ログインA vontade de Henrique em começar a transformar o seu home-office no quarto da criança estava se tornando quase uma obsessão. Pesquisava incessantemente em todos os tempos livres entre consultas, em casa e até nas caminhadas. Como ainda não sabia o sexo do bebê ainda não tinha como prever cores e detestaria usar cores que fossem comuns aos dois gêneros só para poder adiantar o processo.
Kaito e Sophia mantinham todos os planos do chá de revelação quase que em regime de segredo de estado. Não poderia ser nada muito grandioso, uma vez que só os mais próximos sabiam da condição de Henrique.
Já entrando na 17ª semana da gravidez, Henrique tinha terminado de preparar as malas para o voo, estava caminhando para o banheiro para tomar seu banho quando parou em frente ao grande espelho do quarto, completamente nu.
“Impossível não ser mais notado.” – Henry bufou. – “Tô parecendo um S escrito com a minha mão direita.”
Ele era canhoto.
A cintura já estava arredondada, a barriga mais saltada para frente. Seu peitoral poderia facilmente ser confundido com o de um halterofilista à base de anabolizantes. Ao tocar sentia ainda mais sensibilidade principalmente mais perto dos mamilos.
O pequeno ser já se mexia mais na barriga, às vezes era um incômodo, mas no geral Henrique gostava de sentir os movimentos. A única coisa ruim era quando o bebê mexia com ele apertado para ir ao banheiro urinar.
E se por um lado estava indo muito mais ao banheiro com essa finalidade, quase não ia para a segunda opção. Assim como azia e, em alguns momentos, até dores de cabeça passavam a ser mais constantes.
Mas nem tudo era ruim. Os outros sintomas todos já davam mais trégua, principalmente o maldito enjoo, as sensações de vômito e o cansaço e sono excessivo. Estava se sentindo quase tão bem-disposto como antes de tudo isso.
Apesar de estar se sentindo totalmente disforme, acariciava a barriga com as duas mãos, fitando-a pelo espelho.
- Será que você está feliz? Porque eu estou, e muito. – sorriu abobalhado. Ouviu um barulho de disparador de câmera e virou-se.
- Também estou. – Maximus tirou uma foto com o celular. Mostrou para Henry.
Ele estava de lado, não aparecia nada que transformasse aquela foto em pornográfica ou erótica. Olhava para o espelho. Seus cabelos pareciam mais brilhosos, estavam mais longos que o de costume, a barba por fazer e, diferente também do habitual: não estava mais se depilando já fazia algum tempo então os pelos corporais se faziam presente também.
- Até que não estou feio. – zombou.
- Te disse isso alguns dias atrás, você nunca está. Gabe, você está maravilhoso. – Abraçou o marido por trás, levando as duas mãos à barriga e se olharam pelo espelho. – Te amo, meu Gabe.
- Na verdade eu estava sendo sarcástico. – revelou. – Mas o importante é você me achar bonito.
Henrique tirou algumas selfies com o celular do marido.
- Imprime as melhores e coloca no scrapbook enquanto eu vou tomar um banho para não perdermos tempo.
Esperou que Maximus fosse para o escritório e voltou a se admirar por alguns minutos.
“É... até que não estou tão feio assim.”
Foram recepcionados pela família toda no aeroporto. E algumas pessoas estranharam que, em especial as avós, passavam as mãos na barriga saliente de Henrique e falavam com ela.
- As pessoas estão achando ou que vocês duas são malucas ou que eu sou transgênero. – riu.
- E isso é ruim? – perguntou Justine.
- Não necessariamente. À menos que não se importe de ser taxada de doida de pedra.
Kaito e Sophie organizaram um transporte com os vidros bem escuros e com cortinas fechadas para que ninguém visse para onde estavam indo. Quando saíram do veículo estavam na porta do Grand Floridian. Foram direcionados para o Garden View Tea Room, onde já estava tudo decorado e reservado para a família.
O melhor amigo de Henrique não poupou nem um único centavo para o evento. Disse que seria memorável e assim foi. O salão estava decorado com toalhas imaculadamente brancas e tinham luzes amareladas por baixo que davam um charme especial.
Tomaram chá, comeram financiers, biscoitos finos, bolos e salgados finos tudo ao som de uma música ambiente típica dos parques.
- K-San, você é louco, isso aqui deve ter sido... – o amigo levantou a mão ordenando que parasse de falar.
