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CAPÍTULO 4

작가: Rowan Ash
last update 게시일: 2026-07-23 23:20:24

O beijo termina lentamente, mas Ronan não se afasta. Sua testa permanece pressionada contra a minha, nossas respirações se misturando. Ainda consigo senti-lo — o gosto da chuva, do desejo e de algo perigosamente viciante.

“Você retribuiu o beijo”, ele murmura, com a voz rouca de satisfação. “Mesmo que tenha sido só um pouquinho.”

Viro o rosto, envergonhada, culpada e furiosa comigo mesma.

“Eu não quero isso”, sussurro, mas as palavras saem fracas, quase sem convicção.

Ele dá uma risadinha suave, um som baixo que vibra contra meu peito.

“Seu corpo discorda, Sirius.”

Ele me levanta nos braços novamente, como se eu não pesasse nada, e me leva até a cama. Ele me deita com um cuidado surpreendente, mas seus olhos nunca se desviam dos meus enquanto ele tira o resto das roupas molhadas. Apesar do medo, estou hipnotizada — o peito largo, as tatuagens escuras, a corrente de prata com a aliança balançando entre os músculos definidos.

Ele sobe na cama e me puxa para perto, encaixando meu corpo no dele por trás. Um braço forte me envolve pela cintura, prendendo-me ao seu peito. Sinto cada centímetro dele — quente, duro, vibrante.

“Não…” Tento me afastar, mas ele aperta ainda mais.

“Shh. Não esta noite”, ele sussurra contra minha nuca, os lábios roçando minha pele. “Esta noite você vai dormir nos meus braços. Como sempre fez.”

Eu tremo. Meu corpo está exausto, mas minha mente não para. Cada respiração dele contra meu pescoço envia ondas indesejadas de calor pela minha espinha. Sinto sua ereção pressionada contra minhas costas, grossa e pulsante, mas ele não faz nada além de me abraçar.

“Por que você está fazendo isso?”, pergunto, com a voz embargada. “Se eu realmente fosse sua esposa… por que você não me deixa ir?”

Sua mão desliza lentamente para cima até que seus dedos envolvam meu pescoço. Sem apertar. Apenas segurando. Lembrando.

“Porque você é minha”, ele responde simplesmente, como se fosse a verdade mais óbvia do mundo. “Porque eu morri há seis anos, quando te perdi. E agora que te tenho de volta, não vou arriscar te perder de novo. Nem para o Julian. Nem para a sua própria cabeça perturbada.”

Fecho os olhos com força. Lágrimas silenciosas encharcam o travesseiro.

Mas o pior é que, mesmo apavorada, mesmo odiando a traição do meu próprio corpo, uma pequena parte de mim… relaxa. O calor do corpo dele, o cheiro familiar que não consigo explicar, o ritmo constante da sua respiração contra o meu cabelo — tudo faz com que algo dentro de mim se renda contra a minha vontade.

É como se meu corpo já soubesse que é exatamente aqui que ele deve estar.

“Eu te odeio”, sussurro.

Ronan beija a minha nuca, devagar e quase reverentemente.

“Ótimo. Pode me odiar o quanto quiser. Contanto que esteja em meus braços, você pode sentir tudo o que precisar sentir.”

O silêncio se instala no quarto. A chuva continua a bater nas janelas. Aoife deve estar dormindo no quarto ao lado. E eu, presa nos braços do homem que destruiu minha vida hoje, sinto meu corpo traiçoeiro sucumbir ao cansaço.

Acordo com um braço pesado em volta da minha cintura e um corpo quente moldado às minhas costas.

Por um segundo, meu cérebro, ainda sonolento, tenta entender onde estou. Então tudo volta como um soco: o casamento, o sequestro, o voo, a casa, as fotos, as algemas, as mãos dele em mim…

Tento me afastar, mas o braço de Ronan me puxa de volta sem esforço, pressionando-me ainda mais contra seu peito. Sua ereção continua ali — dura e insistente contra mim, mesmo enquanto ele dorme.

