LOGINA vibração abafada do alarme cortou o silêncio do quarto. Estiquei o braço tateando o criado-mudo até encontrar o celular, desligando o toque insistente. O cansaço colava meus olhos, um peso físico acumulado da viagem. Fiquei deitada por mais alguns minutos fitando o teto de gesso trabalhado, desejando apenas afundar no travesseiro, mas a noite exigia presença.
Levantei-me arrastando os pés até o banheiro. Deixei a água morna cair sobre os ombros, tentando lavar a exaustão, embora soubesse que nenhum banho seria capaz de apagar o nó de ansiedade no meu estômago. Na penteadeira, encarei meu reflexo sob a luz fria do espelho. O plano original era uma produção elaborada, mas a preguiça venceu. — Quer saber? Um delineado firme e batom vermelho resolvem qualquer coisa — murmurei para mim mesma, prendendo o cabelo em um rabo de cavalo alto e polido. Enquanto aplicava o batom, meus dedos deslizaram pelo tecido do vestido preto da Versace estendido na arara. Foi um presente da tia Marie, cuja elegância nata a fazia parecer fora de lugar na nossa família — a parentela que os círculos tradicionais da capital insistia em rotular como caipiras , ignorando o peso do sobrenome. O interfone tocou na portaria, cortando o fluxo dos meus pensamentos. — Liberada a subida da senhorita Celina — avisei no aparelho, antes de borrifar o perfume e puxar a bolsa de couro macio. Celina invadiu o apartamento com a energia de quem não conhecia o significado de dias difíceis, os saltos batendo ritmicamente no piso de madeira. — Amélie, pelo amor de Deus, você ainda está retocando o batom? — perguntou, jogando a bolsa sobre o sofá. — Quase pronta, falta só o sapato — respondi, fechando o zíper da nécessaire. Antes que eu pudesse abrir o armário, Celina já havia localizado a sandália Versace de tiras prateadas que eu havia deixado separada. — Toma, Amélie, não tem erro: clássico, preto e prata. Vai combinar perfeitamente com o vestido. — Combinado. Vamos? — Peguei alguns anéis de prata para arrematar o visual e seguimos para o elevador. O trajeto até o evento foi feito no banco traseiro do sedã executivo de Celina, o motorista deslizando silenciosamente pelo tráfego da noite. Enquanto eu ajustava os anéis nos dedos, Celina virou-se no banco, os olhos brilhando de curiosidade. — Afinal, como é que foi aquele jantar arranjado pela sua avó? Soltei um suspiro pesado, encostando a cabeça no vidro frio do carro. — Um desastre completo. Fizeram questão de me apagar de tudo, me transformaram em uma bastarda interesseira que apareceu só para tumultuar. Mas eu não quero estragar a noite falando disso. Me conta, como estão as coisas na faculdade? — Eu tô amando cada segundo! Embora minha mãe faça um escândalo toda vez que abro o caderno — Celina desabafou, gesticulando com as mãos. — Ela quer que eu case com algum herdeiro engomado igual à minha irmã. Segundo ela, mulheres da nossa classe não escolhem carreira; nossa única função é assinar contratos de casamento e ostentar um sobrenome limpo. — Eu entendo perfeitamente o drama — respondi, fitando o reflexo das luzes da cidade passando rápido lá fora. — É como se nascêssemos com uma dívida impagável atrelada ao registro de nascimento. O pior é que tem gente disputando a ferro e fogo para ocupar meu lugar, sem fazer ideia do peso real dessa coroa de espinhos. Se dependesse exclusivamente de mim, eu pegava o primeiro voo de volta para os Estados Unidos e deixava tudo para a Amanda administrar sozinha. Só que eu não posso. — Por que não, Amélie? — Porque a holding da minha mãe está afundando em dívidas. Eu quero honrar o legado dela através da gestão técnica, reestruturar o plano de negócios