เข้าสู่ระบบAs luzes piscando cortavam o ambiente em flashes irregulares, enquanto o grave da música vibrava no peito como um segundo batimento. Os corpos se moviam sem pausa, risos se misturavam ao som alto, e o ar carregava perfume, álcool e calor.
No mezanino da área VIP, Clarisse observava tudo de cima, apoiada no corrimão, enquanto Isabella parecia perfeitamente integrada àquele caos controlado.
— E então? — Isabella inclinou o corpo na direção da amiga, com um sorriso farto nos lábios. — Está se divertindo?
Clarisse demorou um segundo antes de responder, os seus olhos ainda vagavam pela pista.
— Estou… — disse, sem muita convicção. — Só não é a mesma coisa.
Isabella arqueou uma sobrancelha.
— Saudade do Nicholas?
Clarisse assentiu, cruzando os braços de leve.
— Eu entendo que ele esteja fazendo essa viagem de negócios com o pai…mas, precisa levar tanto tempo? — respondeu soltando o ar devagar. — Eu não quero ser mesquinha… sabe… mas, cheguei a conclusão que, me acostumei com ele por perto.
Isabella a observou por um instante, como se ponderasse algo. Porém, antes que pudesse dizer qualquer coisa, uma presença surgiu ao lado delas.
Alto, loiro, com o tipo físico que chamava atenção sem esforço, o homem sorriu diretamente para Isabella.
— Posso roubar você por um tempo? — indagou o desconhecido, com os lábios rente aos ouvidos de Isabella, que estremeceu, aprovando a ousadia do sujeito.
— Hum… vejamos. — Isabella hesitou. E seus olhos encontraram imediatamente os de Clarisse.
— Não se preocupe comigo. —. Clarisse sorriu de leve, assentindo. — Vai lá. Eu vou ficar bem!
Ainda assim, Isabella sustentou o olhar por mais um segundo, como se quisesse ter certeza. Então suspirou, rendendo-se.
— Beleza. — exclamou Isabella — Mas, não me faça me arrepender. — provocou o seu par, que sorriu ladino levando-a consigo.
Clarisse observou enquanto a amiga se afastava com o desconhecido, misturando-se à multidão. O som parecia mais alto agora, ou talvez fosse só o silêncio que ficou.
— É… — Clarisse murmurou para si mesma, retirando o celular da bolsa para checar pela décima vez naquela noite. — Nenhuma mensagem.
Em sua mente, vagavam algumas incertezas. E esse silêncio de Nicholas, alimentava cada vez mais esses conflitos.
Clarisse suspirou, ingrata com a situação. A noite estava perfeita, não havia motivos para reclamação. Contudo, algo estava fora do lugar, ela só não conseguia entender — o que exatamente.
Alguns minutos se passaram antes que Clarisse decidisse se afastar da área VIP. O caminho até o corredor lateral que dava acesso aos banheiros era estreito, mas rápido.
Até que, de repente, o som diminuiu. O contraste foi imediato.
Ali, longe da pista, o silêncio parecia quase estranho.
Poucas pessoas passavam. Quase ninguém parava. Clarisse hesitou por alguns segundos, talvez, devesse ter descido as escadas, mas, não fazia sentido. Então, resolveu ignorar aquele sentimento angustiante.
Decidida, seguiu o caminho que traçava original, com os seus passos ecoando mais do que deveriam.
Foi quando sentiu.
Uma presença próxima demais. Com o hálito raspando em seu pescoço.
— Ei… — a voz veio baixa, arrastada.
Clarisse sobressaltou, virando o rosto o suficiente para contemplar o dono da voz rente a sua pele.
Alto e musculoso.
A sua postura evidenciou os seus atributos físicos. Os fios castanhos caindo de forma descuidada sobre a testa, atribuíam um visual despojado, atraente para algumas mulheres.
— Sozinha? — indagou com um sorriso estranho. Um tipo de sorriso que não alcançava os olhos.
Clarisse negou, movendo a cabeça e automaticamente, o seu corpo reagiu. Dando um passo para o lado.
— Só de passagem. — Clarisse tentou seguir, mas a mão dele fechou levemente em seu braço.
Forte o suficiente para mantê-la no lugar.
— Calma… — ele murmurou, aproximando-se mais. — Nós nem começamos e você já quer fugir?
Clarisse puxou o braço, porém em vão, o desconforto agora era maior.
O seu coração acelerado pareceu ganhar ainda mais velocidade.
— Eu disse que estou só de passagem. — Clarisse o encarou, com coragem, rebatendo entredentes.
A diferença de altura e muscular era óbvia. Mas isso não a intimidou. Porém, essa reação agradou o homem à sua frente.
— Não deveria reagir assim. — ele sorriu, aprofundando o rosto em seu pescoço — Só me deixa mais animado. — sorriu, comprimindo o corpo de Clarisse contra a parede.
