INICIAR SESIÓN
Anne Scarlate
Corri pelos corredores quando meu faro alcançou o cheiro ardido e imundo de sexo... Não foi isso que pensei que aconteceria se não avisasse sobre minha chegada. Eu queria fazer uma surpresa, mas estava vendo que, ao chegar na noite daquela data, a única surpreendida fui eu. Os olhares de pena de quem me encarava me davam a entender que o que senti naquele lugar não era novidade. Os gemidos vibravam nos meus ouvidos; as arfadas pareciam pregos entrando em meus tímpanos. Segurei o trinco enquanto as lágrimas escorriam pelos meus olhos. Meu coração batia tão forte que pensei que ele fosse entrar antes de mim. Virei a maçaneta. Empurrei. As costas dele estavam ali. Suando. Pisquei, prendendo a respiração, porque o cheiro era mais forte e podre dentro do nosso próprio quarto. Quando me viu, minha irmã saiu de baixo dele, puxando o lençol. — Anne... — Os olhos dela estavam arregalados. — Você não chegaria... só amanhã? — Ela arfou, olhando para ele. Engoli em seco, sentindo meu corpo todo tremer de dor. O sangue escorria pelo meu nariz. Ele era quem estava me traindo, mas, mesmo que sua fera tentasse reagir, quem saía mais ferida era eu. Conan me olhou enquanto subia as calças. — Se eu demorasse mais... — Tentei me conter, mas as lágrimas escorreram. — Você estaria com um bebê. — Encarei minha irmã mais velha. — Eu não... — Cala a boca! — encarei ela, não posso tê-la como sangue do meu próprio sangue. — Não venha me dizer que não é nada disso... Eu estou vendo. — Arfei, apertando meu peito. — Estou vendo vocês dois, estou sentindo esse cheiro nojento. Olhei devagar para ele, parado perto da cama, me observando. Calado. Abotoando a camisa como se tivesse acabado de sair do banho. — Deveria ter avisado! serrilhei os dentes e dei uma risada amarga. — Você, melhor do que ninguém, sentiu meu cheiro num raio de um quilômetro e não fez questão de parar de foder com essa maldita, Conan. Ele deu de ombros. — Você sabe que estamos juntos por conta dessa maldita ligação — murmurou, pegando seu casaco. — Sua irmã é a futura alfa da sua matilha. Não entendo por que você... — Seus olhos continham desprezo. — Uma ligação que eu nunca quis com a segunda. Arfei. Meus ossos queimavam. — E você só fala isso hoje? Conan, a gente tem uma cerimônia planejada para amanhã! — Puxei a gola da minha blusa. — Você me marcou! Estamos juntos a seis anos! — gritei. Aquela marca sobre meu peito, perto do meu coração, latejava. As marcas dos caninos dele sangravam. Ele olhou e apenas assentiu... Eu desejei ter mata-lobo para enforcá-lo, mas minha família dependia dessa maldita ligação. Por esse motivo me entreguei a ele aos meus dezoito anos, e veja só. Ri, sentindo o gosto amargo da traição. Minha querida irmã, cinco anos mais velha, estava preenchida pelo meu alfa. Pelo meu companheiro que deveria ser para a vida toda. Virei as costas, mas o cheiro dele... o cheiro de ferro recém-aquecido invadiu meu faro. Minhas pernas falharam. Segurei na porta para não cair. Minha intimidade pulsou. — Merda! — murmurei. Tentei levantar, mas meu corpo começou a tremer. A suar... — Ann... — Saia, Lianna — ouvi a voz dele. — Mas, Conn... — Saia agora! — Ele falou tão baixo que meu corpo se arrepiou. Fechei meus olhos, sentindo o nó prender minha garganta. — Merda! O cio não... O cio não... Segurei a porta com mais força e gemi dolorosamente enquanto o líquido quente como fogo escorria por minhas pernas. Arfei, me ajoelhando no chão. Minhas garras cravaram no piso. — É só isso que te prende a ele — Lianna se abaixou, sussurrando. — Isso vai acabar, sua maldita. Esse lugar é meu... Segurei o pescoço dela, sentindo o suor escorrer por minha testa. Meus caninos rasgaram meus lábios. Eu via minha irmã, mas havia um contorno vermelho cobrindo sua figura. — Eu