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3 – O PRIMEIRO BEIJO

last update Veröffentlichungsdatum: 03.09.2026 14:28:31

Três anos antes…

Na noite seguinte, Catherine encontrou-se a olhar para a porta da discoteca mais vezes do que gostaria de admitir.

Era ridículo.

Tinha conhecido Máximo na noite anterior.

Falara com ele durante, talvez, dez minutos.

E, ainda assim, desde que acordara naquela manhã, uma pergunta insistia em ocupar-lhe os pensamentos.

— Estás à espera de alguém? — perguntou Sophie, colocando algumas garrafas no frigorífico.

Catherine levantou os olhos depressa.

— Não – respondeu ela e Sophie sorriu.

— Então sabes que tens estado a olhar para a porta desde que chegaste – disse Sophie

— Estou apenas cansada – respondeu Catherine

— Claro – disse Sophie e Catherine revirou os olhos e voltou ao trabalho.

Tentou concentrar-se.

Não conseguiu.

Até que, pouco depois da meia-noite, a porta da discoteca abriu.

E ele entrou.

Máximo.

Desta vez, estava sozinho.

Vestia umas calças escuras e uma camisa branca com os primeiros botões abertos. Trazia o cabelo ligeiramente desalinhado, como se tivesse passado a mão por ele várias vezes.

Os olhos dele encontraram imediatamente os dela.

E o sorriso que surgiu no rosto de Máximo fez o coração de Catherine dar um salto.

Ele aproximou-se do bar.

— Boa noite, Catherine – disse ele com um sotaque italiano

Ela tentou manter a expressão profissional.

— Boa noite, Máximo – disse ela

— Estava a começar a pensar que não trabalhava hoje – disse ele

— E teria sido uma tragédia? – perguntou ela a olhar para ele

— Absolutamente – disse ele e ela tentou esconder o sorriso.

— O que vai beber? – perguntou ela

— O mesmo que ontem – respondeu ele

— Whisky? – perguntou ela

— Não – disse ele e inclinou-se ligeiramente sobre o balcão — Aquilo que me der vontade de ficar mais tempo – disse ele e Catherine soltou uma pequena gargalhada.

— Não tenho essa bebida – disse ela

— Então vou ter de ficar até descobrir qual é – disse ele e ela abanou a cabeça.

— É sempre assim tão convencido? – perguntou ela a sorrir

— Só quando estou nervoso – disse ele

A resposta apanhou-a desprevenida.

— Nervoso? – perguntou ela e Máximo sorriu.

— Sim – respondeu ele a sorrir

— Não parece – disse ela a olhar para ele

— Talvez seja porque estou a fazer um esforço enorme para não parecer – disse ele e durante alguns segundos, ficaram simplesmente a olhar um para o outro.

Havia qualquer coisa entre eles.

Uma tensão silenciosa que Catherine não sabia explicar.

E, pela primeira vez, percebeu que talvez não fosse apenas ela a sentir.

As horas passaram.

Máximo permaneceu na discoteca durante toda a noite.

Conversou com Catherine sempre que ela tinha alguns minutos livres, perguntou-lhe sobre os estudos, sobre a família, sobre os sonhos que tinha para o futuro.

Ela descobriu que ele tinha vinte e nove anos, que nascera em Milão, que pertencia a uma família extremamente rica e que trabalhava na empresa hoteleira dos pais.

Descobriu também que, apesar da imagem sofisticada, Máximo tinha um lado descontraído que a fazia rir constantemente.

Ele, por sua vez, parecia querer saber tudo sobre ela.

— Porque escolheste Marketing? — perguntou ele, quando Catherine se sentou ao seu lado durante uma pausa.

— Gosto de perceber as pessoas – disse ela

— E já me percebeste? – perguntou ele e ela olhou para ele.

— Ainda não – disse ela

— É assim tão difícil? – perguntou ele a sorrir

— Muito – respondeu ela

— Posso ajudar – disse ele e ela franziu o sobrolho

— Como? – perguntou ela curiosa e Máximo aproximou-se ligeiramente.

— Fazendo perguntas – disse ele com um tom misterioso

— E se eu não gostar das respostas? – perguntou ela

— Então pode continuar a perguntar – disse ele e Catherine sorriu.

Era perigoso.

Ela sabia disso.

Aquele homem tinha uma maneira de a fazer esquecer todas as razões pelas quais deveria manter distância.

Quando o relógio marcou três e meia da manhã, a música começou finalmente a diminuir.

Catherine despediu-se dos últimos clientes e regressou ao balcão.

Máximo levantou-se.