Ao redor não havia ninguém e mesmo que ela se debatesse, não iria adiantar.
Contudo, este não seria o fim, Clarisse pensou.
Reunindo forças, o empurrou com a mão livre.
“Plaft”
O barulho ecoou por todo o corredor.
A força impregnada no tapa foi tão forte, surpreendo ambos. Clarisse que encarava o homem à sua frente com coragem, viu os seus olhos ganharem um tom mais escuro. — quase feroz — era o seu fim. Clarisse concluiu.
Porém, ela não iria hesitar.
Clarisse manteve o olhar, aguardando o que viria a seguir.
— Sua… — o homem retrucou erguendo o punho em sua direção.
O tempo pareceu parar.
Clarisse prendeu a respiração.
Dor. Ela chegará! — Clarisse concluiu.
Até que — não houve nada.
— Parece que a garota não está interessada!
Uma voz solene surgiu, antes mesmo que seu algoz pudesse terminar.
Atônitos, ambos encaravam a silhueta que surgia.
Grave.
Firme.
Impossível de ignorar.
Parado a alguns passos de distância, a pessoa que surgia, era alto e elegante o suficiente para passar despercebido. A presença dele preenchia o espaço sem esforço, como se o próprio ar ao redor se ajustasse.
Após um silêncio curte, ambos os homens se encararam. E então, o homem à sua frente, recuou e soltou o seu braço devagar.
Mas não foi apenas recuo — foi reação. O sorriso frouxo desapareceu, substituído por algo mais tenso, quase instintivo. Seus ombros enrijeceram, e por um breve segundo, o olhar vacilou… como se tivesse reconhecido exatamente quem estava diante dele.
Havia medo ali.
Cru e imediato.
— Não é nada disso que o senhor está pensando… nós só estávamos conversando — disse, mas a voz já não carregava a mesma segurança.
— Nesse caso… você deveria escolher por alguém que queira conversar com você.
A resposta veio no mesmo tom — controlado, mas com um peso que não deixava espaço para discussão.
Dessa vez, o homem não retrucou.
Muito menos, insistiu.
Apenas assentiu uma vez, seco, desviando o olhar antes mesmo de se afastar. Saiu rápido demais para alguém que, segundos atrás, parecia tão confiante.
Clarisse percebeu a mudança, mas não compreendeu.
Seu foco já havia se deslocado.
Para o outro homem.
Os olhos eram azuis, profundos, difíceis de sustentar por muito tempo, como se escondem mais do que revelavam. Havia algo neles… misterioso, quase impenetrável.
A barba bem marcada contornava o rosto com precisão, destacando a linha firme do maxilar. Sob ela, ainda assim, era possível notar traços elegantes demais para passarem despercebidos — harmoniosos, quase refinados.
Quando ele falou novamente, por um breve instante, a luz lateral captou o contorno de um sorriso mínimo.
Discreto.
E ali, rápido demais para ser certeiro, Clarisse notou o brilho sutil dos seus caninos.
Por um segundo, o silêncio pairou.
Clarisse permaneceu imóvel por um instante, com o coração ainda acelerado.
Sem perceber, prendeu a respiração.
E só soltou quando percebeu que não estava mais sozinha.
Cinco anos depois...O sol da Toscana derramava-se preguiçosamente sobre os extensos campos de lavanda, banhando a paisagem com uma luz dourada que parecia suspender o tempo. A brisa atravessava as fileiras de flores em movimentos suaves, carregando consigo um perfume delicado que invadia cada canto da propriedade. Ao longe, as colinas desenhavam um horizonte sereno, coberto por vinhedos, oliveiras centenárias e antigas construções de pedra que pareciam guardar séculos de histórias. Clarisse permanecia imóvel sobre a varanda, apoiando delicadamente as mãos no corrimão de ferro trabalhado enquanto observava a cena diante de si. Ainda existiam dias em que precisava lembrar a si mesma que aquela era, de fato, a sua realidade.Poucos metros adiante, o pequeno Lorenzo corria livremente entre os campos, gargalhando enquanto tentava alcançar dezenas de borboletas que insistiam em escapar de suas pequenas mãos. Os cabelos claros balançavam ao sabor do vento, e os olhos azuis, exatamente iguais
Os dias que se seguiram foram dedicados à recuperação, mas também ao florescimento silencioso de um amor que, durante tanto tempo, precisou existir entre sombras. A violência daquela noite na cabana ainda permanecia gravada em ambos. Havia cicatrizes visíveis, como a perna engessada de Alfonso e os hematomas que lentamente desapareciam da pele de Clarisse, e outras muito mais profundas, invisíveis aos olhos, que somente o tempo seria capaz de amenizar. Ainda assim, pela primeira vez desde que seus caminhos se cruzaram, eles não precisavam lutar contra o mundo para permanecer juntos. A mansão, que durante tantos anos servira como palco de segredos, perdas e lembranças dolorosas, transformou-se lentamente em um lugar diferente. Os corredores antes silenciosos passaram a guardar risos discretos, conversas demoradas e pequenos gestos de carinho que nenhum dos dois imaginava um dia viver.Com a perna imobilizada, Alfonso viu-se obrigado a desacelerar pela primeira vez em muitos anos. Acostu
