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Capítulo Três

last update Data de publicação: 2022-02-02 21:03:09

Parte 1

Vitor ficou encarando seu rosto bonito e falando de modo calmo e sério, afirmou:

_ Ah, você vai sim!

_ Não vou, não!

Ela repetiu de modo infantil, como se fosse uma disputa por um doce. Ele quer, ela não quer. Comprimiu os lábios e fez um bico, como se isso adiantasse.

_ Ju, você vai e pronto - disse como um comando _ Eu não sou um homem de duas palavras e menos ainda um mentiroso, querida.

_ O que? - se espantou _ E daí?

_ Daí, que eu não vou dizer ao seu irmão que tudo não passou de uma mentira e que não vai haver casamento. Tenho certeza de que ele não vai gostar nada disso e não vou ficar como mentiroso, caso consiga sair ileso dessa loucura.

_ Não me caso - disse fechando a cara.

_ Foi você quem abriu a boca e inventou essa conversa de casamento, agora vai ter que segurar a mentira. Como se diz, se fez a cama, agora deite.

_ Não podemos...

_ Podemos sim. Aprenda a conviver com a mentira que criou. Você aumentou nosso problema ao dizer a Jessé que estávamos juntos. Sou um homem de palavra, disse que estávamos mesmo para casar e vai ser assim.

Ela balançou a cabeça, tonta com a atitude dele.

_ Não seja ridículo.

_ Foi você quem disse a ele - deu de ombro.

Ela até entendia a parte em que ele queria ser honesto e cumprir um acordo, mas era tudo mentira e não iria levar isso adiante, permitindo que ele a dominasse.

Ela levantou e andou de cabeça baixa, pensando no que fazer, segurando o lábio entre os dedos, como fazia desde pequena quando se preocupava com alguma coisa. Parou.

_ Eu já sei - voltou para perto dele _ Nós deixamos a mentira como está, ficamos juntos como um casal até que eu tenha certeza de que não estou grávida.

_ Tá... E daí? - mexeu o ombro.

_ Daí que eu sei que não vou ficar grávida - ele fez uma cara engraçada e ela falou alto _ Eu sei!

_ Tá, tá... Não grite mais.

_ Então, como eu dizia... Tenho certeza de que não vai haver gravidez, aí nós simulamos uma briga, sei lá o que e terminamos tudo, ficando com raiva um do outro por um tempo, de mentira, é claro. Aí meus irmãos vão achar que foi uma briga séria e vão entender que terminamos tudo.

_ Isso não vai dar certo - balançou a cabeça.

_ E por que não? - torceu a boca.

_ O que vamos dizer a eles? Qual o motivo? Sabe que eles são desconfiados.

_ Ah, isso a gente pensa depois, quando formos criar a briga. Agora não interessa. Pelo menos eles vão ficar satisfeitos e não vão te culpar do que aconteceu.

_ Sim, eu sei, mas...

_ Você quer manter sua palavra e seu emprego, eu quero continuar de boa com meus irmãos. Vai dar certo, é só a gente combinar tudo pra não ter furada.

Ela saiu andando quase caindo, pisando no lençol.

_ O que vai fazer?

_ O que acha? - fez uma careta _ Vou me vestir e cair fora do seu quarto antes que mais alguém apareça e me veja aqui nua, inteligente - ironizou _ Tenho coisas a fazer e pensar para que isso não piore mais.

Ele ainda pensou em continuar a conversa e evitar que ela saísse antes de tudo estar acertado, mas desistiu. Ela logo iria entender que ele falava sério sobre casamento.

Ele não iria embarcar em outra mentira e acabar aumentando a confusão que depois talvez fosse até mais difícil de resolver.

_ Tudo bem, pode ir.

Ela ia responder, mas desistiu. Ela iria sair porque queria e não porque ele deixava. Pegou o vestido e se enfiou no pequeno banheiro para se trocar. Tinha que voltar logo para a casa principal.

