ログインNão podiam desejam sorte melhor para o que tinham programado. Dia de sol aberto, temperatura agradável, uma brisa gostosa. Henrique, Maximus, Nicholas e Philip estavam aproveitando os últimos da folga do quarterback e organizaram um encontro de casais. Um piquenique no platô da Pedra do Sol.
- Você está bem para andar até lá, Gabe? Podemos fazer aqui no quintal de casa mesmo.
- Não, vamos lá sim. Só fui na Pedra no inverno, quero ver como deve ser nessa época do ano.
- A gente provavelmente estará morando aqui ainda no próximo ano, não seria problema nenhum esperar mais um pouco.
- Estou bem, Maxie. Sério. E além do mais, se precisar você pode nos carregar até lá. Ou Philip. Vocês dois são bem fortinhos.
- Vai querer tirar uma casquinha do quarterback, Sr. Fuller? Devo te lembrar que o senhor é casado e está prestes a se tornar pai?
- Que pecado há em se aproveitar de uma situação dessas. Um pobre grávido e indefeso que não consegue andar e seu marido não consegue carregá-lo. Um par de braços fortes a mais...
- Está bem assanhadinho hoje, hein?
- E quando não estou desde quando comecei a sentir necessidade a cada esbarrão em armários, maçanetas, portas e pessoas... acredita que um dia desses escorreguei quando entrei no carro e caí por cima do volante e as coisas ficaram bem animadas lá embaixo?
- Não desvie do assunto principal aqui, espertinho.
- Maxie... você acha mesmo que eu seria capaz de me atirar no Phil? Ele é um gato, maravilhoso, tem um corpo de parar o aeroporto internacional de Atlanta. Mas você sabe que pra mim você é o mais bonito... o mais interessante... o que tem o corpo mais escultural e o mais importante: é o homem com quem escolhi viver o resto da minha vida e que eu amo com cada fibra do meu ser, com cada pedacinho da minha alma.
- Ok, me convenceu.
- Como se eu precisasse. – Estavam abraçados quando a campainha tocou. – Oi meninos.
- Vamos, para não chegarmos muito tarde lá e arriscar pegar o sol mais quente e prejudicial pra vocês dois. – Philip apontou para Henrique e sua barriga. – Por precaução estamos levando uma cadeira de rodas que... bem, digamos que tivemos que usar em algum momento.
- Vai ter que contar a história, Sr. Miller. – Henry intimou.
- Talvez quando chegarmos na Pedra.
Não precisaram fazer uso da cadeira de rodas durante todo o caminho da ida, mas tiveram que andar em uma velocidade bem reduzida, além de terem que parar no caminho algumas vezes para que Henrique pudesse descansar um pouco.
Levaram Kurama junto com eles.
Armaram todas as parafernálias, incluindo um guarda sol enorme. Claire havia fornecido diversas das guloseimas prediletas de Henrique e de Nicholas. Se refrescaram com um chá gelado enquanto Mack e Philip jogavam frisbee de um lado para outro, fazendo o cachorro buscar em diversas direções.
- Conhece a lenda de Kitchesmanetoa? – Nicholas puxou o assunto.
- Não, apenas vi na pedra anotações.
- É um antigo Deus Illinois, aqui os xamãs das tribos locais realizavam rituais em tributo a Kitchesmanetoa, principalmente por segurança, fartura na colheita e na caça, e fertilidade.
- Multitarefa.
- As tribos da região eram monoteístas. Kitchesmanetoa era o Deus criador de todas as coisas. Por isso talvez tenha sido menos complicada a conversão deles para o cristianismo.
- Maldito Constantino. – observou Henrique sobre o fato do antigo imperador romano ter instaurado o cristianismo como a única religião aceitável. Nick riu.