- Henrique, nos conhecemos a quanto tempo? Isso aqui não é nada. Ambos somos filhos únicos, e nos tornamos irmãos. Não tem nada que eu não fizesse por você e tenho a certeza de que a recíproca é verdadeira. Esse momento é muito especial para todos nós, independente dessa gravidez ser absurda de acreditar, e eu queria que fosse inesquecível. Não se importe com nada, apenas aproveite, ok? É meu único desejo.
Se abraçaram. O fotógrafo registrou tudo e a equipe da filmagem também. Foram interrompidos por uma marchinha onde os personagens principais entraram no salão: Mickey, Minnie, Pateta, Donald, Margarida e os dois prediletos de Henrique fecharam a fila: Baymax e Stitch. Cada um usava a roupa de uma cor.
Um garçom entrou com um carrinho trazendo um bolo coberto por uma pasta branca e várias silhuetas de personagens Disney e vários coquetéis não alcoólicos, um para cada convidado.
Os personagens traziam balões coloridos.
No telão uma contagem regressiva se iniciou enquanto os convidados se dispunham de acordo com a orientação dos anfitriões da casa de chá. O casal ficou por trás do bolo. Os drinques foram distribuídos. Mickey ficou entre o casal e os outros se dispuseram metade de cada lado.
Mickey vestia sua indefectível roupa de aprendiz de feiticeiro e fazia trejeitos como se evocasse magias fazendo as mesas mudarem de cor constantemente. A contagem regressiva se iniciou.
Os outros personagens pegaram grandes balões parecidos com o dos parques e agulhas enormes enfeitadas de azul e rosa.
Quando o contador chegou ao zero, Mickey fez um trejeito mais magistral e com um flash de luz os outros personagens estouraram os seus balões fazendo cair papel laminado azul ao mesmo tempo que as mesas mudaram para a cor azul.
- Menino! – gritaram juntos.
A festa ainda perdurou por pouco mais de uma hora. O gerente do hotel chegou ao final com uma cesta de presentes para o casal e para o bebê de cortesia. Todos acharam que Henrique era realmente transgênero, e mantiveram a farsa independente de qualquer coisa.
Gustavo notou que o genro estava se sentindo sufocado ali dentro, mais para perto do fim e o chamou para dar uma volta do lado de fora do hotel. Antes de sair fez sinal para que William os acompanhassem.
- O que o está incomodando, meu filho? – perguntou o sogro.
- Nada... – olhou para ele e sorriu sem jeito. – Não adianta nem tentar, está muito transparente, né?
- Mesmo se não tivesse, eu teria percebido. Conheço bem essa reação. Quer conversar sobre o que está sentindo? Vai te fazer bem.
- É muita coisa ao mesmo tempo. É muito para processar e, caramba... por mais que eu esteja feliz, e acredite meu sogro: eu estou nas nuvens! Não consigo me preocupar com o fato de que tudo isso é fora do normal, é quase que um filme de terror pra mim onde tem horas que eu sou a vítima indefesa e tem horas que eu me acho o espírito assassino. Chego às vezes a ter até alguns sintomas do Henrique, principalmente os enjoos, as alterações de humor. Mas para não preocupar ninguém fico aguentando calado.
- Você devia procurar um médico, mas posso te adiantar uma coisa: Dr. Bells chegou a falar com você, principalmente, sobre síndrome de couvade?
- Oi?! – Mack e o pai tiveram a mesma reação. Gustavo deu um tapinha no ombro do genro.
- É quando os homens manifestam alguns sintomas da gravidez. Também é chamado de gravidez fantasma ou simpática. Não é nada demais... e tem também alguns traços de depressão aí. Maximus, meu querido, não coloque uma pressão desnecessária na gravidez de Henrique. Esse momento é para ser aproveitado, curtido, apreciado.
Mack abraçou o sogro.
- Aposto que também está pensando constantemente sobre o sustento da família, sobre sua capacidade de ser pai, provavelmente também está se comparando com seu pai ou até mesmo comigo ou seus avós. – foi a vez de William falar algo.
- É. Também.
