O Homem Que Não Se Curvou
Queria esquecer o passado com Letícia, esquecer o presente e, se fosse possível, apagar também qualquer futuro que ainda pudesse existir entre os dois.
Entre um gole e outro, naquela fuga embriagada, parecia velar a própria juventude desperdiçada, o casamento ridículo em que apostara tudo e a vida absurda que agora era obrigado a encarar.
Em algum momento, o DJ do bar trocou a música e botou uma daquelas sofrências de cortar o peito.
Daniel passou a beber ainda mais depressa.
Por fim, depois de esvaziar o último copo, sua consciência começou a se desfazer. A visão escureceu, os sentidos se apagaram, e ele desabou bêbado sobre a mesa.