LOGINQuando fui abrir os olhos, fui ofuscada pela luz do sol. Virei e quando consegui finalmente abri-los, sentindo minha cabeça latejando. Ouvi som de água saindo do banheiro. Levantei a cabeça e me recostei na cama. Olhei para os lados, tentando identificar onde eu estava. Mas eu não tinha a menor ideia, a não ser de que eu estava no castelo. Percebi que estava só de calcinha, com os seios nus. Meu corpo estava com algumas manchas roxas, parecendo hematomas. Se não fossem aquelas marcas, eu até acharia que estava tudo bem e o que houve na noite anterior não tinha passado de um sonho. Mas aquelas marcas eu conhecia muito bem... Então a noite passada havia acontecido. O que eu faria agora? Não lembrava de muita coisa... Ou melhor, lembrava, mas achava que não era real até aquele momento. Peguei um lençol e enrolei no meu corpo, olhando confusa para a cama completamente bagunçada. Fui até a porta do banheiro, sentindo meu coração bater cada vez mais forte. Bati e ninguém respondeu. Então abri e vi Dereck, nu, tomando banho. Ele virou para mim e nos encaramos.
- Droga, Dereck, eu dormi com você!
Ele riu e disse tranquilamente:
- Querida, se você tivesse dormido comigo não estaria com esta cara, pode apostar.
- Meu Deus, Dereck, se eu não dormi com você, com quem eu passei a noite?
Ele desligou o chuveiro lentamente, começou a se secar sem importar-se com a minha presença. Eu fechei meus olhos. Não queria ficar admirando o corpo de Dereck nu, sem nem saber ainda com quem exatamente eu havia dormido na noite anterior.
- Não sei quem está pior, Kat, você que não sabe com quem dormiu, ou eu que dormi com Kim.
Eu abri meus olhos e olhei-o espantada:
- Você... E Kim?
- Eu estava bêbado. Mas eu lembro exatamente o que aconteceu. Agora acho que vou continuar a beber pelo resto da minha vida para tentar esquecer a noite passada.
- Foi... Tão horrível assim? – perguntei.
- Não... Não foi ruim. Por isso mesmo quero esquecer.
- Dereck... O que exatamente você lembra?
- Eu lembro sobre mim, Kat, mas não sei o que aconteceu com você.
- Mas quando você entrou no seu quarto... Como eu estava?
- Dormindo... Bela, nua e sozinha.
Fiquei olhando-o confusa. Ele disse:
- Este é o meu quarto. Como você chegou aqui eu não sei.
- Foi Vitória... – eu lembrei. – Ela me empurrou para cá... E trancou a porta.
- Sim. A porta estava trancada. Eu abri com a minha chave. Encontrei você dormindo... E fui para o banho.
- E... Onde está Kim?
- Foi para a casa dele.
- Dereck... Quem pode ter estado comigo na noite passada?
- Magnus?
- Eu... Achei que fosse ele... Mas depois pensei que não era... Que pudesse ter sido um sonho.
- Um sonho não deixaria estas marcas em você. – ele disse rindo maliciosamente.
Ele saiu nu do banheiro até o quarto e eu o acompanhei enrolada no lençol. Fui até o espelho e vi a marca roxa próxima do meu pescoço. Pelo visto a noite havia sido boa e louca de prazer, exatamente como eu lembrava. Mas não conseguia ter certeza se era Magnus ou se eu estava sonhando, pois eu queria muito que fosse ele.
- Como você e Kim? Explique-me. – pedi tentando achar minha roupa, sem sucesso.
- Eu não sei explicar. Eu sou hetero...
- Ou pelo menos até ontem... – eu ri.
- Pois é... Estou confuso. – ele confessou enquanto se vestia.
- Aonde você vai?
- Preciso tomar café da manhã... E um uísque forte.
- Dereck, eu preciso de ajuda. O que aconteceu aqui neste quarto exatamente? Como eu vou voltar para o meu se eu sequer encontro minha roupa?
- Querida, eu não sei o que aconteceu aqui no meu quarto esta noite, mas a olhar para você eu aposto que foi bom... Coloque uma roupa minha se quiser.
- Você está louco?
Ele me deu um beijo no rosto e disse:
- Vista-se e pegue um biquíni. Seu aniversário ainda não acabou.
Dizendo isso ele saiu e fechou a porta. Eu fiquei ali, enrolada no lençol, olhando novamente no espelho as marcas no meu corpo. Eu só queria ter certeza: eu e Magnus fizemos amor? Concretizamos isso?
