เข้าสู่ระบบLeyla Demir
O alívio e a fúria lutam na expressão dele. Ele se acomoda melhor na beira da cama e me puxa para o seu colo, envolvendo-me em seus braços. Me aninho contra seu peito, ouvindo o coração forte e constante bater sob minha orelha.
— Ótimo — ele diz, e a palavra soa como um decreto final. — Então, está decidido. Assim que você for amanhã para o hospital, você pede demissão. Organizamos tudo o que for preciso aqui, vendemos ou guardamos o que quisermos e vamos para Londres. Juntos e sem olhar para trás.
Ele diz “amanhã”, como se ainda estivéssemos viajando, e o pequeno lapso, esse deslize no tempo, me faz perceber o quanto a viagem, o noivado, a revelação, abalou a nossa percepção de tempo. Noto que ele também está navegando em águas desconhecidas.
— Está tão ansioso assim para me levar para seu mundo? — pergunto, tentando ser leve, mas a pergunta sai carregada.
Ele afastou-se um pouco para olhar nos meus olhos.
— Estou ansioso para construir nosso mundo, Leyla. Londres é apenas um lugar. Um lugar onde tenho recursos para te proteger, para te dar conforto, para que você possa escolher o que quer fazer da vida sem se preocupar com contas ou com idiotas como o Cemal. Mas o mundo, o verdadeiro, é onde você estiver. Pode ser aqui, pode ser Londres, pode ser uma ilha no meio do Pacífico. Onde você estiver, é o centro do meu universo.
As palavras dele são um bálsamo. Dissipando um pouco do frio que sinto em minha espinha. Ele está me dizendo, de todas as formas possíveis, que eu não sou um acessório a ser inserido na vida dele. Sou o ponto de partida para uma vida nova.
Nos dias seguintes, não consegui ir no dia seguinte até o hospital e fui envolvida em uma energia prática e um tanto surreal que toma conta da nossa pequena casa. Adrian lida com advogados e contadores por videochamada, seu inglês britânico fluindo com uma autoridade que ainda me surpreende. Começo a tarefa dolorosa de desapegar de várias coisas.
Separo meus livros de enfermagem, alguns vou levar, outros doar. As plantas, vou deixar com a senhora Ayda, que prometeu cuidar delas com lágrimas nos olhos.
— Minha filha vai para longe. — Ela choramingou, me abraçando com força.
O apartamento será mantido, o Adrian disse na noite anterior.
— Para quando quisermos voltar e lembrar de onde tudo começou.
Chega o dia. Vestindo meu jaleco pela última vez, sinto um nó na garganta. O hospital não é apenas o meu emprego. É uma parte de quem eu sou. Caminho pelos corredores familiares, sinto o cheiro de antisséptico e café velho, o som das sirenes baixas, tudo me invade com uma onda de saudade antecipada. Despeço-me dos colegas da enfermaria. Há abraços apertados, lágrimas e promessas de manter contato.
— Vai brilhar em Londres, Leyla! — diz a enfermeira que foi a primeira a chamar Adrian de meu “namorado”. — E manda foto do príncipe!
Dou risada, engolindo o choro.
Vou até o gabinete do supervisor, Murat. Ele já sabe que estou saindo, depois de uma ligação formal de Adrian. Que, descobri, ter doado uma quantia generosa para a ala de pediatria em meu nome, para “facilitar” o processo. Murat levanta-se quando entro e vejo o seu rosto sério.
— É uma grande perda para nós, senhorita Demir. Você é uma das melhores. — Estende a mão e eu a seguro. — Mas entendo. E… — ele baixa a voz. — Acho prudente. O doutor Cemal tem estado… instável nos últimos dias. A administração está de olho nele, mas sabe como é. E tome cuidado.
Assino os papéis finais, meu coração pesado. É oficial, acabo de deixar de ser Leyla Demir, enfermeira do Hospital de Ürgüp.
Enquanto caminho para a saída, sentindo-me um pouco desorientada, como se tivesse tirado uma parte da minha pele, infelizmente ele aparece. Cemal bloqueia a passagem para o vestiário, seus olhos frios me percorrem dos olhos aos sapatos.
— Então é verdade — diz, sua voz carregada de um desdém pegajoso. — A pequena Leyla vai embora com o seu príncipe encantado sem memória.
Fico em silêncio, tentando contorná-lo, mas ele se desloca, bloqueando-me novamente.