Continuava querendo desaparecer, mas o tal buraco nunca apareceu para que pulasse nele e sumisse como mágica, deixando tudo para trás. Talvez quando saísse do outro lado tudo estivesse normal como antes.

“Você vai se casar comigo.”

Pensou nas palavras dele. Claro, ela tinha sido impulsiva mais uma vez e aberto a boca sem pensar, soltando mais uma bobagem.

Agora seu irmão achava que tinha um caso romântico com Vitor.

Falar demais e muitas vezes sem pensar, era algo que seus irmãos adoravam lhe jogar na cara por ter se metido em problemas antes e agora não foi diferente.

Jessé só acreditou depois que Vitor confirmou a mentira do casamento. E agora ele também não queria desfazer. Que loucura se metera.

Não tinha pensado bem no calor do nervosismo ao ver os dois prestes a se estapear. Abriu a boca e tudo que saiu foi isso. Mas sua ideia de romper o falso relacionamento depois com uma briga era boa, só Vitor que não queria, para manter a palavra.

Certo. Mas e ela? Também estava nessa e de forma alguma iria adiante com isso. Vitor deveria lhe agradecer por evitar um confroto maior com o irmão dela e também por ter segurado seu emprego.

Teria sido um horror se a confusão tivesse continuado quando Jessé entrou no quarto.

Puxou o vestido pela cabeça e deu uma risadinha imaginando a ideia de estar casada. Até chegou a se arrepiar com a imagem dela entrando em uma igreja. E sendo Vitor o noivo? Deus que a livrasse de tal coisa.

De jeito nenhum queria se casar. Já bastava de homens em sua vida a enchendo com suas ideias e pensamentos machistas, querendo controlar sua vida.

Estava em uma idade que poderia tomar conta dela mesma e tinha seu próprio dinheiro também. Estava com planos há um bom tempo e poderia realizar todos se tivesse calma e juízo de não se meter nessa roubada de casar.

Outro homem em sua vida, de modo definitivo, não estava nos planos. Talvez um namorico sim, casar não. E Vitor era bem parecido com os irmãos. Cheio de ideias particulares e gostava de m****r. Nela não!

Não ia ser idiota e dizer que a noite que tiveram juntos não foi importante. Claro que foi. E muito.

Ele foi seu primeiro homem, isso representava muito. E tinha sido carinhoso e cuidadoso com ela, mesmo estando sob o efeito da bebida. Foi melhor do que ela mesma já havia imaginado que seria sua primeira vez.

Isso ficaria guardado em sua memória. Até mesmo por tudo o que aconteceu depois.

Se fechasse os olhos poderia sentir o toque de suas mãos em seu corpo de novo. Seu cheiro, sua força, seus beijos. Ter sido ele o responsável por sua primeira vez foi marcante. Não queria admitir isso para ele, mas Vitor a impressionara, mesmo estando de fogo.

Só de pensar já sentia seu corpo aquecer de novo e estremecer. Seria ótimo repetir a dose, agora que estava mais consciente e ver se realmente era o que recordava ou um pouco de exagero de sua parte.

Fosse como fosse, ela agora não poderia se prender a isso. Não era o foco de sua vida, apenas aconteceu, foi bom, mas foi um engano.

Depois teria outros amantes. Ainda era muito nova, não iria se prender. E eles nem se gostavam mesmo, foi só o fogo da carne. Acontece.

Nunca tinha acontecido antes com ela, mas não foi a primeira a cometer um deslize como esse, levada por razões que nada tinham a ver com amor. Não seria a última também.

Se olhou no pequeno espelho do banheiro, procurando algo diferente, mas não encontrou nada. Virou o rosto de um lado para outro. Continuava a mesma Juliana.

E por que mudaria? Apenas agora era mesmo uma mulher, tinha perdido sua virgindade e aprendera algumas coisas na tão falada arte de fazer amor, mas era só isso, nada demais.

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