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CAPÍTULO 12

作者: Alex Mello
last update 公開日: 2021-10-23 11:08:32

[Bom dia, futuro papai.]

- Que horas são, K? – Henrique abriu os olhos com dificuldade para olhar o relógio da mesa de cabeceira. – É sério que você está me ligando à essa hora?

[Não aguentei esperar. Desculpa. Max ainda está em casa?]

- Está roncando do meu lado.

[Acorda ele e põe no viva-voz.]

- K-San...

[Agora, Henry.] – Sem forças para discutir, Henrique resolveu obedecer.

- Maxie... – sacudiu suavemente o marido. – Meu amigo sem noção pediu para te acordar, deve estar à base de dois litros de energético.

- Que horas são?

- Cedo pra cacete até para você.

- K-San! Você tem ideia de como tem sido essas últimas semanas para nós aqui?! – reclamou Maximus se ajeitando para ouvir o que ele teria de tão importante para acordá-los tão cedo.

[Não vou pedir desculpas, porque o que eu e sua irmã fizemos deu um trabalho enorme e acabamos de concluir.]

- Dá pra acelerar, antes que eu acorde completamente. Pretendo dormir pelo menos mais uma hora antes de ter que levantar para ir ao trabalho.

[Esqueci como vocês dois são mau humorados quando acordam cedo. Certo, Preparem suas malas, porque o chá revelação de vocês vai ser em Orlando.]

- Não tinha lugar mais longe não? – zombou Henrique.

[Espere até ouvir onde e depois você pode zoar, ok? Que tal o Grand Floridian, tá bom para vocês? No Garden View Tea Room.]

- Vocês perderam a noção? – falaram os dois juntos.

[Sabia que iam gostar.] – Kaito não conseguia se conter. – [Mas isso é o máximo que posso contar. Senão Sophie me mata. Então fiquem atentos que o serviço de entrega expressa vai entregar para vocês uma pasta com tudo: reservas, entradas, e outras coisinhas mais.]

- Será que vamos ter que ouvir isso tudo de novo da sua irmã?

- Espero que não.

[Não se preocupem, foi ela mesma que me pediu para ligar para vocês.]

- E quando vai ser essa abundância?

[Meu querido Henry, se eu fosse você já começava a arrumar as malas. No próximo final de semana estaremos todos lá, inclusive seus pais.]

- Já!?

[Até mais! Fiquem atentos ao entregador. B-bye.] – nem deu tempo para uma reação e desligou.

- Kaito sendo Kaito. – brincou Maximus levantando-se.

- Onde você vai?

- Ele já me acordou, não vou conseguir voltar a dormir mesmo.

- É... eu também.

“Hoje vou passar a maior parte do tempo fora. Preciso mudar de ares um pouco.”

Henrique decidiu fazer uma caminhada diferente dessa vez. Colocou a coleira em Kurama, duas garrafas de água e algumas barrinhas de cereal na mochila e andou na direção da praça central, que ficava a algumas quadras do condomínio.

Provavelmente não conseguiria voltar à pé para casa, então já tinha feito planos de passar na farmácia para comprar algumas coisas que faltavam para levar na viagem, almoçaria em algum restaurante nas imediações e depois, só para variar um pouco, iria no Le Bonbon de Réve. Ficando por lá até a hora que Maximus fosse para casa.

Seu filhote de quatro patas, como ele sempre o chamava, sempre gostava dessas caminhadas com ele. Sempre acabariam em algum momento em algum parque onde poderia correr para pegar frisbees, atividade que era alucinado. Trouxe o brinquedo para o dono para colocar na bolsa.

As pessoas ficavam impressionadas com o tamanho do cachorro, ele era bem maior que o normal, muitos achavam que ele era algum tipo de mistura com lobo, um cão-lobo. Todo branco com olhar atento, penetrante. Kurama Youko era totalmente leal a Henrique, e – de maneira incomum – adorava qualquer criança, brincava e cuidava delas como se fosse um filhote dele.

Mesmo sendo totalmente calmo, pacífico e aceitando carinho de estranhos, Henry procurava andar com ele com a rédea curta, e sempre de maneira a não incomodar as outras pessoas fosse na calçada ou no meio da rua. Algumas vezes até colocando focinheira nele, a única coisa que Kurama realmente odiava, mas não impedia o dono de colocar nele.

