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boa menina

last update Veröffentlichungsdatum: 29.10.2026 20:46:10

POV Vinorca Jona

— Como você tem coragem?! — ele gritou, me fazendo sobressaltar no mesmo instante.

Era fato: ele me mataria ali mesmo, sem pensar duas vezes.

Tentei dar mais alguns passos para fugir dali, para alcançar algum lugar seguro, qualquer lugar que fosse melhor do que continuar onde eu estava. Mas minhas pernas simplesmente não obedeciam.

Eu precisava correr; era só o que eu sabia, mas meu corpo e minha mente entraram em um estado de transe que me impedia de reagir.

— Porra, Vinorca! Você esqueceu o que eu disse da última vez?! — ele exigiu, a voz ecoando.

Consegui sentir o calor das palavras dele se alastrando pelo meu corpo entorpecido.

Como eu poderia esquecer o que ele tinha dito? Eu jamais esqueceria, disso eu tinha certeza. Todos os dias, todas as noites, eu me lembrava do que tinha acontecido três anos atrás.

Aquele foi o dia em que esse monstro destruiu a pouca paz que me restava — muito mais do que quando me adotou, dez anos atrás.

Três anos atrás, eu era ingênua, mas não burra.

Aquela tinha sido a primeira vez que rejeitei Dante.

— Um dia você vai me implorar — o tom gélido saiu de sua boca.

Foram exatamente essas as palavras dele.

Depois disso, ele deixou o bando sem dar aviso prévio, e eu nunca mais pedi outro favor ou outra refeição a ele; sobrevivi apenas trabalhando em empregos temporários.

— Me responde. Agora!

— Ahhhhhhh! — gritei de terror ao ouvir o barulho ensurdecedor de algo se despedaçando atrás de mim. Nem ferrando eu tinha coragem de me mover, muito menos de olhar para trás para ver o que estava acontecendo ou como o lugar tinha ficado.

Mesmo sem olhar, eu tinha certeza absoluta de que não era algo agradável de se ver.

O medo e a ansiedade tomaram conta do meu corpo, fazendo meu coração disparar. Eu me sentia completamente indefesa.

— Olha para mim, Vinorca. Eu já te disse isso da última vez. Eu te avisei que, se continuasse com essa atitude, não me responsabilizaria pelo que aconteceria depois — Dante deixou a ameaça pairando no ar.

Eu não consigo, gritei em pensamento.

— Eu vou terminar o que deixei pela metade três anos atrás. Você pode ter opções, mas a decisão final é minha — continuou ele, deixando o tom rouco e ameaçador ecoar pelo espaço.

Minha respiração foi ficando cada vez mais curta, e senti meu corpo inteiro se render diante do tom de ordem dele.

Com o coração na mão, me mexi e vi o caos que ele tinha causado. Pratos e comida estavam espalhados pelo chão, e a mesa, que já estava virada, fora partida ao meio.

Nem queria imaginar o que aconteceria se ele fizesse aquilo com o meu pescoço.

Esse mero pensamento fez minha pressão disparar.

Como você pôde esquecer que ele mandou você olhar para ele?, minha consciência me alertou.

Levantei os olhos para encará-lo. O olhar dele parecia perfurar minha alma. Se um olhar pudesse matar, aquele com certeza seria o meu fim.

— Assim que se faz, garota esperta, Vinorca. Essa sim é você. E não se esqueça de que está aqui para pagar pelos pecados dos seus pais. Eles morreram e te deixaram para trás com a conta dos erros deles, sem dó nem piedade, porque nunca deram a mínima para você — cuspiu ele, transbordando veneno.

As palavras cheias de ódio me perfuraram o peito, fazendo meu coração sangrar de dor. Meus pais não eram nada do que ele dizia.

O ódio e a raiva no olhar dele eram límpidos, sem o menor esforço para escondê-los.

Eu era só uma criança quando eles perderam a vida tentando proteger os pais do Dante. Mas eles falharam. O Dante também perdeu os pais naquele acidente.

Só que o que ele nunca entendeu, ou nunca quis aceitar, é que ele não foi o único a perder a família. Eu também perdi a minha.

Pelo que me lembro, meus pais nunca me odiaram. Eles sempre me cobriram de amor e carinho.

E o Dante sabia disso. Meus pais não eram os monstros que ele tentava pintar.

Por que eu tinha que pagar por pecados que nunca cometi? E se eu resolvesse culpar os pais dele pela morte dos meus?

Ainda me lembro vividamente de quando os perdi, quando eu era pequena. Mas o Dante já tinha dezoito anos naquela época e, mesmo assim, não tinha um pingo de compaixão por mim.

— Por favor... — implorei, com as lágrimas finalmente transbordando. Eu não queria chorar, pelo menos não na frente desse monstro, mas o que eu podia fazer? As palavras dele doíam mais do que eu conseguia suportar.

— Ficou magoada? É assim mesmo que tem que ser, baby. Mas eu odeio isso. Não me vem com essa sua cara feia de choro. Para de chorar — ele ameaçou.

