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Entre Ternos e Olhares

last update publish date: 2026-01-16 18:54:51

"A confiança começa quando você veste sua melhor versão."

O dia amanheceu. Eram seis da manhã quando Maya bateu na porta de Lucas. Ela ia dizer que ele dormia demais, mas foi surpreendida ao ouvir de um dos empregados que ele já estava na cozinha. Foi até ele e disse:

— Bom dia. Temos que sair.

Lucas olhou com as sobrancelhas arqueadas e um leve hesitar no olhar.

— Onde vamos?

— Ao shopping. Você não tem cara de guarda-costas, tampouco de segurança. Precisamos mudar isso.

Lucas se inquietou:

— Eu me sinto muito bem assim.

— Nem pensar — disse Maya. — Ninguém pode desconfiar de você. As pessoas me conhecem. A gente não pode levantar suspeitas. Você irá comigo a todos os lugares; terá que se comportar e se vestir à altura.

Lucas olhou em volta, sem encontrar alternativa. Relutante, concordou

Três horas depois, estacionaram em um dos shoppings que faziam parte da rede de lojas de Maya. O shopping era enorme e contava com diversas lojas de vários departamentos.

Maya levou Lucas primeiro à barbearia. Assim que terminou, o barbeiro disse, empolgado, ao virar a cadeira:

— Eu realmente faço milagres.

Maya não pôde negar. Lucas surgiu com um corte de cabelo social, elegante, que revelava cada linha de seu rosto; a barba feita delineava um maxilar firme e definido, dando-lhe uma presença inesperadamente imponente. O olhar dele parecia mais intenso, como se cada gesto tivesse sido calculado e cada movimento cuidadosamente pensado.

Maya não conseguiu desviar o olhar. Cada detalhe parecia ter sido esculpido para impressionar. Ela juntou e separou as palmas das mãos repetidas vezes e disse:

— Perfeito.

— Tinha mesmo que cortar meu cabelo? — Lucas perguntou com um tom insatisfeito.

Ela piscou, acompanhada de um leve sorriso.

— Você ficou muito bem assim. Agora faltam as roupas.

Pegou-o pela mão e saiu em direção ao próximo departamento. Ao chegar na seção masculina, Maya se dispôs a escolher diversos modelos: ternos, gravatas, sapatos, algumas camisas sociais — todos em tons neutros. A vendedora a acompanhava, anotando todas as escolhas com atenção. Sentando-se em uma poltrona, Maya disse:

— Te espero aqui.

Ele piscou, sem saber o que dizer.

— Como assim?

— Hora de experimentar... Vamos, não temos o dia todo — respondeu ela enquanto exibia uma expressão divertida.

A vendedora acompanhou Lucas com uma montanha de opções.

Alguns minutos depois, Maya folheava distraída uma revista na poltrona, quando seus olhos foram atraídos pela porta do provador. Lucas surgiu com uma camisa social preta que delineava os contornos do corpo dele, as mangas enroladas até metade do braço revelando músculos firmes, a calça social encaixava perfeitamente, e o cinto completava o conjunto com precisão quase milimétrica.

Os dois botões abertos da camisa chamaram a atenção de Maya, revelando apenas o suficiente do peitoral para que ela percebesse como aquela roupa parecia feita para ele. Ela engoliu seco, surpresa com a transformação. O jeito confiante com que ele se movia, o olhar ligeiramente desafiador e o sorriso contido que parecia dizer que ele sabia o efeito que causava.

Maya se pegou observando por mais alguns segundos, curiosa e, de algum modo, impressionada.

Tentando disfarçar o encantamento, pediu o próximo.

A cada saída do provador, Maya se surpreendia ainda mais. Terno cinza, camisa branca, sapato italiano... tudo ficava perfeito nele. Após horas de provador, Maya entregou um cartão e falou para a vendedora:

— Vamos levar todos.

Lucas se opôs:

— É muita coisa. Não precisa disso tudo.

Maya ignorou:

— Coloque também todos aqueles relógios da vitrine. E aqueles perfumes importados.

Lucas olhava sorrateiramente. Já achava tudo aquilo exagerado — e ela ainda insistia em colocar mais.

Ao anoitecer, quando Maya estacionou na garagem de casa, Lucas a olhou e disse:

— Para quem não tinha o dia todo...

Maya esboçou um sorriso.

— Foi mais que necessário. Você precisava.

Lucas fingiu decepção:

— Eu estava tão ruim assim?

Maya tentou corrigir:

— Não... Não foi isso que eu quis dizer. É que, como será meu segurança pessoal, todos os olhares se voltarão para você. Então, precisa disso.

O anjo concordou. E assim, os dois entraram na mansão.

A cada nova notícia sobre o casamento de seu ex, Maya se revoltava ainda mais. Lucas a observava, mas não se atrevia a fazer nenhum comentário.Os dias passaram depressa e, nesse curto intervalo, houve alguns toques "acidentais" e conversas que iniciavam de forma despretensiosa, mas terminavam em muitas risadas. Aos poucos, Maya se acostumava com a companhia do anjo, que, por sua vez, estava cada vez mais familiarizado com aquele ambiente. Cafés divididos, caminhadas pelo jardim e pequenos momentos no meio da rotina contribuíam para essa aproximação.

Logo chegou o final de semana e, consequentemente, o dia do noivado. Lucas estava sentado no sofá da sala principal quando Maya desceu as escadas. Ela vestia um vestido longo azul-marinho que marcava sua cintura e realçava seus olhos. Tinha um decote levemente provocador e uma fenda na perna que revelava o salto, combinando perfeitamente. Lucas observou-a por alguns segundos. Um sorriso ameaçou aparecer no rosto dela, no momento em que perguntou:

— Estou bem?

Lucas fez que sim com a cabeça, embora sua expressão revelasse que "bem" não era a palavra certa para descrevê-la naquele momento.

Estendendo o braço para que ela o segurasse, ele acrescentou:

— Você está perfeita para a ocasião.

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