O primeiro destino seria a farmácia e depois então o parque. Na frente do estabelecimento, Henry tirou a bolsa, entregou a bolsa para o cachorro.

- Toma conta pra mim, Kurama. – retirou a carteira e entrou na loja depois de amarrar a guia no local destinado para isso. O mais interessante de New Casterside era que praticamente todas as lojas, estabelecimentos e prédios tinham na frente um local para prender bicicletas e, quando não permitiam a entrada de animais de estimação, um local todo preparado para acomodá-los, sempre com sombra, água fresca e corrente e às vezes até uma cama confortável.

A coluna e as pernas estava já dando sinais de começar a doer, mas estava decidido a não se dar por vencido, pelo menos não até chegar até o parque onde poderia sentar-se na grama e descansar o quanto fosse necessário.

Andava com uma das mãos dando um suporta para a lombar, e com a outra carregava a pequena cesta. Colocou algumas cartelas de antiácido, antiemético, e mais outros “antis” que pudesse julgar necessário, alguns itens de higiene pessoal, além de alguns vidros para repor seus suplementos de vitaminas e cálcio.

“Estou me transformando na minha mãe com essas compras.” – recolocou alguns itens de volta nas respectivas prateleiras quando percebeu que estava exagerando um pouco. Afinal era só um final de semana que ficariam na Flórida, quando muito um dia a mais.

- Bom dia, Sr. Fuller.

- Bom dia! – respondeu animado, porém com uma leve expressão de incômodo.

- O senhor está sentindo alguma coisa? – a atendente sempre foi muito simpática e solícita com ele.

- Um leve incômodo na lombar apenas. – respirou fundo e corrigiu a postura.

- Quer sentar-se um pouco?

- Obrigado, não é necessário, Joane. Estou com meu companheiro de quatro patas me aguardando ansiosamente para descarregar as energias na praça. Lá vou poder me sentar um pouco.

- Vitaminas pré-natais?! São para alguém da sua família? – ela sabia que Henrique era casado com Maximus. Ele ficou brevemente sem ação, mas a resposta veio rápido.

- Minha cunhada que está grávida pediu para que comprasse para ela. Vamos nos encontrar com ela em uma viagem. Ela está trabalhando ainda e não vai ter tempo de comprar então me ofereci já que estou com tempo sobrando.

- Queria ter um cunhado como você. O meu é um verdadeiro babaca. – levou as mãos à boca com os olhos esbugalhados. – Me desculpe o vocabulário.

Henrique riu.

- Não esquenta. Toda família tem um exemplar babaca. – falou para deixá-la mais confortável, ela sorriu ainda sem jeito.

Sentia-se mal em ter que ficar se justificando o tempo todo, em sua mente parecia que tinha voltado para o armário, só que dessa vez por um motivo bem diferente. Após o pagamento retomou a rota para o parque.

“Que situação. Vai ser cada vez mais difícil esconder o fato de que eu estou realmente grávido. Preciso pensar em desculpas mais coerentes e elaboradas.”

Estava cada vez mais complicado caminhar sem apoiar uma das mãos na lombar. A dor passou para um estado que o incomodava ainda mais, parecia arder em brasa.

- Kurama, meu filhote, vamos mais devagar um pouco, né? Papai está com a coluna em frangalhos... – baixou o tom de voz quase inaudível. – por conta do seu irmãozinho de duas patas aqui.

Ao chegar no parque, Henrique estendeu à sombra uma grande toalha típica de piquenique quadriculada vermelha e branca, e começou a jogar o frisbee para Kurama buscar.

Ajeitou a mochila dobrada às costas para dar um apoio, e ficou admirando aquele cão enorme, branco e reluzente ao sol em um galope ritmado e lindo, praticamente voando no ar para pegar o brinquedo.

- Já pensou em treiná-lo em agility? – Henrique olhou para cima, um homem alto, barba por fazer, usava tanto um jeans quanto uma camisa de malha tão grudada no corpo que mais parecia uma segunda pele. Sorria para ele com marfins imaculadamente brancos.

- Chegamos a pensar nisso quando ele era mais novo, mas como não tínhamos tempo para isso, achamos melhor deixar a natureza ditar seu curso natural.

- Andrew. – ofereceu a mão em cumprimento. Henrique sacudiu sua mão em resposta.

- Henrique.

- Estranha pronúncia.

- Português.

