bem, vamos fazer agora. Vou pegar o teste e vamos para seu quarto. Assim sabemos juntos.Ela passou pelos irmãos que ainda conversavam sobre o casamento e foi até o quarto. Pegou uma caixinha de teste e saiu pela sala, assim ninguém a via.Foram até o quarto dele. Vitor trancou a porta enquanto ela ia para o banheiro._ Isso demora? - ele perguntou._ Se
Parte 2_ E demora? - ele perguntou._ Não. Depois de amanhã entro em contato com vocês. Vão ler cada termo e se tiverem dúvidas eu explico. Se for necessário retirar ou acrescentar algo, fazemos na hora._ Ok, então vamos aguardar - Vitor levantou e apertou a mão dele _ Obrigado pela ajuda._ Esse é meu trabalho.Eles se despediram e saíram de mãos dadas. Na calçada Vitor comentou:_ Tenho certeza de que ele pensa que sou gay._ O que? - ela riu.
Parte 1Juliana nunca pensou que estaria em um carro indo se casar. E logo cedo, em uma manhã de ventos fortes.Passaram a noite quase toda conversando sobre os termos da convivência deles como um casal. Foram até o início da madrugada, até que chegaram a um acordo final que ficaria bom para ambos.Como o irmão Joel chegaria cedo, eles também resolveram sair cedo. Vitor conhecia um escrivão e falou com ele sobre fazer o casamento.Quando chegaram ao cartório foram os primeiros a serem atendidos, mas não foi bem como pensaram que seria._ Não posso fazer o casamento assim, às pressas - mostrou um
Parte 3_ Não quero um centavo seu - tocou sua perna _ Eu meti você nessa confusão, deveria ter tido mais cuidado... Agora já foi - puxou o ar _ E acho que até que a gente está melhor do que poderiam pensar. Não acha também?De certa forma ele tinha sido uma surpresa bem diferente para ela. A impressão que tinha dele não batia com o comportamento que mostrava agora.Antes só o via como um cabeça dura e que era mais um peão igual aos outros. Mas Vitor tinha um jeito diferente, era simples e direto e isso era bom._ É, acho que sim - sorriu _ Vamos começar?Ele assentiu. Come&
Parte 2Não fizeram nada muito diferente do que ela já havia feito. Limparam bem a pele e os olhos dele com muita água e até um pouco de soro até a remoção do produto nos olhos que ficaram bem vermelhos._ Vai ter uma irritação que vai passar aos poucos. Evite coçar os olhos - o médico de plantão indicou _ A queimação da garganta, olhos e pele vai diminuindo. Beba muito líquido e lave os olhos sempre que a ardência voltar._ Eu vou ficar cego? - ele perguntou._ Não - o médico sorriu _ Esse desconforto vai passar. A cegueira é momentânea e a tosse logo passa. Só tem que ter calma. Infelizmente