- Concordo com você. Mas vamos esquecer esse contratempo e voltar ao tempo mais romântico: os jovens das tribos da região tinham a sua iniciação na vida adulta ficavam isolados e proibidos de comer e beber até que vissem seu totem, seu espírito guardião... eles o chamavam de manitou. Normalmente esse espírito guardião tinha a aparência de um urso ou lobo ou bisão e em alguns casos um falcão. Após isso se dava a cerimônia aqui na Pedra do Sol que oficializava a transição para a idade adulta.
- Aposto que os xamãs faziam que o Deus deles se manifestasse.
- Exatamente. Os historiadores dizem que o próprio Kitchesmanetoa se manifestava na forma de vários animais, mas um deles era seu preferido...
- O coiote branco de orelhas e rabo ruivos. – Nicholas arregalou os olhos.
- Você já o viu? – sussurrou para ele. Henrique balançou afirmativamente a cabeça. – E como foi?
- Foi na primeira vez que vim aqui. Na minha caminhada matinal, eu estava ainda um pouco assustado com tudo isso, a presença dele me acalmou. Parecia conversar diretamente com a minha alma.
- Exatamente essa sensação.
- Foi quando eu tive a certeza absoluta de que iria levar essa gravidez até o final. Será que esse coiote é o próprio Kitchesmanetoa?
- Eu não duvidaria. – respondeu Philip chegando para beber um pouco do chá gelado. – tivemos algumas provas de que esse coiote nos auxiliou em alguns momentos conturbados.
Philip olhou para a cadeira de rodas com um semblante entristecido.
- As lembranças do que essa cadeira significa não são das melhores, não é? Não precisa falar se não quiser.
- Entenda, se não tivéssemos passado por todas as coisas que passamos, provavelmente não daríamos o devido valor ao que temos hoje. Mas você tem razão foram tempos de provação bem pesados.
- Melhor não dizer mais nada, hoje é para termos um dia agradável, na companhia da amigos. – Henrique pegou na mão de Philip e de Nicholas. – Adoro vocês, e sinto como se a gente se conhecesse desde sempre.
- É recíproco.
- Não conhecia esse lado supersticioso de vocês. – Maximus sentou-se ao lado do marido e imediatamente, como tinha virado costume, acariciava a barriga dele.
- Digamos que é um pouco mais do que uma simples superstição depois que você tem algumas provas concretas. – respondeu Phil.
- Eu provavelmente não estaria falando com vocês hoje aqui sobre isso se não fosse por Kithcesmanetoa. – Nicholas contou sobre o acidente que teve no final do 11º ano.
- Que horrível, mas ao mesmo tempo que bom que não foi nada mais grave.
- É, a recuperação foi dolorosa mesmo assim, algumas fraturas, deslocamentos, muitos hematomas, mas se não fosse por esse carinha aqui também acho não teria aguentado. – Nicholas beijou Philip apaixonadamente. – Essa foi uma das vezes que tivemos a certeza de que o nosso querido Deus local nos protegeu.
Mudaram logo de assunto e começaram a fazer planos para o bebê que estava por vir. Henrique e Maximus contaram sobre os móveis que compraram e ainda não montaram.
- Vocês estão protelando ou falta tempo e disposição? – Nick brincou.
- Calma aí, meu querido. Esse rapaz está drenando todas as minhas energias e Maxie tem trabalhado tanto e ainda tem que atender aos pedidos malucos do pequeno.
- Colocando a culpa no pequerrucho que ainda nem nasceu. – Philip provocou.
- Mas é verdade, em sã consciência jamais comeria metade das coisas que esse molequinho me pede, pelo menos não da forma como ele pede.
- Se quiser eu posso te ajudar com algumas coisas, como não vou acompanhar Phil nos treinos e jogos da pré-temporada. Nem posso, eles fazem uma espécie de concentração total, e ele faz questão de participar de tudo.
- Tenho que mostrar que não sou melhor que ninguém.