- Cada um é cada um. Acredite, nada vai te preparar para ser pai. Eu digo mesmo, NADA. Não tente ser um William ou um Gustavo. Seja um Maximus, melhor: seja O Maximus. A gente vive falando que vocês seriam ótimos pais e tudo mais, não tente viver para esse objetivo de superar nossas expectativas. Sejam vocês mesmos, e é isso que vai fazer com que sejam pais sensacionais, porque fora da curva vocês já são.
Se sentaram em uma espreguiçadeira e ficaram admirando o céu sem uma única nuvem e a lua enorme no céu e ao longe, na outra margem do lago o espetáculo de fogos de artifício de encerramento de um dos parques.
O dia seguinte foi marcado por um passeio de família no parque principal de Disney. O dia estava muito quente, bem ensolarado o que rendeu inúmeras fotos na parte da manhã lindíssimas.
Henrique fez questão de entrar na loja e comprar um chapéu de orelhas do Mickey do arco-íris e uma camisa com a estampa do Mickey azul clara. Mack acompanhou na orelha, comprando uma idêntica.
Passava de meio dia, o calor estava de matar. Enquanto alguns membros do grupo se dirigiram para a fila de uma das atrações, Henrique e Maximus se afastaram um pouco, sentando-se em um largo sob a sombra de uma árvore.
- Que calor ignorante! – reclamou Mack.
- Se eu soubesse que ia estar quente como no Rio hoje, teria mudado a escolha para um dos parques aquáticos. – Henrique sacudiu a camisa para abanar e percebeu que a camisa no seu peito estava grudada. – Tô suando tanto que a camisa tá colando no corpo.
Maximus olhou para o marido e arregalou os olhos, segurou o riso.
- Você está vazando. – brincou.
- Eu sei. Tá saindo suor por todos os poros possíveis.
- Não, Gabe. Você está realmente vazando. – apalpou o próprio peitoral e apontou para o do marido.
Henry olhou para o próprio peito e notou duas manchas líquidas bem destacadas ao redor dos mamilos.
- Isso tá ficando ridículo! – sussurrou indignado cruzando os braços na altura do peito e se levantando de imediato procurando por um banheiro. Mack começou a rir da situação. – Para de rir e pensa em alguma coisa, pelo amor de Deus.
- Corre pro banheiro, vou ver se consigo alguma camisa e um casaco para você se trocar.
Enquanto Henrique correu para o banheiro, Maximus foi na direção oposta, para uma das lojinhas do parque. Escolheu uma camisa e um casaco de moletom qualquer. A caminho do caixa viu umas toalhinhas de mão e pegou duas. Ficaram trocando mensagens pelo celular para passar o tempo.
Maxie
[Comprei uma camisa e um casaco aqui... tive a ideia de colocar uma toalha de mão dobrada para absorver um pouco do líquido.] – colocou no final um emoji sorrindo e piscando um dos olhos.
Gabe
[Ufa. Estou trancado no cubículo mais afastado do banheiro. Parece mesmo que estou vazando, em gotas, mas estou.]
Maxie
[A fila está um pouco grande, aguenta mais um pouquinho.]
[Mas... é leite?]
Gabe
[Não parece, mas tem um cheiro fraco sim de leite.]
[Meu pai acabou de responder, parece que é normal isso acontecer.]
[Dr. Bells concorda, mas pediu para fazermos exames para confirmar que está tudo bem.]
Maxie
[Tá sentindo alguma coisa mais?]
Gabe
[Nada diferente desse novo normal.]
[Isso realmente tá patético. Vou ter que usar sutiã agora?!]
Maximus soltou uma gargalhada enquanto a atendente do caixa registrava suas compras.
- Desculpa pelo susto. Meu marido... – sacudiu mostrando o celular.
- Sem problema, senhor. Aqui está. – estendeu a sacola com as compras, o recibo e o cartão.
- Obrigado.
Correu para o banheiro e bateu na porta do cubículo.
- Gabe?! – a porta destrancou e Henrique o puxou para dentro do reservado o beijando vorazmente. – Gabe?!
- Pena estarmos aqui... – reclamou. – Vamos arrumar problemas.
- Acho que você está um pouco alterado?
- Você acha?! Eu só me limpei e esses malditos mamilos fizeram eu ter uma ereção instantânea. – sussurrou no ouvido do marido.
- Melhor eu sair daqui antes que você me ataque. – sorriu e saiu do cubículo. – Te espero lá fora.