- Interessante, seu inglês é tão impecável e tão natural que pensei que fosse local. – a observação o deixava ruborizado com frequência.

- Sempre gostei do idioma e ainda me casei com um americano, então acho que ao longo dos anos consegui atingir um estágio mais natural na minha pronúncia, mas obrigado pelo elogio.

- Oh! Você é gay. – Henrique não gostou do tom. O homem parecia estar o sondando.

- E, mesmo que esse seja o caso, tem algum problema com isso? – mudou sua postura e Kurama sentou-se a seu lado, não rosnou, mas não desviou os olhos do homem. Henry passou a mão pelo seu dorso o acariciando e notou que ele estava arrepiado, com o rabo parado e as orelhas baixas, coladas no alto da cabeça.

“Isso não é um bom sinal.” – segurou a guia do cachorro mais firme, disfarçadamente.

- Não, não... Meu Deus, não! Me perdoe se soou dessa forma. Não foi minha intenção. Só uma observação. – notou na sacola semitransparente da farmácia as vitaminas, principalmente a pré-natal que estava voltada para cima.

- Está tudo bem. Estou meio que com os nervos meio que à flor da pele. Mudança recente, me adaptando às novas rotinas, novos costumes.

- Gostando da mudança de ares?

- Muito. Ajustando minha temperatura corporal ao frio local, venho de um país tipicamente quente em 99% do tempo.

- Deve estar sendo difícil.

- Na verdade está sendo surpreendentemente mais fácil do que eu esperava.

- E a cidade?

- New Casterside é uma graça, acho que o que mais me encanta nessa cidade é essa divisão entre uma arquitetura mais tradicional, mais vitoriana de um lado e do outro mais industrial, mais moderna, mais...

- Urbana.

- Não sei se seria essa a palavra, mas é como se um lado fosse mais familiar e o outro mais corporativo. Quase como Yin e Yang, uma coisa equilibrando a outra.

- É uma maneira bem holística de ver as coisas.

- Talvez porque eu seja terapeuta holístico, tenho essa estranha habilidade de ver a coisa por um lado mais místico, digamos.

- Depois me dê o endereço do seu consultório, você tem um não tem?

- Tenho sim, mas ainda não está pronto e eu tenho passado por uns problemas de saúde que estão me impedindo de retomar meus atendimentos.

- Sinto muito por isso.

- Não é nada grave, mas me foi recomendado pegar leve.

- Espero que se recupere logo.

- Você e toda minha família espera isso. Obrigado.

“Não é possível, esse cara já percebeu que estou sondando-o. Tenho que recuar um pouco.” – Andrew pensou.

- Mas e você, Andrew, o que faz da vida.

- Trabalho para a Gazeta de New Casterside.

- O jornal local?

- Isso, apesar de levar o nome da cidade é um periódico regional. Sou jornalista. – o alerta vermelho gritava dentro de Henrique.

“Sabia que você estava me sondando.”

- Desculpe a intromissão, mas percebi... – apontou para a bolsa da farmácia. – que comprou um tipo peculiar de vitamina.

- É para minha cunhada. Ela está grávida e como vou me encontrar com ela no próximo final de semana, me pediu para comprar para ela. – respondeu de forma mais firme para o repórter, mas se pôs totalmente na defensiva.

- Entendi. – claro que Andrew não comprou a desculpa. Henrique começou a guardar as coisas na bolsa de maneira ordenada, porém claramente já dando sinais de estar incomodado com a presença do repórter.

- Foi um prazer te conhecer, Andrew. A gente se...

- Já está indo? Mas... praticamente acabou de chegar.

- Tenho que... – viu Nicholas Coleman atravessando a rua. – me encontrar com um amigo.

Nicholas o viu e abriu um sorriso para ele, indo em sua direção.

- Vamos, Kurama. – estendeu a mão para o jornalista que o cumprimentou.

- O prazer foi meu em te conhecer, Henrique.

- Andrew?! O que está fazendo aqui com Henry?

- Nada, só me apresentando para ele.

- Você?! Nada... sei, precisando de ajuda para se livrar dessa harpia, meu amigo? – se virou para Henrique.

- Imagina, Andrew estava sendo bastante educado. – Foi a vez de Nicholas não acreditar no que ele tinha dito. – Então... vamos lá na loja da sua cunhada mesmo ou vamos a outro lugar?