— Finalmente – disse ele e ela franziu o sobrolho — Finalmente posso convidá-la para tomar aquele café – disse ele e ela sorriu.

— Lembra-se? – perguntou ela com espanto

— Eu lembro-me de tudo o que me diz – disse ele e Catherine hesitou.

Durante alguns segundos, pensou em recusar.

Mas alguma coisa dentro dela queria saber o que aconteceria se dissesse que sim.

— Está bem – disse ela e o sorriso dele iluminou-lhe o rosto.

— A sério? – perguntou ele

— Não me faça arrepender – disse ela

— Prometo – disse ele

Bordeaux estava silenciosa àquela hora.

As ruas tinham poucos carros e o ar noturno trazia consigo uma brisa fresca.

Catherine caminhava ao lado de Máximo, abraçada ao próprio corpo.

— Está com frio? — perguntou ele

— Um pouco – respondeu ela e sem hesitar, Máximo tirou o casaco e colocou-o sobre os ombros dela.

Catherine olhou para ele.

— Obrigada – disse ela

— De nada – respondeu ele e continuaram a caminhar.

Catherine contou-lhe histórias da infância, falou dos pais e dos seus planos depois da universidade.

Quando finalmente saíram do café, o céu começava a clarear muito ligeiramente no horizonte.

— Acho que esta foi a minha melhor decisão desde que cheguei a Bordeaux — disse Máximo

— Tomar café às quatro da manhã? – perguntou ela a sorrir

— Conhecer-te – disse ele e Catherine baixou os olhos

— Não diga coisas assim – disse ela com o rosto vermelho

— Porquê? – perguntou ele

— Porque não sei o que responder – disse ela e Máximo parou de caminhar.

Ela deu mais dois passos antes de perceber que ele já não estava ao seu lado.

Ele estava parado a poucos metros.

— O que foi? – perguntou ela

— Nada – respondeu ele

Máximo aproximou-se lentamente.

Catherine permaneceu imóvel.

O coração batia-lhe tão depressa que tinha a certeza de que ele conseguia ouvi-lo.

Quando Máximo ficou diante dela, levantou a mão e afastou delicadamente uma madeixa de cabelo que lhe caíra sobre o rosto.

O toque foi tão suave que Catherine quase fechou os olhos.

— Catherine... – murmurou Máximo — Posso fazer uma coisa? – perguntou ele e ela engoliu em seco.

— Que coisa? – perguntou ela e Máximo olhou para os lábios dela durante um breve instante antes de voltar aos seus olhos.

— Beijar-te – disse ele e o mundo pareceu ficar silencioso.

Catherine podia simplesmente afastar-se, mas aproximou-se ligeiramente.

Foi tudo o que Máximo precisou.

Ele inclinou o rosto e tocou os lábios nos dela.

O beijo foi inicialmente delicado.

Quase uma pergunta.

Um toque breve, cuidadoso, como se ambos tivessem medo de quebrar alguma coisa.

Catherine fechou os olhos.

Quando se afastaram por um segundo, ficaram tão próximos que as testas permaneceram encostadas.

Ela abriu os olhos.

— Acho que vou precisar de confirmar – disse ele e Catherine riu baixinho.

— Confirmar o quê? – perguntou ela

— Se foi tão bom quanto pareceu – disse ele e antes que ela pudesse responder, ele voltou a beijá-la.

Desta vez, Catherine não hesitou.

Passou os braços à volta do pescoço dele, enquanto Máximo segurava delicadamente a cintura dela.

O beijo tornou-se mais intenso, mas continuava carregado de ternura.

Não havia pressa.

Apenas a descoberta.

Quando finalmente se afastaram, Catherine permaneceu alguns segundos com os olhos fechados.

— Isto foi uma péssima ideia — murmurou ela

— Porque? – perguntou ele

— Porque agora vou querer outra vez – disse ela

— Então temos um problema – disse ele

— Qual? – perguntou ela

— Eu também – disse ele e Catherine abriu os olhos.

E naquele instante percebeu que estava em perigo.

Não por causa dele.

Mas por causa daquilo que começava a sentir.

Máximo aproximou os lábios do ouvido dela.

— Amanhã? – perguntou ele e ela sorriu.

— Amanhã – disse ela

— Promete? – perguntou ele e Catherine afastou-se lentamente, ainda usando o casaco dele.

Máximo olhou para a peça sobre os ombros dela.

— Podes ficar com ele – disse ele

— Porquê? – perguntou ela

— Para ter uma desculpa para voltar – disse ele e piscou o olho para ela

Catherine sorriu.

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