— Vai se dar muito mal, sabia? — ele sibila, aproximando o rosto. O cheiro do seu hálito, café e amargor, me enoja. — Você não é nada para o mundo dele. Vai ser um passatempo, um troféu exótico. E quando ele se cansar, vai te descartar como lixo. E você vai voltar para cá, queimada, sem emprego e sem reputação. Este é o maior erro da sua vida.
As palavras são projetadas para machucar, para semear dúvida. E, por um segundo, elas ecoam nos meus medos mais sombrios. Então, lembro dos olhos de Adrian cheios de pânico quando pensou que eu poderia me arrepender. Lembro do anel de safira, escolhido por ele, o qual tem várias referências sobre nós. Lembro-me de que ele me escolheu quando era um ninguém, e continua a me escolher agora que é um alguém.
Ergo a cabeça, olhando diretamente para ele. Não sinto mais medo, na verdade, comecei a sentir pena.
— O único erro da minha vida, Cemal — digo, com uma calma que me surpreende. — Foi ter pensado, um dia, que você era um profissional decente. Agora, saia da minha frente.
Empurro-o para o lado, não com força, mas com uma determinação que o fez perder o equilíbrio por uma fração de segundo. Ele fica parado no lugar, boquiaberto, enquanto abro a porta do vestiário e entro.
Do lado de dentro, encosto-me na porta, sentindo as minhas pernas trêmulas. Mas o coração está leve. O veneno dele escorreu por mim, sem penetrar. Pelo contrário. A arrogância dele, a tentativa mesquinha de me diminuir, apenas solidificou a minha certeza: meu lugar não é mais aqui, neste hospital pequeno onde homens pequenos tentam ditar o valor das outras pessoas. Meu lugar é ao lado do homem que me vê, realmente me vê e que me ama por tudo que sou.
Tiro o jaleco pela última vez, dobro-o com um carinho cerimonial e coloco-o no meu armário vazio. Visto minhas roupas, as mesmas que usei no dia em que conheci Adrian. Saio do hospital não como uma desistente, mas como uma mulher que está virando a página para um capítulo inteiramente novo.
E, ao caminhar sob o sol da Capadócia em direção à minha casa, ao meu homem, ao meu futuro, o anel de safira em meu dedo parece brilhar um pouco mais. Não com o peso de um mundo desconhecido, mas com a promessa de um amor que já superou tantas provas. Que está pronto para enfrentar todas as outras, com o homem que amo.
Helena MarinQuando chega a vez de Ethan fazer seus votos, ele segura minhas mãos com força.— Helena… — ele começa, e a voz falha. Ele limpa a garganta e recomeça. — Helena. Eu passei vinte e três anos da minha vida defendendo pessoas. Algumas inocentes, outras nem tanto. Aprendi a argumentar, a vencer, a manipular o sistema. Achei que era isso que importava.Ele engole em seco.— Então você entrou na minha vida. E eu descobri que não sabia nada sobre o que realmente importa. Você me ensinou que força não é vencer, é continuar. Que coragem não é não ter medo, é sentir medo e escolher ficar mesmo assim…As lágrimas escorrem sem controle.— Eu escolho você, Helena. Todos os dias. Nos dias fáceis e nos impossíveis. Eu escolho você e escolho a nossa família. Escolho acordar ao seu lado, escolho aprender com a Lara, escolho construir um futuro que nenhum de nós dois achava possível.Ele aperta minhas mãos.— Eu escolho você. Hoje e sempre.A igreja está em silêncio absoluto.O celebrante
Helena MarinMais um ano se passou.Vinte meses desde que Ethan entrou na minha vida sem pedir licença, sem bater à porta, sem se importar com as placas de “perigo” que eu havia espalhado por todos os cantos do meu coração.Vinte meses desde que dei a ele o meu endereço e ele dormiu aquela primeira noite e nunca mais saiu.E agora estou aqui, diante do espelho, vestida de noiva, tentando entender como o destino, ou Deus, ou o acaso, ou a teimosia humana, me trouxe até este momento.O vestido branco abraça meu corpo com delicadeza. É simples, mas elegante, de renda suave nas mangas, decote discreto, saia que dança quando eu me movo. Escolhi pensando em conforto, em leveza, em poder abraçar Lara sem a sufocar com tecidos armados.Mas o vestido também esconde um segredo.Um segredo que carrego há três meses.Coloco a mão sobre a barriga, que ainda está plana e discreta, sorrio para meu reflexo.— Você está linda, mamãe.A voz de Lara vem da porta do quarto.Me viro.Ela está parada na so
