로그인Iara não construiu uma nova família, ela utilizou aquela história deliberadamente quando Lucas a reencontrou na Atikos e a confrontou. Durante meses, Lucas acreditou que ela havia seguido em frente, encontrado outro homem e construído uma vida da qual ele foi definitivamente excluído.“Ela inventou a porra de um casamento inteiro para me manter afastado.”Lucas sentiu o maxilar se contrair, compreendia que Iara desejou afastá-lo desde o primeiro momento, ela própria admitiu isso, mas não conseguia entender por que a necessidade de mantê-lo distante assumiu proporções tão extremas.O que havia acontecido entre eles para que uma mulher que um dia jurou amá-lo a ponto de se entregar pela primeira vez, preferisse esconder a existência do próprio filho durante anos?O ressentimento continuava enorme.A raiva também.Mas começou a desconfiar que existia uma parte daquela história que ainda desconhecia completamente. Uma parte suficientemente importante para explicar por que Iara pareceu t
Lucas sentiu os músculos se tensionarem involuntariamente.— Não?— Não. — O menino balançou a cabeça, quase ofendido pela possibilidade. — Eles são só amigos! Ela diz que é como irmãos.Lucas observou atentamente o rosto do filho.— Entendi.Noah levou outra colherada de sorvete à boca.— Tem muita gente que acha que são namorados, mas eles não sabem que o tio Ariel gosta de homens.A informação atingiu Lucas com uma surpresa tão absoluta que, durante alguns segundos, permaneceu incapaz de reagir.O quê?O menino continuou, sem perceber a expressão do pai.— Ele me contou que gosta de pessoas do mesmo sexo que ele, e a mamãe disse que não tem problema nenhum porque cada pessoa gosta de quem o coração escolhe.Lucas piscou lentamente.Ariel.O homem que arrombou a porta do consultório.O desgraçado que trocou socos com ele.O sujeito que conhecia a verdadeira paternidade de Noah e esteve presente durante todos aqueles anos.Ariel não estava com Iara, nunca tinha tocado nela.... ele er
Jamais imaginou que observar uma criança escolher uma sobremesa pudesse despertar nele uma satisfação tão extraordinária, mas estava descobrindo que a paternidade possuía uma capacidade quase irritante de transformar acontecimentos insignificantes em experiências que pareciam importantes demais para serem ignoradas.O menino franzia as sobrancelhas diante das combinações mais elaboradas, demonstrava um interesse evidente pelas taças decoradas com frutas e parecia travar uma disputa silenciosa consigo mesmo antes de tomar uma decisão.— Esse aqui tem chocolate de verdade? — perguntou, apontando para uma das fotografias, ele então arregalou os olhos com entusiasmo. — Eu adoro chocolate belga!— Então parece que encontramos um vencedor.— Mas tem aquele de morango também... — O menino voltou a examinar o cardápio, demonstrando um conflito tão genuíno que Lucas precisou conter uma risada. — A mamãe diz que eu não posso escolher tudo ao mesmo tempo só porque gosto das duas coisas.— Sua mã
Talvez, durante todos aqueles anos, Iara tivesse observado o filho procurando inconscientemente traços do homem que decidiu deixar para trás.Talvez encontrasse em Noah lembranças que desejava esquecer desesperadamente, ou talvez simplesmente o abraçasse porque amava aquele menino com uma intensidade que Lucas estava começando a compreender.— Sua mãe abraça você porque o ama muito — explicou. — E eu também estou começando a descobrir o quanto você é importante para mim.Noah permaneceu alguns segundos contemplando-o, depois perguntou, com uma sinceridade desarmante:— E você vai ficar comigo agora?A pergunta o pegou completamente desprevenido, sentiu a garganta apertar novamente. Seu filho queria saber se aquele homem que acabou de conhecer como pai, desapareceria novamente.Lucas sentiu algo dolorosamente quente preencher o peito.— A partir de agora, eu sempre vou estar presente na sua vida, campeão.Noah pareceu refletir e em seguida abriu um sorriso enorme, o menino pareceu extr
A ideia aqueceu seu peito de uma maneira inesperada, mas não conseguiu desfrutar daquela emoção por muito tempo porque o menino voltou a observá-lo com uma curiosidade que havia perdido completamente o caráter brincalhão.— Posso perguntar outra coisa?Lucas percebeu imediatamente a mudança.A voz infantil continuava suave, mas havia alguma coisa diferente na maneira como Noah mantinha os olhos presos aos seus.— Pode perguntar o que quiser, campeão.O menino passou a ponta do dedo pela borda do copo, olhou rapidamente na direção de Iara, depois voltou a encarar Lucas.— Por que você nunca entrou lá em casa?A pergunta pareceu interromper todos os sons do restaurante.Lucas permaneceu imóvel.Noah continuou, procurando compreender algo que evidentemente o incomodava desde que soubera da existência do pai.— A mamãe falou que você morava longe, mas o tio Ariel também morava longe quando precisava trabalhar e sempre voltava para me ver.Lucas sentiu uma contração violenta no peito. O me
Quando os pratos chegaram, Noah demonstrou um entusiasmo tão espontâneo que Lucas precisou conter outra risada. O menino agradeceu ao garçom, ajeitou o guardanapo sobre as pernas e começou a comer com um apetite impressionante, alternando pequenas observações sobre os alimentos com perguntas que surgiam numa velocidade quase impossível de acompanhar.— Você mora aqui no Chile agora?Lucas cortou um pedaço da própria carne bem devagar.— Não, campeão. Moro em São Paulo, no Brasil.— É muito longe.— Bastante. Precisamos viajar de avião para chegar lá mais rapidamente.Noah mastigou cuidadosamente antes de voltar a perguntar:— Sua casa lá em São Paulo é muito grande?Lucas arqueou uma sobrancelha.— Depende do que você considera grande.— Tem mais de cinco quartos?— Tem sim.— Mais de cinco? - Noah arregalou os olhos, quase engasgou com a água. — Nossa! Você mora num castelo então?A pergunta fez Lucas soltar uma gargalhada que atraiu discretamente a atenção de Iara. Ela ergueu o rost







