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Marina narrando capitulo 8

ผู้เขียน: Edivânia Rios
last update วันที่เผยแพร่: 2026-08-26 19:49:15

Naquela casa, nada parecia ficar escondido por muito tempo. E quanto mais os dias passavam, mais eu sentia que as paredes tinham ouvidos e cada olhar que me dirigiam trazia uma pergunta não dita.Odeio me senti uma gaiola dourada.

Rafael e Lucas eles trabalham com engenharia eletrônica e sistemas de segurança. Montam equipamentos, fazem instalações especiais, consertam aparelhos complexos e também desenvolvem projetos de monitoramento e controle — algo que exigia muita concentração, conhecimento e os deixava sempre ocupados, mas também com acesso a informações e espaços que outras pessoas não tinham. Era um trabalho respeitado, mas que também fazia com que eles fossem ainda mais observadores e atentos a qualquer coisa fora do normal ao seu redor.

Naquela tarde, eu estava na cozinha, bebendo um copo de água para tentar acalmar a sensação de enjoo que não passava, quando ouvi vozes altas vindas da sala de estar. Não era uma discussão comum, era algo que subia de tom a cada segundo. Fui até a porta e parei ali, sem ser vista, escutando tudo.

— Chega, Lucas! Já não aguento mais — disse Rafael, com a voz firme, carregada de raiva e impaciência. — Você deixa tudo para a última hora, deixa as coisas enrolarem e, quando a coisa fica feia, é sempre eu quem tenho que vir arrumar a bagunça, ou ouvir os nossos pais reclamarem só porque sou um ano mais velho que você!

Lucas riu de forma seca, sem nenhum respeito, e respondeu logo em seguida, também aumentando o tom:

— Ah, então agora a culpa é minha? Você gosta muito de se fazer de perfeito, de se fazer de responsável, mas todo mundo sabe que também tem os seus podres, irmão! Não venha me cobrar nada quando você mesmo não é exemplo de nada!

— O que é que você está querendo dizer com isso? — perguntou Rafael, dando um passo para frente, com o maxilar travado.

— Quero dizer que você também não é santo, não! — retrucou Lucas, sem recuar. — Guardo mais segredos seus do que você imagina, coisas que se o pai ou qualquer pessoa soubesse, a sua imagem de filho exemplar ia por água abaixo também! Não fique aí fazendo o papel de vítima e de quem tem tudo sob controle, porque a verdade é que você tem tantas falhas quanto eu — ou até mais!

Rafael cerrou os punhos, parecia que ia avançar nele a qualquer momento:

— Se tem algo para falar, fale logo de uma vez! Não fique jogando indiretas sujas para me atingir!

— Não é preciso gritar nem espalhar nada por aí — disse Lucas, abaixando um pouco a voz, mas mantendo o tom ameaçador. — Basta você parar de me cobrar como se eu fosse uma criança e resolver as suas próprias questões também. Cada um com o seu fardo, Rafael. Não venha querer carregar o meu,só para depois jogar na minha cara.

A discussão continuou com acusações veladas, provocações e palavras que deixavam claro que havia muito mais coisas entre eles do que apenas a convivência de irmãos. Nenhum dos dois tocou no assunto da minha saúde ou do que poderia estar acontecendo comigo, mas a tensão no ar ficou ainda mais pesada do que antes.

Quando eu pensei que iria acabar,a discussão já tinha começado alta, mas de repente pareceu que o teto da casa ia desabar com a força das vozes. Rafael deu um passo à frente, fechou os punhos e a veia do pescoço saltou, vermelha de raiva.

— Você quer saber por que eu fico cobrando? — gritou ele, quase rosnando. — Porque você não leva nada a sério! Desde criança vive empurrando tudo para os outros, e agora, com esse casamento que o pai fez questão de fechar, você age como se não tivesse nenhuma responsabilidade!

Lucas não recuou nem um centímetro. Ao contrário: deu um risada curta, cheia de desprezo, e avançou também, ficando cara a cara com o irmão.