Ethan DoyleDepois, enquanto Helena dá banho em Lara, sento na varanda com um copo de água.A cidade lá embaixo está frenética. As luzes estão pulsando e o barulho é abafado com os meus pensamentos. Suspiro ao pensar em Charles. Nos anos de trabalho ao lado dele, nas inúmeras vitórias que tive e em quantas vezes eu precisei cruzar a linha sem pensar.Penso em Zane. A sua proposta é algo que sempre quis, mesmo não sendo com ele. E isso é um risco enorme, principalmente quando Charles souber onde estarei.Penso em Helena, tenho medo de que, em meio a alguma batalha judicial, algo respingue nela e consequentemente em Lara, não vou suportar estar longe da minha princesinha azul. Solto um suspiro quando ouço os passos dela se aproximando da varanda.Ela vem para a varanda meia hora depois. Lara já deve estar dormindo depois de todo o ritual da história, da música, do beijo de boa noite.— Ela perguntou por você — Helena diz, sentando no meu colo.— O que disse?— Perguntou se você vai fica
Ethan DoyleOito meses se passaram desde que saí da sala de Charles Whitmore sem olhar para trás. Que avisei a ele que estava deixando a empresa e, com ela, o sonho de ver meu nome em letras douradas na parede da maior firma de advocacia de Manhattan.Meses desde que escolhi não ser o advogado mais caro da cidade. E, ironicamente, foram os meses mais lucrativos da minha vida.Não financeiramente, perdi mais da metade da renda anual.Mas moral e humanamente.O caso que me colocou de volta no mapa não envolvia milhões de dólares em fraudes bancárias. Não envolvia executivos de colarinho branco com contas na Suíça. Nem envolvia nenhum dos jogos de poder que definiram minha carreira por duas décadas.Envolvia dignidade.Uma senhora de setenta e dois anos chamada Eliza, cujo marido de cinquenta anos de casamento, morreu porque o plano de saúde se recusou a autorizar um exame “fora do protocolo”.Ela veio até mim através de uma indicação, a irmã da cuidadora da Lara, numa dessas conexões im
Helena MarinÀ tarde, enquanto Lara descansa no quarto e com uma babá que contratamos do próprio resort, decidimos ter finalmente um momento a sós na praia.Caminhamos pela areia branca, a água morna lambendo nossos pés.— Obrigada — digo de repente.— Pelo quê?— Por tudo. Pelos cortadores de frutas. Por pesquisar sobre golfinhos adaptados. Por não entrar em pânico quando ela começa a ficar ansiosa, por simplesmente ser você.Ele para de andar e me puxa para seus braços.— Helena, você não precisa agradecer por eu amar sua filha. Não é um favor que estou fazendo. Não é um sacrifício. Ela é extraordinária, e qualquer pessoa que não consegue ver isso é cega.— A maioria das pessoas é cega, então.— Então a maioria das pessoas está perdendo algo maravilhoso.Ele beija minha testa, meus olhos não saem de sua boca. É um beijo diferente dos da madrugada, é menos urgente, mais profundo e carregado de promessas que vão além do físico.— Eu te amo — ele diz quando nos separamos. — Amo você e
Helena MarinEssa é a nossa vida real. Acredito que seja a melhor parte. A parte onde o desejo e a rotina coexistem, onde o sexo intenso e as responsabilidades parentais se entrelaçam sem que um diminua o outro.Depois do banho, onde quase perdemos o controle novamente sob o chuveiro, acordamos Lara com cuidado. Ela sempre precisa de alguns minutos para processar a transição do sono para a vigília, especialmente em um ambiente diferente.Ela abre os olhos lentamente, observa o quarto desconhecido, o barulho diferente do ar condicionado, o cheiro do mar entrando pela janela.— Onde estamos? — ela pergunta, e há um leve tom de ansiedade na voz.— Ainda em Punta Cana, querida. Lembra? Vamos ver os golfinhos hoje.Ela processa a informação por alguns segundos.— Golfinhos. Mamíferos aquáticos. Família Delphinidae.— Isso mesmo — Ethan diz, se aproximando com calma. — E eles são muito espertos. Vão gostar de você.Arrumo Lara enquanto Ethan organiza algumas coisas para poder levar depois d