- Onde você preferir. – percebeu que se tratava de uma tática de escapar do jornalista, e ambos atuaram brilhantemente. Andrew não desconfiou.

- Vamos no bonbon mesmo. Estou louco para experimentar aqueles donuts novos dela.

- Espere até provar os éclair. – se afastaram do jornalista rapidamente. – O que foi aquilo?

- Estava me sondando por algum motivo, sabe-se lá qual...

- Andrew Kirkman só se aproxima das pessoas assim na rua se estiver em cima de alguma história. Você tem alguma ligação com a máfia ou submundo das drogas?

- QUÊ?! – Nick soltou uma gargalhada.

- Estava brincando com você, Henry. Relaxa, ele é apenas um abelhudo intrometido abusado que azucrina a vida das pessoas atras de alguma história que possa vender para algum jornal. Ele se apresentou como jornalista da Gazeta, não é?

- Isso.

- Ele é freelancer, Henry. Tem um blog onde posta suas teorias da conspiração e histórias não confirmadas. É bem conhecido, mas não é levado muito à sério no meio. Veja...

Mostrou o blog “averdadeirafacedanoticia.com” pelo celular, apontando as críticas aos posts.

- Tentou nos expor algumas vezes quando ainda estávamos no high school, antes do Phil assumir publicamente estar comigo. Chegamos a solicitar uma ordem de restrição.

- Não consigo imaginar o que ele quer comigo.

- Pode ser apenas uma abordagem aleatória, afinal você é “carne nova” no pedaço. Digo, estrangeiro, se adaptando. Provavelmente queria saber se você está fugindo de alguma coisa.

- Deve ser. Ainda bem que te vi... o que está fazendo aqui?

- Phil viajou com o time, aproveitei para vir visitar nossos pais e matar a saudade do maravilhoso donut de pão de mel da Claire.

- Não me diz que você também está viciado naquilo?!

- Viciado?! Eu fui o primeiro a experimentar quando ela criou essa delícia.

- Jura?! Como consegue se manter em forma?

- Eu, na verdade, nunca fui muito “em forma”, acabei me interessando depois que comecei a namorar Phil... e, morar em outra cidade ajuda bastante, se eu ainda estivesse aqui provavelmente já teria jogado a musculação para as favas e ia trabalhar com a Claire.

- Trabalhar?! Ou levar ela à falência? – gargalharam entrando na loja.

- NICK! GRAÇAS À DEUS VOCÊ ESTÁ AQUI! – Claire gritou do outro lado do balcão assim que o sininho da porta emitiu o som. – SOCORRO!

- O que houve, minha cunhadinha predileta?

- Que fofo! OI, HENRY! – o abraçou, tirou o avental que era parte do uniforme da delicatessen e passando para Nicholas. – Fica no balcão pra mim por algumas... horinhas.

- Você sabe que sim, C. Mas o que houve?

- Estou com uma encomenda gigante para o casamento da Morgana, tenho que finalizar o bolo dela e uma das minhas confeiteiras teve bebê, estou atolada de serviço.

- Tudo bem, vai lá pra dentro, pode deixar que eu dou conta aqui. – ela o beijou com força na bochecha.

- Você é meu anjo da guarda!

- Isso vai sair caro.

- O que sobrar quando fecharmos a loja é seu!

- Não precisa ser tão caro assim, basta só os donuts. Topa dividir comigo, Henry?

- Impossível dizer não!

- Ótimo. Você já sabe o que fazer. – ela correu para a cozinha enquanto Nicholas se dirigiu para a parte de trás do balcão. – Vou fazer alguns dos seus preferidos para levarem mais tarde para casa.

- Por que tenho a impressão de que você já trabalhou aqui antes?

- Quando Claire abriu a deli, eu me propus a ajudar ela de graça por um tempo, ficava eu no balcão e ela com uma única ajudante na cozinha. Com o tempo ela acabou contratando outras pessoas, ainda trabalhei com ela durante todo o restante do ano até quando me mudei para São Francisco com Phil, então, conheço cada parte do processo e o padrão de atendimento dela.

- Então estou me convidando para fazer companhia a você até Maximus vir nos buscar.

- Aprecio seu sacrifício. – riram. – enquanto isso...

Nicholas preparou um chocolate quente especial para ele e um croissant grande napolitano para o almoço dele.

- Por conta da casa. – deu uma piscadela para Henry.

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