Para a sorte dos dois, só eles estavam dentro do banheiro. Henrique dobrou uma das toalhas e colocou por cima dos mamilos, vestiu a camisa nova: essa era escura com uma estampa do Pateta e o casaco era todo preto com a silhueta da cabeça do Mickey em vinil preto também. Estaria bem discreto se não tivesse um sol de rachar do lado de fora.
- Essa toalha vai ficar caindo o tempo todo.
- Melhor então enrolar a camisa que estava usando, quer ajuda? – Henrique abriu a porta e ficou de costas para o marido. Ele enrolou um pouco a camisa. – Segure a toalha, vou amarrar a outra em volta.
Quando saíram do banheiro, o resto do grupo aguardava por eles.
- Por favor, sem comentários. – Henrique falou sem jeito para os pais que estavam se segurando para não começar a rir.
- Você está se sentindo bem? – William perguntou inocentemente. – De casaco de moletom debaixo desse sol escaldante e suando desse jeito.
- Digamos que nosso jovem papai está tendo um pequeno problema peitoral. – Gustavo declarou em tom jocoso.
- Vocês são incorrigíveis. Podem zoar. – a mãe soltou uma risada tão contagiante que o resto acompanhou, até mesmo Henrique. – Que situação, hein.
No dia seguinte, já de volta em New Casterside, Henrique foi sozinho ao consultório do Dr. Bells fora do hospital, ele não estaria de plantão no dia. Chegou no meio da tarde, várias mamães em diversos estágios de gravidez aguardavam atendimento do médico.
Estava sentindo uma dor ainda mais forte na lombar. Sentou-se com um pouco de dificuldade, mas tentou não transparecer. Todas olharam para ele em seguida com sorrisos luminosos em seus rostos, uma delas estava com uma menina pequena de uns três anos comportada sentada entre ele e a mãe.
- Esperando sua esposa? – Henrique não esperava por essa pergunta.
- Na verdade não, o atendimento é... para mim mesmo. – respondeu titubeante.
- Que fofo! Difícil ver os maridos tão envolvidos dessa forma... Desculpa te perguntar, se não quiser responder não tem problema, e me desculpa também por ser intrometida, mas é tão chato ficar nesse ambiente sem ter com quem conversar. – Henry abriu um sorriso.
- Sem problema, pode perguntar.
- Sua esposa está de quantos meses?
- Sou eu mesmo. – ela arregalou os olhos. – e estamos a caminho do quinto mês.
- Mil desculpas. Não imaginei que fosse...
- Trans?! – Henrique entendeu a mensagem e continuou simpaticamente. – Imagina. Não teria como imaginar, não é mesmo?
- Eu já estou caminhando para os sete. – a barriga dela estava gigantesca. Henry arregalou os olhos.
- Podia jurar que já está praticamente dando à luz.
- São gêmeos.
- Meus parabéns?! Eu acho. – ela riu.
- Estamos radiantes. Somos o primeiro casal tanto da minha parte da família quanto da família do meu esposo a ter gêmeos.
- Então meus parabéns mesmo!
- Obrigada. – falou orgulhosa. – Sem querer me intrometer mais, para estar aqui sozinho sem sua esposa, está acontecendo alguma coisa?
- Meu marido... são apenas dúvidas de um pai de primeira viagem. Maxie, meu esposo, está bem e nosso bebê também está se desenvolvendo saudável.
- Isso é muito bom. Se eu puder ajudar com alguma questão...
A porta do consultório abriu, saindo uma mamãe acompanhada do marido. Robert olhou para Henrique e sorriu.
- Vamos lá, Sr. Fuller. – se levantou sentindo a lombar doer um pouco. Robert o ajudou a se levantar.
- Obrigado... – cumprimentou sua companheira de bate papo.
- Rose.
- Henry. A gente se vê na próxima consulta.
- Tomara que sim.
Antes de entrar no consultório ainda ouviu Rose comentando com as outras mães: gostei dele.
- Quer dizer que você teve mais uma das experiências das grávidas? – Dr. Bells riu.
- Pois é. A minha gravidez não podia ser mais calma não? Tinha que ter todas as experiências?
- Acredite, podia ser pior. Olha, Sr. Fuller...
- Doutor, já passamos dessas formalidades faz tempo.
- Tudo bem, então Rob da minha parte. – Apertaram as mãos. – Então, Henry... eu estou ainda me sentindo privilegiado por estar acompanhando esse milagre, obrigado por confiar em mim.