Fui ao closet e coloquei uma camiseta de Dereck e uma calça que cabia duas de mim dentro. E assim fui cuidadosamente para o meu quarto, sob o olhar dos guardas que nada viam, falavam ou faziam. Estava abrindo a porta quando ouvi:
- A noite foi boa...
Olhei para Vitória, já vestida e em nada lembrando a mulher bêbada e divertida da noite anterior.
- Você me jogou naquele quarto. – eu acusei.
- Eu? Como pode me acusar? Dormiu com o príncipe Dereck e quer colocar a culpa em mim?
- Eu sequer sabia que era o quarto dele... E eu não dormi com ele.
- Seu pescoço a denuncia. – ela disse sorrindo e saindo.
Entrei no quarto e tomei um banho, tentando ainda lembrar do ocorrido. Eu não podia ter perdido a minha virgindade sem sequer lembrar como havia sido. E Magnus... Ele não havia bebido... Então não deveria ter feito nada comigo no estado em que eu me encontrava.
Meu café estava servido sobre a mesa e eu comi. Apesar da cabeça latejando eu estava com fome. Tomei um analgésico e fui até o closet, mas eu não tinha biquíni. Qual era a invenção de Dereck agora?
Não demorou muito e ele entrou no meu quarto, sem sequer bater. Sentou na minha cama e disse:
- Pronta?
Eu ainda olhava para o closet completamente vazio:
- Claro que não, Dereck. De onde eu vou tirar um biquíni. Isso aqui não é um resort de férias... É o meu trabalho.
- Mas hoje é domingo... E eu vou levar você para terminar a festa.
- Meu aniversário foi ontem, Dereck. – falei deitando na cama ao lado dele, olhando para o teto.
- Qual o problema de você ter dormido com Magnus? – ele perguntou olhando nos meus olhos.
- O problema é que eu não lembro do que aconteceu direito... E... Eu nunca dormi com um homem antes.
Ele ficou em silêncio e disse:
- Eu também.
Começamos a rir. Dereck tinha tudo a ver com Kim. Eles formavam um belo casal. Eu poderia apostar que Kim já estava completamente apaixonado naquele momento. Mas também sabia que não seria nada fácil aquele relacionamento, caso fosse adiante. Acho que Dereck teria mais problemas do que eu. Ouvi alguém bater na porta e fui atender, enquanto Dereck permanecia jogado na cama, olhando para o teto. Era Magnus. Quando olhei para ele fiquei tensa.
- Posso entrar? – ele perguntou.
- Eu... Preciso me trocar. – falei, pois estava só enrolada na toalha. – Pode esperar?
- Posso.
Eu vesti a primeira coisa que encontrei na minha frente.
Dereck levantou e disse:
- Vou para o closet. Magnus não pode me ver aqui.
- Por quê?
- Kat, você estava enrolada na toalha. Ele vai ter certeza de que temos mais que uma amizade e nada vai tirar isso da cabeça dele. Meu irmão é muito ciumento e eu sei bem do que estou falando.
- Eu não tenho nada com Magnus. No meu quarto entra quem eu quero e...
- Não. – disse Dereck colocando o dedo sobre a minha boca. – Não queremos mais confusão do que já temos, não acha?
- Sim. – concordei e deixei que ele entrasse no closet.
Abri a porta e Magnus entrou com um presente.
- Quer... Sentar? – ofereci a poltrona.
- Não. – ele falou de pé, me entregando a embalagem.
Olhei para ele confusa, esperando uma resposta.
- Seu presente de aniversário. – disse.
Eu senti minhas mãos trêmulas. Parecia um livro. Abri a embalagem cuidadosamente e comecei a ler as folhas de papel na minha frente. Mas não consegui entender direito o que era aquilo. Novamente o fitei e perguntei:
- Desculpe minha ignorância, Alteza, mas o que é isso?
- É a posse da sua casa na Zona E. Ela pertence a você agora.
Eu olhei para aqueles papéis na minha mão e pensei no quanto eu quis aquilo. Não era só um gesto grandioso de Magnus, mas também o maior gesto de carinho que eu recebi nos últimos meses. Eu senti vontade de chorar e não consegui me conter.
- Por que você está chorando? – ele perguntou um pouco perturbado. – Não foi minha intenção ofendê-la...
- Alteza, não me ofende de forma alguma... – falei limpando as lágrimas. – É o maior gesto de carinho que recebo nos últimos tempos, talvez em toda minha vida... Mas ainda assim não posso aceitar. – falei devolvendo a pasta para ele.
