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Capítulo 2

作者: Washing Wheat
Mesmo que Pedro tivesse apenas segurado meus ombros e me beijado com força, já teria sido suficiente.

Era a nona vez.

Eu criava expectativa de ir além... e, mais uma vez, ele me afastava.

Levantei de repente e saí, batendo a porta.

Na casa de Lívia, meu celular não parava de vibrar.

— Você não vai atender? — Lívia inclinou a cabeça e me observou.

Levantei o queixo e virei um grande gole da bebida.

O líquido forte desceu queimando e deixou um gosto amargo na garganta.

Desliguei o celular e reclamei:

— Esse cigarro é forte demais. Um só já acaba com a garganta.

Lívia girava a caixa entre os dedos:

— Mas a embalagem é estilosa, não acha?

Não tentei esconder nada. Na verdade, nem conseguia entender aquilo.

— Por que Pedro não quer transar comigo? Será que ele gosta de homens?

Mas, no ensino médio, Pedro tinha namorado a capitã das líderes de torcida.

Depois disso, várias garotas deram em cima dele, e ele recusou todas.

De repente, um pensamento atravessou minha mente.

Apertei os olhos:

— Acho que ele ainda pensa na minha irmã que fugiu para Rio Branco Novo.

Quem deveria ter se casado com Pedro originalmente era minha irmã, Raquel.

Mas ela seguiu o chamado do amor verdadeiro e fugiu com um pintor sem dinheiro para Rio Branco Novo.

Pedro sempre tinha se comportado como um verdadeiro cavalheiro.

Nestes seis meses de casamento, tirando a questão do sexo, ele sempre fazia todas as minhas vontades.

Mas, toda vez que ele me dava prazer com as mãos, enquanto eu me perdia nas sensações, ele continuava frio e controlado.

Será que ele sentia repulsa por mim?

Só de pensar nisso, minha razão pareceu se partir.

A humilhação subiu como uma onda.

Bati o copo com força na mesa.

— Já decidi!

Lívia se assustou.

— Vou me divorciar!

Pedro podia até ser bonito, mas de que adiantava se não servia para nada?

Eu não precisava dele.

— Para de beber — disse Lívia, achando que eu já estava bêbada, enquanto me puxava à força para o banheiro.

Ela tinha acabado de colocar unhas enormes e extravagantes e ainda se mexia muito enquanto dormia.

Quando acordei no dia seguinte, havia vários arranhões no meu pescoço.

Assim que liguei o celular, vi que estava cheio de mensagens de Pedro.

Quando voltei para casa e vi que ele estava lá, fiquei realmente surpresa.

A sala estava tomada por um cheiro forte de cigarro. O cinzeiro estava completamente cheio.

Ele levantou a cabeça. O rosto de traços marcados parecia duro, quase agressivo.

— Você voltou? — a voz dele estava extremamente rouca.

Quando ele viu os arranhões no meu pescoço, as pupilas dele se contraíram de repente. O olhar ficou sombrio e assustador.

Eu tinha dormido muito mal na noite anterior. A garganta ardia por causa do excesso de cigarro e bebida.

Não tinha disposição para explicar nada.

Ele estava prestes a falar quando levantei a mão e interrompi, com a voz igualmente rouca:

— Ontem eu fiquei exausta. Vou subir primeiro.

Eu não estava brincando. Realmente queria me divorciar.

Um casamento sem sexo não era o que eu queria.

Naquela noite, tive uma febre alta. Minha cabeça parecia envolta em névoa.

A porta do quarto se abriu.

O cheiro do sabonete de Pedro me deixou tonta.

Franzi a testa:

— Não encosta em mim.

O corpo dele ficou rígido:

— Então você quer que quem encoste em você?

A voz dele era baixa, como se estivesse segurando algo dentro de si.

Mesmo assim, tentou suavizar o tom, como se quisesse me convencer.

— Fica boazinha. Primeiro toma o remédio.

As pontas frias dos dedos dele tocaram meus lábios.

A outra mão segurou minha cintura de repente.

Os olhos dele estavam fixos na minha boca vermelha, e a respiração ficou pesada.

Eu me sentia desconfortável nos braços dele.

Virei o corpo e me enfiei debaixo do cobertor.

— Já tomei. Pode sair.

No meio da confusão da febre, tive a impressão de ouvir novamente o som de água vindo do banheiro.

Quem estaria tomando banho?
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