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CAPÍTULO 18

作者: Alex Mello
last update 公開日: 2021-10-23 11:14:04

- Eu não acredito que já estamos aqui por mais de três horas e a única coisa que conseguimos montar foi a base do colchão. – Maximus estava exausto e suava frio. Nicholas tamborilava os dedos em uma tábua da mobília e Kaito folheava pela bilionésima vez o manual.

Henrique assistia a tudo sentado na poltrona do lado oposto. Tomando seu suco, e filmando os três mosqueteiros tentando montar o berço.

- Meus caros, alguém tem graduação ou pós-graduação em física quântica aqui? Ou fala russo? Esse manual não é para pessoas comuns. Nunca vi tantos tipos de parafusos, porcas, cantoneiras, cavilhas de tantos tamanhos... aliás que porra de nome é esse: cavilha? Nem sabia que isso existia.

- E ainda tem mais, cada um tem um código e para economizar papel eles colocaram tantas imagens juntas e imprimiram essa meleca em baixa qualidade. Onde coloco esse tal de P48 no E11? Tá vendo alguma linha aqui?

Uma hora e meia depois Mack largou as ferramentas e tinham conseguido colocar a cabeceira esquerda e e a direita, mas esqueceram de colocar as grades superior e inferior, por isso teriam que desmontar algumas partes para encaixar as grades laterais.

- Cansei! – falou frustrado largando a parafusadeira no chão.

Henrique gargalhou.

- Tá rindo, né? Vem fazer! – reclamou Kaito. Nicholas apenas olhou para o grávido.

- Fazer eu não consigo infelizmente, mas adoraria, mas posso guiar vocês?

- Ah! É?! Acha que faria melhor?

- Eu SEI que faria. – falou convencido.

Henrique pediu para que aproximassem um pouco mais a poltrona da parte onde estavam e solicitou o manual.

- Vocês quase montaram tudo certo, mas... sigam o que eu vou falar e não vamos demorar mais que meia hora pra terminar de montar o berço. Querem apostar? – os três balançaram a cabeça com um risinho descrente. – Ótimo.

Como um maestro, Henry guiou os três como uma sinfonia. Afrouxou, desmontou, remontou, encaixou, colou, girou, apertou. E em pouco mais de vinte minutos o berço estava montado como na foto e como tinham visto na loja e firme.

- Onde você aprendeu a ler élfico? – Kaito se sentiu realizado por ter conseguido montar o berço.

- Eu teria montado sozinho se não fosse a barriga.

- Para de ser convencido.

- Mas é verdade, K. Sempre fui curioso e sempre tive que me virar sozinho em casa, meus pais trabalhavam e quando eu comprava alguma coisa pro meu quarto eu não tinha o costume de ter paciência para chamar e esperar o montador, eu mesmo montava. Aprendi a montar na marra. Mas a chave pra conseguir montar é fazer uma coisa que vocês não fizeram: separe todos os itens conforme a instrução, a partir daí, mesmo que o manual não esteja muito claro, dá para você entender para que cada parte serve.

- Fácil falar. – Nicholas reclamou. – Lá em casa meu pai e meu irmão mais velho sempre montaram as coisas, às vezes minha mãe ajudava. Eu nunca tive por perto para aprender.

- Querem montar a cômoda?! – falou em tom desafiador.

- Podemos comer uma pizza regada à refrigerante pra recuperar as energias e depois a gente retoma? – perguntou Nick.

- Tudo bem. – Henrique ria solto. Aprendeu como regular a altura do colchão e ensinou Nicholas a ler o manual da cômoda e entender a lógica da montagem. Enquanto isso Kaito e Maximus pegaram o carro e foram comprar as pizzas e as bebidas.

- Fala sério, só tem mais a cômoda e a banheira. E ainda quero começar a desenhar a lua na parede... aliás, me ajuda aqui.

