O sol da manhã já dourava as ruas de João Pessoa quando Paloma Franco cruzou a porta da casa da tia Aparecida e respirou fundo, segurando a ansiedade.A mochila nova, um pequeno capricho que se permitira para aquela viagem ao Nordeste, pesava em seu ombro. Não tanto pelas coisas que levava dentro, mas pela responsabilidade que havia assumido.Estava indo a Cabaceiras por tia Cida.Levava consigo as poucas provas que tinham de que Charles, o filho da tia, poderia ter deixado direitos a receber das Indústrias Monteiro. Depois da morte dele, dois meses antes, Aparecida não tinha condições físicas nem emocionais de resolver a situação sozinha. E Paloma não conseguira simplesmente ficar em São Paulo sabendo disso.— Boa sorte, menina! — gritou a tia da varanda, acenando para ela. Os olhos estavam marejados, embora o sorriso permanecesse no rosto. — Você tá alembrada de onde tá o “corta-gasolina do Celta”, né, minha fia?Paloma sorriu.— Sim, tia. Prometo trazer seu carro inteirinho.— E voc
Última atualização : 2025-08-02 Ler mais