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Capítulo 2 – Bênção ou Problema?

Auteur: Mr. Rams
last update Date de publication: 2026-10-02 09:31:37

Giselle Saavedra

“Traidores!” gritei bem alto. Bernard levantou-se imediatamente. Mas, em vez de pedir desculpa, reagiu com raiva.

“A culpa também é tua; se não fosses sempre tão difícil e tensa, eu não teria procurado outra pessoa”, disse Bernard.

Dei uma forte bofetada no rosto de Bernard. “Não tens a mínima vergonha na cara! Estás mesmo a culpar-me pela tua traição? E tu, Annie... és uma sem-vergonha! Traíste a tua própria prima!” Annie encheu os olhos de lágrimas, incapaz de responder.

“Acabou, Bernard. Fiquem juntos, então!” Cuspi para o chão e saí rapidamente.

Conduzi a alta velocidade enquanto chorava, sem saber para onde ia; apenas seguia a estrada. Eu era órfã, por isso não tinha pais ou irmãos a quem recorrer em busca de conforto.

A Bea — uma das poucas pessoas próximas de mim — tinha-me traído. Até o homem que eu amava há cinco anos me tinha enganado. E o que mais doía era que ele me tinha substituído pelo meu próprio sangue.

Será que era pecado não se ter entregado ainda? Para ela, a sua virgindade era sagrada. Ela queria guardar-se para o futuro marido. Tinha a intenção de dar este presente a Bernard, mas este não conseguiu esperar.

Nessa noite, consumida por um profundo ressentimento, fui a um bar — embora não costumasse beber. O local estava barulhento e cheio — cheio de gente a dançar embriagada e música alta —, mas nada disso me importava, enquanto as minhas lágrimas continuavam a cair.

“Dá-me algo forte”, pedi ao barman. Ele assentiu e serviu-me uma dose de whisky.

Virei a dose de uma vez e pedi outra. E mais outra... até perder a conta a quantas tinha bebido. Mas eu queria mais.

“Mais uma!” – disse eu, batendo com a mão no balcão.

“Menina, já bebeu quinze doses; está bêbeda”, disse o barman. “O que é que tem a ver com isso?” gritei.

O barman serviu-me um café. “Talvez não consiga chegar a casa neste estado.”

Irritada, levantei-me, tirei dinheiro da mala e atirei-o para cima do balcão. Não queria ir para casa ainda — não podia conduzir e, além disso, ficar em casa só faria com que ficasse a remoer o que tinha acontecido.

Olhei para o exterior e, através da visão turva, avistei um hotel: o Grand Hyatt. Sabia que provavelmente era caro, mas seria apenas por uma noite. Era melhor do que ficar num qualquer motel barato ou dormir no carro.

Fui cambaleando até lá e reservei um quarto. Peguei no cartão de acesso: Quarto 308. Dentro do elevador, agarrei-me ao corrimão, quase caindo no chão. Quando as portas se abriram, obriguei os meus olhos a permanecerem abertos.

Quarto 309? Verifiquei o cartão — era mesmo esse.

Mas, ainda antes de encostar o cartão, a porta já estava entreaberta, pelo que entrei diretamente. O ambiente estava escuro, mas, antes que eu pudesse sequer abrir a porta totalmente, braços puxaram-me para dentro de repente e um beijo firme foi depositado nos meus lábios.

A minha mente queria resistir, mas fui arrebatada pela habilidade do homem ao beijar. O seu hálito era agradável; por isso, mesmo quando ele deslizou a língua para dentro da minha boca, não me afastei — em vez disso, correspondi com um beijo apaixonado.

Ele levantou-me imediatamente e deitou-me na cama; conseguia sentir o seu entusiasmo — ou talvez um desejo intenso — na forma como me acariciava o corpo e me tirava rapidamente a roupa.

Percorreu o meu pescoço com os lábios até chegar aos meus seios, chupando ambos os mamilos.

“Ohhhh...” Não consegui evitar um gemido enquanto lhe segurava a cabeça.

Os seus lábios desceram para a minha barriga e para a parte inferior do abdómen, chegando finalmente à minha intimidade.

Fechei os olhos com força quando ele enterrou o rosto na minha intimidade molhada. Chupou-me o clitóris e enfiou a língua dentro de mim — imitando o movimento de um sexo a sério — até que eu não consegui segurar mais o orgasmo.

Depois, virou-me de costas e esfregou o seu membro duro contra mim.