- Desculpa, Phil, você é melhor que todos os outros juntos. – Mack tietava descaradamente. O quarterback ficou vermelho e os outros dois riram. – Mas eu entendi o que você quis dizer, é sobre humildade, sem estrelismo.
- E-exatamente.
- Voltando ao assunto principal, Nick. Eu agradeço, mas não quero abusar, além do mais...
- Nada disso! – Nicholas o interrompeu abruptamente, e Philip revirou os olhos já sabendo o resultado. – Eu já decidi. Vou ficar e ajudar vocês e no primeiro jogo da temporada vou sequestrar seu marido para irmos assistir ao jogo do Phil no início da temporada.
- Tá bom. – Henrique se encolheu provocando risos gerais.
Duas conversas paralelas se formaram após isso: Nicholas e Henrique fazendo planos para montar o quarto do bebê e, Maximus e Philip conversando sobre o esporte e voltando a atirar o frisbee para Kurama até ficar exausto.
Voltaram a se reunir à sombra na pausa para o almoço.
- Henry... Adam voltou a te incomodar?
- Adam?! – Mack estava sem entender de quem se tratava. Henrique fez cara de surpresa.
- Meu amor, eu tinha me esquecido de te contar com tanta coisa acontecendo e a viagem para Orlando..., fui abordado por um jornalista/blogueiro freelancer conhecido de Nick.
- Não precisa se desculpar, Gabe... mas devia ter me contado mesmo. O que ele queria?
- Me sondar, claro. Deve ter percebido alguma coisa em algum momento, ele certamente desconfia que sou trans...
- O que não é verdade. – Nicholas completou.
- Isso. Felizmente Nick estava por perto na hora e conseguimos nos livrar dele.
- Pena que eu ainda não sabia da verdade.
- Será que devemos nos preocupar com ele? – perguntou Maximus.
- Pelo que conheço do Adam, meus queridos, ele ainda vai tentar se aproximar de vocês algumas vezes e provavelmente vai investigar vocês de alguma forma.
- Acha que devemos procurar por ele e já solicitar que ele assine o termo de confidencialidade? – perguntou Henrique.
- Acho que isso só vai aguçar mais a curiosidade dele. À menos que vocês contem de cara a verdade pra ele...
- Mesmo assim, provavelmente ele vai encontrar alguma brecha pra vazar a informação. Se existe uma coisa que ele quer muito é uma chance de entrar em uma dessas gigantes da mídia, e uma notícia dessas pode bem ser um passaporte. – Nicholas completou Philip.
- Se eu fosse você, deixava ele especular à vontade. Por conta dos termos de confidencialidade, Adam não vai conseguir nenhuma confirmação à menos que burle a lei, e se isso acontecer, é o fim da carreira dele.
- E da nossa paz. – Henrique olhou para Maximus. – Mas... acho que a melhor alternativa é deixar quieto por enquanto mesmo, amor, mas devemos deixar o hospital e os médicos em alerta.
O plano inicial era passar só o período da manhã na Pedra do Sol, acabaram por estender para enquanto tivesse luz. Logo após o almoço seguiram o exemplo do companheiro de quatro patas e se deitaram para um cochilo.
O primeiro a acordar foi Maximus. Ele caminhou até a famosa pedra, olhou as inscrições e desenhos da mesma maneira que Henrique meses atrás. Kurama foi até ele, subiu na pedra e sentou-se olhando para a floresta atrás deles, do lado oposto de onde os outros ainda cochilavam.
- O que houve, Kurama-bebê? – O cachorro já tinha quase seis anos de idade, era muito maior que o normal para a raça e mesmo assim Mack o chamava de bebê.
Olhou na mesma direção e viu enfim o animal especial que tanto falavam anteriormente. O coiote branco de orelhas e rabo ruivos. Olhava diretamente e no fundo dos olhos do futuro papai.
