เข้าสู่ระบบSelene A mão de Darius ainda tremia quando terminou de cuidar da minha ferida, mas foi o que aconteceu depois que me fez compreender o perigo daquela noite. Ele se afastou. Simplesmente recolheu o unguento, dobrou o pano úmido e deixou a câmara de banho sem tentar transformar minha vulnerabilidade numa oportunidade. E meu vínculo reagiu como se tivesse sido abandonado outra vez. A primeira pontada surgiu sob minhas costelas. A segunda percorreu minha coluna, quente e cruel, até alcançar a marca lunar em meu peito. Apoiei as mãos na borda da piscina. — Maldição… Do outro lado da porta, ouvi Darius prender a respiração. O vínculo não precisava de palavras para transmitir sua dor. Senti o lobo dele se contorcer, exigindo proximidade, enquanto o meu respondia com uma necessidade que me deixou furiosa. Não era justo. Eu havia sobrevivido à rejeição. À humilhação. Às noites em que minha loba procurava alguém que escolhera afastá-la. Agora, quando finalmente conseguia decidir por
Selene A água quente escorreu pelos meus ombros, tingiu-se de vermelho ao alcançar o chão e levou consigo o sangue da batalha. Não levou a lembrança das mãos de Darius. O pior era saber que ele estava do outro lado da porta. Eu conseguia sentir sua presença pelo vínculo, imóvel no corredor, tão próxima que a distância entre nós parecia uma provocação. Seu coração batia num ritmo lento, disciplinado. O meu, infelizmente, não compartilhava daquela virtude. — Selene? — chamou. Fechei os olhos sob a água. — Se pretende perguntar se estou bem, considere-se respondido. — Pretendia avisar que deixei roupas limpas junto à porta. Olhei para a pilha cuidadosamente dobrada sobre um banco. — Você está se tornando irritantemente prestativo. — Prefere que eu volte a ser irritantemente arrogante? Sorri contra a própria vontade. — Prefiro que continue do lado de fora. Houve uma pausa. — Como desejar. A simplicidade da resposta me atingiu mais do que deveria. A câmara de banho havia pe
Selene Descobri que estava sangrando quando Darius se ajoelhou diante de mim e deixou de olhar para meu rosto. Seus olhos desceram até minha perna, onde um corte atravessava o tecido rasgado da calça. O sangue escorria lentamente pela bota, escurecendo o couro. Eu não havia sentido nada durante a batalha. Agora, com a adrenalina desaparecendo, a dor começava a cobrar seu preço. — Sente-se, Selene. Ergui uma sobrancelha. Darius fechou os olhos por um instante. — Por favor. — Impressionante. Duas palavras que você demorou anos para aprender a combinar. Ele não sorriu. Isso me preocupou mais que qualquer resposta. Estávamos numa pequena câmara de repouso, afastada da sala onde Mirella permanecia sob os cuidados de Cassian. Seraphine finalmente adormecera junto dela. Lucan havia retornado para verificar Elara, enquanto os caminhos até o coração da mina continuavam bloqueados. Eu deveria estar estudando os três nomes revelados pela menina. Em vez disso, tremia de cansaço. Dari
SeleneMirella abriu os olhos quando eu disse que ela era minha irmã, e desejei imediatamente poder recolher aquela palavra antes que se transformasse em outra promessa impossível.A câmara de manutenção cheirava a sangue, pedra molhada e prata queimada. O antídoto havia interrompido a propagação do veneno, mas a ferida abaixo das costelas continuava profunda. Mirella permanecia deitada sobre a mesa, com os cabelos espalhados como uma coroa destruída.— O que você disse? — perguntou, quase sem voz.Apertei a faixa limpa contra seu ferimento.— Disse para não morrer. Sua audição também foi atingida?Ela tentou sorrir, mas o movimento lhe arrancou uma careta.— Não foi isso.Nossos olhos se encontraram.Por um instante, vi a menina que Mirella talvez tivesse sido antes de aprender que a atenção dos poderosos precisava ser conquistada à custa de outra mulher.Depois recordei a crueldade de suas palavras no dia da minha rejeição.A ferida antiga não desapareceu.— Não vou repetir — respo
SeleneO sangue de Mirella atingiu minhas mãos antes que eu compreendesse que a espada havia atravessado seu corpo para não alcançar o meu.A Ponte Negra gemeu sob nossos pés. Rovan tentou arrancar a lâmina, mas agarrei seu pulso, sentindo a Voz despertar dentro da minha garganta como uma fera que finalmente encontrara o inimigo.— Solte.O comando atravessou a pedra.Os dedos dele se abriram involuntariamente. Darius surgiu ao meu lado e o atingiu com a lateral da espada, lançando-o contra uma coluna. Cassian avançou para impedir que os outros guerreiros se aproximassem, enquanto Lucan retirava Seraphine da trajetória das correntes.Eu só conseguia olhar para Mirella.Seu vestido, antes azul-escuro, estava encharcado de vermelho.— Sua idiota — murmurei, segurando-a quando seus joelhos cederam.Ela tentou sorrir.— Também estou encantada em ver você.Ajoelhei-me, acomodando sua cabeça sobre meu braço. A lâmina havia deixado uma abertura abaixo das costelas, onde a prata ritual queim
SeleneA primeira cabeça rolou sobre a Ponte Negra antes que eu tivesse tempo de perguntar a Darius se sua ferida estava sangrando novamente.O guerreiro caiu de joelhos, a armadura marcada pelo símbolo da Coroa Partida. Atrás dele, Cassian recolheu a espada com a precisão brutal de quem não desperdiçava movimentos nem misericórdia com homens dispostos a sacrificar uma menina.— Três à esquerda — avisou.Lucan surgiu das sombras, os olhos dourados incendiados.— Quatro. O último está escondido atrás da coluna.Observei a ponte suspensa sobre um abismo de água negra. Cristais azuis iluminavam as correntes que a sustentavam, enquanto raízes de prata ritual atravessavam a estrutura como serpentes adormecidas.Do outro lado, Mirella protegia uma garota de cabelos escuros.Seraphine.A menina mal conseguia ficar em pé.E entre nós havia doze guerreiros.— Entreguem a herdeira! — gritou o capitão Rovan.Mirella ergueu o queixo.Mesmo coberta de poeira, com o vestido rasgado e os cabelos de







