Nanda
No terceiro ano após eu ter forjado a minha própria morte, meu ex e meu filho bateram à minha porta. No desespero, ameacei tirar minha própria vida, mas cedi quando meu filho de sete anos colocou as mãos no respirador da minha mãe.
Com a voz trêmula, Gabriel Soares impôs:
— Marta, ou você assiste a sua mãe morrer sufocada, ou volta a ser a minha esposa. A escolha é sua!
Sem saída, aceitei me casar com ele novamente e voltei para aquela mansão, transformando-me na esposa e mãe mais submissa que ele poderia desejar.
Quando minha irmã adotiva, Natacha Santos, precisava da companhia de Gabriel, eu saía imediatamente para um hotel, sem dar um único telefonema para ele nem mesmo quando sofri uma perfuração no estômago e precisei passar por uma cirurgia de emergência. E, quando meu filho exigia o tempero da tia, eu mesma ia buscar Natacha para morar sob o nosso teto.
Até que, no dia do meu aniversário, ela chorou, dizendo ter inveja de mim por ter um marido e um filho maravilhosos, enquanto nunca havia recebido um presente de aniversário decente.
Sem hesitar um segundo sequer, tirei do pulso o terço de rubis sagrados e o coloquei na mão dela. As contas de um vermelho intenso se destacaram na pele clara de Natacha com um brilho deslumbrante.
Gabriel ficou furioso e agarrou meu braço, falando entre os dentes:
— Marta, essa joia é a prova do nosso amor! Subi as escadarias do santuário de joelhos, degrau por degrau, para conseguir a bênção desse presente para você!