estou pouco me lixando! — falei baixo, soltando-a e olhando para chão. Aquilo me queimava por dentro, prendi a respiração. Merda de cio de primeira aproximação. — Vem! — Conan falou, curto e grosso. Encostada na porta já fechada, vi quando ele abriu o zíper da calça. Ri, empurrando-o. — Você nunca mais vai relar em mim — encostei na parede depois que o líquido esquentou minhas pernas. Respirei fundo. — Você está no cio. — resmungou. — Eu prefiro morrer nele a ser tocada por você! — rosnei. Fechei meus olhos. A parede estava fria demais. Minhas mãos puxavam minhas roupas, minhas garras rasgavam minha pele, mas, infelizmente, aquilo não doía menos do que o cio. — Quem é você para me rejeitar? Ele estava tão perto que senti seu hálito esquentando meu rosto. Minha intimidade pulsou... Flashes das nossas noites invadiram minha mente: suas mãos, seus lábios... Respirei fundo. Maldita fera, para!! — Vamos, Anne... Eu também quero — resmungou. Eu sabia que era a fera dele. Seu nariz quente tocou meu pescoço. Arfei, fechando os olhos. — Você estava, agora pouco, dentro dela! — cuspi. — Eu estava, mas você é mais quente. — sussurrou mordendo minha orelha. Tremi ao sentir seus caninos raspando minha pele. Meu corpo se arrepiou, meus joelhos cederam... E foi naquela maldita noite que senti o maior prazer ao dormir com aquele desgraçado. Mas o que eu não esperava era que, no dia seguinte, ele me rejeitaria para escolher minha irmã, me humilhando na frente das duas matilhas pela futura alfa da Alcateia Lua Escarlate. Também minha alcateia. Irônico que a fera dele me desejava, a minha e até eu mesma sempre o desejamos... Mas aquele homem apenas me usou. Tirou minha pureza, me prometeu amor para depois me trair com minha própria irmã. O que ele não sabia era que, naquela noite em que dormiu com a minha irmã e depois que sua fera me tomou para si, ele não engravidou apenas ela. Hoje, a filha dele comigo completa cinco anos, e eu volto à Alcateia Lua Escarlate vinculada à Lua de Sangue, como a representante dos Anciões Alfas. Olhei para o salão por longos segundos depois de percorrer quilômetros dentro desse carro. Foi ali que ele me rejeitou. Puxei o ar pesadamente, faz cinco anos que não coloco meus pés nas nossas matilhas... Uma mão apertou a minha com firmeza. — Você está preparada? Olhei para Salen sentado ao meu lado. Assenti com um sorriso fraco. Eu estava apavorada, mas era o meu trabalho; visitei todas as matilhas, deixando essa por último. Eu sabia que essa hora chegaria. Mas acho que não me preparei o suficiente. — Mamãe... Mamãe — Luna acordou, coçando os olhinhos. — Hoje vou conhecer o meu papai? — sussurrou, se levantando do meu colo e olhando pela janela. Sorri. Um sorriso que doía por dentro. — Sim, meu amor — falei baixo. — Vamos nos reunir com a matilha do papai essa noite.Anne Scarlate — Acha que, voltando com uma bastarda, você vai tomá-lo de mim?Ri, olhando bem no fundo dos olhos da minha irmã.A irmã que deveria me proteger, aquela mais velha com quem as mais novas sempre sonharam.Ridícula.Uma sobrancelha dela se arqueou. Por um segundo, quis bater a cabeça dela contra a parede, mas encontrei uma forma melhor de lidar com aquilo.— Lianna, você tem um filho com ele e, mesmo assim, conseguiu o amor dele?Ela se afastou da parede e veio para cima de mim.Segurei seus dois braços, encarando aquela maldita.— Eu não quero seu macho, não me importo com ele... — Ela tentou se soltar com um grunhido, mas a segurei com firmeza. — Por mim, quero que você e ele pulem dentro de um vulcão e que ele entre em erupção no minuto seguinte.Seu olhar se assustou, e ela olhou por cima do meu ombro.— Tudo bem, Anne. Sei que você me odeia — murmurou, olhando para baixo. — Perdão, irmã. Mas Nicolay também é seu sobrinho, e eu ainda sou sua irmã.— O quê?