e salvar a empresa do buraco. — Mas você tem direito legal à herança, não precisa se curvar a ninguém para isso. — Não tenho, essa é a tragédia. As ações originais ficaram divididas meio a meio entre minha avó e meu pai. Meu pai repassou 25% para a Amanda e 25% para o Endrick. Os outros 50% da minha avó iriam integralmente para o Lionel. Para mim, restaram apenas o apartamento, um fundo de investimentos menor e a promessa de partilha dos bens residuais. Eu preciso exatamente dos 25% dos 50% que estão nas mãos da minha avó, e nós duas sabemos muito bem qual é a condição absurda que ela impôs para fazer a divisão entre eu e Lionel . — É burocracia demais para o meu cérebro processar a essa hora da noite — Celina riu levemente, endireitando-se no banco ao ver o carro desacelerar. — Olha só, chegamos. Hora do show. O veículo parou diante da fachada imponente do clube privativo, onde dezenas de fotógrafos e curiosos se aglomeravam atrás das grades de contensão. Abri a porta e respirei fundo, preparando a postura antes de colocar o primeiro pé na calçada. No segundo exato em que atravessei o perímetro da entrada, meus olhos bateram no veículo estacionado na vaga exclusiva: um esportivo no tom de azul inconfundível. — Celina... o Augusto está aqui. Eu reconheçeria seu carro em qualquer lugar — sussurrei, travando o passo. — A festa é gigantesca, Amélie. O clube tem três andares, não vamos nos esbarrar em lugar nenhum, relaxa. Nós vamos direto para a área VIP — argumentou ela, laçando seu braço no meu e me puxando para dentro do saguão. O contraste de luzes e o grave pesado das caixas de som nos atingiu com força. Conforme avançávamos pelo salão principal, o burburinho ao redor parecia diminuir por frações de segundo. Os olhares se voltavam para mim, carregados de um misto de surpresa e julgamento silencioso. A sensação de ser uma intrusa indesejada pesava nos meus ombros como chumbo. Caminhamos diretamente até o bar reservado e pedimos duas taças de espumante. O álcool leve, porém, parecia pouco para anestesiar o nó na garganta; pedi rapidamente uma dose pura de uísque para queimar o nervosismo inicial. Poucos minutos depois, um grupo de conhecidos de Celina se aproximou. Um deles disparou: — Olha só quem é viva e decide dar as caras por aqui! — disparou, com um sorriso debochado que alcançava os olhos. — Sua presença tem dado o que falar, Amanda está furiosa com a sua audácia. Você nem imagina o quanto tem incomodado. Forcei um sorriso gélido, erguendo o queixo. — Estou no meu próprio território, não devo satisfação a ninguém. — Se eu fosse você, baixaria a bola e tomaria muito cuidado com os próximos passos — ameaçou ele, cruzando os braços com desdém. Encarei-o fixamente, sem desviar o olhar por um segundo sequer. — Eu não tenho medo de blefes. Deixei a taça sobre o balcão e virei as costas, sentindo o sangue pulsar quente nas têmporas. Celina se desvencilhou rapidamente do grupo e veio atrás de mim. — Amélie, calma. Não dá ouvido a esses imbecis; eles só repetem o que mandam porque não passam de fantoches sem relevância. — Tudo bem, Celina. — Uma lágrima teimosa escapou, traçando um caminho rápido pela minha bochecha antes que eu pudesse enxugar. — Eu realmente não pertenço a este lugar. Eu cresci longe dessa hipocrisia. Voltei apenas para resgatar o legado da minha mãe, mas a cada dia que passa percebo que a estrutura inteira está podre por dentro. Talvez não valha o esforço... — Não fala besteira, Amélie! — Celina segurou meus ombros, firme. — Você não está usurpando o lugar de ninguém; você está exatamente onde deveria estar por direito de sangue. Aquele império foi construído pela única pessoa que você