- A gente fez você assinar um termo de confidencialidade, né? Eu não chamaria de confiança se estivesse no seu lugar, mas... sim, Rob, confio nossas vidas... – Acariciou a barriga. – à você. Voltando aos problemas, essas dores na lombar estão me matando.
- Espere até sua barriga ficar maior que o peso também vai ajudar.
- Não dá spoiler, Robert, por favor. – brincou. Retirou da bolsa um vidro com o líquido que tem saído do peito dele. – Não tem pingado muito, mas consegui pegar isso hoje de manhã.
- Vou m****r para o laboratório analisar. – Abriu o vidro e sentiu o cheiro. – É, o odor é típico mesmo. Henrique, sério, eu não podia desejar que você tivesse uma gravidez melhor. Você está com uma aparência ótima, as reações que seu corpo está tendo são perfeitamente normais, e seu...
Deu uma pausa, pois não sabia se ele já tinha aberto o resultado do exame de sexagem.
- Nosso garotão, Rob...
- Exatamente, esse rapazinho está se desenvolvendo muito bem, eu diria que melhor do que a maioria dos bebês atualmente. Tem sentido ele se mexer?
Puxou a mão do médico. O bebê deu uma mexida mais forte.
- O que acha?
- Bem ativo ele, hein?
- Tem seus dias.
- Tem tomado os suplementos?
- Todos eles rigorosamente.
- Mantenha assim. No mês que vem vamos fazer uma nova ultrassonografia para ver como esse rapaz está e como está a evolução também do seu útero, se é que podemos chamar assim.
- E teria outro nome para esse órgão? Estou curioso demais para ver como ele está.
- Quer spoilers?
- Por favor. – Robert virou o notebook para Henrique e mostrou uma foto de um bebê com quase vinte semanas.
- Ele deve estar mais ou menos assim. Do tamanho aproximado da nossa mão, uns dezessete centímetros e pesando mais ou menos uns 300 a 400 gramas. Já pode ter alguns fios de cabelo bem fininho, não chega a ser de verdade cabelo, chamamos de lanugo e pode cobrir todo o corpo dele. O corpinho dele já está todo formado, agora ele vai começar a ganhar corpo. Prepare-se para o aumento da sua barriga, agora vai ser mais rápido e mais perceptível. Já tem alguma desculpa formulada para as possíveis perguntas, porque sua barriga já tem a aparência da de uma mulher grávida.
- Vamos dizer para os desconhecidos que sou trans.
- É uma excelente saída.
- Isso me lembra de uma coisa importante, quero que você beba, no mínimo dois litros de líquidos durante o dia ou mais.
- Eu já estou indo ao banheiro quase de quinze em quinze minutos! Não vou mais sair de lá pelo visto.
- É sério, Henry. É muito importante se manter muito hidratado, não é só pelo bebê, mas por você também e exatamente esse é um dos motivos, como ele está pressionando mais a sua bexiga você está se desidratando muito mais rápido também. Outra coisa, sua dieta... quero que passe a se alimentar de três em três horas obrigatoriamente. Não precisa se empanzinar nas refeições, coma o que der, mesmo que não esteja sentindo fome, mas procure alimentos ricos em cálcio principalmente, abuse de leite, queijos, iogurtes, barrinhas de cereal.
- Certo.
- Continue com as caminhadas, mesmo que passe a ficar um pouco mais difícil por conta do peso da barriga, mesmo que seja devagar, mas não deixe de fazer as caminhadas diárias, procure sempre estar acompanhado caso precise de um suporte. E tome sol por pelo menos uns 15 minutos sempre que for possível, na parte da manhã de preferência até umas 9:30.
- Em outras palavras, as mesmas recomendações de sempre.
- É sempre bom lembrar. Tem muitas mamães aqui que esquecem disso e depois dizem que eu não as instruí.
- Pode ficar tranquilo comigo, sigo à risca tudo.
- Tem alguma dúvida mais?
- Na verdade, tenho... eu tenho sentido... é meio embaraçoso falar sobre isso, mas...
- Desejos sexuais.
- É. Muito mais que o normal, e pode considerar isso como quase um tarado compulsivo.
O médico riu alto.
