تسجيل الدخول— Anna, hoje em dia já nem sei direito se estou vivendo um sonho ou se tudo isso é real. — Suspirou ele. — Há algum tempo, Lorena me perguntou por que eu tinha decidido, de uma hora para outra, refazer o caminho que Theo percorreu.— E você também não me contou o motivo, não foi?Anna pensou que, finalmente, ele fosse revelar a razão, mas Isaac não disse nada.Apenas sorriu, com o olhar perdido na distância, como se esperasse ver um jipe off-road surgir a qualquer instante naquela estrada que acompanhava o contorno do mar, avançando em alta velocidade.Lorena ficou naquele vilarejo por seis dias.Todos os dias, ela acompanhava seu orientador nas visitas aos moradores mais idosos, ouvia suas histórias e aprendia com eles sobre a tradição e os rituais da dança local. Também observava seus passos e lhes apresentava a própria dança.Como Theo havia escrito naquela mensagem, aquele lugar realmente fazia a gente se esquecer do mundo lá fora.Mas Lorena não podia ficar para sempre naquele vil
Naquele momento, Isaac sustentou o olhar de Lorena e permaneceu em silêncio por um longo instante.Lorena assentiu.— Então, parece que você também não sabe.— Não, eu sei. — Apressou-se em responder Isaac.Lorena, então, esperou que ele continuasse.— Eu sei que ele não tinha namorada. — Isaac baixou a cabeça e deixou escapar uma risada discreta. Quando voltou a erguer o rosto, seu sorriso escondia algo difícil de decifrar. — Mas eu não sei quem era a garota que dançava.Lorena franziu a testa e ficou pensativa por um longo tempo. Ela se lembrou de Theo ao volante, atravessando em alta velocidade a estrada à beira-mar no sonho da noite anterior. Mesmo acordada, ainda conseguia sentir a intensidade daquela energia livre e radiante.— O que foi? — Perguntou Isaac, intrigado com a expressão dela.Lorena suspirou.— Eu nem sei como explicar. Às vezes, a gente é muito contraditório. Ele era uma pessoa tão boa que só de pensar que talvez tenha passado a vida inteira sozinho, sem nunca ter s
Aquela noite transcorreu sem maiores incidentes.Quando Lorena acordou no dia seguinte, já estava sóbria. Ao se lembrar do sonho da noite anterior, concluiu que provavelmente havia sonhado com Theo porque, enquanto bebia, acabara se lembrando dos tempos do ensino médio.Naquele dia, Lorena acompanharia seu orientador à casa de um senhor idoso da ilha, conhecido por sua dedicação à dança tradicional.A princípio, o dono da pousada onde estavam hospedados havia combinado de levá-los até lá. No entanto, um imprevisto o obrigou a deixar a ilha, e ele pediu ao vizinho — que, na verdade, era seu irmão mais velho — que os acompanhasse.Assim, Lorena e os outros foram até a pousada vizinha à procura do irmão do proprietário.De repente, Lorena se lembrou de que alguém havia comentado no dia anterior que Theo também ficara hospedado naquela pousada. Sem perceber, começou a observar o lugar com mais atenção.Ela percebeu que a pousada existia havia muitos anos e que, provavelmente, tinha sido a
Lorena se lembrou de que Theo gostava de usar roupas largas. Principalmente na primavera e no outono, ele sempre aparecia com aqueles suéteres folgados de tricô grosso...Ela estreitou os olhos. Por causa da bebida, o rosto da pessoa à sua frente começou a se confundir com o de Theo.— Theo… — Chamou ela, com a voz arrastada pela embriaguez, interrompendo de repente o que o outro dizia. — Você chegou a caçar gafanhotos para comer depois?O homem à sua frente se calou na mesma hora e ficou imóvel por um instante.— Como você me chamou?— Theo...Lorena esfregou os olhos. Ah, era Isaac...Ela acenou com a mão, constrangida.— Desculpa. Eu confundi você com outra pessoa.— Você está bêbada. — Disse Isaac, sorrindo.Lorena assentiu. Ela realmente estava bêbada. Caso contrário, como teria confundido Isaac com outra pessoa?De repente, todo o seu entusiasmo desapareceu.Ela apoiou a testa na mão.— Eu realmente bebi demais. Acho melhor ir descansar mais cedo hoje.Ela se levantou e se apoiou
