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CAPÍTULO 15

作者: Alex Mello
last update 公開日: 2021-10-23 11:11:07

Cada dia mais pesado, cada dia mais a barriga ficava mais e mais evidente como o obstetra havia comentado.

Estavam na sala assistindo alguma série no streaming quando o grávido precisou levantar para ir ao banheiro pela milionésima vez do dia. Não conseguiu se levantar sem a ajuda de Maximus.

– Estou ficando um inválido! Robert teve que me ajudar a levantar no consultório também.

- Robert?!

- Dr. Bells, seu bobo. Ele disse que o crescimento do nosso bebê vai ser ainda mais rápido agora, isso significa que eu vou ficar parecendo um balão.

- Um balão sexy e que eu amo cada vez mais.

- Fala sério que você está sentindo atração por mim desse jeito?

- Como não estaria?! Eu sinto atração por você e ponto. Confesso que ver você com curvas diferentes me excitou bastante.

- Para de me provocar se não tiver a intenção de levar isso adiante.

- Mais tarde quem sabe.

Ao voltar do banheiro, deitaram-se de conchinha no sofá, ambos ficaram pensativos por uns instantes, acariciando a barriga e sentindo as movimentações do pequeno.

- Tem noção de como as coisas vão mudar depois do nascimento do nosso filho?

- Ainda não tive tempo para avaliar isso, Gabe. Como você mesmo disse, estou deixando para pensar nos problemas e nas mudanças quando acontecerem e me planejando para as coisas mais imediatas.

- Olha só, meu Maxie está tão crescidinho. – zombou.

- Sabe... eu tava pensando numa coisa, lembra daquele lance no dia do nosso casamento? Será que era sobre isso que aquela senhora estava falando com você?

Henrique até ali não tinha se lembrado de quando chegaram no hotel depois da festa e a vovó o parou e disse que algo maravilhoso estava para acontecer e que não acreditaria de início, mas que deixaria ambos felizes.

- Não posso confirmar nem negar nada. – e riu. – Quem sabe?

- Acho que você precisa ir menos à minha loja, Henry... estou me sentindo culpada.

- Por quê?

- Quando te conheci você tinha um corpaço. Não que eu tenha algo contra isso e muito menos sou contra você marcar ponto na loja todo santo dia, mas... – Henrique riu alto.

- Fique tranquila, Claire. Essa mudança radical na minha realidade é a culpada disso tudo, não seus doces e pães maravilhosos e irresistíveis. E eu também não tenho ido à academia... e sabe de uma coisa, estou me sentindo bem sem ter que me controlar o tempo todo com exercícios, dietas rigorosas, suplementos para ganho de massa muscular. Estar mais relaxado tem me feito muito bem.

- Realmente me parece bem mais feliz, Sr. Fuller.

- E além do mais, ainda mantenho meu molejo. – Henrique fez um body roll[1] perfeito, mesmo com dores na lombar e com a barriga já de cinco meses e meio.

- Não perdeu nada mesmo da ginga desde o réveillon. – elogiou Nicholas.

- É como andar de bicicleta, pode perder a prática, mas nunca mais se esquece. – sentiu um leve aperto na barriga, conseguiu disfarçar bem, mas achou que seria melhor sentar.

Estavam todos do lado de fora, no quintal dos fundos, aproveitando o sol e a temperatura amena. Tudo estava indo bem até Maximus notar que Henrique estava suando frio e fazia um esforço sobre-humano para disfarçar.

- Gabe... tá sentindo alguma coisa?

- Apertos na barriga... acho que podem ser as benditas contrações.

- Mas não tá um pouco cedo demais para isso? – Mack se alarmou. – Vou ligar para o Dr. Bells, quer ir pra casa?

- Não, por enquanto está dando para disfarçar.

- Sinto muito te dizer, meu amor, mas não tá não. Você está suando e se alguém parar realmente pra olhar para você vai ver que está sentindo dores. Sua cara não mente. – Se afastou e ligou para o médico. – Dr. Bells, Maximus Fuller aqui. Seguinte, Henry está sentindo umas dores na barriga, está achando que pode ser contração. Sei... tudo bem, estou levando-o agora. Nos encontramos lá. Obrigado, doutor e desculpa atrapalhar seu descanso.

