เข้าสู่ระบบO Peso do Olhar Paterno
Após um silêncio tenso que pareceu ecoar pela eternidade, ficou claro que Philip não me ajudaria. A rigidez em seus ombros, a frieza em seu olhar—era a resposta que eu temia, mas esperava. — Obrigada pela ajuda, duque — disse, minha voz mais firme do que meu coração. Virei-me antes que ele pudesse ver a decepção estampada em meu rosto e caminhei para fora do campo de treinamento. O sol agora parecia mais incômodo do que acolhedor. Era exasperante tentar ajudar alguém que se recusava a enxergar a verdade. Alessia era cuidadosa—sempre foi. Ela sabia como esconder suas garras sob luvas de seda. Precisaria encontrar outra maneira. Ao chegar em casa, a carruagem oficial do meu pai estava parada na entrada, a poeira da viagem ainda assentando sobre suas rodas. Ele desceu, o rosto marcado pela fadiga e pela tensão habitual—até que Alessia surgiu como um furacão dourado, lançando-se em seus braços com um riso cristalino. — Você emagreceu, Alessia! Tem se alimentado direito? — perguntou ele, segurando-a com uma suavidade que raramente me era dirigida. — Como poderia, tio? Estava preocupada com sua viagem desde a última carta. Rezei para que tudo corresse bem! — Graças a suas orações, cheguei são e salvo — respondeu ele, afagando seu cabelo. Foi então que Alessia pareceu notar minha presença. Seus olhos azuis brilharam com um prazer perverso—ela adorava esfregar na minha cara cada migalha de afeto que roubava. — Sophia, onde você estava? Por que está vestida assim? — sua voz era doce como mel envenenado, mas seus olhos eram frios como gelo. Ela sabia perfeitamente por que eu estava assim—vestida com simplicidade para passar despercebida pelos guardas. Mas adorava fingir surpresa. Meu pai suspirou, esfregando a têmpora. — Você deveria se espelhar mais em Alessia. Basta olhar para ela para saber o que é uma verdadeira dama. Se eu tivesse visitas, sua aparência seria constrangedora. — Tudo bem, tio — interveio Alessia, colocando uma mão consoladora em seu braço. — Não se aborreça com ela. Pode fazer mal à sua saúde. Tenho certeza de que ela não quis magoá-lo. — Você é sempre tão bondosa com ela. Vá se trocar, Sophia. Vista algo decente. Teremos um almoço em família hoje. A diferença entre sua voz carinhosa com ela e o tom contido de raiva que usou comigo foi como uma facada. Eles entraram juntos, deixando-me para trás. Aby correu em minha direção, seus olhos cheios de preocupação. — Senhorita, sinto muito. Deveria tê-la impedido de sair assim... — Está tudo bem, Aby. Não é sua culpa — respondi, tocando seu braço para acalmá-la. — Vamos ao meu quarto. Preciso me arrumar para o almoço. Enrolei-me o máximo possível no banho, submergindo até que a água cobrisse completamente minha cabeça. O silêncio aquático era um alívio temporário—até que o ar faltou e eu emergi, ofegante, com água escorrendo por meu rosto e respingando no mármore do banheiro. — Senhorita, por favor, apresse-se! — insistiu Aby do lado de fora. Saí relutantemente. Não queria causar problemas para ela. Vestida e penteada, desci para a sala de jantar com Aby. O ambiente era opulento e intimidante—um monumento ao poder e ao status da família Von Eldrich. A mesa alongada, coberta por uma toalha branca imaculada, reluzia sob a luz dos lustres de cristal. As cadeiras, pintadas em ouro e estofadas em veludo carmesim, pareciam tronos. No centro, um arranjo exuberante de flores exóticas transbordava de um vaso de porcelana. Tudo sussurrava realeza—e, para mim, solidão. Minha mãe costumava dizer que decorava a casa assim para se sentir em casa, longe de sua terra natal. Mas para mim, aquele lugar nunca fora um lar. Meu pai notou minha entrada. Aos quarenta e seis anos, o Conde Marco von Eldrich era a personificação da autoridade. Seus cabelos grisalhos, seu rosto austero e sua postura rígida comandavam respeito—e temor. — Sophia, sente-se — ordenou, sua voz um comando silencioso que ecoou pela sala. Sentei-me à distância, afastando minha cadeira da dele—um pequeno ato de rebeldia que ele notou, mas ignorou. — Estávamos falando do casamento da Alessia com Philip. Em breve marcaremos uma data. Você e Jonas já têm uma? Era quase cômico—sua tentativa forçada de mostrar interesse, quando sequer sabia que meu noivado havia terminado. — Não há mais noivado. Rompemos. — COMO?! — sua voz trovejou, fazendo até os criados estremecerem. — Ele quis romper. Disse que ama outra pessoa. Por uma fração de segundo, vi o puro terror nos olhos de Alessia—rapidamente disfarçado por uma expressão de preocupação fingida. — Aquele cretino! — rosnou meu pai. — Calma, tio! — interveio Alessia, colocando uma mão sobre a dele. — Eles ainda podem se reconciliar... — Já está terminado — interrompi, cortando sua performance. — Há muitos homens bonitos e de boa estatura por aí. Não será difícil encontrar outro. Alessia ergueu a voz, indignada. — Você poderia não interferir dessa vez! Todos na mesa pareceram surpresos com minha ousadia. Mas meu pai ergueu a mão, silenciando-a. Seus olhos fixaram-se em mim, avaliando-me como se me visse pela primeira vez. — Quero que me deixe cuidar disso sozinha. Não preciso de sua ajuda. Ele observou-me por um momento, e um brilho de curiosidade—quase respeito—surgiu em seus olhos. — Tudo bem. Faça como quiser. Apenas seja rápida. Não atrase o casamento da Alessia por pirraça. — Bom almoço — disse, levantando-me antes que pudessem dizer outra coisa. Deixei-os ali—a família perfeita, em seu almoço perfeito—e subi para meu quarto. Aby me seguiu em silêncio, seus olhos cheios de solidariedade. A batalha estava apenas começando. E eu, finalmente, estava pronta para lutar.O tic-tac do relógio de parede no meu escritório era como um martelo batendo em meu crânio. Tempo, tempo, tempo. A palavra ecoava na minha mente, mesclando-se com o prazo final que Sophia me dera. "Na segunda-feira, você tem até às 18:00." A voz dela, tão doce e ao mesmo tempo tão firme, assombrava-me. Aquela decisão me deixara louco de angústia. Foram noites difíceis de engolir, noites em que a lealdade que jurei a Alessia se confundia com a verdade crua que Sophia tentara me mostrar. Eu estava imerso em documentos importantes da casa, tentando afogar a confusão em trabalho, quando a porta do meu escritório abriu sem cerimônia. Era Alessia. Sua presença, outrora um farol de alegria, agora parecia... estudada. Ela entrava com um vestido branco simples que deveria transmitir inocência, e seu sorriso era amplo, angélico, como se iluminasse o cômodo sombrio. Mas algo naquela luz me parecia artificial, como a chama constante de uma vela, sem o oscilar natural do fogo. "Philip! Est
O Primeiro Passo Adiante Era minha vez de seguir em frente. A decisão ecoava dentro de mim como um mantra, um feitiço de sobrevivência. Usei todo o encanto que consegui reunir, cada sorriso, cada gesto gracioso, como uma armadura sobre a pele ainda dolorida. Meu coração, é verdade, ainda não se recuperara do primeiro golpe—a ferida que Philip infligira ainda latejava, uma dor surda e profunda. Mas eu não deveria, não permitiria, me deixar abalar. Não mais. A Sophia que esperava estava morta; a que caminhava agora era outra. O príncipe e eu perambulamos pela galeria, um casal de aparência impecável sob o olhar silencioso das obras-primas. Ele, com uma honestidade desarmante, confessou ser "um analfabeto quando o assunto é apreciar estas coisas", com um gesto amplo que abrangia os quadros. "Mas," e aqui seus olhos azuis brilharam com um respeito genuíno, "tenho uma admiração profunda pelos artistas. A coragem de criar algo do nada... é um tipo diferente de bravura." Enquanto ele fa
