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145: Marca

last update Veröffentlichungsdatum: 27.10.2026 00:26:40

O carro blindado cortou as ruas de Nova York em silêncio absoluto.

Alessandro não falara uma palavra desde que colocara o casaco sobre os ombros de Isabella e dera a ordem para levarem o homem dos dedos quebrados. A mandíbula dele permanecia travada, os olhos cinzentos fixos na estrada como se cada semáforo fosse um inimigo a ser eliminado. Isabella sentia o corpo ainda tremendo em ondas atrasadas de adrenalina. O gosto de sangue do pulso que mordera ainda impregnava a boca — metálico, quente
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  • HERDEIRO SEGREDO: GRÁVIDA DO INIMIGO DO PAI   145: Marca

    O carro blindado cortou as ruas de Nova York em silêncio absoluto. Alessandro não falara uma palavra desde que colocara o casaco sobre os ombros de Isabella e dera a ordem para levarem o homem dos dedos quebrados. A mandíbula dele permanecia travada, os olhos cinzentos fixos na estrada como se cada semáforo fosse um inimigo a ser eliminado. Isabella sentia o corpo ainda tremendo em ondas atrasadas de adrenalina. O gosto de sangue do pulso que mordera ainda impregnava a boca — metálico, quente, nojento e estranhamente reconfortante. O bebê se mexia de forma inquieta, chutes curtos e fortes que faziam a barriga endurecer sob a palma dela. O casaco de Alessandro cheirava a ele — pólvora residual, suor limpo, cologne e a raiva contida que parecia irradiar da pele como calor.Quando chegaram à mansão, Alessandro desceu primeiro. Abriu a porta dela e a puxou para dentro pela mão com uma força que não admitia resistência. Os homens de segurança se afastaram em silêncio. As portas se fechar

  • HERDEIRO SEGREDO: GRÁVIDA DO INIMIGO DO PAI   144: Estalos

    O jantar dos Dons terminou com sorrisos falsos e ameaças veladas ainda pairando no ar como fumaça densa. Alessandro não deixou Isabella sozinha por nenhum segundo enquanto saíam do restaurante. A mão dele permanecera na curva das costas dela, firme, possessiva, quente demais contra o tecido fino do vestido preto. Os homens de confiança formavam um perímetro discreto até o carro blindado. O dedo que a tocara debaixo da mesa ainda parecia queimar na memória do corpo dela — uma marca invisível, úmida, vergonhosa e eletrizante ao mesmo tempo. O bebê se mexia sem descanso, chutes irregulares e agitados, como se também tivesse absorvido a tensão daquela mesa cheia de lobos. No caminho de volta para a mansão, o silêncio entre eles era denso demais para ser quebrado por conversas leves. Apenas o peso do que Lorenzo dissera e do que Alessandro prometera em resposta ocupava o espaço. — Você está tremendo — murmurou Alessandro, a voz baixa, os olhos ainda no retrovisor. — É frio ou é o que ac

  • HERDEIRO SEGREDO: GRÁVIDA DO INIMIGO DO PAI   143: Lobos

    Dois dias depois do retorno a Nova York, a mansão ainda cheirava a tensão contida. Alessandro não dera tempo para o cansaço se acomodar. A Sicília ficara para trás como um território queimado; a cidade, agora, era o tabuleiro onde a guerra precisava ser terminada. O jantar com os nomes mais importantes foi marcado com a precisão de quem conhecia as regras não escritas: restaurante privado no Upper East Side, salão fechado, entradas controladas, homens de confiança de cada família posicionados em pontos estratégicos. Um acordo tácito pairava sobre a mesa de mogno — nenhuma arma seria sacada dentro daquelas paredes, pelo menos não até a sobremesa. Mas todos sabiam que o verdadeiro perigo não estava nas armas. Estava nas palavras. E no sangue que já fora derramado. Alessandro chegou cedo. Isabella ao lado dele. O vestido preto de corte impecável acomodava a curva já evidente da gravidez; o anel e a aliança brilhavam no mesmo dedo sob a luz baixa dos lustres. O bebê se mexia com força,

  • HERDEIRO SEGREDO: GRÁVIDA DO INIMIGO DO PAI   142: Estrelas sobre o berço

    As paredes continuavam no mesmo cinza-azulado suave, quase prateado sob a luz da tarde. O tapete grosso e macio, na cor de areia molhada, cobria o chão de madeira. A cômoda de seis gavetas estava impecável; Sofia realmente havia cuidado de tudo. Em cima dela, um pequeno vaso de cerâmica com flores brancas e azuis — provavelmente as que a menina mencionara. As gavetas, Isabella sabia sem abrir, continham os bodies brancos e cinza organizados por tamanho, as meias pequeninas, os paninhos macios, as fraldas de pano. O cheiro de tecido limpo e de tinta seca ainda pairava no ar, misturado agora ao perfume suave das flores. No canto, perto da janela, a poltrona de amamentação bege esperava, o apoio de pés encaixado perfeitamente. Ao lado, a pequena mesa de madeira clara com a luminária de abajur branco e o livro de histórias que Alessandro comprara “para quando o bebê nascer”. Tudo exatamente como ela deixara antes da fuga para a Sicília. Antes do ataque. Antes do casamento de guerra. Ante

  • HERDEIRO SEGREDO: GRÁVIDA DO INIMIGO DO PAI   141: O abraço no hall

    O portão da mansão se abriu com o mesmo peso de sempre. O carro blindado atravessou o pátio interno sob o olhar atento dos homens que já tinham sido alertados. Alessandro desceu primeiro, o corpo ainda em estado de alerta, os olhos varrendo cada janela, cada sombra, cada rosto familiar. A tensão da Sicília ainda estava colada nele — no modo como a mão nunca se afastava da arma, no olhar que media distâncias e ângulos antes mesmo de respirar fundo. Só depois ajudou Isabella a sair. A mão dele permaneceu na cintura dela enquanto atravessavam a entrada principal, o polegar fazendo círculos lentos e protetores sobre o tecido do casaco. O ar de Nova York cheirava diferente da Sicília — mais denso, mais frio, carregado da cidade que nunca dormia e de uma tensão que parecia impregnada nos tijolos. A mansão, porém, estava em silêncio calculado. As luzes baixas. Os corredores limpos. A guerra, por enquanto, esperava do lado de fora. Sofia apareceu no alto da escada antes mesmo que eles alcan

  • HERDEIRO SEGREDO: GRÁVIDA DO INIMIGO DO PAI   140: Retorno

    O ataque na propriedade siciliana não deixou sobreviventes do lado de Rossi, mas deixou uma certeza amarga: a ilha deixara de ser refúgio. Alessandro caminhou pelos corredores da casa principal com o corpo ainda tenso, a arma guardada apenas quando o último relatório confirmou que o perímetro estava limpo. Havia sangue no jardim dos fundos, marcas de tiros nas paredes de pedra e o eco distante do silenciador que quase tocara o ombro de Isabella ainda vibrando na memória. Ele não disse nada enquanto os homens recolhiam os corpos e reforçavam as posições. Apenas olhou para o horizonte seco da Sicília e entendeu que Lorenzo Rossi não pararia. Cada retirada comprava tempo. Cada esconderijo acabava descoberto. A única forma de terminar a guerra era voltar para o centro dela. Isabella estava no quarto principal quando ele entrou. O vestido da noite anterior — o branco rasgado na mesa do casamento civil — ainda estava dobrado sobre a cadeira. Ela vestia roupa prática, a mão sobre a barri

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