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Capítulo 3. Fúria e Vingança

작가: Kester
last update 게시일: 2026-09-22 09:47:28

Ao ouvir aquela pergunta, Lucy sentiu como se seu coração parasse de bater instantaneamente. O olhar afiado daquele homem mais velho diante dela congelou cada músculo de seu corpo. Ela sabia perfeitamente que ele não era um qualquer. Era Robert Shane — o sogro de Vicktor e o poderoso dono do Grupo Shane —, que agora a encarava com os olhos semicerrados de desconfiança.

— E-eu… eu não sei, Senhor — ela sussurrou, a voz trêmula de puro nervosismo.

Robert soltou um suspiro pesado e irritado, virando as costas para ela. — Vicktor! Você realmente passou dos limites! — exclamou, enfiando a mão no bolso para pegar o celular. Com os dedos trêmulos, ele começou a discar o número do genro.

Naquele milésimo de segundo, Lucy agiu por puro instinto, perdendo completamente a cabeça. O pânico misturado ao pavor a dominou. Lentamente, ela se aproximou por trás dele. Sem medir as consequências, estendeu as duas mãos e empurrou com toda a força os ombros de Robert.

Bum! O corpo já fragilizado pela idade foi arremessado contra a mureta de pedra na borda da piscina. A cabeça de Robert chocou-se violentamente contra a estrutura, abrindo um corte que logo começou a arroxear.

— Sua… maldita…! — Robert gemeu, contorcendo-se ao tentar suportar a dor dilacerante.

A respiração de Lucy estava arquejante. O medo parecia sufocar sua garganta. — Desculpe… me desculpe, Senhor… — ela murmurava em surto, arrastando o corpo já debilitado de Robert. Com um último puxão desesperado, ela empurrou o patriarca direto para a água.

O barulho do impacto quebrou o silêncio do jardim. Robert debateu-se, tentando nadar, mas foi em vão; seu corpo cansado não tinha forças para lutar contra a água. Ele engoliu líquido, tentando desesperadamente alcançar a borda da piscina, até que suas últimas energias se esgotaram.

— Meu Deus… — O desespero de Lucy atingiu o ápice. Em um impulso, ela saltou na água. Usando o restante de suas forças, conseguiu arrastar o corpo inerte de Robert de volta para a terra firme. O homem desabou na grama, completamente imóvel.

Tremendo dos pés à cabeça, Lucy pressionou os dedos contra o pulso dele. Havia batimentos, mas estavam assustadoramente fracos.

Sem perder mais tempo, ela agarrou o celular e ligou para Vicktor. — Vick! Corre para casa agora! O seu sogro está aqui! — a voz dela quebrou, desabando em lágrimas falsas.

Quinze minutos se passaram até que Vicktor finalmente despontasse na residência após o chamado desesperado de Lucy. Suas feições congelaram ao avistar Robert estirado no chão, sem reação, com a pele pálida como a de um cadáver. O choque foi ainda maior ao ver Lucy parada ao lado dele, com as roupas completamente encharcadas.

— Lucy! O que aconteceu com o meu sogro?! — Vicktor clamou em pânico, correndo em direção aos dois.

Lucy baixou os olhos, os lábios trêmulos. Um silêncio tenso pairou por alguns segundos antes de ela responder com um fio de voz.

— Eu… eu não sei o que aconteceu de verdade, Vick. Eu só vi o seu sogro dentro da piscina, debatendo-se e pedindo socorro… então eu pulei imediatamente para salvá-lo.

Vicktor passou as mãos pelo rosto, transtornado. — Eu preciso ligar para o médico agora mesmo! — Sua mão já buscava o celular no bolso do paletó, mas Lucy agiu rápido, segurando seu braço.

— Não, Vick! Por favor… leve ele direto para o hospital. Vai ser mais rápido!

Sem tempo para raciocinar, Vicktor assentiu. Em um movimento brusco e desesperado, ele ergueu o corpo de Robert nos braços. — Lucy, me ajuda! Rápido!

Os dois uniram forças com dificuldade para acomodar Robert no banco do carro. A respiração de Vicktor estava cortada, seus olhos injetados de pura angústia. Quando ele fez menção de girar a chave na ignição, Lucy inclinou-se na janela.

— Vick… eu quero ir com você — pediu, com a voz embargada.

Vicktor, no entanto, negou com a cabeça de forma resoluta. — Não. Você fica em casa. Tenho medo de a Amora aparecer por lá, nos ver juntos e entender tudo errado.

Lucy segurou a mão dele com firmeza, encenando um tremor carregado de falsidade. — Estou com medo, Vick. Medo de a Amora me acusar de algo que não fiz. Por Deus, eu não fiz nada contra ele…

Vicktor cravou os olhos nos dela, buscando passar segurança. — Calma, meu amor. Eu acredito em você. Ninguém vai desconfiar de nada.

Lucy assentiu, fingindo um alívio imediato. Mas bastou o carro de Vicktor arrancar e sumir pelos portões para que a expressão em seu rosto mudasse drasticamente. Um sorriso cruel e desdenhoso desenhou-se em seus lábios. Sim, ela tinha tentado se livrar de Robert de propósito — tudo para que seu caminho até o coração e o dinheiro de Vicktor estivesse finalmente livre de obstáculos.

Lucy caminhou com imponência até a sala de estar, encarando o próprio reflexo no imenso espelho com um sorriso de triunfo. Em seu íntimo, saboreava uma superioridade há muito desejada sobre Amora. Na época do colégio, Vicktor tinha tido a audácia de rejeitá-la apenas para ficar com Amora — a garota genial, herdeira e perfeita aos olhos de todos. Mas o jogo havia virado. Agora, Amora era apenas uma mulher gorda, com o corpo tomado por gordura, uma visão que ela considerava patética.

— Amora… a minha vingança está apenas começando. Ainda há muitas surpresas guardadas para você — Lucy sussurrou, com um meio sorriso macabro no rosto.

Contudo, a expressão de vitória desmoronou quando uma lembrança repentina invadiu sua mente. Seus olhos se arregalaram em choque. — As câmeras de segurança! — exclamou para si mesma, disparando escada acima em puro pânico. Sua respiração tornou-se arquejante enquanto ela cruzava o longo corredor do segundo andar, até invadir a sala onde ficavam os monitores do circuito interno.

Suas mãos tremiam violentamente enquanto ela digitava os comandos no teclado, tentando acessar as gravações. — Eu preciso deletar isso antes que seja tarde demais — murmurou entre dentes.

Sim, o objetivo de Lucy era sumir com as imagens da câmera voltada para a área da piscina. No entanto, suas feições travaram em puro horror. Ao abrir o compartimento onde o cartão de memória principal deveria estar guardado, ela encontrou apenas o vazio. O dispositivo havia desaparecido.

— Inferno! — ela gritou, desferindo um soco violento contra a mesa de madeira. — Quem foi que chegou aqui antes de mim?!

Sua respiração tornou-se ainda mais pesada e seus olhos vagaram freneticamente pelo cômodo, buscando uma resposta. Alguém tinha invadido aquela casa silenciosamente.

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