ANMELDENA segunda-feira tinha sido um caos. Louise mal teve tempo de almoçar, correndo entre consultórios, exames e a papelada interminável da residência. Quando o relógio marcou cinco da tarde, ela estava pronta para ir para casa, tomar um banho e dormir por doze horas seguidas. Mas Camila tinha outros planos. — Você vai à palestra, né? — Camila perguntou, bloqueando o caminho de Louise na porta da sala de residentes. — Que palestra? — A do Dr. Gabriel Santos. Neurocirurgia. É obrigatória para os residentes do primeiro ano. — Camila ergueu uma sobrancelha. — Você não leu o e-mail? Louise suspirou. Ela tinha lido, mas tinha esquecido completamente. A ideia de passar mais uma hora no hospital, ouvindo um neurocirurgião falar sobre procedimentos complexos, não era exatamente convidativa. — Eu estou exausta, Camila. — Todos estamos. Mas essa palestra é lendária. O Dr. Gabriel é... — Camila fez uma pausa dramática — ...impressionante. E, se você faltar, a Dra. Regina vai saber. El
O primeiro sábado de Louise em São Paulo amanheceu com um sol implacável e um céu azul que parecia não ter fim. Ela acordou cedo, ainda com o corpo dolorido do primeiro plantão, mas determinada a resolver as pendências que a vida de adulta independente exigia. A geladeira estava vazia — apenas uma garrafa de água e um pote de iogurte vencido que ela não tinha coragem de abrir. A despensa tinha um pacote de biscoitos e um café solúvel que ela nem sabia como preparar. Louise olhou para o próprio apartamento, impecável, mas estéril, e suspirou. Como é que eu vou sobreviver aqui? Ela pegou o celular e mandou uma mensagem para Thiago: "Socorro. Não tenho nada para comer. E não sei como comprar. Não aguento mais Ifood" A resposta veio em segundos: "Kkkkkkkk clássico. Te pego em 20 min. Vamos ao mercado." Louise suspirou de alívio. Ela nunca tinha feito compras na vida. Na Escócia, a cozinheira da mansão cuidava de tudo. Em Milão, ela comia na faculdade ou em restaurantes. A ideia de
Hospital Sírio-Libanês era um labirinto de corredores brancos, portas numeradas e placas que pareciam ter sido escritas em outro idioma. Louise se perdeu duas vezes antes de encontrar o prédio da pediatria, o coração batendo rápido, o jaleco branco ainda com o cheiro de novo. O relógio na parede marcava sete e cinquenta da manhã. Ela estava dez minutos adiantada. O corredor da pediatria cheirava a antisséptico, café ruim e o medo silencioso das mães que aguardavam do lado de fora dos consultórios. O som de crianças chorando preenchia o ar, misturado ao barulho dos carrinhos de medicação e às vozes abafadas dos médicos. Louise ajustou o crachá pendurado no pescoço e respirou fundo antes de empurrar a porta da sala de residentes. A sala era pequena, abarrotada de armários de aço, uma mesa comprida e cadeiras de plástico. Três pessoas já estavam lá: uma mulher de cabelos escuros presos em um coque alto, um homem de expressão séria e uma moça mais nova, que parecia tão perdida quanto L
A luz do sol atravessou as cortinas finas e atingiu o rosto de Louise como uma bofetada de calor. Ela gemeu, enterrando o rosto no travesseiro, mas o movimento brusco fez o mundo girar. A cabeça latejava em um ritmo doloroso, e o gosto amargo na boca era um lembrete cruel da noite anterior. Caipirinha, pensou, com uma mistura de arrependimento e respeito. Aquela bebida é uma arma. Ela se sentou devagar, as pernas ainda pesadas. O apartamento estava silencioso, mas a claridade ofuscante revelava cada canto da sala. A mala aberta no chão, o vestido leve jogado sobre a poltrona, a sandália perdida perto da porta. Ela não se lembrava de como tinha chegado em casa, apenas de Thiago rindo e a colocando em um táxi, dizendo algo sobre "hidratação". Louise cambaleou até a cozinha, abriu a geladeira vazia (a imobiliária tinha deixado apenas uma garrafa de água) e bebeu metade de uma vez. Depois, tomou um banho morno e se vestiu com o que restava de mais leve: um vestido de linho branco, que
O avião cortou as nuvens e, de repente, a cidade se estendeu diante da janela como um oceano de concreto e luz. São Paulo era maior do que Louise imaginava. Muito maior. Do alto, parecia não ter fim, um emaranhado infinito de prédios, avenidas e pontos de luz que se acendiam à medida que o sol começava a se pôr. Ela respirava fundo, sentindo o coração bater um pouco mais rápido. É agora, pensou. Um novo começo. Quando as portas do aeroporto de Guarulhos se abriram, o calor a atingiu como uma parede. Um calor úmido, denso, completamente diferente do frio cinzento de Edimburgo ou das brisas frescas de Milão. Louise tirou o blazer de lã que usava, sentindo o suor brotar na nuca, e sorriu para si mesma. Ela sabia que o Brasil era quente, mas não tanto assim. Pela primeira vez, agradeceu mentalmente por ter deixado a maior parte das roupas de inverno na Escócia e ter comprado alguns vestidos leves de algodão antes de viajar. Bem-vinda ao Brasil. Ela olhou para a própria mala, uma
Olá, meus queridos leitores! Tudo bem com vocês? Se vocês chegaram até aqui, quero primeiro dizer: muito obrigada! 💖 Vocês acompanharam a Mariana e o Márcio por um caminho cheio de pedras — divórcio, mágoas, segredos, um sequestro, uma gravidez surpresa e, no final, a redescoberta de um amor que nunca morreu. Foi intenso, não foi? Mas a saga da Família Durdday está longe de acabar! E eu tenho duas grandes novidades para vocês: 📖 Livro 3: Louise & Gabriel — Em breve! Depois de tudo o que aconteceu na Escócia, Louise decide recomeçar a vida do outro lado do oceano. No Brasil, sob o calor tropical e o ritmo pulsante de um país novo, ela vai encontrar não apenas a cura para as feridas do passado, mas também um homem que enxerga além de sua fachada: Gabriel, um neurocirurgião brasileiro, inteligente, atraente e dono de um carisma avassalador. A atração entre eles é inegável, mas será que o amor é suficiente para curar duas almas marcadas? E estará a família Durdday pronta para ver







