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Capítulo 2

Penulis: Srta. Oliveira
last update Tanggal publikasi: 2026-03-05 03:55:29

Capítulo 2

Narrado por Ariella

O endereço no cartão me levou para um bairro que eu só conhecia de novelas.

Ruas largas, árvores centenárias e mansões escondidas atrás de portões enormes. Desci do ônibus e olhei em volta, sentindo cada fio do meu cabelo fora do lugar naquele cenário.

Minha calça jeans era a mesma de sempre. A blusa branca, a melhor que eu tinha, estava um pouco gasta no punho. A mochila nas costas parecia ainda mais velha ali.

— Tem certeza que é aqui? — perguntei ao motorista.

Ele já fechava a porta.

— É o ponto final, mocinha. Se não é aqui, não sei onde é.

Respirei fundo e conferi o número no cartão.

Era ali mesmo.

A mansão à minha frente tinha pilares de pedra, um jardim impecável e uma fonte no meio da entrada. Parecia mais um hotel de luxo do que uma casa.

Apertei o interfone.

— Residência D'Montenegro. Em que posso ajudar? — disse uma voz feminina.

— Vim ver o doutor Moretti. Ariella.

— Um momento.

O portão se abriu com um zumbido elétrico.

Entrei.

A mulher que abriu a porta da mansão era alta, de cabelos grisalhos presos num coque perfeito.

— Senhorita Ariella? Sou a senhora Rossetti, governanta da casa. Por aqui, por favor.

Ela me avaliou rapidamente antes de se virar e caminhar pelo corredor.

O piso de mármore brilhava sob meus pés. Lustres enormes pendiam do teto. Quadros antigos cobriam as paredes.

Tudo ali parecia caro demais.

A governanta parou diante de uma porta de madeira escura.

— O doutor Moretti a aguarda.

Ela abriu a porta.

Entrei.

O escritório era amplo, com paredes cobertas de livros e uma lareira acesa num canto.

Mas eu mal reparei nisso.

Meus olhos foram direto para o homem sentado atrás da mesa.

Não era Moretti.

Moretti estava ali, sim, parado ao lado com uma pasta nas mãos.

Mas quem dominava a sala era o homem na cadeira principal.

Cabelos escuros. Olhos cinzentos frios. Um terno impecável que parecia ter sido feito sob medida.

Ele me observava.

Devagar.

Dos meus tênis gastos até o meu cabelo desalinhado.

Bonito.

Irritantemente bonito.

— Sente-se — disse.

Não era um pedido.

Não sentei.

— Quem é você?

Moretti se apressou em falar.

— Senhorita Ariella, este é Alessandro D'Montenegro. Foi ele quem pediu que eu a contatasse.

O nome ecoou na minha cabeça.

D'Montenegro.

O empresário que aparecia em revistas e notícias financeiras.

Olhei novamente para ele.

— O que você quer comigo?

Ele inclinou levemente a cabeça.

— Direta. Gosto disso. Sente-se, por favor.

Dessa vez sentei na ponta da cadeira.

— Vou ser direto também — disse ele, entrelaçando os dedos sobre a mesa. — Preciso de uma esposa. Você precisa de dinheiro. Acho que podemos ajudar um ao outro.

Pisquei.

— Desculpa?

Moretti colocou uma pasta sobre a mesa e a abriu.

— Senhorita Ariella, o senhor D'Montenegro está enfrentando uma batalha judicial pela guarda da filha, Sofia. Para provar ao tribunal que pode oferecer um ambiente familiar estável, ele precisa... de uma esposa.

Olhei para Alessandro.

— Por que eu?

A resposta veio fria.

— Porque você é exatamente o que o tribunal quer ver. Jovem, sem antecedentes, dedicada à família.

Um arrepio percorreu minhas costas.

— Você investigou minha vida.

— Fiz o necessário.

Ele continuou:

— Também sei que seus irmãos precisam de um tratamento caro. Um tratamento que você não pode pagar.

A verdade doeu.

— O que você está oferecendo?

Moretti deslizou um documento na minha direção.

— Um contrato de casamento. Três anos. Você morará aqui e assumirá o papel de minha esposa e madrasta de Sofia. Em troca, eu pago o tratamento completo de seus irmãos.

Meu coração acelerou.

— E o que mais?

Uma sobrancelha dele se ergueu.

— Mais?

— Ninguém oferece algo assim sem condições escondidas.

Ele respondeu imediatamente:

— Não quero nada além do acordo. Este casamento é apenas um contrato.

Soltei o ar devagar.

— Então também vou ser clara.

Inclinei o corpo para frente.

— Não vou abaixar a cabeça para você. Vou cuidar da Sofia porque ela é uma criança, não porque você mandou. E não espere submissão.

O silêncio tomou conta da sala.

Alessandro me observou por alguns segundos.

Então um canto da boca dele se curvou levemente.

— Combinado.

Não esperava que ele concordasse tão rápido.

Moretti empurrou os documentos para mais perto.

— Precisamos assinar hoje. O casamento será realizado em três dias.

Três dias.

Segurei a caneta.

— Meus irmãos vão receber o tratamento?

— O melhor que existe — respondeu Alessandro.

Assinei.

Quando levantei os olhos, ele me observava de novo.

— Se você quebrar qualquer promessa — falei — eu vou embora.

Ele sustentou meu olhar.

— Entendido.

Quando saí do escritório, quase esbarrei em alguém no corredor.

Uma menina.

Cabelos cacheados escuros e olhos cinzentos iguais aos do pai. Ela segurava uma boneca contra o peito.

— Quem é você? — perguntou.

Me ajoelhei para ficar na altura dela.

— Meu nome é Ariella. Você deve ser a Sofia.

Ela apertou a boneca.

— Lina — disse, apontando para a boneca.

— Prazer, Lina.

Sofia me observou com atenção.

— Você vai casar com meu pai?

— Vou.

— Por quê?

Sorri de leve.

— Porque nós dois precisamos de ajuda.

Ela me analisou em silêncio.

— Você parece cansada.

Quase ri.

— Tô mesmo.

Ela deu de ombros.

— Minha mãe também era cansada.

Meu peito apertou.

— Sinto muito, Sofia.

Ela não respondeu. Apenas virou as costas e saiu andando pelo corredor.

Fiquei ali por um momento.

Sentindo que tinha acabado de mudar minha vida.

Três dias depois, eu estava diante de Alessandro D'Montenegro em um cartório.

Vestido branco simples.

Cachos arrumados às pressas.

Ele vestia um terno escuro perfeito.

A juíza leu os votos.

— Aceita se casar com Alessandro D'Montenegro?

— Sim.

— Senhor D'Montenegro?

— Sim.

Quinze minutos depois, estávamos oficialmente casados.

Na saída, flashes explodiram ao nosso redor.

A mão dele pousou nas minhas costas.

— Sorria — murmurou.

— Estou sorrindo.

— Parece que está com raiva.

— Porque estou.

Ele quase riu.

Dentro do carro, Sofia observava tudo em silêncio no banco de trás.

— E agora? — perguntei.

Alessandro respondeu sem tirar os olhos do celular.

— Agora você mora comigo.

— E nós dois?

Ele finalmente levantou o olhar.

— Nós dois não somos nada. Apenas dois estranhos dividindo o mesmo teto.

Sorri.

— Ótimo. Assim fica mais fácil.

No retrovisor, vi Sofia nos observando.

E pela primeira vez desde que a conheci, ela sorriu.

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