*****

Voltei à realidade quando a porta da casa de banho do hotel se abriu e outros hóspedes entraram, fazendo com que ele se fosse embora. Ao regressar ao apartamento, vi a minha proprietária, a Sra. Ruiz, à espera para me confrontar com raiva. «Olá, Giselle! Quando pretendes pagar a renda? Já usaste um mês, e o mês atual já está a correr. Se não pagares até ao fim do mês, é melhor procurares outro sítio para ficar — caso contrário, vou deitar as tuas coisas para a rua!»

"Peço desculpa, Sra. Ruiz; vou apenas terminar este mês e depois vou-me embora", respondi.

A velha saiu furiosa. Soltei um suspiro profundo e estava prestes a abrir a porta quando vi Bernard a aproximar-se.

"Onde é que estavas? Porque é que não voltaste para casa a noite toda? Vim aqui várias vezes desde ontem", disse, irritado.

O meu sangue ferveu e gritei de volta, furiosa: "E então? Isso não é da tua conta, porque a nossa relação acabou! Vai ficar com a Annie e nunca mais me apareças à frente!".

Bernard continuou a implorar perdão, prometendo que aquilo não voltaria a acontecer e que deixaria Annie. Mas não sou tola. Para mim, quem trai uma vez, trai sempre.

"Por favor, Giselle, não me deixes; não suporto a ideia de te perder." Estava à beira das lágrimas...

...essa declaração.

«Não suportas a ideia de me perder, mas és capaz de me magoar? Até disseste que eu não valia nada! Já chega — não te vou deixar enganar mais!» disse eu, frustrada.

“Por favor, dá-me uma oportunidade; eu faço qualquer coisa... espera, o que é isto no teu pescoço? É um chupão?” perguntou, confuso.

“Do que é que está a falar?!” disparei, embora, no fundo, estivesse a ficar nervosa.

“Onde foste ontem à noite, afinal? Estavas com um rapaz qualquer? Deixaste qualquer um fazer o que quisesse contigo?” Bernard gritou, furioso.

Reagi com raiva, desferindo-lhe uma bofetada e um murro no peito.

“Não me compare a si — alguém obcecado pela luxúria! Saia daqui, ou vou chamar a polícia!” disse eu, à beira das lágrimas.

Bernard não teve outra alternativa senão ir embora. Fechei a porta rapidamente e chorei compulsivamente lá dentro.

Arrependi-me de ter bebido e de ter tido uma aventura de uma noite com um estranho; nunca imaginei que perderia a virgindade — algo que tinha preservado com tanto cuidado — daquela forma.

Logo no dia seguinte, ao amanhecer, saí do apartamento. Eu queria esquecer; por isso, precisava de me mudar para outra cidade — para finalmente deixar tudo aquilo para trás.

Não fazia ideia de para onde ia.

Um mês depois...

Senti-me mal ao acordar; corri imediatamente para a casa de banho e vomitei. Não sabia o motivo, mas sentia como se o meu estômago estivesse a dar voltas. Além disso, nos últimos dias, mal tinha apetite. Saltava frequentemente refeições, pois chegava tarde a casa depois de tentar vagas de emprego. Olhei para o meu stock de pensos; nenhum tinha sido usado. Engoli em seco.

O meu coração batia descompassado. Levantei dinheiro rapidamente e fui à farmácia mais próxima comprar um teste de gravidez. Andei de um lado para o outro na sala enquanto esperava pelo resultado e, de repente, congelei. Duas linhas.

Estou grávida!

Isto não pode estar a acontecer!

Desabei no chão, atordoada e sem reação.

O que vou fazer agora? As minhas poupanças acabaram e ainda não tenho emprego.

De repente, o meu telemóvel tocou. Enxuguei as lágrimas na blusa e tentei controlar a voz.

— Olá?

— É a menina S. Giselle Saavedra? — perguntou a voz do outro lado da linha.

— Sim, sou eu. Quem fala? — respondi.

— Fala a Lorie, do Departamento de Recursos Humanos do Grupo Johnson. Parabéns, Srta. Saavedra: a senhora foi contratada como Assistente Executiva. Pode vir amanhã para assumir o cargo?

Fiquei estupefacta. Contratada? Eu realmente consegui um emprego.

— S-Sim! Claro! — disse eu, nervosa.

— Ótimo, esperamos a senhora aqui às oito da manhã. Por favor, seja pontual — disse ela antes de desligar.

Olhei para o teste de gravidez. Não sabia se aquilo era uma bênção ou um problema. Será que a empresa me aceitaria se soubesse que estou grávida? Parecia melhor manter segredo por enquanto; caso contrário, poderiam retirar a oferta de emprego.

De repente, lembrei-me do homem daquela noite...

A nossa aventura de uma noite tinha resultado numa gravidez.

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