- Eu quero que fiquei com isso... Sua casa é um direito da sua família. Eu quero ver você feliz e tranquila com relação a isso. Aceite, por favor.
- Realmente não posso. Isso é muito para mim...
- Por que acha que é muito para você, Katrina? Nada é muito para você. Você merece isso.
- Não posso. – insisti.
- Tarde demais... Já está comprado e no seu nome. Caso não queira, venda para alguém ou coloque no nome de outra pessoa.
Ele me devolveu a pasta e eu fiquei com ela na minha mão, sem ter certeza do que fazer.
- Desculpe-me por ontem. - eu disse.
- Por não ter vindo comigo ou por ter bebido? – ele perguntou seriamente.
- Pelas duas coisas. – admiti.
Ele passou as mãos pelos cabelos, bagunçando-os e depois me olhou nos olhos:
- Acho que você bebeu demais.
- Eu também. – admiti.
- Mas não posso dizer que não me aproveitei da situação...
- Como assim?
- Você acabou comigo na cama.
Olhei para ele seriamente e disse confusa:
- Não era um sonho? Era você?
Ele balançou a cabeça afirmativamente.
- O que... Realmente aconteceu?
- Você não lembra de nada?
- Eu... Estou morrendo de vergonha, Alteza...
- Não parecia nada envergonhada ontem à noite, senhorita Lee. – ele riu maliciosamente
Céus, aquilo poderia ficar pior? Eu havia passado a noite com o príncipe e sequer lembrava se havia perdido minha virgindade com ele.
- Eu lembro de algumas coisas... – confessei. – Mas...
- Katrina, eu não teria feito nada com você naquele estado. Eu sou um cavalheiro.
- Obrigada. – falei abaixando minha cabeça.
Ele levantou meu queixo, fazendo encará-lo e disse:
- Mas algumas coisas não pude impedir.
Ele levantou a camisa e mostrou o corpo com algumas marcas avermelhadas. Pelo visto eu havia retribuído muito bem as carícias recebidas. Corei e tive vontade de me esconder de tanta vergonha.
- Já sei sobre seu fetiche com as tatuagens. – ele sorriu sedutoramente.
- Me desculpe por tudo...
- Como você foi parar lá? Estava procurando por Dereck?
- Não... Foi Vitória. Ela acabou me empurrando para o quarto e trancou a porta. Eu não sabia exatamente onde estava... Sei que ela também estava bêbada. Então...
- E se fosse Dereck?
- Mas não era... Era você.
- E se não fosse?
- Eu não teria feito nada com Dereck... Por que... Eu vejo vossa Alteza em todos os meus sonhos... Por isso achei que pudesse não ser real. Mas não achei que pudesse ser outro homem.
Ele levantou novamente meu queixo, me fazendo encará-lo e disse:
- Quero terminar a noite passada... Exatamente de onde paramos. Mas você estará sóbria.
Eu senti meu corpo tremer. Magnus era pura sensualidade naquele momento. Eu também queria muito terminar o que começamos... E estar ao lado dele todas as noites da minha vida. Eu era louca por aquele homem. Pensei que ele fosse me beijar, mas ele não fez isso. Saiu pela porta e me deixou ali, sozinha, incapaz de dar um passo de tão nervosa que estava... Cheia de excitação e completamente molhada desejando ardentemente ele dentro de mim...
