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CAPÍTULO 5

ผู้เขียน: Zoe Fernández
last update วันที่เผยแพร่: 2024-08-30 10:39:10

Por um segundo, o silêncio pairou.

Clarisse permaneceu imóvel por um instante, com o coração ainda acelerado. 

Sem perceber, prendeu a respiração.

Então, percebeu que ele ia embora quando o som dos passos dele começou a se afastar.

Foi quase automático.

Os dedos dela se fecharam na manga do casaco escuro, interrompendo o movimento do seu salvador, antes que pudesse pensar melhor.

— Espera… por favor!

A voz saiu mais baixa do que pretendia.

Ele parou.

Não de imediato — houve um pequeno intervalo, como se tivesse considerado ignorar. Mas então, lentamente, virou o rosto por sobre o ombro.

Os olhos azuis a encontraram outra vez.

Mesmo de longe, continuam intensos. Não era apenas a cor — era a forma como ele olhava. Direto demais. Como se não estivesse apenas vendo, mas avaliando-a.

Então, Clarisse soltou a manga, quase no mesmo instante, como se tivesse percebido a ousadia do gesto.

— Eu… — Clarisse respirou fundo, tentando se recompor — Obrigada. Pelo que você fez por mim.

O silêncio que veio em seguida não era confortável.

Ele a encarou por um segundo a mais do que o necessário, descendo o olhar por ela de forma breve. Sem pressa.

O casaco azul-escuro contrastava com o resto da roupa simples. Calça preta, cinto e coturnos. Nada chamativo. Nada do tipo que ela esperaria de alguém, como ele. 

Apesar de ser simples e casual, ainda assim, havia um cuidado ali. No caimento. Na postura. Na forma como a barba contornava o maxilar com precisão quase irritante.

Quando ele voltou a encará-la, o canto da boca ergueu-se de leve.

— Eu te salvei, isto é fato. — ele cuspiu as palavras — Porém, não se iluda.

A resposta veio seca. Sem pressa. Sem emoção.

Clarisse franziu o cenho, surpresa. Ele havia acabado de salvá-la, mas agora assumia uma postura ríspida. Era impossível que tivesse se enganado no seu julgamento.

— Como assim? — questionou confusa. 

— Eu te tirei daquela situação. — ele deu um passo mais próximo, o suficiente para que a diferença de altura se impusesse outra vez — Mas, isso não faz de mim um cavalheiro.

O tom era baixo. Controlado. E ainda assim, carregado de algo que ela não soube nomear.

— Então… por quê…?

Ele soltou um leve sopro pelo nariz, quase um riso sem humor.

— Interesse.

A palavra caiu entre os dois como algo proposital.

Clarisse piscou, claramente desconcertada.

Por um instante, pensou que ele estivesse provocando. Ou pior — tentando intimidá-la de um jeito estranho.

Ainda assim, Clarisse sustentou o olhar.

— Independente disso… — insistiu, um pouco mais firme — Eu continuo sendo grata a você pelo que fez. Caso contrário…

Isso pareceu diverti-lo.

Não de forma aberta. Mas havia algo ali — um brilho breve nos olhos.

— Grata… — repetiu, quase saboreando a palavra — Isso é perigoso!

Ele inclinou levemente a cabeça, observando-a como se estivesse diante de algo curioso.

Por um instante, o olhar dele percorreu cada detalhe com precisão quase clínica. As pernas pálidas expostas sob a luz irregular, a cintura pequena que se perdia no contorno do quadril largo, o desenho equilibrado dos seios sob o tecido, os lábios naturalmente avermelhados. A franja suave roçando os cílios criava sombras que a tornavam perigosamente tentadora — quase um convite silencioso. 

Quando os olhos dele voltaram aos dela, não houve disfarce. Clarisse sentiu. O peso daquele olhar altivo, examinando-a sem pressa, como se já tivesse decidido algo.

— Talvez… em outro contexto… — continuou, a voz mais baixa, mais próxima — Fosse eu quem estaria te encurralando naquele corredor.

O ar pareceu falhar por um segundo.

— Mas lhe garanto. — ele fez uma pausa, só para ter certeza que Clarisse havia entendido o tom da insinuação — Você quem estaria implorando para continuar.

Clarisse não respondeu de imediato.

Havia algo errado naquela frase. No jeito como foi dita. Mas, ao mesmo tempo… não soava exatamente como uma ameaça.

Era pior.

Era ambíguo.

— Você tem um jeito estranho de conversar. — Clarisse retrucou, tentando recuperar algum controle — Isso costuma funcionar?

— Depende — ele deu de ombros, displicente — Você ainda está aqui.