Primeiras Impressões: Um Encontro Sob o Céu Noturno A lua cheia reinava soberana no céu, um farol prateado cercado por um cortejo de estrelas cintilantes que pareciam fazer reverência à sua majestade. No entanto, à medida que a carruagem se aproximava da galeria, todo o esplendor celestial foi ofuscado por uma explosão de luz terrestre. Os grandes candelabros de cristal e as inúmeras tochas cuspiam labaredas douradas que se refletiam nos altos vitrais, criando um portal de ouro líquido que desafiava a própria noite. Era um espetáculo de poder e opulência, mas o coração de Sophia batia num ritmo ansioso e desencontrado. Uma parte dela, teimosa e frágil, ainda sussurrava uma esperança tola: talvez ele estivesse lá. Talvez Philip tivesse aparecido no último momento, ofegante e arrependido. Afinal, ela estava atrasada – seria injusto ele não a esperar? Era um devaneio perigoso, um fio de ilusão que ela teimava em manter. Com um esforço, desviou os olhos da janela, concentrando-se em a
Era tudo ou nada. Sophia sabia disso tão bem quanto qualquer um que já tivesse apostado o coração em uma única carta. A semana havia passado num turbilhão de ansiedade e expectativa, cada dia um passo mais perto do precipício. Agora, em meio à própria confusão, ela encontrava um refúgio peculiar: sua própria história. A história que escrevia com uma determinação feroz, como se cada palavra fosse um prego fixando sua sanidade em um mundo que desmoronava. Apesar de sua mãe, a Princesa Herdeira Isabella, ser uma figura ausente em sua vida cotidiana, seu apoio era como a espada de um general—distante, mas decisiva. Foi através dos contatos e da influência silenciosa de sua mãe que ela conseguira publicar seu livro tão facilmente, dando vida a "Sia". Agora, mergulhada nas novas informações dos próprios personagens que criara, ela encontrava não apenas uma fuga, mas uma forma de colocar sua cabeça para funcionar, de organizar o caos interno em tramas ordenadas. E, invariavelmente, sempre a
A Ceifa da Inocência A frase saiu de seus lábios como um golpe baixo, um reflexo visceral do pânico gelado que lhe percorrera a espinha. — Seu pai nunca permitiria. Foi a primeira vez que ele brandiu aquela arma contra ela—a arma cruel de sua própria irrelevância dentro daquela casa, a confirmação de que seu valor era ditado pela permissão de outro. Mas a investida, em vez de findar a batalha, arrancou de Sophia uma risada despretensiosa e suave, que ecoou sob a abóboda da figueira como um som estranhamente puro naquele campo de batalha emocional. — Você acredita mesmo na falsa preocupação do meu pai comigo? — ela perguntou, e a pergunta pairou no ar como a piada de mau gosto que era. Seus olhos, agora límpidos e secos, brilhavam com uma lucidez que cortava mais fino que qualquer lâmina. — Você mesmo esteve ali, Philip. Você testemunhou. Quantas vezes ele me diminuiu? Quantas vezes desdenhou de qualquer coisa que eu fizesse, por mais irrelevante que fosse? Ela não esperou por uma
O Peso da Verdade e o Ultimato Sophia respirou fundo, o ar noturno fresco enchendo seus pulmões como se fosse a última vez que respirasse antes de mergulhar em águas profundas. Quando finalmente falou, sua voz saiu suave, mas carregada de uma dor antiga, como se ela contasse não uma história, mas uma ferida aberta. — Lembro-me de cada detalhe daquela varanda, — começou ela, seus olhos fixos em algo distante, além dos galhos da figueira. A luz da lua prateada... o modo como eles se emaranhavam... os sussurros que não eram para serem ouvidos. Ela fechou os olhos por um breve instante, como se revivendo a cena. Aquilo me causou um enjoo tão profundo, Philip. Um enjoo que vinha não só do estômago, mas da alma. Ela o fitou novamente, e viu em seus olhos verdes uma tempestade de emoções. A surpresa era evidente, mas mais profunda ainda era a dúvida teimosa que persistia, como se seu cérebro se recusasse a processar uma realidade onde aquela Alessia—a que ele pensava conhecer—pudesse e