amou nesta família, e ela estaria decepcionada se visse você desistindo assim. Enquanto caminhávamos em meio à multidão sufocante — pessoas vestidas com grifes milionárias que se espremiam para conseguir a atenção de executivos influentes —, a atmosfera sufocante me acendeu um alerta. — Celina, vamos embora agora. Se mais alguém me reconhecer e começar um escândalo, eu não vou ter o controle emocional necessário para aguentar — sussurrei, virando-me para achar a saída lateral. Foi tarde demais. Uma voz amplificada pelo eco do salão cortou o barulho da música, atraindo de imediato dezenas de olhares curiosos. — Ora, ora... vejam só quem resolveu aparecer para tentar se enturmar! — Rony surgiu bloqueando nosso caminho, rindo alto. — O que foi, Amélie? Esqueceu que bastardas não têm livre-trânsito por aqui? Dei um passo à frente, erguendo o braço esquerdo para exibir a pulseira prateada que brilhava sob a luz negra. — Caso você não saiba ler ou tenha problemas de visão, eu estou na área VIP. A segurança não tem ordens para me retirar daqui. — Pulseira nenhuma compra classe, Amélie — sibilou ele, perdendo o tom de zombaria e avançando com o rosto contraído de raiva. Antes que eu pudesse recuar, Rony desferiu um empurrão violento no meu ombro. Perdi o equilíbrio e caí pesadamente sobre o piso de mármore polido. Ele deu dois passos rápidos, agachou-se na minha frente e cravou os dedos no meu queixo com força, forçando-me a encará-lo. — Uma bastarda continua sendo uma desgraçada, com ou sem pulseira de mentira. Se você tivesse ficado onde estava, ninguém teria dado a mínima para a sua ausência. O gosto metálico de sangue brotou no canto da minha boca devido à força que apertava meu rosto, mas mantive o olhar fixo e cortante nos olhos dele, sem demonstrar pânico. — Com toda a certeza eu não faria falta para parasitas como você — respondi com voz firme, sibilada entre os dentes —, mas continuo incomodando exatamente porque represento tudo o que vocês nunca conseguirão comprar. — O que está acontecendo aqui, Rony? — A voz firme e conhecida cortou o ar, fazendo o círculo de Curiosos abrir espaço instantaneamente. Rony soltou meu rosto sobressaltado e virou-se para encarar Augusto, que atravessava o corredor com o maxilar trancado em uma expressão severa. — Nada demais, Augusto. Só estava lembrando a nossa querida Amélie qual é o verdadeiro tamanho dela neste salão — justificou-se Rony, tentando recuperar a pose de superioridade. Levantei-me do chão com a ajuda discreta de Celina, ajeitei o tecido do vestido e parei erguida bem diante dos dois. — Se o espetáculo de mau gosto já encerrou, agradeço o carinho das palavras — falei, com o veneno escorrendo em cada sílaba. — Eu não voltei para disputar migalhas com ninguém, mas se a sua patroa quer guerra, ela vai ter. Puxei Celina pelo braço, disposta a desaparecer dali, quando passos apressados ecoaram atrás de nós. — Amélie, espera! Por favor, venha tomar um drinque comigo, vamos conversar a sós — pediu Augusto, estendendo a mão num gesto de apelo. — Não, muito obrigada, dispenso a companhia — respondi friamente, virando as costas. — Amélie, por favor, não seja infantil — insistiu ele, dando mais um passo. — Deixa ela para lá, Augusto! — Rony interveio, puxando o braço do herdeiro. — Essa aí só quer chamar atenção. A Amanda já está chegando com o restante do grupo, não vamos perder tempo com essa bastarda. Augusto ignorou o comentário de Rony, fixando os olhos em mim com uma urgência silenciosa. — Por favor, Amélie... — Chega. Eu não quero causar mais nenhum tipo de circo — falei, com a exaustão finalmente vencendo a adrenalina. Virei-me em definitivo, puxando