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Capítulo 2

Author: Histoire
last update publish date: 2026-09-15 06:38:37

Capítulo 2

Lina

O lounge se chama «Noite Persa». Fica escondido no último andar de um palacete, acessível por um elevador acolchoado de veludo vermelho. Paguei cinquenta euros pela entrada, nem calculei. Meu cartão de crédito pagará os danos amanhã. Esta noite, só quero deixar de pensar.

A sala é magnífica. Lanternas de cobre penduradas no teto difundem uma luz âmbar, quente, irreal. As paredes são cobertas de mosaicos azuis e dourados, motivos geométricos que dançam quando aperto os olhos. O bar, em mármore negro, se estende por todo o comprimento da sala. Atrás, garrafas alinhadas cintilam como joias.

Mulheres em vestidos longos, homens em ternos perfeitamente cortados. Ridas abafadas, taças que tilintam, uma música lenta com acentos de violoncelo. Tudo é luxo, calma e volúpia. E eu, estou sentada num banquinho de couro, os dois cotovelos no balcão, olhando o fundo do meu copo.

— Mais champanhe, senhorita?

O barman tem uma voz suave, um sorriso profissional.

— Sim. Deixe a garrafa.

Ele ergue uma sobrancelha, mas serve. A taça se enche de ouro efervescente. Bebo. O primeiro gole é fresco, um pouco amargo. O segundo é mais doce. O terceiro começa a anestesiar a dor.

Não é o suficiente. Nada será suficiente.

Marc. Anaïs. Seus nomes giram na minha cabeça como insetos. Eu os expulso, eles voltam. Bebo, eles recuam. Bebo mais.

Não sei há quanto tempo estou aqui. Uma hora, duas horas. Ao meu redor, os rostos mudam, as conversas também. Não olho para ninguém. Estou numa bolha de champanhe e raiva contida.

Meu vestido é o mesmo de antes, aquele azul-marinho que Marc gostava. Não o troquei. Não tive coragem de abrir minha mala. Vestí-o ao sair do banho, os cabelos ainda úmidos, sem maquiagem, sem nada. Uma mulher à deriva numa cidade que não conhece.

Bebo mais um gole. Meu terceiro copo, ou quarto. A sala gira um pouco, mas não o bastante. Quero que tudo gire. Quero esquecer até meu nome.

É nesse momento que sinto um olhar.

Não o vi chegar. Não o procurei. Mas de repente, minha nuca se eriça, meus ombros se tensionam. Alguém me observa. Não como os outros clientes que me lançaram um olhar rápido antes de voltar aos seus assuntos. Não. Este me fixa. Insistente. Pesado.

Viro a cabeça lentamente.

Num canto do lounge, afastado dos grupos, um homem está sentado sozinho numa poltrona profunda de couro conhaque. Segura um copo de uísque, mal tocado. Seu terno é de um cinza escuro, quase preto, cortado num tecido que capta a luz das lanternas. Sem gravata. Uma camisa branca aberta no colarinho, revelando uma garganta fina, um bronzeado de inverno.

Seu rosto é esculpido, ângulos nítidos, um maxilar firme. Cabelos castanhos penteados para trás, deixando à mostra uma testa larga, têmporas levemente grisalhas. Tem uns trinta e tantos anos, talvez mais. Mas não é seu rosto que me atinge primeiro.

São seus olhos.

Olhos cinzentos. Não o cinza claro dos dias de chuva, não. Um cinza de aço, brilhante, quase metálico. Olhos que não piscam, que não sorriem, que nem julgam. Eles observam. Eles registram. E não soltam nada.

O homem tem um copo na mão, mas não bebe. Faz o líquido girar entre os dedos, lentamente, o âmbar ondulando contra as paredes. Suas mãos são longas, finas, sem aliança.

Ele me olha.

Eu poderia desviar a cabeça. Poderia fingir que não o vi, que seu olhar não pesa toneladas na minha nuca. Mas o champanhe me tirou toda a prudência, todo o pudor. Eu também o olho. Fixamente. Um duelo silencioso entre dois desconhecidos.

Ele não sorri. Não desvia os olhos. Seu rosto permanece perfeitamente impassível, como uma máscara. Apenas uma contração ínfima do maxilar trai um pensamento, uma emoção que não sei decifrar.

Ergo uma sobrancelha. Ele não responde. Levanto meu copo na direção dele, um gesto irônico de «saúde». Ele baixa as pálpebras uma vez, só isso. Sem aceno de cabeça, sem sinal.

Insupportável.

Forço-me a olhar para outro lado. Bebo um gole, depois outro. Mas meu olhar sempre volta a ele, como um ímã. Ele ainda está lá. Não me tira os olhos de cima. Por quê? Não sou nada. Uma mulher sozinha num lounge chique, cabelos em desalinho, rímel levemente borrado. Não sou presa para um homem como ele.

A menos que seja exatamente isso. Ele me acha patética. Ele se diverte com a minha desgraça. A ideia me dá vontade de me levantar e jogar meu copo na cara dele.

Não o faço. Peço outra taça. O champanhe escorre, efervesce, sobe à minha cabeça. O mundo fica mais doce, mais difuso. O homem cinza se torna uma mancha na minha visão periférica, mas ainda sinto seu olhar. É físico. Quente. Quase um peso.

Por que ele não vem falar comigo? Por que fica ali, imóvel, me observando como um predador?

Talvez porque espere que eu vá até ele.

Não irei. Não sou esse tipo de mulher. Sou uma mulher quebrada, sim, mas não uma mulher fácil.

Bebo. Bebo mais.

A música muda, algo mais langoroso. Uma voz feminina canta em italiano, palavras que não entendo mas que soam como um lamento. Fecho os olhos. As lágrimas sobem, eu as engulo.

Quando reabro as pálpebras, o homem cinza desapareceu.

Vasculho o lounge. Não está mais na poltrona. Foi embora. Sem um som, sem um olhar. Como uma sombra.

Deveria me sentir aliviada. Ao contrário, um vazio estranho se abre em mim. Aquele olhar pesado quase me despertara. Fizera-me lembrar que eu existia. Agora, não sou mais que uma mulher bêbada num bar de luxo, sozinha, afogando a raiva no champanhe.

Peço outra garrafa.

O barman hesita, depois serve.

Bebo.

E nesta noite, não penso mais em Marc. Penso em dois olhos cinzentos que me olharam como se eu fosse algo.

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