Clarisse abriu a boca, mas não encontrou nenhuma resposta.

Um segundo de silêncio se estendeu entre os dois, carregado demais para ser ignorado.

— A propósito… como você se chama? — perguntou, por fim, mais direta. Queria encerrar de vez a conversa, mas, precisava saber ao menos o seu nome. O motivo, nem mesmo ela compreendia.

Dessa vez, ele não respondeu imediatamente.

Os olhos a percorreram outra vez, mais devagar. Como se estivesse decidindo alguma coisa.

Então, o sorriso veio.

Enigmático.

Lascivo.

Por um instante rápido demais para ser confortável, os caninos refletiram a luz lateral de forma sutil. — é um belo sorriso, Clarisse pensou.

— Miguel.

Simples assim.

Sem esforço. Sem hesitação.

Clarisse assentiu devagar, absorvendo.

Motivada a agradecer uma última vez e seguir o seu caminho, Clarisse deu um passo à frente, talvez para encurtar a distância, talvez sem perceber.

E então, o chão pareceu ceder.

Ou talvez tenha sido o corpo.

Um leve desequilíbrio, súbito. A cabeça girou, o som da festa voltando distante demais, como se estivesse debaixo d’água.

— Ei. — Miguel exclamou. 

Antes que pudesse reagir, o mundo inclinou.

Mas ela não chegou a cair.

A mão dele a segurou com firmeza pela cintura, puxando-a de volta com precisão, como se já estivesse esperando por aquilo.

O impacto foi mínimo.

Mas o efeito, não.

Por um segundo, ficaram próximos demais.

O corpo de Clarisse contra o de Miguel. A respiração ainda estava descompassada. O cheiro dele invadiu as suas narinas. — almiscarado, Clarisse concluiu.

Os olhos azuis estavam ali outra vez.

Perto demais.

Atentos demais.

E agora, havia algo diferente neles.

Algo que não estava ali antes.

— Cuidado! — Miguel murmurou, baixo, quase inaudível, estalando a língua em seguida.

A sua mão permaneceu firme na cintura de Clarisse, por mais tempo do que o necessário. A situação o agradou. — o suficiente para que ele pensasse.

Deveria soltá-la. Deixá-la no chão e seguir o próprio caminho como havia planejado desde o início.

Seria o mais lógico. E simples. Mas, por algum motivo, ele não o fez.

Pelo contrário, ajustou levemente o corpo de Clarisse contra o seu, sustentando o peso com naturalidade.

Assumindo-a. Como se fosse algo habitual.

— Tsc…

O som baixo escapou entre os dentes, quase impaciente consigo mesmo.

Passos se aproximaram.

Rápidos e firmes.

— Já está resolvido. — a voz surgiu antes mesmo da figura aparecer por completo — O sujeito não vai incomodar mais. E as filmagens foram apagadas.

Arthur surgiu no corredor com postura impecável, mas a frase morreu pela metade quando os seus olhos se depararam com o cenário à sua frente.

Havia uma mulher dormindo em seus braços.

O silêncio foi breve e pesado.

Porém, Arthur não disse nada.

Nem mesmo perguntou.

Mas o leve tensionar da mandíbula denunciou o impacto.

Arthur apenas desviou o olhar por um instante — profissional o suficiente para guardar qualquer reação. 

— Senhor…

A palavra veio baixa, com cautela.

Mas não houve resposta imediata.

Miguel se ergueu completamente, ajustando Clarisse nos braços com facilidade, como se o peso dela fosse irrelevante.

E direcionou o olhar a Arthur — frio e direto.

— Encontre a acompanhante dela.

A ordem veio sem espaço para questionamento.

— Ela é loira, alta, com um andar elegante. Estava na área VIP.

Uma breve pausa.

— E cuide para que isso não vire um problema.

O tom baixou um pouco mais.

Perigoso. Quase ameaçador.

— Não quero nenhum tipo de escândalo na minha boate.

Arthur assentiu no mesmo instante.

— Considere feito, senhor Alfonso.

Sem mais palavras, ele se virou e partiu pelo mesmo corredor, desaparecendo com a mesma eficiência com que havia surgido.

O silêncio voltou.

Dessa vez, mais denso.

Mais fechado.

Alfonso desviou o olhar lentamente para a mulher em seus braços.

Os traços relaxados agora pareciam diferentes.

— Vulnerável e problemática. — Alfonso murmurou, rindo de si mesmo.

Por um instante, ele apenas a observou.

Como se avaliasse uma variável fora do controle.

Algo que não deveria estar ali.

Mas estava.

E agora, era responsabilidade dele.

Os olhos azuis se estreitaram levemente.

Calculando o que fazer com ela a partir dali.

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