“Fique quieta”, ele murmura contra minha nuca, a voz rouca de sono. “Ainda é cedo.”

Eu estremeço. Meu corpo reage a esse tom possessivo de uma forma que me causa repulsa e excitação ao mesmo tempo. Eu odeio isso. Odeio como minha pele se arrepia quando ele fala assim.

“Me solta”, sussurro, tentando ignorar o calor que cresce entre minhas pernas.

Ele dá uma risadinha suave, o som vibrando contra minhas costas, e desliza a mão possessivamente sobre minha barriga, parando logo abaixo dos meus seios.

“Você dormiu em meus braços a noite toda. Seu corpo sabe onde pertence, mesmo que sua cabeça ainda não tenha se dado conta disso.”

Antes que eu pudesse responder, a porta do quarto se abriu rangendo.

Aoife aparece de pijama, com os cabelos loiros despenteados e os olhos brilhando de animação. No instante em que nos vê juntos na cama, seu rosto se ilumina como se fosse Natal.

“Vocês dormiram juntos!”, exclama ela, praticamente saltitando de alegria.

Meu rosto queima de vergonha. Tento me afastar de Ronan, mas ele me segura com firmeza, sem nenhuma intenção de me soltar na frente de sua filha.

“Bom dia, princesa”, diz ele calmamente, como se acordar com a mulher que algemara na noite anterior agora em seus braços fosse a coisa mais normal do mundo. “Veio nos acordar?”

Aoife sobe na cama sem pedir permissão e se j**a entre nós, me abraçando com força.

“Eu queria ver se era real… se a mamãe estava mesmo aqui.” Ela enterra o rosto no meu pescoço, a voz abafada. “Dormiu bem? O papai às vezes ronca, mas posso te emprestar meus fones de ouvido se quiser.”

Estou sem palavras. Sua inocência, o amor puro e desesperado que ela sente por mim — uma pessoa que ela mal conhece — me desarma completamente.

“Eu… dormi”, consigo dizer, com a voz embargada. Quase instintivamente, minha mão sobe para acariciar seus cabelos.

Ronan nos observa com um olhar escuro e satisfeito. Ele se inclina, beija o topo da cabeça de Aoife e, em seguida, roça os lábios na minha têmpora — um gesto que parece terno, mas carrega uma clara mensagem de posse.

“Vamos descer para tomar o café da manhã”, diz ele. “Nós três. Como uma família.”

Aoife solta um gritinho de empolgação e sai correndo do quarto para se arrumar.

Assim que a porta se fecha, Ronan me vira de costas. Seus olhos azuis me prendem no lugar.

“Você vai sorrir para ela lá embaixo”, ele ordena suavemente, acariciando meu lábio inferior com o polegar. “Você vai ser gentil. Vai deixar que ela te abrace. E quando estivermos sozinhos de novo…” Ele se inclina e morde meu lábio inferior. “Vou te foder até você gritar meu nome e até perder a voz.”

Eu estremeço. Medo e desejo se contorcem de forma nauseante no meu estômago.

“Você está doente”, sussurro.

Ele sorri contra a minha boca.

“Eu sou. Mas você vai aprender a amar a minha loucura.”

Ele me solta o suficiente para que eu vista uma de suas camisas, que chega quase aos meus joelhos. Quando descemos, Aoife já está na cozinha, ajudando alegremente a pôr a mesa com um entusiasmo que me parte o coração.

O café da manhã parece surreal.

Aoife fala sem parar, contando histórias que não me lembro, mostrando-me desenhos que fez para mim durante os anos em que eu estava “dormindo”. Ronan senta-se ao meu lado, com uma das mãos sempre repousando na minha coxa por baixo da mesa — um toque constante e possessivo que me lembra que não há escapatória.

A cada risada de Aoife, a cada “Mamãe” que sai de seus lábios, sinto outra rachadura se formar dentro de mim.

Não me lembro deles.

Mas eles se lembram de mim.

E o pior é que, lá no fundo, uma pequena parte de mim, apavorada, também está começando a querer se lembrar.

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