— Responsabilidade? Ah, não me venha falar de responsabilidade, você! Você quer parecer o santo, o perfeito, o filho que nunca erra, mas eu sei de cada coisa que você faz por trás! — a voz dele ficou mais baixa, mas cortante, como uma lâmina. — Se o pai soubesse daquela noite, se ele soubesse que antes mesmo do meu casamento acontecer, você já tinha se deitado com a Boina a mulher do amigo… acha que ele ia continuar olhando para você com respeito?

Rafael empurrou o peito do irmão com tanta força que Lucas cambaleou para trás e bateu nas poltronas.

— Cale a boca! — gritou ele, desesperado. — Você não sabe o que está dizendo!

— Não sei? — Lucas levantou-se rápido, também furioso, e já vinha para cima. — Eu sei sim! Vi o jeito que vocês dois ficaram depois da festa,ela estava aqui no meu casamento te procurando, até a noite antes do meu casamento ela veio te procurar não sei onde você estava.Vi no seu olhar no dia do casamento o medo no seu olhar, percebi o o seu fingimento que estava tudo bem,mas o medo estava estampado,o horror que você tinha de que alguém descobrisse! Você achou que ia passar despercebido? E agora? Você não deu seu número para a dona,ela achou meu número,e eu seguro a onda pra você… Acha que eu não juntei as peças? Agora Segura a minha bomba porque eu estou segurando a sua,e as outras bombas que você tem, que faz no esconderijo.A mulher de 32 anos disse que está grávida,se ela estiver esperando um filho, Rafael, não é meu!

Nunca toquei nela,eu não tenho coragem,então de quem é? A resposta está bem na sua cara!

Os dois já estavam se agarrando, empurrando um ao outro, os socos quase saindo, a voz alta o suficiente para ecoar por toda a casa. Eu estava parada do lado da porta, ouvindo tudo com o coração disparado e as pernas ficando fracas. As palavras de Lucas caíram sobre mim como um balde de água fria: A o pai do meu filho não vale um centavo,vive transando sem camisinha.Olha onde fui marrar meu jegue, acho que Lucas vai usar isso contra o próprio irmão como uma arma.Essa família também briga?

Não pensei duas vezes. Mesmo me sentindo fraca, com a cabeça girando e a barriga já começando a pesar, eu corri para o meio dos dois e me coloquei entre eles, abrindo os braços para afastá-los.

— Chega! Parem com isso, já! — gritei, com a voz que saiu trêmula, mas firme o suficiente para fazer os dois pararem na hora.

Rafael tinha a camisa toda amarrotada, a respiração ofegante e os olhos cheios de ódio e desespero. Lucas ficou com a expressão ainda de raiva, mas parou quando me viu ali, tão perto, tão fraca, mas se colocando no meio da confusão.

— Sai daí, Marina! Não se meta nisso! — disse Rafael, tentando me empurrar para trás com cuidado, mas sem tirar os olhos do irmão.

— Não vou sair! — respondi, olhando de um para o outro, com lágrimas já começando a encher os meus olhos. — Vocês acham que não ouvi tudo? Acham que eu não entendi o que ele acabou de dizer? Lucas… você sabia desse segredo dele?o que nós temos haver com isso meu amor, é coisa dele.

Lucas deu um suspiro longo, passou a mão no rosto e mudou de tom, já sem tanta fúria, mas com aquele ar frio e calculado.

__Eu te amo minha esposa maravilhosa

Vi os olhos de Rafael,parece que ele não está confiando mais no irmão.

— Ele está fazendo isso só para te controlar — disse Rafael, virando-se para mim

Eu fiquei ali, parada entre os dois, sentindo que o chão desaparecia debaixo dos meus pés. Eu estava com a mão no peito deles.Dois irmãos em pé de guerra agora não havia amor, só ego,poder, disputa, jogo,vaidade

A respiração de todos ainda estava ofegante, o silêncio voltou a cair na sala, mas agora era um silêncio ainda mais pesado do que antes — porque não havia mais nada para esconder.

–Por favor não briguem.

_Estou de saída.__rafael falou.

_ Também vou.

__ Então vou pro escritório,e assim Rafael foi pra escritório, estava muito nervoso.

Eu me afastei da porta e fui até o meu quarto, sentando na beira da cama com a cabeça pesada. Como se não bastasse o que eu já carregava, agora tinha que lidar com essa briga também, sem saber até onde poderia chegar.