Mesmo assim, as lágrimas continuavam rolando pelo meu rosto. Eu simplesmente não conseguia controlar. Eu não era um robô para ligar e desligar minhas emoções quando ele bem entendesse.

— Você não vai escutar nada do que eu estou tentando te enfiar na cabeça, não é? — Dante rosnou e cruzou os braços, deixando claro o quanto odiava ver suas ordens desobedecidas.

Mas não era nada disso que eu estava tentando fazer. A verdade é que eu só não conseguia parar de chorar. Eu não queria parecer fraca. Comecei a enxugar o rosto nas mangas do meu blusão, de forma bruta e rápida, para não dar a ele a satisfação que tanto procurava.

Eu nem estava tentando cruzar o caminho dele. Por que diabos ele tinha que se ofender com absolutamente tudo o que eu fazia?

Se eu simplesmente respirasse, já seria motivo suficiente para deixá-lo irritado sem razão alguma.

— Eu quero ir embora — disse, tentando firmar a voz para não parecer um pedido de socorro. Mas é claro que a minha voz me traiu.

— Quer ir embora para onde? Esta casa é minha, e não se esqueça de que você não vai a lugar nenhum sem a minha permissão. Disso você pode ter certeza, senhorita Vinorca Jona — ele deu um passo à frente, esmagando os cacos de vidro sob a sola dos sapatos.

Meu corpo todo tremeu com violência à medida que ele se aproximava, sem me dar um segundo sequer para respirar.

Ele me agarrou pela cintura. Me choquei contra o peito rígido dele, e minha respiração descontrolou de vez, me deixando completamente desestabilizada.

— Sabe, Vinorca... esse seu jeito, você estremecendo nos meus braços, me deixa muito satisfeito. Mas você se tornou uma garota mimada, e eu sei exatamente como domar a minha coelhinha rebelde — ele sussurrou no meu ouvido, me abalando até o último fio de cabelo.

Eu estava praticamente morta. Agora eu sabia que ninguém conseguiria me salvar.

— Coelhinha, por que você é assim? Primeiro escândalo por qualquer coisa, depois fica toda tímida. Isso não me agrada. Se você quer tanto assim se impor, por que não faz do jeito certo, baby bunny? — Dante murmurou, e seus lábios roçaram o lóbulo da minha orelha.

Minha mão foi automaticamente para o ombro dele. Eu me agarrei a ele com força, me odiando internamente por ver como um simples gesto dele era suficiente para despertar desejos em mim.

Não se esqueça de que ele é seu meio-irmão, minha consciência me alertou no mesmo instante em que senti um frio intenso no estômago.

— O que... o que você está tentando fazer? — perguntei com os lábios trêmulos.

Senti o contato úmido da saliva dele no meu ouvido enquanto ele o sugava devagar. O toque dele era dolorosamente gostoso.

Por mais que eu o desprezasse e odiasse a ideia do seu toque, tudo mudava quando ele finalmente colocava as mãos em mim.

Causava uma sensação avassaladora — algo que eu jamais sonhei sentir. Me deixava perturbada e, ao mesmo tempo, me fazia ansiar por mais.

— O que você acha que eu estou fazendo, coelhinha? — ele perguntou com a voz rouca.

Aquelas palavras mandaram um arrepio por todo o meu corpo, fazendo minha cabeça girar como se o mundo tivesse virado de cabeça para baixo.

— Eu não quero pensar... — soltei o ar desesperada enquanto a língua dele lambia a minha orelha com suavidade.

— Mas eu quero que você pense, Vinorca. Pense em mim. Pense em como nós dois podemos ficar juntos — ele murmurou de forma sedutora, o hálito quente queimando na minha pele.

Tentei empurrá-lo, mas meu próprio corpo tinha outros planos.

Era como se minha carne jogasse contra mim, completamente fora do meu controle.

— Não... — murmurei, tentando recuperar o domínio de mim mesma, tentando sufocar os pensamentos selvagens que invadiam minha mente.

Mas meu próprio corpo me traía. Ele já ansiava pelo toque dele, querendo mais e mais.

— Por que não, Vinorca? Você sabe que quer isso tanto quanto eu — ele sussurrou, a voz transbordando desejo.

— Não! Para! — gritei, tentando me soltar do braço dele, mas ele só apertou ainda mais o cerco.

— Shh... não luta contra isso, Vinorca. Só se entrega — ele soprou contra o meu pescoço, enviando calafrios por toda a minha espinha.

Eu estava presa na armadilha dele, tanto física quanto mentalmente. A batalha interna entre o desejo e a razão me corroía por dentro, me despedaçando.

No fundo, eu sabia que era errado. A natureza proibida do que existia entre nós gritava na minha cabeça, me lembrando das consequências que nos aguardavam.

Mas a atração hipnótica que ele exercia sobre mim era inegável. Era uma dança perigosa de emoções, me puxando para a beira do abismo a cada segundo que passava.

— Não.

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