- Meu querido, isso é absolutamente normal. O que acontece, todo seu corpo está com atividade vascular mais intensa, e isso deixa suas zonas erógenas mais sensíveis. Muitas mães vêm aqui e dizem que só de esbarrar com os peitos em algum móvel ou em alguém já desperta vontades sexuais.
- Isso tem acontecido bastante. Algumas semanas atrás estávamos no outlet e de tanto esbarrar nas pessoas tive uma ereção bem complicada de controlar, esse final de semana quase avancei no Maxie no banheiro do parque, tive que fazer um esforço gigantesco para não provocar nossa expulsão.
- Mas a pergunta na verdade é...? – Bells já sabia onde ele iria chegar.
- É seguro pro bebê?
- Você ter relações sexuais com seu marido? – Henrique assentiu. – Claro que é. Não tem problema algum vocês aproveitarem esse momento também, pode ser um pouco desafiador buscar uma posição confortável para o ato em si, mas usem a criatividade e tentem não jogar o peso na barriga, obviamente. No mais, aproveitem. Provavelmente para você a sensação deve ser ainda mais intensa.
Henrique ainda não tinha pensado em como seria amamentar o pequeno depois do nascimento, essa ficha de realidade bateu nele com força.
“Vou ter que voltar a me depilar. Que saco isso. Estava gostando da ideia de ficar um ursão.” – apesar de realmente achar uma rotina chata, achou graça de chegar à essa conclusão.
Tão logo chegou em casa, foi direto ao banheiro e começou os preparativos para tirar os pelos corporais como fazia antes da gravidez. Começou justamente pelo peitoral. Antes de passar o barbeador tradicional, usou um aparelho específico para cortar os pelos do corpo.
Deslizava a máquina em vários sentidos lentamente cortando o mais rente possível da pele e bem vagarosamente, não teve como não erotizar o momento. Henrique continuou passando o aparelho próximo das suas áreas erógenas mais sensíveis e soltava breves e suaves gemidinhos.
“Como nunca percebi que isso era tão bom.” – pensou.
Ao passar próximo dos mamilos, voltou a soltar líquido e ao mesmo tempo uma eletricidade percorreu seu corpo fazendo com que seu pênis ficasse imediatamente enrijecido.
Sentiu as pernas ficarem bambas, fraquejarem. Tamanho era o prazer que estava sentindo. Com a mão livre começou a se masturbar lentamente, aproveitando as vibrações do aparelho em seu peitoral.
O bebê deu sinal de vida em sua barriga o que fez com que Henrique se assustasse e deixasse o aparelho cair no chão.
- Bebê! Isso é hora de se manifestar?! – reclamou desligando o aparelho. – Será que você sabe o que está acontecendo? Meu Deus! Eu sou um pai desnaturado!
Começou a gargalhar sozinho pensando em como estava sendo absurdo a autorrecriminação.
- Vamos terminar logo com isso então. – continuou a depilação. E com o bebê mexendo na direto, isso manteve sua atenção longe do estímulo sexual fazendo-o rir o tempo todo. – Nem nasceu ainda e já tá dando uma de empata-foda, é?!
A barriga já atrapalhava o acesso aos “países baixos” como Henrique costumava se referir.
“Acho que vai ser mais interessante pedir ajuda à Maxie depois para essa parte.” – pensou adicionando outras intenções, mordendo o lábio inferior.
A criança mexeu novamente despertando ele outra vez da imaginação.
- Você tá implicante hoje, hein, pirralho!
Depois de atender oito pacientes a única coisa que eu queria era um donut de pão de mel da Claire, um chocolate quente com caramelo salgado e muito chantilly e uma banheira com sais relaxantes.Espero que Owie já tenha gasto toda energia com Kurama, Pan e Maxie. Hoje eu preciso muito descansar.- Olááááá queridooo! – Claire saiu de trás do balcão e veio me abraçar como de costume.- Meu anjo... preciso do meu kit especial de relaxamento. – ela já me entendia, sabia exatamente aos itens que me referia.- Vai levar algo pro Mack e pro Mini-Mack?- Olha só ele é mais parecido comigo do que com Maxie, ok?- Se você diz... – ela fez um muxoxo. – seu ciumento!- Acho que vou levar as mesmas coisas de sempre pra cada um.- Posso trocar uma coisa pro meu sobrinho lindo?- Quando é que você
PARTE III52 semanas depois⚝CAPÍTULO 25Os convidados já chegavam, Henrique conversava animadamente com Kaito, Nicholas e Philip, enquanto Maximus ainda estava no andar de cima trocando o pequeno Owen.- Filho, ajuda papai aqui. – estava tendo dificuldades para colocar a roupinha nele. Estava mais agitado que o normal.- Papa.Maximus simplesmente congelou.- Papa?! Você falou papa?! – pegou Owen no colo e o elevou no alto animado, o pequeno começou a gargalhar, ele adorava quando Mack fazia isso. – Papa!- Papa. – e ria.Como eles estavam demorando para descer, Henrique foi ver o motivo da demora. Subiu as escadas e ouviu as gargalhadas deliciosas do filho.- Posso saber o motivo da demora dos senhoritos? – Imediatamente o pequeno estendeu os braços para que Henry o pegasse.- Olha só isso... Owie...