Henrique deu um gemido mais forte e curvou-se de dor, levando as mãos à barriga. Nicholas o amparou.

- Henry!?

- Parece até brincadeira, né? Mas sempre tem que acontecer alguma coisa quando estou com vocês? – brincou, mas com uma expressão de dor.

- Deixa disso, é só coincidência. MACK!

- Vamos para o carro. – Henrique sentiu dificuldade de andar e Maximus o pegou no colo.

- Vamos no meu carro. – falou Philip.

- Não precisa...

- Está mais perto e não tem tempo de discutir, Mack. Vem logo. – correram para o carro de Philip. Que partiu para o hospital.

Maximus entrou com Henrique no colo, duas enfermeiras vieram ao seu encontro na entrada da emergência.

- Chamem o Dr. Bells, ele já deve estar nos esperando. – Colocou o marido numa cadeira de rodas e foram guiados até um leito da enfermaria.

- Qual seu nome? – perguntou uma das profissionais.

- Henrique Lopes Fuller.

- O senhor é o que dele? – virou-se para Maximus.

- Marido.

- E o senhor?

- Apenas amigo da família.

- Terá que esperar aqui.

- Tudo bem. Mack, estarei aqui caso precise de algo.

- Obrigado, Nick. – respondeu virando o corredor junto com as enfermeiras.

Henrique já estava descansando no quarto. Mack aproveitou o momento para pegar algo para beber na máquina do andar e foi até a sala de espera.

- Oi, Nick.

- Como ele está?

- Está bem e estável agora... foi só um susto. – As expressões tanto de Nicholas quanto de Philip foram de mostrar que algo não estava certo. Maximus deixou os ombros caírem e notou que não teria como disfarçar mais. – Olha. O que tenho para contar para vocês não pode sair daqui, ok?

Se entreolharam e assentiram. Maximus procurou por um canto mais sossegado e acabaram parando na varanda do andar, não tinha ninguém, era um ambiente aberto e sentaram-se em uma das mesas de bancos altos.

- Vai soar estranho por um momento, eu mesmo demorei a me acostumar com a ideia, mas...

- Henrique está grávido, não é? – Nicholas o interrompeu.

- Nick?! Que absurdo é esse, como Henrique poderia estar grávido sendo um homem? – Mack permaneceu sério e olhando firme para os dois. – Mack?!

- É, Phil. Gabe está grávido de cinco meses e meio. Ninguém sabe explicar o motivo, nem como isso e não nos preocupamos em investigar muito a fundo também exceto se as coisas poderiam ser problemáticas primeiro para Henrique, depois para o bebê... mas sim, ele está grávido.

Os dois ficaram atônitos.

- Pois é... essa foi nossa reação depois de gargalharmos até ficar sem ar.

- Cara... nem sei o que falar. Acredita que meus pais pensaram até em chamar algum especialista para ver se tinha algum tipo de mofo na nossa casa por conta dos enjoos de Henry? – os olhos permaneceram arregalados. – Isso é sério mesmo?

- É. – sorriu sem jeito.

Explicou para os dois como as coisas aconteceram depois dos primeiros resultados até aquele momento.

- Então, Dr. Bells me disse que essas contrações falsas podem acontecer mesmo, normalmente são mais fracas, então ele vai deixar Gabe em observação essa noite e disse para ele tentar não se esforçar mais durante os próximos meses até o nascimento do nosso garoto.

- Isso é fantástico, Mack! – Nicholas falou todo animado. – Eu daria um rim pra ter uma oportunidade dessas com Phil.

- Mas eu preciso pedir a vocês que não comentem nada com ninguém. Se houver algum comentário, podem até dizer que Henry é trans e que decidimos engravidar, vai ser melhor que a alternativa.

- Imagina o tumulto que a mídia faria se soubesse. – o quarterback comentou.

- É exatamente isso que estamos querendo evitar.

