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CAPÍTULO 4

ผู้เขียน: Abóbora
Ponto de vista de Georgia

Na manhã da minha partida, a casa estava mais animada do que de costume.

Lily havia instalado uma câmera em um dos cantos da sala de estar. No instante em que me viu arrastando minha mala, virou-se e bloqueou a lente.

— Você não pode olhar.

Parei.

— Por quê?

— Vai descobrir hoje à noite.

Ela me lançou um sorriso misterioso.

— Preparei uma surpresa enorme.

Mamãe saiu da cozinha com um prato de muffins recém-assados e colocou um deles na minha frente.

— Experimente. Você ainda não comeu nada hoje.

Seus olhos percorreram meu rosto, como se estivesse verificando se eu ainda me sentia mal.

— Suas costas ainda estão doendo?

— Não.

Balancei a cabeça.

— Mantenha a região seca e não faça exercícios intensos. A bruxa disse que você precisa dar pelo menos uma semana para a nova tatuagem cicatrizar.

Mamãe parecia genuinamente preocupada.

Então, virou-se para Lily.

— Não volte a aborrecer sua irmã.

Lily fez um gesto de desdém com a mão.

— Ah, por favor. Ela não é tão frágil assim. Dê dois dias e estará ótima.

Mamãe lançou um olhar para Lily, aparentemente discordando.

No fim, apenas murmurou:

— Georgia sempre foi mais resistente do que você.

Aquilo soava como um elogio.

Mas, naquela família, geralmente significava que esperavam que eu suportasse mais do que os outros.

Papai estava sentado no sofá, lendo o jornal. Ele se intrometeu casualmente:

— Quando era pequena, ela vivia dizendo que ia embora de casa. Logo depois do primeiro despertar, chegou a dizer que iria viver como uma renegada.

Ele soltou uma risadinha.

— Mas acabou ficando com fome quando chegou à fronteira do território e voltou para casa andando naquela mesma noite.

Ethan estava encostado na mesa de jantar, segurando uma xícara de café.

Ao ouvir aquilo, começou a rir.

— Continua igualzinha. Para onde ela poderia ir?

Eles nem sequer se preocupavam em abaixar a voz.

Na cabeça deles, eu estava apenas fazendo mais um daqueles meus dramas inofensivos.

Mamãe finalmente percebeu a mala perto da entrada.

— Você vai se mudar para a casa de Ethan hoje?

Lily arregalou os olhos, fingindo surpresa.

— Já? Georgia, você não estava brava com Ethan?

Os lábios de Ethan imediatamente se curvaram em um sorriso.

— Devia ter me avisado. Achei que você realmente fosse aceitar aquele emprego na Alcateia Northridge.

Ele se aproximou e estendeu a mão para pegar minha mala.

Eu o impedi.

— Posso carregá-la sozinha.

Sua mão parou no ar, e suas sobrancelhas se franziram.

— Ainda está brava?

— Não preciso da sua ajuda.

— Está bem, tanto faz.

Ele recolheu a mão, e uma ponta de irritação surgiu em sua voz.

— Você é sempre assim. Quer que eu fique consolando você, mas age como se não se importasse.

Não respondi.

Mamãe imediatamente tentou amenizar a situação.

— Ethan só está preocupado com você. É normal ficar mais emotiva antes da cerimônia de união. Não o afaste quando ele está tentando cuidar de você.

Ela me entregou uma sacola de papel.

— Tem analgésicos e uma pomada cicatrizante aí dentro. Se suas costas começarem a arder novamente esta noite, tome o remédio e passe a pomada.

Peguei a sacola.

— Obrigada, mãe.

Ela hesitou, aparentemente surpresa por eu ter agradecido.

Coloquei a sacola sobre minha mala e fui até a cozinha.

Havia uma fotografia antiga presa à geladeira.

Era uma foto da família tirada no dia em que a loba de Lily despertou, quando ela completou dezoito anos.

Em um dos cantos, havia um desenho ainda mais antigo.

Nele, apareciam apenas papai, mamãe e Lily quando era pequena.

Mais tarde, alguém havia acrescentado uma figurinha minúscula bem na extremidade do papel, usando um giz de cera azul.

Eu mesma havia feito aquele desenho quando tinha cinco anos, logo depois de voltar da casa da vovó.

Na época, mamãe me perguntou:

— Por que você se desenhou tão pequenininha, escondida lá no cantinho?

Naquele momento, eu não soube responder.