Maximus acordou no momento que traziam Henrique para o quarto. Se aproximou do marido depois de transferirem ele para o leito do quarto. Se olhavam com carinho.- Eu sei que você não pode falar ainda, mas eu preciso de dizer uma coisa: eu te amo mais que tudo e nunca fui tão feliz na minha vida. Não consigo imaginar minha vida sem você e agora sem o pirralhinho que acabou de chegar. – Deu um beijo em sua testa e ficou fazendo cafuné nele até ele adormecer novamente.A enfermeira chegou minutos depois com o bebê, já limpo e enroladinho na manta. Mack pegou o filho no colo e levou até o marido. Henrique queria falar, expressar tudo o que estava sentindo. Mas foi fortemente advertido para as consequências.Admirava cada curvinha do filho, os lábios e o biquinho característico da família, as bochechinhas fofíssimas, o narizinho, orelhinhas e mãozinhas mi
Henrique estava sentado na poltrona, com ela virada para a movimentação frenética da casa. Sua mãe, seu recém-chegado pai e seu marido iam de um lado para outro pegando coisas em lugares diferentes, passando instruções uns para os outros.Ele achava graça de tudo.- Parecem formigas quando alguém mexe no formigueiro. Olha só Owen. – sussurrou para a barriga, levantando a camisa. – Acho que esqueceram que estamos aqui.Do lado de fora estava uma chuva fina e Maximus já tinha ligado para o hospital uma centena de vezes para confirmar se já estava tudo pronto para recebê-los. Helena acabava pedindo para ele ligar novamente quase que minutos depois, ela estava tão desbaratada que já tinha tirado e recolocado as coisas nas duas bolsas da maternidade várias vezes cismando sempre no final que estava faltando algo, que na verdade já tinha col
À medida que os dias passaram depois do último exame, o choque de realidade bateu em Henrique com força. Ele estava uma pilha de nervos, não a ponto de esbofetear quem passasse na sua frente, mas de tensão, ansiedade e medo.Muito por causa de um sonho que teve por estar tendo contrações sem qualquer abertura para a saída do bebê e ele apavorado por estar longe de tudo, sem ninguém por perto.Esse pesadelo o perseguiu por vários dias seguidos e em segredo. Mas tanto Maximus quanto Helena sabiam que algo não estava bem, porém respeitavam o espaço de Henry, que passou a ficar a maior parte do tempo no quarto do bebê, ironicamente era o único ambiente onde ele conseguia manter a mente afastada desse medo.E olhar para a réplica do bebê embrulhada em uma fralda estampada com filhotes de unicórnios o tranquilizava.Ficava reimaginan
- Meu Deus! Olha o tamanho dessa barriga! – Helena estava ao mesmo tempo admirada e assustada. Seu filho nunca teve o físico fora de forma, sempre praticando musculação, sempre em dieta planejada e percentual de gordura corporal abaixo dos 5%. – Só assim para te ver relaxar com o corpo.Pagou o motorista do Lyft, que gentilmente colocou as três malas grandes no hall de entrada da casa.- Oi, mamãe. Como foi de viagem? – estava com o humor no pé.- O voo foi tranquilíssimo, embora eu não tivesse conseguido pregar o olho sequer uma vez, e ter que fazer conexão em Miami. Deu, pelo menos, para terminar o livro que eu estava lendo. Que carinha é essa, hein?- Sei lá... sabe quando você acorda e tem a impressão de que não devia ter saído da cama? Por favor, não comece achando que é por sua causa, porque não é