Nina Nunes
Desde que nos casamos, meu marido e eu sempre dormimos em quartos separados.
No começo, ainda cheguei a perguntar se ele não queria se mudar para o quarto principal comigo.
Ele recusou sem hesitar.
— Não precisa. A Paty não vai gostar.
Depois, acrescentou com frieza:
— Se não fosse por você, nós dois não teríamos chegado a esse ponto. É melhor deixar as coisas como estão.
Paty era o primeiro amor dele.
Fiquei sem reação. Demorei um bom tempo até conseguir responder:
— Tudo bem.
Mais tarde, pensando melhor, percebi que não fazia sentido me importar tanto.
Afinal, aquele casamento nunca tinha começado por amor.
Minha família atravessava uma grave crise financeira, enquanto a empresa dele precisava de ajuda para resolver uma disputa judicial complicada.
Era apenas um acordo. Cada um conseguiria o que precisava.
Quando tudo estivesse resolvido, seguiríamos caminhos separados.
Depois daquele dia, nunca mais toquei no assunto.
Nos três anos seguintes, ele levou Paty para todos os lugares.
Jantares de família, festas da empresa, eventos importantes...
Até no aniversário da minha mãe, era ela quem ficava ao lado dele.
Com o tempo, as pessoas começaram a se perguntar quem, afinal, era a verdadeira dona daquela casa.
Mas agora nada disso importava mais.
O que precisava ser resolvido já estava resolvido.
E, finalmente, tinha chegado a hora de eu ir embora.