ANMELDENHenrique pousou a taça. Com os dedos longos, roçou devagar a borda do cristal. A luz baixa do ambiente caía sobre seu rosto bonito e marcado, deixando seus olhos negros envoltos numa sombra impossível de decifrar.— E daí?Wesley fitou o homem com seus olhos estreitos. No canto da boca, surgiu um sorriso obscuro.— Aquela mulher não é como as outras. Tem uma coisa selvagem nela… E é justamente isso que deixa a conquista ainda mais excitante. — Enquanto falava, uma ganância quase doentia transbordava de seus olhos. — Não quer experimentar?Henrique pegou a garrafa de vinho tinto ao lado e serviu mais uma taça para si. Sua expressão continuava sombria.— Quer se unir ao Leandro?Wesley sorriu de forma sinistra.— Só joguei a isca. Se ele morder por vontade própria, não vai ser uma ótima chance para a gente se livrar dele?Nos lábios finos de Henrique, surgiu uma curva quase imperceptível.— É mesmo? Você quer se livrar dele... Ou quer ficar sentado esperando colher os benefícios?Wesley
Tatiane franziu a testa.— O que você quer dizer com isso?— Você incentivou a Noemi a se divorciar de mim e agora está se preparando para apresentar seu irmão a ela. É isso? — Respondeu Murilo.Tatiane sabia muito bem que Murilo a odiava.Noemi o amara profundamente. Antes, fazia tudo o que ele dizia. Por isso, Murilo acreditava que ela só insistira no divórcio porque Tatiane vivia falando mal dele pelas costas, envenenando sua cabeça e impedindo-a de perdoá-lo.— Então, só porque você saía por aí se envolvendo com outras mulheres, a Noemi tinha obrigação de perdoar você sem questionar nada?Tatiane rebateu sem hesitar.O sorriso irônico nos lábios de Murilo se aprofundou ainda mais.— E você acha que presta?— É melhor lavar essa boca antes de falar dela. — Roberto disse, com a voz fria.Murilo lançou um olhar para Roberto e tornou a se dirigir a Tatiane:— Pelo visto, homem que você seduz por aí é o que não falta.Assim que terminou de falar, virou-se para ir embora.Mas, de repente
Leandro perguntou a Tatiane como ela havia passado aqueles últimos dias.Quanto ao acidente de carro, estava claro que alguém o provocara de propósito.E quem queria atingi-lo? Nem era preciso adivinhar.— Tati, daqui a pouco você e o Beto vão até a delegacia solicitar uma medida protetiva. Já pedi ao advogado para encaminhar toda a documentação necessária. Você só precisa ir até lá e preencher um formulário. — Disse Leandro.Tatiane assentiu.— Está bem.De qualquer forma, agora ela definitivamente não voltaria para a casa de Henrique.— Então, Evelynn, que tal ficar na minha mansão? O Wesley ainda não teria coragem de tirar alguém de debaixo do meu nariz. — Disse David.Antes que Tatiane pudesse responder, Leandro falou:— Já que o senhor David está oferecendo, Tati, fique na casa dele por enquanto.David ficou até surpreso. Achou que Leandro seria o primeiro a se opor. Então sorriu e disse:— O senhor Leandro realmente é muito mais cabeça aberta do que certas pessoas por aí. Acho at
No fundo, Tatiane continuava inquieta, tomada por uma ansiedade que não lhe dava paz.Naquele dia, a campainha tocou na entrada.Tatiane estranhou.Uma empregada foi atender a porta.David entrou vindo de fora. Assim que viu Tatiane, perguntou:— Evelynn, você está bem? O Henrique fez alguma coisa com você?Nos últimos dois dias, Tatiane havia passado o tempo inteiro atordoada e quase não conseguira descansar. Por isso, seu rosto parecia abatido e cansado.— Eu tô bem. David, o que você veio fazer aqui?— Vim ver como você estava.Na noite em que ela e Henrique desapareceram, David já tinha imaginado que Henrique a levara embora.Logo depois, ele resmungou, indignado:— Esse Henrique é podre demais.— O que aconteceu? — Perguntou Tatiane.David resumiu a situação para ela.A noiva que havia aparecido no banquete naquele dia tinha sido avisada por Henrique. E, nos últimos dois dias, o pai de David começara, de repente, a se mexer para oficializar aquele noivado arranjado.Com certeza ha
Depois de conversar mais alguns minutos com Bia, Tatiane encerrou a chamada de vídeo. Em seguida, abriu a lista de contatos de Henrique, encontrou o número de Roberto e ligou.A ligação foi atendida, mas ninguém falou nada do outro lado.— Beto, sou eu.Ao ouvir a voz dela, Roberto levou um susto.— Tati? Você está bem?— Estou. — Tatiane respondeu baixinho. — O Henrique me trouxe para cá. Meu celular caiu e quebrou, por isso eu não consegui ligar antes.Roberto não pareceu surpreso. No fundo, eles já tinham imaginado algo parecido.— Meu primo não está deixando você sair?— Sim. — Tatiane confirmou. — Ele quer que eu fique aqui até a gente voltar para o Brasil.— E onde vocês estão?Tatiane passou o endereço.— O mais importante é você estar bem e em segurança. E o professor? Como ele está?No dia do banquete, Roberto tinha visto com os próprios olhos a hostilidade escancarada de Wesley contra Leandro. E, conhecendo o temperamento vingativo de Wesley, era impossível acreditar que ele
— Por que eu deveria obedecer a você? — Disse Tatiane.Henrique baixou os olhos. Seus olhos negros se estreitaram levemente ao fitá-la, e seu tom autoritário não deixava espaço para contestação.— Até voltar para o Brasil, você vai ficar aqui.— Henrique, você não tem o direito de restringir a minha liberdade.O canto dos lábios do homem desenhou um arco quase imperceptível, frio e indiferente.— Se eu não tenho esse direito, quem tem?As sobrancelhas delicadas de Tatiane se franziram.— Não existe nenhuma relação entre nós. É claro que você não tem esse direito.Henrique olhou para ela. Não respondeu àquilo. Apenas disse:— Quanto à venda das ações da KU que estão em seu nome, alguém vai cuidar disso por você.Dito isso, o homem deu meia-volta e subiu as escadas.Tatiane permaneceu sentada no sofá, com o corpo inteiro rígido e a mente em branco por alguns instantes.Seu celular não ligava. Ela pediu a uma empregada para usar o telefone fixo da casa, mas a mulher disse que a linha da r






