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Capítulo 4

Author: Histoire
last update publish date: 2026-09-15 06:43:07

Capítulo 4

Adrian

Não a procurei. Ela veio até mim, como uma onda contra uma rocha.

A porta da suíte imperial b**e atrás de nós. Meus dedos ainda estão impregnados do calor do pulso dela, aquele que agarrei no elevador para impedi-la de fugir. Ela não queria fugir. Seus olhos brilhavam com um fulgor de desafio, seus lábios entreabertos numa provocação que ela não teve tempo de formular.

Eu a beijei no elevador.

A lembrança desse beijo me atravessa como um relâmpago. Sua boca era quente, salgada de champanhe, impaciente. Ela respondeu com uma fúria igual à minha, como se nos conhecêssemos desde sempre, como se tivéssemos algo a provar um ao outro.

Agora, estamos na suíte. As cortinas de veludo estão fechadas sobre a cidade de Valésia. Uma única lâmpada ilumina o quarto, uma luz dourada que dança nos lençóis brancos, na pele dela.

Ela está de pé diante de mim, a alguns passos. Seu vestido azul-marinho está levemente caído sobre um ombro. Seus cabelos castanhos caem em desalinho sobre o rosto. Ela não sorri. Ela me olha, e em seu olhar há raiva, desejo, e algo mais frágil que não quero nomear.

— Eu nem sei seu nome — diz ela.

— Você não precisa.

— É o que você acha.

Dou um passo na direção dela. Ela não recua. Ponho minha mão na nuca dela, meus dedos em seus cabelos. Sua pele é macia, quente. Seu pulso b**e rápido sob meu polegar.

— Esta noite, só existimos nós — digo. Sem passado, sem futuro. Só esta noite.

— Só esta noite — repete ela.

É um acordo. Um pacto selado entre dois estranhos que se escolheram para se esquecerem.

Suas mãos sobem ao longo do meu peito, roçam meu paletó, empurram-no dos meus ombros. O tecido escorrega, cai no parquet. Desfaço meu cinto, minha camisa. Ela olha meus braços, meus ombros, o que a luz revela de mim. Não sou um homem acostumado a ser desnudado sob o olhar de uma mulher, mas esta noite tudo é diferente.

Seus dedos tremem. É quase imperceptível, mas eu sinto. Ela tem medo. Ou esperou demais. Não sei. Não quero saber.

Faço deslizar a alça do vestido dela. A outra. O tecido cai ao redor da cintura, revela seus seios, seu ventre, as curvas que eu adivinhei desde o lounge. Minha respiração se acelera apesar de mim.

— Você é magnífica — digo.

— Não me diga isso.

— É um fato, não um elogio.

Ela ri, um riso curto, quase amargo. Depois põe as mãos nas minhas ancas, tira minha camisa da calça. Suas palmas estão frescas contra minha pele ardente.

Nos beijamos de novo. Mais profundo. Sua língua contra a minha, seus dentes mordendo meu lábio inferior. Ela é selvagem, desesperada, como se esta noite fosse a última.

Ergo-a sem esforço. Suas pernas se enroscam ao redor da minha cintura. Sinto o calor do corpo dela através do tecido fino da calcinha, e uma onda de desejo me invade, brutal, incontrolável.

Levo-a até a cama. Deponho-a sobre os lençóis brancos. Ela se deita, os cabelos espalhados no travesseiro, os olhos fixos em mim. A luz a envolve, torna-a irreal. Ela parece uma aparição, uma criatura de sonho que o despertar vai dissipar.

— Não quero saber quem você é — diz ela.

— Você não saberá.

Debruço-me sobre ela. Meus lábios descem ao longo do seu pescoço, da clavícula, mais abaixo. Ela arqueia as costas, seus dedos afundam nos meus cabelos. Um som escapa da garganta dela, um sopro, um gemido.

Acaricio-a onde ela precisa. Suas ancas se erguem ao meu encontro. Ela murmura meu nome — aquele que inventou para mim — e eu não a corrijo. Sou qualquer um. Sou ninguém. Sou apenas este homem que a faz queimar.

Ela me atrai contra si, desfaz meu cinto, desabotoa minha calça com gestos impacientes. Sua mão encontra minha pele, de novo. Reprimo um grito.

— Agora — diz ela.

— Você tem certeza?

— Agora.

Eu a tomo. Num movimento lento, profundo, como se entra numa água gelada. Ela se tensiona, depois se relaxa, seus dedos agarrados aos meus ombros. Nossos olhares se cruzam. O tempo suspende seu voo.

Eu me movo, primeiro lentamente, depois mais rápido. Ela responde a cada movimento, suas ancas que se erguem ao meu encontro, suas unhas que sulcam minhas costas. A dor e o prazer se misturam. Esqueço quem sou. Esqueço os dossiês, os conselhos de administração, o peso do nome Kessler. Não há mais que ela, seus olhos escuros, sua boca entreaberta, suas pernas que me apertam.

Nossos sopros se confundem. A lâmpada projeta nossas sombras dançantes nas paredes. A cama range baixinho em ritmo. Ela grita meu falso nome, eu cerro os dentes para não gritar o dela.

O orgasmo a atravessa como uma onda. Vejo-a virar, seus traços se desfazerem, sua boca se abrir num silêncio absoluto. É belo. É terrível. Sou um voyeur do seu gozo, e ainda assim sou o artífice dele.

Permito-me enfim soltar. O gozo me atinge, violento, quase doloroso. Afundo-me nela, meu rosto no seu pescoço, seus cabelos contra minhas bochechas. Tremer. Eu nunca tremo.

Muito depois, permaneço nela. Não quero me mover. Ela também não. Seus dedos acariciam suavemente minha nuca, um gesto terno, quase íntimo, que não tem lugar num acordo sem promessas.

— Não precisamos dizer nada — murmura ela.

— Nada.

Retiro-me. Deito-me ao lado dela. Seu corpo está quente contra o meu, seu sopro regular. A lâmpada difunde sua luz dourada, e eu olho o teto, as vigas aparentes, as dourações. Não penso em nada. Não quero pensar em nada.

Ela se vira para mim. Sua mão procura a minha, nossos dedos se entrelaçam.

— Obrigada — diz ela.

— Por quê?

— Por ter estado aqui.

Ela fecha os olhos. Alguns minutos depois, seu sopro se acalma, sua mão se relaxa. Ela dorme.

Eu não durmo. Eu a olho. Seus cílios negros nas bochechas pálidas, sua boca levemente entreaberta, seus cabelos em desalinho. Ela é bela, de uma beleza frágil que eu não teria notado no lounge. Ali, na intimidade desta suíte, ela não é mais uma desconhecida provocante. É uma mulher. Uma mulher que nunca mais verei.

Eu sei. É melhor assim.

As horas passam. A lâmpada vacila. A cidade de Valésia adormece além das cortinas. Não fecho os olhos. Memorizo cada detalhe: a curva da sua anca, o cheiro dos seus cabelos, a maciez da sua pele contra a minha. Lembranças a guardar numa caixa lacrada.

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