- Se bem que, aqui para nossa cidade já é algo novo ter um transsexual grávido. Mas realmente o impacto vai ser bem menor.

- E como você está, Maximus?

- Já perdi as contas de quantas vezes respondi essa pergunta... e quantas vezes mudei essa resposta. – os três riram. – Nesse momento, mesmo tendo sido tranquilizado pelo médico, estou preocupado com a saúde dos meus dois garotos. Mas com relação à gravidez e tudo mais, estou me sentindo cada vez mais papai, acho que vou ser um babão com o moleque.

- Só acha?! Mack tá estampado na sua cara que se pudesse arrancaria o garoto da barriga do Henry e já correria com ele por aí. – Nick falou. – Titio aqui também, confesso. Posso me considerar tio dele né?

- É óbvio!

- E nomes? Já escolheram?

- Ainda não nos sentamos para conversar sobre isso, acho que estamos ainda tão aparvalhados que nem paramos para pensar nas coisas mais básicas. O moleque vai precisar de um nome.

- A menos que queira chamar ele de “garoto” como aquele personagem dos games.

- Não é uma má ideia. Simples, prático e eficiente.

- Tenho a ligeira impressão de que Henry não gostaria muito disso.

- Ele odiaria, mas seria muito pior com as avós. Minha mãe me esfolaria vivo.

Voltaram para o quarto, Henrique já estava acordado e comendo potes e mais potes de gelatina.

- Gente, isso é a única coisa realmente que vale demais a pena no hospital de comida. Acho que nosso pequeno também adora, já comi uns cinco potes e já pedi mais.

- A máfia da gelatina já está na ativa? – brincou Philip. – As vezes que fiquei internado aqui eu também tinha meus contatos.

- Óbvio! São as vantagens de conhecer alguns funcionários aqui.

- Você está se aproveitando do fato de K-San trabalhar aqui.

- Isso também. – Mack beijou o marido na testa e só o olhar dele já denunciava o que queria saber. – Estamos bem, meu amor. Quem me acordou inclusive foi ele.

Puxou a mão dele para a barriga e instintivamente largou, quando se deu conta que Nicholas e Philip estavam também no quarto.

- Não se preocupe, eles já sabem.

- Qual versão?

- A verdadeira.

- Posso...? – Nicholas estava doido para atestar o conhecimento recém adquirido.

- Claro! – puxou a mão de Nick e colocou por cima de onde o pequeno ser se manifestava.

- Uau! Phil! Olha isso! – fez Philip sentir também.

- Que garotão forte, hein!

- Nem me fale.

A semana voou. Nicholas se tornou figura fácil na casa dos Fuller, estava encantado com a gravidez, mas se identificou quase que de imediato com Henrique, a amizade entre eles estava cada vez mais estreita e, aproveitando o fato de que Philip estava fazendo os próximos jogos na região, optou por ficar na casa dos pais.

Só que passava o dia inteiro com Henry, ajudando-o como podia.

Estava prestes a completar os seis meses de gravidez e o peso e tamanho da barriga já começavam a incomodar à ponto de preferir ficar sentado ou deitado na sala de estar conversando ou jogando ou assistindo algo com Nicholas. Se não fosse por Nick o arrastar para o lado de fora para fazerem a trilha diária, Henry passaria o dia comendo, dormindo e fazendo xixi de quinze em quinze minutos.

- Quer ir com a gente no exame, Nick?

- Posso mesmo? – Henrique riu.

- Estou vendo o quanto está curtindo minha gravidez em tão pouco tempo, meu querido amigo. E como tem me ajudado nesses últimos dias tanto, merece o prêmio.

- Me sentiria honrado.

Ao chegar no consultório do Dr. Bells, não tinha mais nenhuma outra paciente presente, ele estava esperando apenas Henrique.

- Vamos matar todas as nossas curiosidades? – provocou o Dr. Bells. Se dirigiram para a sala do ultrassom. Henrique tirou a camisa e se deitou na maca. O médico abriu o prontuário de Henrique no aparelho, fez as primeiras configurações e anotações. Enquanto Maximus se posicionou ao lado da cabeça de Henry e Nick ficou ao seu lado.