Celina através do mar de corpos até avistar a sinalização da saída de emergência lateral. Antes que eu pudesse alcançar a porta pesada, senti uma mão firme fechar-se ao redor do meu pulso. — Por aqui, o caminho é mais rápido e reservado — disse Augusto, que havia nos seguido em passos largos. Ele abriu a porta corta-fogo que dava acesso ao corredor privativo dos fundos, o mesmo utilizado apenas pelos proprietários e convidados de honra para evitar o assédio da imprensa. Assim que pisamos na calçada fresca da madrugada, o vento frio bateu no meu rosto, trazendo o alívio imediato do ar puro. Voltei-me para ele, com a vergonha ainda queimando minhas bochechas e a mente atordoada pelos acontecimentos da noite. — Obrigada pela saída, Augusto. Já posso seguir com a Celina. — Eu faço questão de te levar em segurança para casa. Espere só um minuto, vou pedir para os seguranças buscarem meus pertences na sala VIP e fecharem meu camarote. Olhei para Celina, buscando apoio visual, mas ela evitou o contato por um segundo antes de murmurar: — Quer saber? Eu realmente preciso ir para casa, mas você pode esperar o Augusto te dar uma carona segura. Encarei Augusto diretamente, percebendo a hesitação e o pedido mudo em seus olhos. — Tudo bem... Eu espero você aqui fora — concordei baixinho, abaixando o olhar para o asfalto enquanto o barulho abafado da festa continuava lá dentro.Ao chegarmos, desci do carro e encarei cada detalhe daquela fachada imponente. Fazia exatos doze anos que eu não pisava ali. No instante em que meu pé tocou o chão de pedra da entrada, o caos se instalou na minha cabeça, a ansiedade ameaçando me trair. Não posso desistir aqui, pensei, forçando os dedos a girarem a maçaneta pesada, enquanto vovó vinha logo atrás, com passos firmes. A porta se abriu revelando o hall e, logo na sala de estar, uma silhueta familiar já me aguardava. Eu sabia que ela não perderia a oportunidade; Evelyn estaria ali, postada como a jogadora mais suja do tabuleiro, pronta para tentar me intimidar. A sensação de que ela havia tirado minha mãe de cena parecia pulsar no meu sangue como um instinto de sobrevivência. Vovó me puxou de leve pelo braço, tentando criar uma barreira física para evitar que Evelyn me atingisse com suas primeiras palavras. — Amélie, vamos subir. O seu quarto é do lado do meu, não se preocupe com nada que essa mulher venha falar — mur
O toque estridente do interfone quebrou o silêncio do apartamento, seguido pela voz de Antônio pelo alto-falante avisando que já aguardava na recepção. Tranquei a porta de casa, passei rapidamente pela portaria e cruzei o saguão em direção à saída, sentindo o peso da decisão que tomaria mais tarde. O sedã preto estava estacionado com o pisca-alerta ligado. Abri a porta traseira e entrei, o ar-condicionado gelado batendo no rosto, mas foi a visão da vovó no banco do carona que me deu um nó gelado na garganta e apertou meu estômago instantaneamente; que jogo perigoso ela estava armando desta vez? — Vovó? Que surpresa. Achei que a encontraria em casa — disse, a voz saindo um tom acima do normal enquanto eu tentava mascarar a desconfiança. — Mudei os planos, minha neta. Vamos almoçar com o Victor primeiro para alinharmos tudo para o jantar de hoje à noite — respondeu ela, puxando-me para um abraço rápido que cheirava a Chanel No. 5. Retribuí o abraço com os músculos das costas