Assim como os outros três, Maximus sentiu uma mistura de carinho, serenidade, convicção e até mesmo amor invadir sua alma. Como se estivesse sendo acariciado por Henrique ou abraçado pelo pai ou no colo de sua mãe. O peso que carregava nos ombros pareceu dissolver.
“Obrigado... Kitchesmanetoa.” – teve uma certeza inabalável de que se tratava realmente do Deus Illinois.
O último final de semana de folga de Philip se aproximava, os dois casais eram facilmente vistos juntos tanto no condomínio, quanto no shopping, em restaurantes e até mesmo nas diversas praças da cidade.
No último dia combinaram de passar o dia em Chicago. Passaram por todos os pontos turísticos possíveis e imagináveis, além de pequenos locais “secretos” como uma cafeteria escondida em uma pequena galeria de lojas alternativas que Philip e Nicholas conheceram tempos atrás e que ainda funcionava da mesma forma e com as mesmas pessoas.
Henrique ficou cada vez mais envolvido pelo país que morava agora, a única coisa que o faria se sentir completo seria se os pais viessem morar próximo deles.
Estavam caminhando pelo Navi Pier após o almoço, Henry com uma disposição atípica desde o início da gravidez, embora sentisse algumas dores nos pés e na lombar, porém não atrapalhou o passeio.
O píer estava movimentado, também pudera: domingo de sol é ingrediente certo para as atrações ao ar livre estarem abarrotadas de gente. O cenário era comum para o casal nativo de New Casterside, e até mesmo para Maximus, porém para o grávido era tudo muito novo e se encantou com tudo.
As pesquisas de opinião que Henrique era viciado em pesquisar apontavam Chicago como a terceira cidade mais amigável os Estados Unidos dentre as megalópoles, e mesmo já tendo visitado as outras duas, ele teve a certeza de que essa – na sua opinião – era a melhor.
Nicholas e Philip perguntavam a cada quinze minutos para ele se estava gostando do passeio, se queria parar para descansar um pouco, porém ele estava tão animado e vislumbrado com a cidade do “feijão prateado” que ainda não tinha parado para reparar nisso.
- Estou bem, pessoal. Sério.
- Não seria melhor dar uma parada para beber uma água, tomar um sorvete, meu Gabe?
- Isso é golpe baixo! Você está com vontade de tomar sorvete e vem com essa pra cima de mim? Só porque sabe que eu nunca digo não para sorvete.
- Você não vai se arrepender, prometo. – Maximus foi com Philip parecendo uma criança até sua sorveteria predileta no píer enquanto os outros dois procuraram um lugar para se sentar, preferencialmente com encosto para Henry ao ar livre. – Não vou nem deixar você escolher o sabor.
- Ok, eu acho?! – Mack jogou um beijo para o marido enquanto sumia na direção da sorveteria.
- Ou ele te conhece muito bem, ou ele realmente confia que você vai gostar das escolhas dele.
- Provavelmente tem um pouco de cada, Nick. – olhou em volta, o movimento das pessoas, os barcos dos passeios pelo lago Michigan parados em frente de onde estavam. – Que delícia de lugar. Foi uma excelente ideia termos vindo aqui.
- Não é? Eu sempre procuro vir aqui quando estou em New Casterside, pelo menos uma vez. – Nicholas imitou o amigo e olhou em volta, reconhecendo uma pessoa. – Não acredito.
- O que foi?
- Andrew.
- Que Andrew? Ah, não! O repórter? – Nick confirmou com a cabeça. – Por Deus, esse cara realmente cismou comigo.
- Temos que admitir que com razão, né? Mas... o que você quer fazer?
- Deixa quieto. O dia está tão bom que não quero me estressar com isso.
Era tarde demais para pensar assim. Definitivamente o resto do passeio não seria nada menos que tenso para ele, principalmente não querendo alarmar Maximus que, certamente, iria tirar satisfações com o repórter/blogueiro.
- Vai conseguir fingir que não sabe que ele está aqui?