- Pode chegar mais perto, Nick.

O exame começou com as já conhecidas imagens desconexas e sem sentido para os olhos dos leigos, mas rapidamente identificou a posição do pequeno.

- Ele está deitadinho e bonitinho para facilitar nossa vida, obrigado rapaz... e já escolheram o nome dele?

- Eu já anotei algumas ideias...

- Eu também tive pensando, mas ainda não sentamos para decidir. – o médico riu da forma como Mack falou.

- Não se espantem, conheço pais que já escolhem o nome no dia do resultado da sexagem e outros que só vão decidir no hospital depois do parto. Então vocês ainda estão na margem. – apontou para o monitor. – Digam olá para o seu filhote. Mas antes deixa eu fazer uma coisa...

O rostinho todo perfeito no plano em 2D, mas de repente mudou para uma visão em três dimensões simulando como estaria o rosto do bebê.

- Olha que coisa mais lindinha! – Nick não se conteve. Henrique e Maximus estavam em êxtase. – Olha esse narizinho, essa boquinha!

Uma das mãos estava próxima do rosto como se tivesse apoiando nela como um travesseiro, a outra estava cruzada na barriga. Voltou para a visão tradicional e mostrou o restante do corpo, as perninhas, o saquinho (ou o que conseguiram identificar), o bumbum.

A cada pausa, Robert Bells registrava “fotos” e fazia medições.

- Ele está todo perfeito, papais. E titio. Está medindo aproximadamente 32 centímetros e pesando 842 gramas. Totalmente compatível com as 25 semanas de gestação, meus queridos. Vamos ver o coraçãozinho desse rapazinho como está?

Fez mais algumas medições enquanto os papais olhavam atentamente para o monitor. E mudou para a visão da frequência cardíaca. E salvou alguns vídeos mostrando o funcionamento do coração. As lágrimas de Henrique rolavam sem qualquer cerimônia.

- 148 batimentos por minuto. Concluindo, esse garotão está firme e forte. – Fez mais alguns registros de medições, imagens e vídeos e salvou tudo. – Pode se limpar e vamos para o consultório. Temos que conversar sobre algumas coisas importantes.

Depois de todos se recomporem, foram para o consultório. Nicholas ia saindo, mas Henrique o puxou para o consultório.

- Nem pense... pode vir junto. – Sentaram-se e o médico transferiu o resultado do ultrassom para o flashdrive que eles já carregavam desde o primeiro ultrassom oficial.

- Papai Henrique e papai Maximus. Como a gente já tinha combinado no início, não sabemos como esse órgão irá se desenvolver e de qualquer forma a opção mais segura, tanto para o bebê quanto para você Henrique é a cesariana. – mostrou no calendário do programa do consultório uma projeção. – Está vendo aqui, segundo nossas estimativas o nascimento normalmente aconteceria entre a semana 37 e a semana 42. O que acha de marcarmos para a semana 39, se tudo correr dentro do esperado?

- Como assim correr dentro do esperado? – perguntou Henrique.

- Como eu disse, a partir da trigésima sétima semana já poderia entrar em trabalho de parto, e se isso acontecer vamos ter que correr para a cirurgia antes do previsto. Ainda quero fazer mais dois ultrassons, um no meio do caminho até a semana 37, digamos daqui a cinco semanas, e outro quando completarmos as 37 semanas.

- Então, marcaríamos o nascimento para essa semana aqui, de setembro... por volta do dia 20? – perguntou Maximus apontando no calendário.

- Exatamente. Amanhã estarei no hospital e posso já marcar com eles para vocês, o que acham?

- Por mim tudo bem. – respondeu de imediato Mack. – o que você acha, Gabe?

- Pode ser sim. – sorriu. – Não vejo a hora. Ainda por cima depois do que vimos hoje.

- Então está decidido. Marquem nas suas agendas, apertem os cintos, porque vai passar num piscar de olhos.

Olharam para Nicholas que estava sem conseguir conter a emoção ainda do ultrassom.

- Imagina se ele tiver essa possibilidade também. – Henrique sussurrou para o marido.

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