Dereck decidiu, por pressão do povo, concorrer à presidência do novo país. Ele nunca seria rei, foi rejeitado a vida toda por sua própria mãe, a rainha. Contudo, o povo sempre preferiu ele para liderar Noriah. O príncipe politicamente correto teria chances legais e iguais de concorrer junto de outros candidatos. Ele quis Dom para vice. Esta foi a parte difícil. Dom, líder rebelde e anti monarquista a vida inteira, jamais quis um cargo. Alegava ser sempre a oposição, a quem quer que estivesse no comando de Noriah. Mas depois de muita (eu digo muita mesmo) insistência por parte de todos nós, ele acabou dando uma chance a seu amigo King.Kim, por sua vez, certamente seria a primeira dama do novo país. Ele não continuou trabalhando no salão, mas passou a fazer uns vídeos sobre makes e cabelos perfeitos e logo viralizou nas redes sociais. Claro que ele ficou famoso,
Foi dado início à cerimônia de coroação do Príncipe Magnus Chevalier. Durou em torno de 30 minutos. Assim que Magnus foi coroado pelas mãos do líder do Conselho, ele me chamou antes de seu primeiro pronunciamento enquanto rei. Nos encaramos com todo amor que tínhamos em nossos corações e ele disse no meu ouvido:- Eu amo você.- Também amo você. – falei sem emitir som, mas deixando que ele entendesse o que meus lábios diziam.- Povo de Noriah... Por toda uma vida os Chevalier reinaram aqui. Eu fico imensamente grato por poder estar aqui hoje, recebendo a coroa que foi de minha mãe, de meu avô, bisavô e de outros tantos ascendentes meus que já viveram aqui. Mas não posso dizer que estou emocionado, pois seria mentira. Por isso, neste momento, enquanto rei de Noriah, eu declaro este lugar livre da monarquia para sempre. Que N
O castelo finalmente estava quase em ordem. Depois de tantos mortos e feridos, finalmente o reino de Noriah estava livre da rainha Anne Marie Chevalier. A maioria havia aprovado a invasão ao castelo. Nunca se soube quem atirou na rainha e nunca se saberia. Era um segredo muito bem guardado por mim, Magnus, Dom, Dereck e Kim. Claro que ainda haviam manifestações contrárias à coroação de Magnus, mesmo ela ainda não tendo acontecido oficialmente. Estávamos na mesa do café da manhã quando foi anunciado que Eva Lee Chevalier estava no castelo. Imediatamente pedimos que ela fosse recebida e se juntasse a nós.Fui até minha irmã e a abracei com carinho:- Venha, junte-se à nós para o café da manhã. – convidei.Ela aceitou. Todos começaram a rir e eu olhei-os confusa:- O que está havendo que eu não sei?-
- Por que não atirou em mim? – perguntei.- Existe algo melhor que ver sua cara de sofrimento e dor, Katrina Lee? Eu não quero você morta... Quero ver você sofrer tudo que eu sofri por você ter vindo ao mundo.Eu mirei no coração dela e disse, em lágrimas:- Eu não acabei... Ficou o mais importante: o tiro vingando meu bebê. – dizendo isso eu atirei no coração dela.Joguei-me sobre Dom aos prantos. Anne Marie Chevalier estava morta, mas antes de ir partiu meu coração mais uma vez. Magnus e Dereck entraram no quarto, me tirando de cima de Dom. Eu tinha sangue por todo meu corpo. Magnus me abraçou com força e Dereck foi verificar como Dom estava.- Ele... Está vivo. – disse Dereck. – Precisamos levá-lo a um hospital.Ainda se ouvia tiros pelo castelo.- Como vamos tirar ele daqui? – eu p
Assim que saímos do quarto, minha mãe disse:- Estarei rezando por vocês.- Mãe, tudo vai dar certo. Quando esta noite acabar, Magnus Chevalier será o novo rei de Noriah Sul.Laura Lee me abraçou com força e fez o mesmo em Magnus. Estávamos preste a sair quando a campainha tocou.- Está esperando alguém, mamãe? – perguntei.- Não. – ela falou confusa indo abrir a porta.Quando vimos Kevin ficamos surpresos. Eu fui até ele e lhe dei um abraço. Ele me apertou com força.- Veio... Visitar nossa mãe? – perguntei.- Na verdade não. – ele disse. – Vim participar da invasão ao castelo. Junto do grupo de vocês.- Como... Você sabe? – perguntou Magnus confuso.- Eu estou participando de um grupo... Longe do de Domênico... E de vocês. Ent&ati
As rebeliões foram aumentando conforme os dias iam passando. E a rainha ficando mais dura do que já era. A confusão no reino já estava feita e nada mais poderia mudar. As minorias que queriam que a rainha Anne ficasse no poder. A maior parte da população, mesmo preferindo o fim da monarquia, acabou se unindo aos grupos que queriam Magnus no poder e assim as alianças iam ganhando forças em todo o reino de Noriah Sul.Os encontros anti monarquia daquela semana foram marcados em zonas diferentes e em dias alternados a fim de confundir os delatores dos grupos, bem como os ataques dos grupos favoráveis à monarquia.Vesti-me com uma calça preta e uma jaqueta de couro, com botas de cano curto da mesma cor. Magnus vestiu-se de Black e partimos para o encontro na Zona B, pela primeira vez juntos. Quando o carro nos deixou no ponto de encontro, Magnus solicitou ao motorista que não ficasse ali. O