- Tenho que fingir, ou então podemos ter sérios problemas. Estamos em um lugar público, não podemos fazer nada que possa interferir na sua imagem ou, principalmente na de Philip.
- Relaxa, a gente sabe lidar com o idiota do Andrew. Espera aqui.
- Nick, o que você vai fazer? – o amigo apenas deu uma piscadela para Henrique, pegou o celular e começou a andar despretensiosamente pelas vitrines próximas. – Amor?
[Desculpa, esqueci de perguntar o sabor que você quer?]
- O de sempre... mas não é isso. Advinha quem está nos rondando.
[Pelo seu tom de voz, o pela saco do Andy.]
- Exatamente.
[Já estou chegando aí. Tenta manter a naturalidade e diz para Henry ficar calmo.]
- Certo. Vai falar com Mack?
[Acha que devo?]
- Talvez fosse melhor não, mas confio no seu julgamento. Vou voltar pro Henrique.
Minutos depois, Phil e Mack entregaram os sorvetes para seus respectivos pares e caminharam na direção do repórter, juntos.
- Ai, Meu Deus... – Henrique pensou alto.
- Calma, Henry. Vai dar tudo certo, você vai ver. Philip é especialista em lidar com esse tipo de situação. Acredite, já passamos por cada aperto.
Maximus se separou de Philip a meio caminho tomando um rumo diferente. O objetivo era chegar por trás, de surpresa. O quarterback tirou os óculos escuros e o boné, atraindo uma legião de fãs na sua direção, ainda assim caminhando na direção do repórter e sorrindo para as pessoas simpaticamente.
- Oi, Andy.
- Phil, que surpresa! Não deveria estar em Nova Inglaterra?
- Amanhã. – falou e o abraçou como se fossem amigos, porém sussurrou no ouvido dele. – Acho que você precisa ser lembrado que não pode publicar uma única frase no seu blog ou em qualquer outra mídia que o identifique que tenha o meu nome ou de Nicholas.
- Não esqueci. Não estou aqui por vocês.
- Eu sei. Apreciaria bastante que você estendesse essa “cortesia” aos meus amigos Henrique e Maximus.
Mack chegou por trás e deu dois tapinhas nos ombros de Andrew.
- Sr. Fuller.
- Sr. Kirkman. Acho que nunca fomos apresentados antes, eu sou Maximus Fuller, advogado associado da Sachs & Dickinson. Responsável pelo desenvolvimento do braço do escritório em New Casterside. – falou com firme, porém de maneira elegante e educada. – Posso conversar com você um instante, por gentileza?
Enquanto Phil atraía os presentes até ele, distribuindo sorrisos, simpatia, charme e autógrafos, Andrew e Mack se afastaram um pouco da multidão para um local mais reservado, e ainda mais afastado do marido.
- Sr. Kirkman, eu fiquei sabendo recentemente do seu inconveniente interrogatório ao meu marido. – O repórter fez menção de responder, mas Maximus apenas levantou a mão o interrompendo. – Só um instante, não vou me demorar até porque meu marido precisa de mim e o que vou lhe falar não deve ser gravado de forma alguma ou divulgado de forma alguma, caso não queira ter uma enxurrada de processos batendo em sua porta.
- Tudo bem, Sr. Fuller. – parou de gravar com o celular e com o gravador que escondia em seu casaco.
- Ótimo. Nós não nos mudamos do Brasil para cá recentemente para termos problemas. Gostamos da nossa vida em privacidade e gostaríamos que permanecesse assim. Sei que parece muito estranho um homem ter a aparência de uma mulher grávida, mas acredito que o senhor é esperto e inteligente o suficiente para saber do que se trata e como isso pode ter acontecido.
- Eu apenas gostaria de contar a...