Começaram os esboços na parede. Mediram o meio da parede e iniciaram os traços, definiram onde ficariam as nuvens. Rabiscaram todo o planejamento na parede aos risos. E, como Henrique sempre gostou muito de desenhos, pinturas como hobby desde pequeno, fez uma lista de cores que utilizaria, materiais como pincéis, bases, lixas e as famosas – e clichês – estrelas e planetas que brilham no escuro.

- Vai ficar uma graça. – Nicholas elogiou. – você realmente tem talento, Henry. Já pensou em trabalhar com desenho, arte?

- Prefiro manter como hobby. Não quero transformar isso em uma obrigação, gosto de fazer quando estou com vontade, quando realmente estou inspirado, se começasse a trabalhar com isso teria que me forçar a fazer em momentos sem inspiração, isso me acabaria com o tesão.

- Te entendo perfeitamente.

Após a pizza, passaram de meia-noite até terminar de montar a cômoda, que foi complicada a montagem até mesmo para Henrique, mas se não fosse por ele teriam que chamar um montador profissional. A banheira, perto dos outros móveis, teria sido montada por qualquer um dos amadores com as mãos amarradas às costas.

Kaito ainda ajudou com alguns detalhes mais na lua esboçada por Henry. Estava muito parecida com a verdadeira nos detalhes. Todos estavam satisfeitos com o que tinham feito até ali.

- Meus queridos, vou para casa. Definitivamente preciso dormir depois de hoje.

- Vai sim, Nick. Não existe palavra no dicionário para expressar o quanto estou agradecido por toda sua ajuda.

- Imagina, Henry. Adoro vocês e faço por nossa recente amizade. – se abraçaram e Nicholas se ajoelhou. – E o senhor deixe seus pais dormirem essa noite, ok?

- Vou aproveitar a deixa, pessoal. Tenho que liberar a babá e estou na mesma situação de cansaço.

Ele e Kaito se abraçaram carinhosamente.

- A gente se vê amanhã? – perguntou sarcasticamente, e Kaito já iria responder e ele respondeu entre risos. – Foi retórica, K-San. Não precisa. O pior já passou.

- Eu vou ajudar vocês com a pintura, afinal eu sou melhor com a pintura de sombras, então quando terminar a sua parte eu venho para fazer os sombreados. Vamos deixar essa lua perfeita.

- Se você diz. – se abraçaram novamente, Nicholas e Kaito saindo em seguida.

Maximus estava quase dormindo na poltrona de amamentação, bêbado de sono. Henrique sentou-se no colo dele e o acariciou suavemente na lateral do rosto, puxando uma de suas mãos para a barriga.

- Vamos pra cama, Owie?

- Owie?! – Mack encolheu os ombros. – Que tal um banho nós dois juntos e depois sim, cama.

- Excelente ideia.

Henrique ia explicando para Nicholas como treinar traços, sombreamentos, iluminação e sombras, formas enquanto dava os toques finais no esboço do que seria a pintura. No final da parte da manhã, o amigo já conseguia desenhar algumas formas e aplicar algumas sombras.

Já no período da tarde, Nicholas pintava as outras paredes do quarto, enquanto Henrique, com o auxílio do amigo em alguns momentos para subir e descer da plataforma feita com a escada articulada. Deixou apenas as partes mais altas da parede para Kaito e Maximus.

Mas não deixou a lua para Kaito. Se empolgou tanto que terminou a lua, e pela primeira vez ficou se sentindo satisfeito com a aplicação das tintas nas sombras do astro principal da parede.

“Quando a parede ficar pronta, vai ficar perfeita.” – pensou.

- Henry! A parede está ficando linda!

- Até eu mesmo estou impressionado comigo. Se colocar uma foto real do lado acho que vão pensar que isso aqui é impresso direto na parede.

- E a humildade passou longe. – Henrique pegou o tablet e colocou a foto da lua ampliada. Nicholas se espantou. – É... tem razão. Cara! Você realmente é talentoso. Como optou por terapias holísticas e não por artes plásticas?