Alfonso retornou à mansão com a sensação de que algo estava errado. O silêncio era pesado, e a ausência de Arthur na porta de entrada era um mau pressentimento. Ao adentrar o hall, a cena o atingiu como um soco: Arthur e os seguranças caídos, inconscientes. A raiva, fria e calculista, começou a ferver em suas veias. Ele sabia. Ele sabia que Nicholas havia feito isso.Alfonso correu para os aposentos de Clarisse, o coração martelando contra as costelas. O quarto estava vazio, o roupão de seda jogado sobre a cama, um rastro de desordem que confirmava os seus piores medos. Ele sentiu um desespero que nunca havia experimentado antes. Clarisse estava em perigo, e a culpa o corroía. Ele a havia deixado sozinha, vulnerável, e agora ela estava nas mãos de um louco.Ele chamou Arthur, que começava a recobrar a consciência. — Onde ele a levou? — A voz de Alfonso era um rosnado, carregada de uma fúria que Arthur nunca havia ouvido.Arthur, com a cabeça latejando, tentou se levantar. — Senhor... N
Os dias que se seguiram foram um turbilhão de paixão e descoberta. Clarisse permaneceu na mansão de Alfonso, isolada do mundo exterior, imersa em uma bolha de desejo e luxo. Eles passavam horas na cama, explorando os corpos um do outro, a atração entre eles queimando como um fogo inextinguível.Alfonso era um amante intenso, exigente, mas também surpreendentemente terno. Ele a tratava como uma rainha, satisfazendo todos os seus desejos, protegendo-a do escândalo que a sua fuga havia causado na cidade. Clarisse, por sua vez, sentia-se viva, desejada, livre. A culpa por ter abandonado Nicholas havia desaparecido, substituída por uma certeza inabalável de que ela havia feito a escolha certa.No entanto, a sombra da dívida de Gabriel ainda pairava sobre ela. Uma tarde, enquanto descansavam após fazerem amor, Clarisse tocou no assunto.— Alfonso... e o Gabriel? A dívida dele...Alfonso acariciou os cabelos dela, os olhos azuis fixos no teto. — A dívida está paga, Clarisse. Eu a perdoei no m
A noite anterior ao casamento arrastava-se como um pesadelo interminável. Clarisse estava sentada no chão do seu quarto, as pernas encolhidas contra o peito, o vestido de noiva pendurado no armário como um fantasma a assombrá-la. O hematoma em seu rosto, embora disfarçado por maquiagem, latejava a cada batida do seu coração. As palavras de Alfonso ecoavam em sua mente: "A sua liberdade está a um passo de distância."Mas ela não fora. O medo, a culpa e a promessa vazia de Nicholas a haviam prendido. O relógio marcou meia-noite, e com ele, a certeza de que o jato de Alfonso havia partido sem ela. A gaiola de ouro estava trancada, e ela havia jogado a chave fora.O dia do casamento amanheceu cinzento. Clarisse moveu-se no automático, permitindo que Isabella e Carol a arrumassem. Ela não sentia nada. Nem alegria, nem tristeza. Apenas um vazio profundo e anestesiante.Quando as portas da igreja se abriram, a marcha nupcial soou como uma marcha fúnebre. Nicholas a esperava no altar, o sorris
Os dias seguintes foram um borrão de dor e isolamento para Clarisse. O hematoma em seu rosto era um lembrete constante da violência de Nicholas, e a vergonha a impedia de sair de casa. Ela inventava desculpas para Isabella, para a escola, para o mundo. Apenas Gabriel, que a visitava diariamente, sabia a verdade, e a sua culpa era palpável.Clarisse se escondia em seu quarto, as cortinas fechadas, o mundo exterior reduzido a um sussurro distante. Ela se sentia presa, encurralada entre a violência de Nicholas e a chantagem de Alfonso. Não havia saída, não havia para onde correr. O casamento se aproximava, e a ideia de se casar com o homem que a agredira, que a humilhara, era um pesadelo que ela não conseguia escapar.Uma tarde, enquanto Clarisse estava encolhida no sofá, um som suave na porta a fez sobressaltar. Era Arthur. Ele segurava uma pequena cesta, com um sorriso discreto nos lábios. — Senhorita Grigio. O senhor Albuquerque pediu que eu lhe entregasse isso. — Arthur concluiu, este