Mas não foi só isso. Pouco tempo depois, ouvi a porta da entrada se abrir e a voz de uma mulher conhecida e firme ressoar pela casa: era Dona Luciana, mãe de Rafael e Lucas. Ela entrou com aquele ar de quem chega para inspecionar tudo, olhando cada canto, cada móvel, como se procurasse algo fora do lugar.

— Onde está todo mundo? — gritou ela, caminhando pela sala. — Rafael? Lucas? Marina?

Saí do quarto devagar e fui até ela, tentando manter a compostura:

— Estou aqui, Dona Luciana. Os meninos estão trabalhando,Lucas foi pra empresa, Rafael não sei, mentir não quero que nada me liga ao Rafael.

Ela me olhou de cima a baixo, parou bem na minha frente e ficou me observando por alguns segundos, como se quisesse ler a minha mente. Depois, começou a fazer perguntas diretas, sem rodeios:

— Você está muito pálida, minha filha. Sempre com essa cara de cansaço, saindo da mesa antes de todos, dizendo que está passando mal. O que é que você tem, afinal? Não é normal ficar assim todo dia.

— É só uma indisposição, senhora. É coisa passageira, já passa — respondi, com a voz calma, mas sentindo o coração disparar.

— Passageira? Já faz mais de um mês que eu ouço a mesma história quando venho aqui — retrucou ela, apertando ainda mais o assunto. — Será que não é algo mais sério? Ou será que é algo que você não quer contar para ninguém? Uma mulher na sua idade, recém-casada, com esses sintomas… todos sabem o que isso costuma significar.

_Já fez exame de sangue?

Balancei a cabeça em negativo.

_O que te segura pra não fazer esse exame?

Senti que ela já desconfiava de algo e tentava me fazer falar. A sua forma de falar não era de carinho, era de investigação, como quem quer confirmar uma suspeita.

— Eu não sei do que a senhora está falando,mas vou fazer o exame sim,para vocês pararem de falar.— respondi, já começando a ficar irritada com a sua insistência. — Se eu estou passando mal, é o meu corpo que está assim, não tenho culpa. Não estou escondendo nada de ninguém, que coisa!.

Ela franziu a testa, não gostou da minha resposta:

— Ah, então agora você já responde assim para mim? Eu sou a sua sogra, tenho o direito de saber como anda a minha nora, o que acontece na casa dos meus filhos! Não venha me falar desse jeito, como se eu estivesse me intrometendo onde não devo.

— Não estou respondendo mal, estou apenas dizendo a verdade — rebati, já sem paciência. — A senhora pergunta, eu respondo. Não há segredo nenhum, só uma indisposição que não passa. Não precisa ficar vindo aqui todo dia para ficar me examinando como se eu fosse uma mercadoria.

O clima ficou pesado na hora. Ela abriu a boca para responder, com uma cara de raiva e indignação, quando de repente eu senti uma dor forte no fundo da barriga, seguida de uma tontura tão forte que tudo começou a girar ao meu redor. As pernas ficaram moles, o ar pareceu faltar e eu perdi o equilíbrio, caindo para o lado.

— Marina! — ouvi alguém gritar.

Antes que eu chegasse ao chão, senti mãos firmes me segurarem. Era Rafael. Ele apareceu rápido, vindo da sala, e sem pensar duas vezes, virou-me com cuidado, colocou-me nos seus braços e me ergueu com facilidade.

— Saiam da frente! — gritou ele, já andando em direção ao meu quarto. — Ela passou muito mal, preciso deitar ela logo.

Ele me carregou com cuidado nos seus braços, Me colocou devagar na cama,eu sinto a sensação do cuidado. Eu fechei os olhos, sentindo o corpo fraco, a cabeça latejando e ainda ouvindo, como de longe, as vozes confusas de Lucas e da Dona Luciana perguntando o que tinha acontecido. Mas o Lucas voltou?O que eu mais sentia naquele momento era o peso das mãos de Rafael descansando na minha barriga e a certeza de que, com esse mal-estar, o que eu tentava escondendo não ia demorar mais nada para vir à tona.

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