- Creio que o senhor não me ouviu direito: gostamos da nossa vida em privacidade. Acho desnecessário me repetir, à menos que você tenha o mesmo problema de um personagem de um famoso desenho que sofre de perda de memória recente. Então, vou pedir apenas uma vez, por favor, pare de nos importunar. Abordar meu marido ou ficar de tocaia nos espreitando não é uma forma muito inteligente de lidar com essa situação.
- O senhor se importaria de me responder apenas duas perguntas?
- Fora dos registros?
- Sim, fora dos registros. – Maximus assentiu. – Por que manter esse segredo todo? E, Henrique não me parece ser o que o senhor está insinuando para mim, por que tentar me enganar?
- O segredo é essencial por vários motivos e acho que como jornalista você saberia me listar todos de cor: preconceitos, fanatismos, invasões de privacidade, isso tudo e muito mais pode ser prejudicial para nossa segurança e do nosso bebê. E sobre sua segunda pergunta, vou te responder com outra pergunta: Não é mais tão incomum uma pessoa trans, principalmente sendo um homem trans, como é o caso do meu marido, engravidar. Existem vários casos no mundo e, com uma breve pesquisada na internet o senhor vai ver que não estou mentindo. O que tem de notícia nisso? Por acaso está se contentando com histórias tão pequenas assim?
Andrew fez um muxoxo sarcástico que foi imediatamente retribuído. Porém o olhar de Maximus mudou drasticamente em seguida, parecendo ameaçador.
- Um aviso, Sr. Andrew Kirkman, se chegar perto do meu marido ou de mim ou de qualquer pessoa de nossa família, nossos médicos ou até mesmo do nosso cachorro ou do nosso gato novamente para perguntar qualquer coisa relacionada com esse assunto, saiba que você vai desejar ter conhecido Satanás pessoalmente antes de ter me conhecido. Estamos entendidos?
- Perfeitamente. – Andrew não demonstrava estar intimidado por Maximus.
- Ótimo. Amanhã nos veremos, Sr. Kirkman.
- Amanhã?!
- Sim. Amanhã. Passe bem e tenha uma boa viagem de volta a New Casterside. – respondeu secamente e voltou-se na direção do marido.
Sentou-se ao lado de Henrique observando o repórter deixando o local apressadamente. Henrique olhava alternadamente para o marido e para Andrew.
- Maxie?!
- Não se preocupe, meu Gabe. Tive uma conversa bem franca com o nosso amigo repórter. Amanhã irei procurá-lo e espero que ele me receba, caso não queira receber uma ordem de restrição em tempo recorde no colo.
Depois de atender oito pacientes a única coisa que eu queria era um donut de pão de mel da Claire, um chocolate quente com caramelo salgado e muito chantilly e uma banheira com sais relaxantes.Espero que Owie já tenha gasto toda energia com Kurama, Pan e Maxie. Hoje eu preciso muito descansar.- Olááááá queridooo! – Claire saiu de trás do balcão e veio me abraçar como de costume.- Meu anjo... preciso do meu kit especial de relaxamento. – ela já me entendia, sabia exatamente aos itens que me referia.- Vai levar algo pro Mack e pro Mini-Mack?- Olha só ele é mais parecido comigo do que com Maxie, ok?- Se você diz... – ela fez um muxoxo. – seu ciumento!- Acho que vou levar as mesmas coisas de sempre pra cada um.- Posso trocar uma coisa pro meu sobrinho lindo?- Quando é que você
PARTE III52 semanas depois⚝CAPÍTULO 25Os convidados já chegavam, Henrique conversava animadamente com Kaito, Nicholas e Philip, enquanto Maximus ainda estava no andar de cima trocando o pequeno Owen.- Filho, ajuda papai aqui. – estava tendo dificuldades para colocar a roupinha nele. Estava mais agitado que o normal.- Papa.Maximus simplesmente congelou.- Papa?! Você falou papa?! – pegou Owen no colo e o elevou no alto animado, o pequeno começou a gargalhar, ele adorava quando Mack fazia isso. – Papa!- Papa. – e ria.Como eles estavam demorando para descer, Henrique foi ver o motivo da demora. Subiu as escadas e ouviu as gargalhadas deliciosas do filho.- Posso saber o motivo da demora dos senhoritos? – Imediatamente o pequeno estendeu os braços para que Henry o pegasse.- Olha só isso... Owie...