- Na verdade, meu amigo, eu fui de tudo ao longo da minha vida profissional... assistente administrativo, técnico em informática, webdesigner, recepcionista, vendedor, programador, secretário, comprador e estoquista, até técnico de segurança do trabalho até decidir que eu queria na verdade ser dono completo do meu nariz, e rápido.

- Bem eclético.

- Eu nunca soube exatamente o que gostaria de fazer da vida. Tentei tantas faculdades e cursos técnicos e poucos foram os que realmente cheguei ao final. Deixei o vento me levar na direção que queria. Tive sorte de ter Maximus sempre me apoiando. Todo mundo achava que eu ia seguir a carreira do meu pai, e confesso que até pensei em ser pediatra, acredita?

- Seria um excelente médico.

- Não tenho dúvida, mas eu sou um cagão para sangue. É capaz de você me espetar com uma agulha e eu vomitar só de ver uma gota. No final, eu já estava cansado de ser pau mandado, ter que aturar patrões, supervisores, gerentes, diretores, presidentes... decidi me aventurar e acabei gostando muito da área, fui me especializando até Maximus me dar meu primeiro consultório de presente, ainda no Brasil.

- Que fofo!

- E você?

- Eu optei por uma abordagem menos convencional. Já fui bastante recriminado por isso, mas sabe quando você tem uma certeza realmente inabalável e uma segurança na sua decisão que nem se Deus viesse pessoalmente conversar comigo conseguiria me fazer mudar de ideia? – Henrique assentiu. – Pois é, eu decidi me dedicar à Philip. Cuido da agenda dele, sou seu assistente pessoal com os benefícios de ser também seu namorado. E além do mais, eu faço meus horários e não é sempre que ele precisa de mim, tem os profissionais do time que cuidam de outras coisas mais específicas.

- Não entendo como as pessoas acham que tem o direito de recriminar uma decisão que não cabe a elas. Se você é feliz assim, desculpa o termo e... – virou-se para a barriga. – não escute o papai aqui, foda-se todo mundo! As pessoas não pagam suas contas, não dormem com você e não lavam as suas cuecas, esse sempre foi meu lema principal.

- Meu também! Digo, às vezes isso me incomodava, principalmente quando vinha de alguém mais próximo, mas a única opinião que conta pra mim mesmo é do Phil, se ele dissesse agora que eu tenho que arrumar um emprego, eu sairia à caça, mas ele está feliz e eu também. Então... Foda-se o resto.

- É isso aí. – Henry olhou para o restante do quarto. – Uau! Já terminou?

- A única coisa que faço bem e rápido desses serviços de casa. – Nicholas riu. – Ainda falta passar a segunda demão, mas é só por costume, só faço isso porque foi assim que aprendi, tem que pintar duas vezes para ficar mais bonito.

- Nem sempre é necessário, mas uau! Ficou excelente. Acho que vou te contratar para pintar o resto da casa.

- Melhor não contar com isso, né?

- Okay. Sabe uma coisa que fiquei com vontade de fazer? Aqueles álbuns de fotografia da gravidez. Agora que a barriga está aparecendo mais.

- Eu posso tirar as fotos de vocês, fui fotógrafo para o jornal da White Oak High, quando entrei no último ano. Posso dizer que aprendi bastante coisa. – mostrou algumas fotos feitas no celular mesmo. – E tenho todo o equipamento ainda.

- Podemos combinar depois do próximo ultrassom?

- Combinadíssimo, só vou ter que dar um pulinho em casa para pegar as coisas.

- Em casa, você diz...

- Em Boston. A gente teve que se mudar para lá depois que Phil foi contratado.

- Imagina te dar esse trabalho todo, não Nicholas.

- Também posso pegar alguma coisa emprestada com um amigo em Chicago, vou ver com ele e depois te falo.

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