Na Ponta da Língua: Clínica do Prazer
— Abre um pouco mais, Eva, Eva... Isso... assim mesmo.
Meu corpo inteiro parecia derreter sobre a maca de exames. Meus dedos agarravam os lençóis com uma força involuntária.
A voz atrás de mim era grave e contida... Cada palavra dele fazia meu corpo vibrar e minhas orelhas arderem.
A posição do exame era vergonhosa demais. Meus quadris eram obrigados a se erguerem, altos demais, numa postura que parecia pura rendição.
— Doutor... eu... ah... não consigo abrir mais... — Murmurei, mordendo o lábio inferior, a voz tremendo de propósito.
Através da barra metálica da maca, vi meu reflexo: cabelos bagunçados colados à face corada, os olhos úmidos, turvos, brilhando com um desejo confuso.