Ela pegou uma fatia de pão preto, mergulhou no caldo do ensopado e deu uma mordida.O pão continuava duro, com uma textura bem firme. A parte que ainda não havia absorvido o caldo era tão dura que quase lhe machucou a boca.Lorena imaginou Theo comendo aquele tipo de pão preto. Talvez fosse por causa da bebida; sua cabeça estava tonta, mas a imagem dele começou a se tornar cada vez mais nítida em sua memória.As lembranças de Theo começaram a voltar. Parecia que, não importava o que ele comesse, ele sempre comia com prazer.Ela se lembrou de uma ocasião em que havia treinado até tarde. Quando foi ao refeitório para comer, quase todas as bandejas já estavam vazias. No balcão, restava apenas Theo se servindo.Ela quase nunca prestava atenção nele. Mas, naquele dia, ao vê-lo de repente, percebeu que ele realmente comia muito. A vasilha dele tinha o dobro do tamanho da marmita dela e estava cheia até a borda.No balcão, restavam apenas duas bandejas de comida, cada uma com um pouco no fund
O orientador de Lorena não conseguiu conter a curiosidade e perguntou:— Ele é seu amigo?Isaac olhou para Lorena com um sorriso.— Nós apenas nos conhecemos. — Respondeu ela.Naquele momento, Lorena estava um pouco bêbada, mas ainda tinha plena consciência do que dizia. De jeito nenhum ela chamaria Isaac de ex-marido.Anna abriu um sorriso doce.— Nós duas somos boas amigas.A pessoa a quem ela se referia, naturalmente, era Lorena.Lorena ficou surpresa por um instante, mas logo todo o constrangimento desapareceu. Ela achou Anna uma pessoa de uma bondade e de uma delicadeza raras.Lorena chegou a pensar que ainda bem que, quando ela e Isaac se divorciaram, os dois haviam rompido de vez, sem deixar pontas soltas, como se fossem inimigos mortais. Afinal, ela não era uma ex-esposa inconveniente que vivia reaparecendo na vida dele. Se fosse esse o caso, provavelmente não teria recebido tanta gentileza de Anna.A intervenção de Anna encerrou o assunto antes que o orientador pudesse fazer o
Depois daquele dia, Lorena voltou para os livros. Ela recomeçou a estudar. Na época, ela não tinha grandes planos. Ela só queria colocar algum tipo de apoio secreto naquela vida pálida que ela levava. Se ela tivesse coisas para fazer, ela não ia ficar o tempo todo lembrando daquela frase e se machu
Aurora, sempre atenta ao clima, entrou na conversa na hora certa:— Isaac, você não fica chateado só porque o pessoal falou mal da Lorena. Eles realmente estão pensando no seu bem. Pensa só: a nossa amizade já dura tantos anos… mesmo que alguma coisa que eles falaram tenha passado do ponto, você ouv
Mas a atuação exagerada de Breno fazia todo mundo dentro da sala cair na gargalhada. Aurora, sentada ao lado de Isaac, ria tanto que ela se jogava no ombro dele.E Isaac continuava sem dizer uma palavra.Breno virou-se ainda rindo:— Isaac, é assim que ela…Antes que ele terminasse a frase, ele viu
— Isaac… — A voz de Lorena falhou, traindo o nó na garganta.— Hein? Lorena? — Isaac segurou a mão dela. — O que aconteceu? Você está com vontade de chorar? Se quiser chorar, chora. Não precisa segurar.A voz de Isaac era muito, muito doce.Era igual àquela época em que Lorena tinha saído da sala de