Anne ScarlateOlhei para mim mesma no espelho.Meu peito parecia estar sendo esmagado por uma mão invisível.O vermelho Scarlate tomou meus olhos por alguns segundos... Engoli em seco. A vontade de quebrar tudo era enorme.Minha fera não suportou ver minha mãe fazendo com minha filha o que sempre fez comigo.As lágrimas escorreram. “Mamãe, vovó não gosta de mim?” A voz da minha filha ecoou em minha mente.Mordi o lábio inferior com força. O sangue escorreu por entre meus dentes.Olhei para a porta se abrindo e vi Conan entrar.Respirei pesadamente.O problema me persegue.— Você não pode entrar no banheiro feminino! — falei.Uma das portas se abriu, e uma mulher parou, olhando para nós dois. Ela parecia assombrada. No minuto seguinte, saiu quase correndo.— Você sempre corre quando está prestes a quebrar? — ele perguntou em voz baixa.Cerrei os punhos.— Quebrar? Não vou perguntar o significado disso ao homem que dormiu com a irmã da própria companheira! — cuspi.Minhas
Anne Scarlate — Isso não é justo! Devemos nos unir e acabar com eles. — outro falou.Respirei devagar.Eu deveria pedir demissão. Toda vez havia aqueles que apoiavam e aqueles que criticavam, desejando sempre o extremo.— A capital condena qualquer ato de violência contra os Ferais. — falei, e eles me olharam com desdém.Essa matilha era difícil. Sempre foi. E, depois de tudo que aconteceu, depois de terem me visto ser humilhada aqui anos atrás e agora me verem retornando, parecia que os olhares pesavam ainda mais. Não apenas os da Lua de Sangue, mas também os da Lua Escarlate.Eu conhecia cada membro daquela matilha. Os cabelos avermelhados denunciavam os Escarlates, enquanto a postura ereta e os traços mais rígidos identificavam os da Lua de Sangue entre os presentes.— O monitoramento mostra que eles são extremamente territoriais. As invasões que acontecem geralmente são em época de acasalamento. As fêmeas partem em busca de novos machos, e os grupos deles partem em busca de
Anne ScarlateFoi tão rápido que eu não vi como Salen foi parar dentro daquela parede.Arregalei os olhos, olhando dele para Conan. Sua respiração estava pesada, e seus olhos ainda se mantinham foscos.— Você ficou maluco?! — falei alto.Fui correr para ajudar Salen a sair, mas uma mão agarrou meu pulso.Girei, lançando minha mão contra seu peito. Conan deu alguns passos para trás.Sua cabeça se abaixou devagar para olhar onde eu havia tocado.Eu ainda sou uma alfa.Consigo lutar contra ele, mas parecia que ele não queria isso. Começou a caminhar, olhando fixamente para Salen.Segurei sua camisa, olhando em seus olhos.O olhar fosco deu lugar ao olhar humano.— Para! — falei entre dentes, segurando-o com todas as minhas forças.Seus olhos percorreram meu rosto devagar. Engoli em seco quando um frio começou na minha barriga e subiu pelo meu corpo.Seus olhos voltaram a ficar foscos assim que ele olhou por cima dos meus ombros, soltando um sorriso ralo.— Conan! — gritei.
Anne Scarlate.— Minha filha? — Conan murmurou.Sua voz parecia confusa.Eu nunca vi esse homem confuso, era até engraçado.Ele olhava de mim para Luna várias vezes, parecia procurar semelhança.Por um segundo, senti que o cérebro dele iria explodir.— Não é o meu papai, mamãe?Olhei para Luna e os olhinhos dela brilhavam.Meu peito se apertou e eu forcei um sorriso.Porque eu senti o desespero da minha irmã e o nojo da minha mãe.— Salen — chamei ele e voltei minha atenção à minha pequena. — É, filha, mas vai com o tio Salen para a mamãe conversar com ele um pouquinho.Ela assentiu com seus olhinhos ainda mais alegres e brilhantes.— Tá, mãe. — Ela abriu os braços para o Salen, enquanto olhava para o Conan.— Isso não é possível, Conan. Ela está mentindo.Respirei fundo, olhando para Lianna.Eu quis socar ela por um segundo.— O que você ainda está fazendo aqui? — Conan falou tão baixo que até mesmo eu dei um passo, me afastando dele.Sua fera estava tão perto que seu
Anne Scarlate.Salen levou Luna para beber água.Eu tinha que entrar. Odiava entradas triunfais e já estava atrasada.Os guerreiros dessa matilha abriram as portas. Ajeitei meu vestido e olhei para os dois guerreiros enviados conosco pelo clã dos Anciões.Foi quando o cheiro dele chegou ao meu faro… ferro aquecido.Só assim para nos reconhecermos, perto o suficiente depois de tudo o que ele…Limpei a garganta. Levantei a cabeça e entrei.Me certifiquei de não olhar para o lado direito. Era de onde o cheiro vinha.Como eu iria dizer à minha filha que ele era seu pai, eu ainda não sabia. Mas meu estômago embrulhou ao entrar naquele lugar.Antes, quando saí, os olhares eram de pena. Hoje eram de surpresa absoluta, enquanto os guerreiros do clã dos Anciões caminhavam ao meu lado.Meu pai.Meus pés quase falharam. Sorri ao vê-lo. O único que nunca me fez mal. Era por ele que eu estava ali hoje.Ao seu lado, minha mãe soltou o copo, completamente chocada por eu ainda existir. Tal