Agora, finalmente sabia.

Instintivamente, eu havia me colocado no pequeno espaço que eles tinham deixado para mim.

Terminei de beber minha água e caminhei em direção à porta.

Lily correu atrás de mim e gritou da entrada:

— Não se esqueça de voltar até as seis! Preparei uma surpresa incrível para você!

Papai ergueu os olhos e a advertiu:

— Não exagere.

— Só tem graça se ela chorar — respondeu Lily, rindo.

Pouco antes de a porta se fechar, ouvi a voz de Ethan:

— Não se preocupem. Ela vai voltar.

Fiquei parada do lado de fora e apertei o botão do elevador.

Ele tinha razão.

A Georgia de antes realmente não teria vontade de ir embora.

Eu não conseguia abrir mão das pequenas demonstrações de carinho dos meus pais, como a pomada que haviam comprado para mim e o fato de mamãe se lembrar das minhas comidas favoritas.

Eu me agarrava à lembrança de papai montando guarda do lado de fora do meu quarto quando fiquei fraca depois da minha primeira transformação durante a fase lunar.

E também não conseguia suportar a ideia de me afastar de Ethan, que havia permanecido ao meu lado durante cinco anos.

Eles não eram cruéis comigo o tempo todo.

Por isso, eu continuava justificando suas atitudes.

Mamãe apenas se preocupava mais com Lily.

Papai simplesmente acreditava que eu era forte o suficiente para suportar qualquer coisa.

Lily só gostava de fazer brincadeiras.

E Ethan apenas queria que eu me desse bem com minha irmã.

Eu havia inventado desculpas para cada um deles.

Mas, a partir daquele dia, não iria mais me desdobrar para agradar ninguém.

Um sedã preto estava esperando no andar de baixo.

O motorista enviado pela Alcateia Northridge abriu o porta-malas e guardou minha mala.

Meu celular não parava de vibrar com mensagens dos meus novos colegas de trabalho.

[Seu escritório já está pronto.]

Vamos organizar um jantar de boas-vindas para você esta noite, no maior restaurante da alcateia.

Bem-vinda a Northridge, senhorita Cornwell.

Respondi:

[Obrigada. Estou ansiosa para começar.]

Quando o carro começou a se afastar do bairro, mamãe me enviou uma mensagem.

[Avise quando chegar à casa de Ethan. E não se esqueça de passar a pomada cicatrizante.]

Alguns minutos depois, Lily também mandou uma mensagem.

Volte hoje à noite. Minha surpresa está esperando por você.

Fiquei olhando para as duas mensagens sem responder.

Quando estávamos nos aproximando da fronteira do território da Alcateia Northridge, Ethan finalmente ligou.

Deslizei o dedo pela tela para atender.

Havia muito barulho e confusão ao fundo.

Consegui ouvir Lily perguntando a ele se deveria esconder a câmera perto da lareira ou atrás da porta da sala de jantar.

— Onde você se meteu? — perguntou Ethan, com a voz carregada de irritação. — Pare com essa encenação. Está na hora de voltar.

— Eu tinha algo para resolver — respondi.

Ele soltou uma risada debochada.

— Está bem, já chega dessa palhaçada. Lily passou o dia inteiro preparando isso. Ela vai ficar arrasada se você não aparecer.

Mesmo naquele momento, a única preocupação dele era não decepcionar Lily.

Permaneci em silêncio por alguns segundos antes de dizer suavemente:

— Ethan.

— O quê?

— Eu não vou voltar. Acabou entre nós.

Do outro lado da linha, o silêncio foi absoluto.

Antes que ele pudesse responder, desliguei.

Em seguida, bloqueei seu número, suas contas nas redes sociais e todos os outros canais privados pelos quais ele poderia entrar em contato comigo.

Do lado de fora da janela, as luzes da cidade foram gradualmente dando lugar às florestas escuras do interior.

Ao longe, uma lua cheia surgia acima das copas das árvores.

Nas profundezas do meu ser, Nyx abriu os olhos.

— Finalmente estamos indo embora.

— Sim — respondi mentalmente.

— Você sente falta deles? — perguntou Nyx.

Observei o bairro ficar cada vez menor pelo espelho retrovisor.

— Sinto. Mas sentir falta deles não é motivo para ficar.

O carro atravessou a fronteira do território da Alcateia Northridge.

Desliguei meu celular e rompi o vínculo de sangue que me unia à minha família.

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