Maximus acordou no momento que traziam Henrique para o quarto. Se aproximou do marido depois de transferirem ele para o leito do quarto. Se olhavam com carinho.- Eu sei que você não pode falar ainda, mas eu preciso de dizer uma coisa: eu te amo mais que tudo e nunca fui tão feliz na minha vida. Não consigo imaginar minha vida sem você e agora sem o pirralhinho que acabou de chegar. – Deu um beijo em sua testa e ficou fazendo cafuné nele até ele adormecer novamente.A enfermeira chegou minutos depois com o bebê, já limpo e enroladinho na manta. Mack pegou o filho no colo e levou até o marido. Henrique queria falar, expressar tudo o que estava sentindo. Mas foi fortemente advertido para as consequências.Admirava cada curvinha do filho, os lábios e o biquinho característico da família, as bochechinhas fofíssimas, o narizinho, orelhinhas e mãozinhas mi
Henrique estava sentado na poltrona, com ela virada para a movimentação frenética da casa. Sua mãe, seu recém-chegado pai e seu marido iam de um lado para outro pegando coisas em lugares diferentes, passando instruções uns para os outros.Ele achava graça de tudo.- Parecem formigas quando alguém mexe no formigueiro. Olha só Owen. – sussurrou para a barriga, levantando a camisa. – Acho que esqueceram que estamos aqui.Do lado de fora estava uma chuva fina e Maximus já tinha ligado para o hospital uma centena de vezes para confirmar se já estava tudo pronto para recebê-los. Helena acabava pedindo para ele ligar novamente quase que minutos depois, ela estava tão desbaratada que já tinha tirado e recolocado as coisas nas duas bolsas da maternidade várias vezes cismando sempre no final que estava faltando algo, que na verdade já tinha col
À medida que os dias passaram depois do último exame, o choque de realidade bateu em Henrique com força. Ele estava uma pilha de nervos, não a ponto de esbofetear quem passasse na sua frente, mas de tensão, ansiedade e medo.Muito por causa de um sonho que teve por estar tendo contrações sem qualquer abertura para a saída do bebê e ele apavorado por estar longe de tudo, sem ninguém por perto.Esse pesadelo o perseguiu por vários dias seguidos e em segredo. Mas tanto Maximus quanto Helena sabiam que algo não estava bem, porém respeitavam o espaço de Henry, que passou a ficar a maior parte do tempo no quarto do bebê, ironicamente era o único ambiente onde ele conseguia manter a mente afastada desse medo.E olhar para a réplica do bebê embrulhada em uma fralda estampada com filhotes de unicórnios o tranquilizava.Ficava reimaginan
- Meu Deus! Olha o tamanho dessa barriga! – Helena estava ao mesmo tempo admirada e assustada. Seu filho nunca teve o físico fora de forma, sempre praticando musculação, sempre em dieta planejada e percentual de gordura corporal abaixo dos 5%. – Só assim para te ver relaxar com o corpo.Pagou o motorista do Lyft, que gentilmente colocou as três malas grandes no hall de entrada da casa.- Oi, mamãe. Como foi de viagem? – estava com o humor no pé.- O voo foi tranquilíssimo, embora eu não tivesse conseguido pregar o olho sequer uma vez, e ter que fazer conexão em Miami. Deu, pelo menos, para terminar o livro que eu estava lendo. Que carinha é essa, hein?- Sei lá... sabe quando você acorda e tem a impressão de que não devia ter saído da cama? Por favor, não comece achando que é por sua causa, porque não é