Olhei para a Amélie ali dormindo; o corpo pesado contra o estofado denunciava o esgotamento das últimas horas. Pensei em levá-la para o quarto, mas hesitei por um momento. Conhecia cada centímetro daquela cobertura — os corredores, a vista, o frio do piso — de todas as vezes em que estivera ali com a Amanda. Ainda assim, a atmosfera era outra. Amélie havia recolocado as fotografias antigas nos lugares de origem e trocado as fechaduras com uma precisão cirúrgica que não deixava dúvidas: o apartamento pertencia a ela de direito. Amanda mentira descaradamente sobre a propriedade do imóvel, mas a teia de farsas era densa demais para ser desatada ali, na madrugada. O casamento arranjado não passava de uma fachada frágil. Eu pretendia desenterrar cada segredo, e jurei a mim mesmo que não haveria perdão para quem estivesse mentindo, nem a morte me faria perdoar. Com cuidado para não acordá-la, peguei Amélie nos braços e a acomodei na cama. O relógio marcava quase 4h da manhã. Disquei rapi
Chegando à portaria do edifício, saí do carro para resolver a liberação da vaga enquanto o Augusto estacionava. O porteiro franziu o cenho, confuso com o meu pedido. — A senhora tem certeza? Essa vaga costuma ficar vazia, mas... — Pode liberar, por favor — respondi, sem paciência para explicar que eu mal havia desembarcado de um voo internacional e que a última coisa na minha cabeça era comprar um carro em São Paulo, muito menos atravessar o Atlântico para buscar o meu nos Estados Unidos. Agradeci rapidamente e encontrei o Augusto na entrada do saguão. — Tudo certo? — perguntou ele, girando as chaves entre os dedos. — Tudo. Vamos? Subimos em silêncio. Ao cruzarmos a porta da cobertura, a vista panorâmica da cidade me paralisou por um instante. O mar de luzes dos prédios cortava a neblina densa da noite paulistana. Fazia mais de uma década que eu não pisava ali; a última vez, eu era apenas uma criança de dez anos. Agora, aos vinte e dois, o peso daquela ausência materializa
Enquanto aguardava Augusto na entrada lateral, o murmúrio abafado das conversas e o grave contínuo da música eletrônica que escapavam do salão foram cortados por uma risada aguda e Sinica: — Olha só... Se não é a alma penada da festa. Querida Amélie, que coragem imensa a sua... Pelo visto, o convite VIP se perdeu no correio, porque a sua presença aqui não é bem vinda; é uma verdadeira afronta. Ergui o rosto bem devagar, sentindo o salto alto afundar levemente nas frestas do piso de paralelepípedo da calçada. Amanda estava parada a poucos passos, envolta em um casaco de pele sintética que exalava o perfume caro e enjoativo. Como de hábito, vinha acompanhada por suas duas fantoches — cuja única utilidade era rir das piadas cruéis e inflar seu ego e vaidade . Amanda. Que surpresa desagradável ver você antes do previsto — respondi, mantendo a voz nivelada, fria o bastante para não lhe dar o gosto de me ver alterada. — Se sentindo confortável vendo sua farsa começar a desmoronar?
A vibração abafada do alarme cortou o silêncio do quarto. Estiquei o braço tateando o criado-mudo até encontrar o celular, desligando o toque insistente. O cansaço colava meus olhos, um peso físico acumulado da viagem. Fiquei deitada por mais alguns minutos fitando o teto de gesso trabalhado, desejando apenas afundar no travesseiro, mas a noite exigia presença. Levantei-me arrastando os pés até o banheiro. Deixei a água morna cair sobre os ombros, tentando lavar a exaustão, embora soubesse que nenhum banho seria capaz de apagar o nó de ansiedade no meu estômago. Na penteadeira, encarei meu reflexo sob a luz fria do espelho. O plano original era uma produção elaborada, mas a preguiça venceu. — Quer saber? Um delineado firme e batom vermelho resolvem qualquer coisa — murmurei para mim mesma, prendendo o cabelo em um rabo de cavalo alto e polido. Enquanto aplicava o batom, meus dedos deslizaram pelo tecido do vestido preto da Versace estendido na arara. Foi um presente da tia Ma







